Contos Coexistentes - Kaya
18/11/2016 10:00 / 1,202 visualizações / 7 comentários

 

Saudações WebWalkers! Bracco conjurado com lampejo e um pergaminho na mão.
 

Continuando minha encarnação Tamiyo, propus mês passado criar contos paralelos de personagens já existentes no MTG (fanfics). Bom, a recepção de vocês foi muito positiva, então continuarei com uma nova história a partir de agora, onde teremos um formato de folhetim, publicada entre 15-20 dias cada capítulo.


Quem quiser conferir meu primeiro CONTO COEXISTENTE, acesse aqui para ler a minha história na integra sobre o que aconteceu com o Maeli, um menino sobrevivente ao ataque da Emrakul em Innistrad.


A partir de hoje saberemos o que aconteceu com nossa querida assassina de fantasmas Kaya, em uma história divida em três capítulos. Então, aí vai o primeiro:

 

CONTOS COEXISTENTES
 

Kaya – Capítulo I

 


    De longe, ao pôr do sol, erguia-se Paliano. Era a pintura viva que Kaya admirava do alto de um sobrado, apoiada na varanda do último andar. Depois do bom pagamento da Rainha Marchesa pelo seu perfeito trabalho em eliminar o rei espírito, ela achou justo esbanjar um pouco e alugar um bom e quieto lugar do qual era possível admirar a Cidade Alta de longe, e, o mais importante, longe do caos que se sucedeu nos últimos meses do novo reinado.


    Claro que como boa profissional que é, Kaya sabia que o dinheiro não duraria para sempre, e embora durasse muito, sua segurança começava a preocupá-la. Movimentações estranhas ao redor de onde estava hospedada começaram a intrigá-la e já por três vezes, ao longo da última semana, notou pessoas diferentes a observando. Estaria Adriana procurando vingança? Pobre capitã, não sabe com quem está lidando.


    Assim chegou o momento em que Kaya perdeu o gosto da diversão em brincar de esconde-esconde, e acabou por incapacitar dois de seus perseguidores um dia atrás. Agora apoiada na varanda, observando a capital, já havia refletido em sua decisão, além de descansado e curtido a cidade o suficiente, então, por fim, estava se preparando para partir. Sendo assim, com a chegada da noite, andou nas eternidades cegas.

 

 

    Poucas coisas eram tão desagradáveis para Kaya quanto a atmosfera poluída de Ravnica: poluída de sons, fumaça, energia, magia, e mais um turbilhão de coisas identificáveis a priori. Porém, em termos de trabalho, poucos lugares no multiverso eram tão efervescentes a uma assassina de fantasmas do que esse mundo-metrópole. 


    O período de descanso em Fiora a deixou disposta e inquieta, não queria perder tempo nenhum com coisas além do trivial, era hora de trabalhar e se divertir seguindo seu ideal de ordem e prazer pessoal – “Hora de despachar aqueles que não deveriam estar aqui, e ganhar algo com isso” – pensou. 


     Enquanto nos arredores da cidade-baixa o sol estava se pondo, neste canto de Ravnica o sol nascia. Tudo calculado: chegar com o dia nascendo, arranjar um lugar para ficar, acionar os velhos contatos, atrair alguns trabalhos e deixar a roda da fortuna girar. Se bem que esse desafio do rei fantasma a fez ficar com sede de algo grandioso novamente, e aqui em Ravnica ela se recordava (e conhecia) poucas coisas grandiosas assim, sendo que um desses “clientes a ser despachado” ela logo arrancou da cabeça. A chance de perder a vida seria imensa, fora que não teria como chegar até eles de qualquer jeito, então... “Pé no chão Kaya, pé no chão!” – disse a si mesma.


     Habituada a um dos mais movimentados distritos dos Sem-Portão e relativamente de fácil acesso, logo Kaya arranjou uma estalagem barata e confortável. Não por acaso, ela sabia que nesse velho lugar um velho conhecido estaria por perto, só precisaria encontrá-lo. Após arrumar suas coisas no quarto, saiu depois do almoço à procura de alguém que pudesse levá-la a quem ansiava reencontrar.
Algumas horas de caminhada, lojas, ruas de pobres e mendigos, observação, perseguir fidalgos, pausa para comer no mercadão, escutas, desviar de uns patrulheiros Azorius, paciência, desviar de uns patrulheiros Boros, fuçar em bares, voltar prar ruas... Até que ela viu! 


     Um goblin corpulento discutia com um humano gorducho, ameaçando-o e gradativamente guiando-o à força para um corredor ermo – “Ótimo!” Kaya sorriu. Seguindo sorrateiramente ambos, ela virou em becos e mais becos até encontrar o goblin batendo com um pedaço de pau no homem, o qual tremia, chorava e começava a entregar moedas ao seu agressor. E então que o goblin, por puro prazer após receber o pagamento, pesou uma das pancadas e fez um dos joelhos do devedor se partir, o qual urrou um grito de dor. – “Ele simplesmente gosta de quebrar pernas, cobrar dívidas é um bônus” – pensou assistindo a cena. 


     E logo após esse ato final, o goblin saiu correndo e rindo. Kaya foi logo atrás, ignorando a súplica de ajuda do homem gorducho enquanto pulava por cima dele e sua poça de sangue. Até  que passando por uma pequena brecha, suficiente para um goblin musculoso se espremer, mas não para um humano comum, a criatura sumiu. 


      Porém Kaya não era um humano comum, e logo assumindo sua forma etérea atravessou a parede, a qual se abriu num grande corredor mal iluminado. O goblin a viu, e numa expressão de fúria começou a correr mais rápido. – “Espere! Preciso da sua ajuda!” gritou Kaya, porém nada de uma resposta positiva, então ela também começou a correr atrás dele através de ruas e mais ruas, tortuosas, vazias e de certa forma silenciosas (o que não era muito típico desse mundo).


       A perseguição de estendeu por alguns minutos, até que duas figuras com grandes adagas surgiram de aberturas laterais logo após o quebra-joelhos passar por elas. – “Saco, mais goblins! Só preciso de umas respostas...” – acabou por soltar em voz baixa, sacando seu próprio par de adagas e vendo as figuras se aproximarem vagarosamente enquanto a luz do sol se esvaia.


       As duas criaturas partiram ao mesmo tempo com fúria pra cima dela, eram duas goblins, e Kaya foi se defendendo como podia, sem ferir nenhuma delas. – “Caso eu faça algo com essas duas, ele não ficaria muito contente. Melhor só me defender.” – pensava enquanto ia criando uma estratégia para incapacitá-las sem feri-las.


        Entre uma defesa aqui, uma forma etérea ali, um chute pra afastar uma das goblins, uma punhalada com a parte cega para afastar a outra. O tempo ia passando e as criaturinhas ficavam cada vez mais e mais iradas, e Kaya tentando acabar com o mal entendido, falando entre fôlegos e defesas:


         Espe...rem... Eu só... preciso.... que vo... cês... espera... eu só quero...dá pra con...ver...sarmos?...eu...AAAAAAARRRRRR!!!” gritou por fim já sem paciência e lançou ambas longe. – “Dá pra parar um minuto! Inferno!” – exclamou enquanto ia se posicionando novamente. Porém, enquanto as duas se levantavam, mais sombras de orelhas pontudas foram surgindo e cercando-a – quatro, oito, dezesseis... e ela começou a ficar preocupada. Quando estava quase sem saída um comando veio ecoando de algum lugar próximo:


    “Parem vocês!” – uma voz rouca ordenou. Todos os goblins ao redor congelaram, porém não saíram da postura de ataque. Uma figura conhecida surgiu e ia se aproximando, com o goblin musculoso quebrador de joelhos ao seu lado – “HueHueHue!!! Se não é aquela velha amiga... Quanto tempo, Kaya!”. E ele apareceu se posicionando a frente de seus subordinados, até que enfim ele havia chegado.
 

    “Krenko! Pelos Paruns! Já estava achando que não te encontraria por hoje” – e ela riu, finalmente aliviada da batalha, e já sabendo o que viria a esse seu comentário. E veio, a resposta do chefe da turba seguindo após ele cuspir no chão.


    “Não venha pra minha área falar desses merdas, garota! Sempre chega me provocando... HueHueHue!” – Desprezou os anciões das Guildas com seu cuspe e logo descontraiu, esse era o Krenko de quem sentiu falta, e disse:


    “Depois do trabalho que me deu com esses seus pequenos, uma bebida por sua conta cairia bem, não acha?”
    “Não tô podendo, dinheiro, sabe, tá em falta.”
Esquivo, sempre...

    “Então deveríamos pedir emprestado a esse seu comparsa, há quase uma hora atrás ele estava recebendo uns pagamentos”. Ela adorava entrar nesses jogos com ele.
    “Straeek! Droga! Foi assim que ela te viu? Seu idiota!” exclamou Krenko batendo levemente na nuca do grandalhão. 
    “Chefe, eu, eu... desculpe...” respondeu o vassalo.
     “HueHueHueHueHue... me dá logo a bolsa do dinheiro, bebidas pra você e minha humana preferida por minha conta!” 
       

      Sucesso! De todos os seres que conhecia no multiverso, Kaya sentia saudades de poucos como sentira desse pequeno grande infame, toda vez que deixava Ravnica.
 

      “Meu caro goblin chefe da turba, você não imagina como fico empolgada pra te ver sempre que venho aqui!”
      “Digo o mesmo, garota caça-fantasma. Kaya é divertida e gosta de se meter em encrenca por pagamento, e Krenko adora isso também! Huehuehuehue... VAMOS BEBER!”

 

 

Fim do Primeiro Capítulo

TAGS:  Lore

Felipe Bracco (VIP STAFFBracco)
Viciado e apaixonado pela mana vermelho, adorador de Goblins, viajante das teorias, curioso e observador! Buscando sempre expandir os limites da minha própria escrita e do que pode ser escrito.
Jogo Magic desde 2000, e hoje estou mergulhado inteiro na comunidade. Sou inclusive administrador do MTG LGBT, grupo de Magic no Facebook visando acolhimento e promoção de eventos relacionados.
Se quiser saber mais sobre, entre em contato!!!
Redes Sociais: Facebook

ARTIGOS RELACIONADOS

Lore - Renovar

Partidas e chegadas.


The Rath and Storm – A Saga da Tripulação do Bons ventos

Parte IV - Recepções Calorosas


The Rath and Storm – A Saga da Tripulação do Bons ventos

O Plano de Rath.


Lore - Queimar

O consulado contra-ataca.


Lore - A Descoberta

A verdade está lá fora.

MTG Cards





Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.

sonofEphara24 (20/11/2016 14:36:06)

Só continuar agora!Muito bommm

ImperadorRogers (19/11/2016 18:34:47)

Top !
Achei super da hora o novo commander pq ele traz criaturas q apareceram em várias imagens de cartas e mencionados em lores mas não ganharam um card dentro do bloco
Tipo
Reyhan - general da escala de dragão
Ishai - orador de ojutai
Kydele - profeta de kruphix

Achei mo da hora esse aparecimento

Já fica a dica de onde explorar novas histórias kkkkk

Mas o do Daxos ficaria muito pika
Pq ele já apareceu como "retornado" no commander passado

Cuidaaa
Parabéns

VIP STAFF Bracco (19/11/2016 12:38:34)

Depois desse elogio! :D vlw mesmo!!

hehehehehe

sauloboyna (19/11/2016 00:11:59)

Perfeito. Você tem uma excelente escrita, vi que dominas a literatura e também conheces as histórias do multiverso. Ansioso pela continuação, pois também sou muito fã das lores.

VIP STAFF Bracco (18/11/2016 22:19:53)

Oi Roger!
é algo a se pensar sim,
a ideia justamente é se apropriar de personagens já existentes que acabam ficando esqeeuuccciiddoosss...

lá no fundo do poço :P

ImperadorRogers (18/11/2016 11:46:01)

Da hora !

Sugestão : pensa em fazer um do daxos de meletis depois de sua morte e tal acho q dá uma história bacana tbm

Show

_Obliterate_ (18/11/2016 10:48:34)

kaya <3