Contos Coexistentes
06/10/2016 08:00 / 1,948 visualizações / 3 comentários

Saudações WebWalkers! Bracco conjurado com sucesso!


Hoje lhes trago um projeto que propus à Liga chamado CONTOS COEXISTENTES. Ele consiste em Lores criadas por mim, de personagens paralelos do MTG, postadas quinzenalmente.


Nosso primeiro conto é do menino de Innistrad chamado Maeli, onde após a ascensão de Emrakul, foi atacado por um anjo e, bem, não foi contado o que aconteceu depois... até agora! Essa história se dividirá Cinco Capítulos. Então sem mais delongas, vamos a ela. :)
 

CONTOS COEXISTENTES

 

Maeli – Capítulo I

 

“MÃÃÃEEE!!!!!”
 

Maeli abriu os olhos: Luz. Com dificuldade seus olhos foram se adequando ao repentino dia, ele estava vivo, tinha certeza disso, ainda sentia seu coração acelerado, o suor no seu corpo e acima disso tudo o medo, “Quem morre sente medo?” pensou. Ainda não entendeu como num vortex ele saíra da noite aterrorizante de Innistrad e viera parar num dia idílico, seria sua mãe que o salvou? Suas rezas à Avacyn não faziam mais sentido, então num impulso desesperado pela vida e o colo de quem o amou ele rezou pela mãe, e assim que a lâmina do insano anjo tocou sua pele uma força invisível o empurrou para o nada e logo em seguida a este lugar. Uma camiseta rasgada e dois cortes no peito, um pequeno na frente sangrando, e outro interno como um ovo rachado, mas que não doía ou sangrava. E mesmo assim ele estava vivo, tinha certeza.
 

Após se acalmar olhou ao redor, grandes muralhas cobertas por vinhas, pássaros e alguns cervos silvestres, hortas, árvores de pequeno porte e grandes frutíferas, por fim ao fundo uma enorme estátua de uma mulher encapuzada segurando uma foice, e aos pés dela um animal que ele ainda não conhecia. Não parecia algo aterrorizante, apesar da foice. E o calor! O lugar era incrivelmente quente comparado com o mundo o qual conhecia, e seu suor agora já não era mais de medo, adrenalina ou por correr e sim pelo calor. Ao longe uma figura trêmula pela temperatura do ar vinha se aproximando: mais perto, uma mulher, mais perto, pele negra coberta com panos leves e coloridos, mais perto, carregando uma cesta com o que pareciam ser frutas dentro, mais perto, uma expressão de doçura e curiosidade.
 

“Olá criança.” Sua voz era serena e reconfortante. “Você é diferente, nada parecido com os últimos órfãos que recebemos. De onde vem? Pequeno arkullos.”
 

“Ga-Gavony” ele gaguejou. “Sou Maeli, não Áukulu. O que é Áukulu?”.
 

A moça gentil deu uma pequena risada, doce também, Maeli não se sentiu constrangido, na verdade quis até rir com ela. Mesmo a Sra. Sadie tendo o acolhido, em nenhum momento ele sentiu seu coração seguro como com essa moça que ele mal conhecera. “Significa pequeno urso, é como chamamos nossas crianças aqui em Setessa.” e continuou a falar enquanto fazia calmamente um arco com os braços “Aqui é o Templo da Fartura, o coração de nossa Polis e centro de devoção à nossa Mãe e Deusa Karametra. A propósito, chamo-me Déstia.”
 

“Eu não entendi muita coisa.” Maeli respondeu, e olhou para a cesta de frutas, sua barriga roncou e todas aquelas frutas eram deslumbrantes demais para serem ignoradas. Déstia percebeu imediatamente e logo o ofereceu uma grande fruta amarela enquanto respondia:
 

“Algumas coisas eu ainda não entendi também, Maeli, mas tudo ao seu tempo. Tudo ao seu tempo”.

 

 

Após Déstia conjurar uma magia de cura para seu ferimento, ela tirou a camiseta suja e suada de Maeli e trocou por um manto de tecido leve colorido o qual guardava com outros num canto da cesta. Embora o corte do peito logo houvesse sarado, o interior ainda parecia aberto e desconfortável e ela não sabia mais o que fazer naquele momento para aliviar esse desconforto. Depois de tentativas frustradas, Déstia perguntou sobre o que ele havia passado e Maeli fez um resumo como pôde e o menos detalhado possível (porque não queria reviver tudo àquilo) e eles concluíram que o desconforto talvez fosse apenas reflexo do que passara.
 

Para acalmá-lo após o relato, ela o convidou a conhecer sua casa e sua esposa, e prontamente Maeli disse que sim. Eles então saíram do Templo e Maeli foi guiado pela mão por essa cidade nova: árvores colossais que nunca havia imaginado se misturavam com a polis, passou por um mercado cheio de humanos e criaturas que ele não conseguia identificar, mas que aparentemente eram todos pacíficos, cheiro de comida, ervas e bebidas, sons... Após alguns minutos ambos pararam para comer um pão de folhas delicioso, depois logo retornaram à caminhada. Um Riacho cheio de peixes coloridos, arbustos frutíferos e pequenos animais silvestres iam os recebendo conforme entravam em um distrito mais residencial, até que passaram por uma das pequenas pontes que atravessavam do riacho a jardins de entrada, e chegaram à porta de Déstia:
 

“Bem-vindo, Maeli” e abriu a porta. Um cômodo cheio de almofadas vermelhas, azuis, verdes e laranjas, apoiadas em tocos de árvore se revelou para ele, um cheiro de flores e algo sendo cozido em outro cômodo saiam pelas janelas em arco, espalhadas pelas paredes. Uma pequena escada ao fundo e duas aberturas laterais emolduradas por colunas levavam a outros cômodos. Tudo madeira e pedra. Passos vieram da esquerda, e uma outra mulher surgiu, mais alta que Déstia, negra também, cabelos presos e vestia apenas uma saia branca, corpo incrivelmente musculoso, ereto e forte, semblante sério sem ser rude, até que sorriu: 


“Amor!” disse a moça num sorriso esplandeceste onde tudo ao redor pareceu brilhar com mais vida. “E temos um convidado especial! Colocarei mais ingredientes para o almoço.” Sua voz era tão poderosa!


“Aurora, esse é Maeli, e Maeli essa é minha esposa e minha vida, Aurora.” Disse Déstia olhando de um para o outro, ambos acenaram com as mãos, ele timidamente, mas ela parecia se divertir com essa timidez dele. Déstia continuou para Aurora “Encontrei Maeli em minha caminhada matinal pelo Templo após recolher algumas frutas, ele deu sorte que é nosso dia de descanso, né Maeli!?” olhou para ele em uma pergunta que não era bem pra ser respondida e logo voltou à esposa ”Depois quero conversar com você a sós, preciso que cuide de Maeli depois do almoço, enquanto vou me consultar com as anciãs.”
 

Aurora apenas acenou a cabeça positivamente uma vez, e disse “Deve ter sido algo grave e inesperado.” já com o semblante sério-sereno olhando diretamente para Maeli. 
 

“Sim...” e virou-se “Maeli, o que acha de um banho?” Banho nesse calor seria a benção e essa pergunta o fez perceber também como ele estava sujo, mesmo com o manto novo. Ele concordou balançando a cabeça. “Ótimo! Venha comigo, será o tempo de Aurora terminar o almoço” disse enquanto entregou a cesta para Aurora e o puxou para o corredor da direita. Ao passar por esse corredor seu coração saltou de medo: Espadas, escudos e armaduras apoiados na parede, ele enfiou o rosto na cintura de Déstia e começou a chorar. “Acalme-se Maeli, Aurora é uma guerreira, ela defende nossa Polis e a nossa casa.” 

 

Agachou-se e limpou as lágrimas dele “Aqui você está seguro. Venha!”. E foram se arrumar.
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CONTOS COEXISTENTES


Maeli – Capítulo II

 

‘’O que é uma hidra? O que é uma nileia? O que é uma cara mentra?’’
 

“Karametra!” respondeu Aurora. “Calma Maeli, uma pergunta de cada vez!!”
 

Após um banho e almoço deliciosos Maeli e Aurora se sentaram nas almofadas da sala e ela contou inúmeras histórias de heróis e monstros, algumas que ela mesma havia vivido, e isso encantou Maeli, principalmente pelo seu jeito alegre e sorriso que tudo iluminava, e há muito ele não se sentia tão empolgado. Déstia estava fora e já era quase noite quando retornou das Anciãs.


“E então, como foi?” perguntou Aurora, séria novamente. Sua capacidade de ir da euforia à austeridade e vice-versa era impressionante, e um pouco espantoso.
 

“Adotaremos Maeli, se ele quiser obviamente” Déstia sempre terna.
 

“Quero! Quero ficar aqui! Por favvoorr!”


“Então está decidido, já me adiantei e amanhã pela manhã marquei o batismo, seremos uma Nova Colheita” e concluiu, vendo a cara de dúvida de Maeli “Significa que uma nova criança chegou ao lar, um novo fruto Maeli, e você será cuidado e cultivado em seu potencial pleno. Além disso, contei seu relato a elas e todos conversaremos sobre isso também”.
 

“Tá.” Maeli nunca entendia muito bem o que Déstia falava, nessa parte ele se deu melhor com Aurora que era mais direta e não falava tão difícil. Mas mesmo assim, desde que conhecera ambas se sentia como apenas sentiu com sua mãe de Innistrad, só que agora vezes dois. 


Após mais algumas histórias e outra refeição, o sono chegou. Aurora preparou uma cama para Maeli na sala, mas arrumariam um cômodo posteriormente, e foram deitar. Atormentado por pesadelos, Maeli só conseguiu dormir após receber um chá calmante e assim foi até o raiar do dia seguinte. Desjejum e preparados, todos foram às Anciãs.


Uma hora e alguns minutos de caminhada na labiríntica cidade floresta, até chegarem a uma corpulenta árvore torre, com um enorme salão a sua frente. O portal de entrada abria em um pátio iluminado pelo sol, onde ao fundo contemplava-se uma colossal estátua da deusa Karametra, algumas pessoas estavam rezando e cultivando sua devoção. Em ambos os lados do fundo do pátio, dois arcos adentravam o tronco da árvore torre, uma das duas guardiãs sacerdotisas postas nas entradas se aproximou e os guiou para dentro.

 

 

 O interior do tronco era iluminado por cornucópias cheias de flores brilhantes e uma escada em espiral circulava internamente sua espessura. Na longa subida e passadas algumas portas, a última era apenas uma cortina de tecidos beges leves e opacos, entraram.


Uma grande sala aberta, quase na Copa da Árvore, possuía quatorze estátuas dispostas ao redor em círculo, eram feitas cada estátua de um cristal diferente e em tamanhos um pouco maiores que humanos comuns, mesmo nem todos parecendo como tal, dentre todas, Maeli só reconhecia Karametra. 
 

No centro do hall uma depressão e cinco senhoras também sentadas em círculo ao redor dessa depressão. Cada uma com uma cor de roupa e objetos ritualísticos: A de branco segurava uma coroa, a de azul um livro, a de preto uma urna fechada, a de vermelho uma espada e a de verde um cajado. Duas assistentes em tons de marrom estavam a postos silenciosamente.
 

“Entrem no círculo” disseram as cinco em uníssono vagarosamente. E continuaram após eles entrarem e se sentarem no chão ao centro das senhoras “Menino Maeli, vem a esta cidade e encontras-te com a sábia druidisa Déstia e a virtuosa guerreira Aurora por vontade dos Deuses, e é de vontade delas que sejam agora uma família com mais uma semente, mas é de sua vontade o mesmo desejo?”
 

“S-sim, eu quero!” Aquele fluxo de energia, aquelas palavras. Algo mágico estava no ar e isso o admirava, mas também o intimidava. As cinco anciãs continuaram em uníssono no ritmo delas.


“Se a verdade da vontade em seus corações for verdadeira, então que os laços se firmem e que a mágica da união se estabeleça.” Os objetos ascenderam, a luz do sol entrando pelos galhos da copa resplandeceu mais forte e as senhoras orientaram “Unam as mão num único ponto” Maeli e suas mães o fizeram, e um fluxo de energia colorida de cada objeto flutuou no ar e cobriu suas mãos unidas.“Poucas magias se comparam à proteção da família, e que ela os proteja, pois aqui é provado que suas vontades são verdadeiras. Agraciada seja a Nova Colheita.” 


As luzes penetraram a pele de Maeli e de suas mães e os aqueceram por dentro. Porém nesse momento a força foi tão grande e elétrica que Maeli desprendeu, sentiu-se sozinho no meio do nada, vislumbres de lugares desconhecidos passaram por ele numa velocidade surreal, seres, magias, uma infinidade de situações. Até que uma voz ecoou longe “Maeli!” era Déstia chamando de longe “MAELI!” mais forte “MMAEELLIII!” ele voltou! “O que aconteceu?! Você quase sumiu!” nervosismo cobria a voz de Déstia, que se virou às Anciãs “Isto estava previsto? O que aconteceu aqui?! Exijo uma explicação!”
 

A anciã de azul sorriu e falou, vagarosamente “Temos muito que conversar ainda, druidisa Déstia.” virou-se e olhou diretamente nos olhos de Maeli com uma profundidade hipnótica “E especialmente com você, menino planeswalker, Maeli”.

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Maeli – Capítulo III

 

Dez anos percorridos, mais da metade da vida de Maeli neste novo mundo, uma nova vida sem os pesadelos e terrores de onde nascera. Embora Theros também tivesse suas peculiaridades e temores, a proteção de Setessa e de sua família o mantinham longe dos problemas do mundo lá fora, até agora. Com a chegada dos dezessete anos chegara também o momento do homem peregrinar de Setessa para tornar-se herói.


Mesmo que não houvesse uma idade exatamente fixa nessa tradição setessana, nem uma obrigação para os homens propriamente dita, suas mães e as anciãs concordavam que Maeli desperdiçaria seu potencial mágico e de planeswalker sem explorar o mundo setessano, e os outros mundos. Durante esse tempo, além de uma vida tranquila e feliz, Maeli aprendeu os costumes e história de Theros e foi colocado à prova na faculdade que se adequaria melhor. Não por coincidência, seu lado tranquilo, pacato e sua afinidade com a floresta e animais evidenciaram seu futuro como grande druida, e foi treinado então por sua própria mãe Déstia, uma das mais poderosas druidisas da Polis. Onde logo nos anos iniciais Maeli salvou e cuidou de uma águia filhote, a qual se tornou sua companheira animal, deu a ela o nome de Nila, em homenagem à Niléia. 
 

Também toda virada de solstício, durante todos esses anos, ele marcava imersões com as anciãs a fim de receber os ensinamentos que elas possuíam sobre planeswalkers e aprender a controlar sua centelha. Embora limitados, o conhecimento delas o ajudou a entender o que ele era, e a controlar sua capacidade de caminhar entre dimensões. Mas para Maeli, teleportar a outro lugar não fazia o menor sentido, não era atraente e não encontraria nada melhor do que já possuía aqui, então deixou oculto de todos o aprendizado e controle de sua centelha e simplesmente ignorava essa sua capacidade, só de pensar que talvez pudesse voltar à Innistrad um dia, lhe dava calafrios e pesadelos. Veio para Setessa e tornou-se setessano, até seu físico e pele queimada de sol agora eram tipicamente de Setessa, pra quê mudar de lugar de novo?


Sua esperança de não precisar peregrinar era que aceitassem quando fez seu pedido para cuidar das colheitas ou dos animais, que era algumas das coisas onde os poucos homens existentes em Setessa permaneciam.
 

“De jeito nenhum!” Déstia prontamente respondeu “Lembra-se que eu prometi te ajudar alcançar seu potencial pleno? Então, você precisa desgrudar, Maeli. Já é quase um druida mais poderoso que eu, na verdade você naturalmente já é, mas não quer ser! Você precisa querer ser!”
 

Mesmo estudado, Maeli ainda se sentia mais confortável com o jeito direto de Aurora que as poéticas falas de Déstia. Mas agora ambas o encaravam com expectativa: todos os três no anel mais externo da cidade perto do principal mercado de troca com estrangeiros, ele de costas para o restante de Theros com Nila acomodada em seus cabelos longos e volumosos e suas mães de costas para um dos portões da cidade, mas de frente para o sol nascente.


“Vocês têm noção que eu não faço a mínima ideia do que percorrer?” perguntou Maeli visivelmente incomodado com a situação.
 

“Do jeito que te conhecemos, estranho seria se soubesse.” Às vezes as diretas de Aurora eram tão fortes como um soco dela. Déstia prosseguiu depois:
“Por isso você irá em grupo, estamos esperando os outros peregrinos, vocês irão para Meletis. De lá espero que abra mais sua cabeça, encontre algum tutor ou tutora e estude mais um pouco, depois caminhe sozinho de vez.”
Maeli rolou os olhos e fechou a cara. Déstia ignorou e continuou.


“Sabe que pode voltar caso precise, mas não queremos isso por comodismo de um menino medroso, queremos que volte como um homem maduro” E virou-se quando alguém gritou chamando sua atenção atrás.


“Déstia!” um rapaz pouco mais velho que Maeli, branco e de cabelos castanhos curtos encaracolados vinha andando rápido, coberto por um manto e armaduras leves, de porte corpulento apesar da idade, ele era visivelmente um estrangeiro. Atrás dele vinha uma moça e mais um rapaz, esbeltos e negros, setessanos. Chegou e animadamente se apresentou “Sou Akko, fiquei hospedado aqui alguns dias e me pediram para guiar esse novo grupo de peregrinos até Meletis.” E olhou por entre as mulheres “Você deve ser Maeli. Animado?” perguntou sorrindo.


“Não”. Respondeu seco.
 

“Ah...  Bom, espero que mude de ideia no caminho. Costumo largar companhias desagradáveis.” Akko respondeu irritado e franzido, até umas faíscas vermelhas pareceram brilhar em seus olhos nessa hora. Maeli percebeu como fora inconveniente, ainda mais pelas expressões de suas mães, e tentou se corrigir.


“Desculpe, podemos começar de novo? Esta é Nila, minha Águia.” Tentou ser mais simpático agora, e Akko também relaxou, animais costumam funcionar bem para tirar tensão do ar. Nesse meio tempo os outros chegaram e depois se apresentaram, avisos e orientações feitas, Maeli se despediu de sua família com um pouco de lágrimas nos olhos, mais porque Déstia começou a chorar que por ele mesmo, e pôs a bolsa nas costas. Akko então se pronunciou animado:
 

“Todos prontos?!” E partiram.

 


“Tudo bem aí?!” Akko quebrou o silêncio enquanto caminhavam pela floresta. Os outros jovens setessanos vindo atrás. “Vocês são muito quietos, já é quase pôr do sol e nem conversaram”.
 

“Sim” Maeli decidiu acompanhar a conversa “Então, qual o plano?” 
 

“Bom” começou o jovem guia agora sorrindo alegre, pelo jeito ele gostava de falar “Até sairmos da floresta são seis dias de caminhada, da borda dela iremos a um vilarejo onde compraremos um bote e terminaremos em Meletis pelo rio, após dois dias e meio.”
 

“Rio? Mmmm... nunca andei de barco ou qualquer coisa parecida. Será que é seguro?” Maeli já demonstrando na voz o tom receoso.


Tem alguma coisa que você não tenha medo?” Akko retrucou num tom debochado. Maeli não estava acostumado a pessoas grosseiras, e ficou em silêncio se fechando novamente. Mas passados alguns minutos o guia começou “Você nunca saiu de lá, não é? Talvez isso explique o porquê você é tão receoso com tudo. Eu daria tudo para viajar o quanto pudesse.” Mesmo assim todos quietos, mais minutos corridos e Akko de novo quebrou o silêncio. “Fui criado nas montanhas como ferreiro, mas aquilo não foi o bastante pra mim. Todos dizem que minha habilidade é fora do comum, além da minha curiosidade ser...”


“Você não consegue ficar muito tempo quieto, não é?” cortou Maeli. Akko o olhou sério e fechou a cara, as centelhas vermelhas faiscando em seus olhos, e dessa vez não era só impressão. Quase uma hora direta de silêncio novamente...


Até que uivos preencheram o ar, os outros três arregalaram os olhos e prepararam as mãos na arma mais próxima. “Lobos!” a única moça do grupo exclamou.


Maeli riu calmamente.
 

“Qual a graça?” Akko perguntou.
 

“Olha só quem está com medo agora...” Foi a vez de Maeli debochar. “Deixem que essa eu resolvo, e sem sangue.” Os olhos de Maeli brilharam verde, ele se concentrou na direção dos uivos e uma aura verde luminescente partia de seus olhos encobrindo-o aos poucos. Foi quando ele se conectou: 
Sentiu o alfa da alcateia e entrou em sincronicidade com ele, suas essências ligadas e desejos submetidos um ao outro, sentiu os cheiros da floresta, de si mesmo e de seus companheiros, ruídos, vibrações, tudo amplificado. Porém o controle de Maeli era maior, e assim o lobo tornou-se uma parte associada dele, e a partir disso Maeli comandou toda matilha mandando-os caçar na direção oposta. 
 

“Olha só! Belo encantamento!” Akko exclamou quando Maeli voltou do transe e os uivos iam para longe.
 

“Não é um encantamento, é simbiose.” Esclareceu Maeli. “Eu não manipulo os animais, entro em acordo com eles. E tem isso também...” das mão do jovem planeswalker começou a brotar um espectro verde-luminescente, até que esse espectro deu forma a um lobo enorme. “Esse é o alfa da matilha, como entrei em contato com sua essência, agora posso materializar uma energia idêntica à dele, e é assim com todos os animais selvagens que eu me ligo.”


Os olhos de Akko brilharam, já os setessanos ficaram um pouco espantados e cochichavam entre si. “Realmente, acho que começamos mal desde a saída de Setessa” Exclamou Akko, e continuou “Logo a noite cai e precisamos dormir. Desculpe por duvidar da sua força.” Finalizou com um cumprimento de cabeça.


“Tudo bem, eu lido melhor com animais e plantas quê pessoas. Eu e você estamos nos entendendo ainda.” Por fim respondeu Maeli, também acenando com a cabeça.


A noite avançou firme, e eles encerraram o primeiro momento na floresta.

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Maeli – Capítulo IV

 

Era a última noite na floresta, quando Maeli e Akko acordaram com gritos e rugidos.


    “NILA!” Maeli instintivamente procurou por sua águia, a qual também havia acordado e estava agitada de medo.
 

    “O que é isso?! Onde estão os outr...” Akko foi cortado por mais gritos e urros. 
 

Ambos correram na direção da cacofonia medonha, e se depararam com uma hidra de seis cabeças das quais três destroçavam árvores onde a setessana nua se escondia e berrava. Enquanto em uma das outras cabeças o jovem setessano, com uma espada e também nu, lutava para desprender o outro braço da mordida de uma cabeça e chutava uma segunda impedindo que o devorasse, mas uma terceira veio em sua direção e o finalizou de vez.


“Maeli, tente aquela sua magia!” Akko gritou desesperado, e ao virar-se percebeu que o jovem druida já tentava fazer isso. Até que ele caiu no chão com um baque seco.
 

“Sem chance!” exclamou de joelhos, recuperando o fôlego “selvagem demais, até pra mim! E já está devorando sua presa, praticamente impossível nos conectarmos agora!”


Akko puxou um manto de suas costas e revelou um enorme martelo, com uma constelação lindamente compactada em seu metal, e o sacou “Então vou tentar salvar a moça, você fique a postos pra fugirmos em seguida!” e avançou, porém a Hidra foi mais rápida e em um movimento sincronizado arrancou o último abrigo da setessana usando quatro cabeças, enquanto outras duas já a agarraram e a rasgaram ao meio.


“CCOORREE!!” berrou Maeli já em fuga. E Akko num último movimento para escaparem conjurou fogo em seu martelo e golpeou forte o chão. Enquanto ele se virava para fugir, uma barreira de fogo se interpôs entre eles e a hidra, e ela que mal os vira já se esquivou do fogaréu e desistiu de caçá-los.
 

Voltaram ao acampamento correndo, recolheram tudo às pressas e verificaram se a noite estava segura, e só então, depois de recuperarem o fôlego, conseguiram se falar. Como sempre, Akko sendo o primeiro a quebrar o silêncio “Ainda estou processando o que aconteceu... era o turno do rapaz ficar de vigia, depois seria a moça...”
 

“Você acha que eles.... digo... os dois estavam nus e tal...” Maeli comentou, meio sem jeito tentando fazer sinais com as mãos.


“Estão mortos agora, acho que não é mais da nossa conta... enfim, melhor irmos andando.” Falou Akko melancólico, olhando pro vazio entre as árvores.”

 

Após quase chegarem aos limites entre planície e floresta, com o sol nascendo, foi a vez de Maeli quebrar um pouco do silêncio de luto. “Seu martelo, ele é feito de nyx não é?”


“Sim, eu não retomei esse assunto antes, mas já que perguntou... Eu nasci nas terras de Akros, numa vila não muito segura. Minha mãe, para me proteger, conseguiu me enviar ainda criança como aprendiz de ferreiro nas montanhas próximas à capital. Lá moldávamos magma além de metal, então minha devoção a Púrforo cresceu junto com minhas habilidades. Até que um dia, de tanto eu me sobressair, um mensageiro Nyxnato me ofereceu uma provação do próprio Deus da Forja, a qual eu passei.” O prodígio forjador abriu um sorriso de orelha a orelha. “Foi quando o próprio apareceu, e como prêmio o Deus me deu metais produzidos com nyx. Entre algumas coisas que fiz com eles está meu martelo, e ainda guardo um pouco que sobrou. Além de ótimo material, posso encantá-lo com magias diversas.”
 

“Incrível!” exclamou Maeli “E por que você saiu de lá? E seus parentes?”


“Morreram numa invasão de minotauros, nunca mais os vi desde que deixei a vila. Eu ainda preciso me encontrar Maeli, falta alguma coisa em mim que não sei o que é, as montanhas já eram pequenas pra mim, e quanto mais eu ando nesse mundo, menor ele fica.”
 

Inquietação, poder... Maeli soltou espontaneamente “Você nunca saiu de Theros?”


“Como assim?!” riu Akko. “Você quer dizer o submundo ou algo assim?!”
 

“Não, dei um devaneio aqui. Veja, chegamos!” Cortou o assunto apontando para a vila.
 

“Ótimo! Amanhã, embarcamos para Meletis!” Akko, o campeão forjador exclamou.

 

 

Um cais muito movimentado, cheiros dos mais diversos peixes e frutos do mar, gritos em infinitos dialetos, embarcações de todos os tipos... A atenção de Maeli dividida em tudo só foi interrompida por sua águia, que chegou bem na hora em que eles atracavam o bote.


“Ei, que bom que deu tempo dela voltar para você antes de adentrarmos a cidade.” Sorriu Akko.
 

“Ela me acharia independente de onde eu estivesse.” Respondeu o druida desenrolando a carta que Nila trouxera. “Minhas mães receberam meu recado de que estávamos chegando à Meletis.” Suspirou 

 

“É, nova etapa... e você o que fará?”
 

“Por hora arranjar trabalho, o pagamento das suas mães e dos dois falecidos não vai me durar o tanto que preciso.” Respondeu o forjador.
 

 

“Elas te contrataram?!” 
 

“Sim, por que o espanto?”
 

“Não, é só que... eu achei... que... que você fosse um amigo de viagem.”
 

“Eu fui, mas preciso comer e me abrigar. E eu sou seu amigo, tome fiz isso para você.” Akko estendeu um pequeno objeto envolto por um pano. “Fiz durante meus turnos da noite, por isso você não viu. Ajudou a manter o sono distante”


Maeli abriu o pacote e um pequeno pingente no formato de uma folha flamejante se revelou, coberto por estrelas. “É de Nyx!!!” Maeli exclamou eufórico.


“Sim, usei um pouco pra fazer pra você. Praticamente um amuleto de proteção.” 
 

“Obrigado!” respondeu sem jeito. E aquele momento de silêncio estranho pairou um pouco, até que Akko quebrou.


“Bom, nos vemos qualquer hora. Até, Jovem Druida Maeli!”


“Até, Campeão Forjador! Nos vemos por aí, ou em outro mundo qualquer.”


“Você às vezes parece a Déstia, tem horas que nunca entendo o que você fala.”
“Eu também não entendia.”
Respondeu Maeli, antes de se separarem na entrada à metrópole.

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Uma metrópole inconstante e tumultuada, onde pensamentos e filosofias praticamente ganham forma. A discussão constante, a abertura à imaginação, infinitas portas abertas as quais quase nunca se fecham formam uma piscina de formas pensamento pronta para atrair predadores dos mais vorazes. E Maeli tem um cheiro forte de presa... e lembranças sombrias...

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CONTOS COEXISTENTES
 

Maeli – Final

 

    Nem dois meses de vivência em Meletis e Maeli já estava quase de saco cheio. Muita gente, muito barulho, muita conversa, quase nenhum lugar quieto, poucos animais, plantas sempre reprimidas... “Enfim,” pensou “se aqui já está difícil assim, imagina se eu paro em alguma outra grande metrópole pelo multiverso? Depois quando não quero sair por aí, minhas mães reclamam...”. Foi refletindo enquanto caminhava para a universidade, segurando e olhando o pingente que Akko lhe dera, que geralmente carregava como colar.


    Maeli havia encontrado um mentor e participado de algumas aulas de alquimia numa universidade central. Decidiu focar nas questões dos elementos e como ele poderia manipular isso para fortalecer seus animais espectros, mesmo assim a parte prática ainda não o satisfazia do jeito que esperava, e com toda a balbúrdia da cidade sua paciência em permanecer aqui estava se esgotando. 


    Umas das únicas coisas a qual ele se identificou e aquietou sua mente foram as rodas de prosa, poesia e filosofia: Certa vez à noite, após sair dos estudos e ir se dirigindo à hospedagem (um quarto simples de um armazém, perto de um canal), ele decidiu variar um pouco o caminho e se deparou com uma roda em palco arena num pequeno beco, onde humanos, centauros e até alguns sátiros contavam histórias, filosofavam e discutiam juntos. Desde então, toda noite ele passava pela rua do beco a fim de checar se estava acontecendo alguma reunião, e se juntava como ouvinte quando isso ocorria.
 

    Essa não foi diferente, após sair da universidade ele foi se dirigindo ao beco. A noite já pairava pela cidade e o céu super estrelado, como quase sempre, o observava. Conforme foi chegando já ouvia uma voz poderosa, provavelmente contando histórias de heróis, um centauro talvez? Enfim, acelerou o passo para ele se adequar a sua ansiedade. Foi quando após passar por um espaço entre muros, uma figura trombou com ele pela lateral e os dois foram pro chão.
 

    Uma criança, que caiu e ficou de bruços chorando. Maeli ajoelhou-se para levantar, mas ficou um pouco imóvel pelo choque da cena: Uma garotinha com roupas rasgadas e sujas de sangue. “Mas o quê...” a exclamação dele foi subitamente interrompida por outra aparição, um homem mascarado e encapuzado, com uma adaga na mão.
 

    “Não ouse ficar no meu caminho, jovem!” a voz dele fez a menina levantar a cabeça e tremer de medo. Enquanto o homem encapuzado ia em direção a ela, Maeli não pensou duas vezes e invocou o espectro de um lobo, e o fez avançar sobre o indivíduo. Enquanto isso ele pegou a menina no colo e saiu correndo para o beco.
 

    “O que aconteceu?!” perguntou entre fôlegos. Porém a menina só chorava. Foi quando ele já via as luzes do beco se aproximando que sentiu uma dor aguda, caiu no chão e soltou a garota que também caiu rolando e gritando. Uma adaga de arremesso encravou em sua escápula. Quando virou-se, o vulto do assassino vinha correndo em sua direção “Já... CHEGA!!” Maeli invocou uma horda de lobos espectrais e os lançou na direção do vulto, que ficou lutando ferozmente contra todos eles. Enquanto isso ele arrancou a adaga das costas, conjurou um ferimento de cura, pegou a menina novamente e conjurou a neblina mais densa que pôde e saiu o mais depressa possível.


    Nenhum sinal do assassino encapuzado desde então. Maeli abandonou o Beco e se dirigiu ao templo mais próximo e, sem fazer muitas perguntas nem dar muita explicação, deixou a menina com um sacerdote. Porém quando estava a alguns quarteirões de distância ouviu os gritos dela e voltou correndo, tarde demais. Sacerdotes assassinados, e a garota sumida.


    Desconsolado, só lhe restou voltar para sua hospedagem com os ombros encolhidos e o espanto de não saber o motivo de tudo isso, “Investigo?” pensava, e sua cabeça pesava: culpa, incapacidade, falta de poder “Sou um fraco...”. Passou todo o caminho se martirizando e após chegar e encontrar Nila empoleirada, caiu seco na cama e desmaiou. Até que seus pesadelos começaram.
 

    Maeli era uma criança sozinha na floresta noturna de Innistrad, de repente, várias crianças apareceram correndo, gritando, de todos os lados, todas como a garotinha que acabara de tentar salvar. Por fim eles vieram, anjos! Asas vermelhas de sangue exterminando todas as meninas ao redor. Maeli se encolheu entre joelhos e fechou os olhos, foi quando sentiu tentáculos roçarem em sua pele, abriu os olhos espantados e de repente todos os anjos e crianças estavam fundidas em uma gosma roxa leitosa, cheia de tentáculos, rostos, membros e veias. Tudo isso foi engolfando-o e sufocando-o, engolfando-o e sufocando-o, engolfando-o e sufocando-o... escuridão.


    Ele acordou sem respirar, virou-se para o lado e vomitou. Quando sua cabeça ganhou um pouco mais de foco, percebeu que seu quarto estava coberto por fumaça preta, delicada como um incenso e fria como gelo, sua águia tremia de medo e voava em círculos no teto. Então ouviu uma voz andrógena, ecoante, ondulante:
 

    “Impressionante... Quanto TERRRROORRR! Quanto material... Quanto MMEEDDOO! HAHAHAHAHAHAhahaahhahaha....” Uma figura se materializou no quarto.

 

 

“Finalmente te encontrei, Planeswalker! Podia sentir sua mana e seu medo desde que pisou nesse plano, mas não conseguia acessar seus pesadelos. Até agora. Diga-me, o que aconteceu? Abra-se comigo, Maeli... Poucas vezes um pesadelo é tão forte a ponto de me alcançar em outros mundos” Cínico, um predador brincando com sua presa.


“Eu ainda estou sonhando, só pode... só pode ser isso... acorde Maeli! ACORDE!” e o jovem druida apertava suas têmporas, dava pequenos tapas, mas tudo que sentia parecia ser real de mais. Então a porta de seu quarto se abriu, e suas duas mães entraram, falando ao mesmo tempo:


“Venha para nossos braços, filho!” Elas estavam brancas, pálidas. E Maeli começava a ficar tonto, o vulto de sua águia enlouquecida ainda voando em círculos no teto, a imagem do ser de sombras ao fundo da cena e a fumaça fria e preta inebriando o quarto, bem como os sentidos dele. “Venha! Venha!” repetiam. Seus cabelos começaram a se emaranhar e espalhar pelo teto, então a rede de fios pegou Nila, que só batia suas asas insanamente e se deixou ser absorvida.


“NÃÃÕO!” Maeli percebeu então o perigo real, saltou da cama e começou a invocar mana, mas quando tentou alcançar a mente de Nila, um murro invisível o empurrou deitado pro colchão novamente. Tentáculos roxos leitosos explodiram do corpo de sua águia lançando sangue por todos os lados, a figura andrógena só ria e exclamava:


“Incrííívveell! Continue! CONTINUE!”
 

Os tentáculos foram se infiltrando pelo emaranhado de cabelos de suas mães, as quais não paravam de balbuciar “Venha! Venha!” e tudo foi se fundindo, como carne queimada. A cama também foi amolecendo, os rostos de suas mães se multiplicando, então apareceu também o de sua mãe de Innistrad, e todas insanamente e agora guturalmente “Venha! Venha!”. Rostos de crianças, todos da menina, apareceram também “Você não me salvou... Você não me salvou...” Os tentáculos, os rostos, a fumaça, o sangue da águia, as frases... Tudo isso foi engolfando-o e sufocando-o, engolfando-o e sufocando-o, engolfando-o e sufocando-o... luz!


De seu peito uma luz vermelha começou a queimar, o presente que Akko lhe deu e que ele usava como amuleto o trouxe para a sanidade. Em questão de segundos, fogo começou a jorrar do pingente e envolver a sala, abrindo espaço entre os tentáculos e libertando Maeli.


“MALDITO!! O que é isso?!” O dementador exclamava irado. Ele conjurou algum tipo de mágica e a fumaça se intensificou, a mistura nojenta se agitou e agora sua magia disputava espaço com a magia do pingente.
 

Agora lúcido e dominando rapidamente a brecha da situação, Maeli começou a insuflar o pingente com mana, e as chamas se tornaram verde fluorescente, e foram queimando todas as ilusões carnais e fumaça como palha. 


“Receba!” exclamou Maeli com uma frieza vingativa, e então focou sua mente no fogo e em seus animais tocados. Uma horda espectral de infinitas espécies se materializou do fogo fluorescente por todos os lados e investiram no Tecedor de Pesadelos. Seu último recurso foi emitir uma onda de paralisia e aflição por toda a sala, o que lhe deu tempo suficiente para empurrar os espectros e caminhar entre planos, fugindo.
 

Após alguns minutos onde a situação se acalmou, Maeli olhou ao redor do quarto em pedaços, e chorou, não de tristeza, mas de derrota. Percebera que não poderia fugir para sempre e que não teria toda hora ajuda de alguém, sua águia, seu familiar tão querido, estava morta, suas mães longe e Akko, o único que ele considerou um amigo até agora, longe e seu pingente já sem Nyx nem mana. Sua característica de planeswalker atraiu um inimigo que nunca sequer sonhara encontrar, seus estudos em Theros já não bastavam o tanto que precisava, e seu medo tornou-se seu maior impedimento. “Chega!” determinou.


O Jovem Druida pegou seu cajado, uma roupa que encontrou ainda inteira, invocou uma imagem exata de sua Nila com energia suficiente para que permanecesse invocada até chegar em Setessa, e gravou uma mensagem de mana para suas mães: 


“Ficarei fora por um tempo, talvez por muito tempo. Não se preocupem, amo vocês.”
 

E se jogou nas eternidades cegas.

 

 

 

Fontes:

 

Emrakul Rises - Lore Wizards
Gaze, Blank and Pitiless - Lore Wizards
A História de Ashiok - Lore Wizards
Planeswalker Guide - Theros pt 1- Wizards 

Planeswalker Guide - Theros pt 2- Wizards 

Planeswalker Guide - Theros pt 3- Wizards 

Deuses e Deusas Gregos

  


Felipe Bracco (VIP STAFF Bracco)
Viciado e apaixonado pela mana vermelho, adorador de Goblins, viajante das teorias, curioso e observador! Buscando sempre expandir os limites da minha própria escrita e do que pode ser escrito.
Jogo Magic desde 2000, e hoje estou mergulhado inteiro na comunidade. Sou inclusive administrador do MTG LGBT, grupo de Magic no Facebook visando acolhimento e promoção de eventos relacionados.
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Comentários

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VIP STAFF Bracco (07/10/2016 03:02:16)

hehehe! fico lisonjeado!

Micellium (07/10/2016 01:00:30)

Que irado, mano! Pode traduzir pro inglês e mandar isso aí pra Wizards agora, depois dessa fiquei a fim de ver o Maeli Planeswalker.

O único possível empecilho na lore seria o ódio do Heliode contra Plameswalkers, o que talvez influenciaria os conhecimentos dos mortais de Theros sobre os mesmos e representaria uma possível ameaça futura... Mas o Maeli nem planinavega até o final da lore mesmo, então pode ser mais fácil esconder isso do deus...

sonofEphara24 (06/10/2016 18:42:11)

Muitoo legal!

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