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Fortalecendo o Pauper no Brasil
O Nacional Pauper Legacy.
Por
28/11/2016 18:00 - 4.071 visualizações - 34 comentários
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Amigos magos e amigas feiticeiras, sejam todos bem-vindos!
 
Nesse artigo vou falar um pouco da minha trajetória e participação na final do campeonato Nacional Pauper Legacy que ocorreu no último dia 06/11 em São Paulo e também trazer para vocês uma entrevista com o organizador do evento, para conhecermos a história e os rumos futuros do torneio. 
 
Peço licença para fugir um pouco dos temas que eu vinha abordando nos últimos artigos, porque eu entendo que é importante não somente abordar a análise de decks, do metagame etc., mas também da existência dos campeonatos que suportam e fortalecem esse formato. Assim que como um dia eu também não conhecia o formato e seu ambiente, pode ser que esse artigo ajude outros a não somente o conhecerem, mas, também, participarem dele. 
 
I – Meu ingresso no formato Pauper.
 
Acredito que eu já tenha deixado bem claro quando eu comecei a escrever para Ligamagic que eu não sou nenhum jogador profissional, muito menos um excelente jogar de Magic, que possui um histórico de excelentes resultados. Não! Pelo contrário. Apesar de ser apaixonado pelo jogo, eu fiquei muitos anos fora desse universo e regressei para ele somente no lançamento da edição de Khans de Tarkir; inicialmente jogando o formato Standard, participado até então de FNMs. Somente isso!
 
No entanto, quando veio a rotação do novo bloco com a edição de Battle of Zendikar e a mudança nas próprias regras de rotação, pensei o seguinte: “Talvez jogar algum formato eterno, seja mais viável a partir de agora. Posso gastar mais com as cartas, mas eu sei que elas não vão ficar ‘obsoletas’ daqui seis ou um ano”. 
 
E foi nessa busca por novos formatos que eu encontrei e conheci no final de 2015 tanto o Pauper como o campeonato Nacional Pauper Legacy, que tinha acabado de concluir a sua 2.ª edição. Quando procurei saber mais sobre o campeonato, verifiquei que o 2.º colado dessa edição era um jogador de Jundiaí/SP (cidade onde moro), o Edgar Menem, que tinha jogado de Mono Black Control. Então pensei: “Vou jogar esse formato, porque eu sei que aqui (Jundiaí) tem jogadores”. 

 

 

Aqui cabe uma observação: posso afirmar que nenhum formato somente se fortalece e se sustenta, enquanto não houver estímulo para ele, seja através do suporte dos lojistas, seja através de campeonatos regulares e relevantes. Portanto, o Nacional Pauper Legacy e outros campeonatos que foram surgindo com o tempo são os instrumentos que fortalecem o pauper no Brasil atualmente, embora não seja considerado pela Wizard como um “formato oficial” fora do MOL.

 
Bom, fechando o parêntesis que abri acima, após conhecer o formato e a existência de um campeonato consistente, meus próximos passos foram: montar um deck pauper, no caso, o UB Teachings, e disputar as etapas classificatórias para a final do torneio. Nesse processo todo eu acabei conhecendo mais sobre o formato, participei de vários campeonatos locais que fizeram com que o pauper se fortalecesse entre os jogadores de minha cidade. Inclusive, para quem se interessar, tem um artigo que eu escrevi sobre o campeonato Trio Pauper que participei.
 
Enfim, posso dizer que, para mim, a existência de um campeonato relevante, como o Nacional Pauper Legacy, foi a minha porta de entrada para o formato, pois, eu vi que o formato tem receptividade e ainda tem muito para onde fluir.
 
II – Minha participação nas classificatórias e na final do Nacional Pauper
 
Para os que ainda não conhecem, o Nacional Pauper Legacy é um torneio do formato pauper que nesse ano de 2016 apresentou sua 3.ª edição, utilizando-se das regras do IRL (in real life), ou seja, levando em consideração o uso das cartas comuns que foram editadas somente em papel, diferentemente da regra do MOL, que possui outro critério de edição das cartas comuns. Portanto, cartas como Hymn to Tourach e Goblin Grenade, dentre outras, eram válidas para o campeonato.

 

 

O sistema classificatório dividiu-se em seis etapas, que levariam os seis primeiros colocados de cada loja inscrita para a final do campeonato. Outra forma de se classificar foram as last chances ocorrida uma semana antes da própria final e aqueles que pegaram o Top 8 na edição anterior do campeonato também tiveram vagas asseguradas. 

 
Particularmente eu confesso que fiquei muito surpreso com meu desempenho durante as classificatórias, ficando em primeiro lugar em uma das duas lojas inscritas em minha cidade. 
 
Embora eu tenha montado um deck UB Control para participar das fases classificatórias e mirando a final, foi com muita dor no coração que eu pude perceber que o deck não correspondia muito bem ao metagame atual, o que me vez testar vários outros decks ao longo do caminho. Isso me influenciou na escolha do deck para a disputa da etapa final. 
 
A etapa final ocorreu no dia 06/11, na loja Epic Game, e contou com a presença de 74 jogadores, embora mais de 150 estivesem classificados

 

Como era de se esperar, os decks Mono Black Control, UR Drake e Mono Blue Delver dominaram o metagame. Abaixo está a quantidade correta dos decks utilizados na etapa final:
 

Mono Black 12
Mono U Delver 9
UR Drake 9
Burn 6
Affinity 6
Elfos 3
WW Robots 3
Goblin 3
Red Deck Wins 3
Boros 2
Auras 2
Mono Green 2
UR Control 1
UR Drake Tron 1
BG Existence 1
UB 1
Mono Red Heroic 1
Mono Red Tactics 1
UB Teachings 1
WW Sisters 1
UW Drake 1
UR Tron 1
High Tide 1
Grixis 1
Slivers 1
Turbo Fog 1
WURG sem Tron 1

 
Posso dizer que eu contribuí para que o Mono Black Control fosse o deck mais jogado na final. Sim! Fui conservador. Sabendo que tanto o Black como o UR Drake estariam entre os mais jogados, optei por um deck que já está bem fortalecido no formato IRL. No entanto, joguei com uma lista um pouco alterada, trazendo para o main deck 3 Duress e um Tendrils of Corruption, e jogando para o side 3 Cuombajj Witches e 1 Victim of Night , para ter ligeira vantagem nos mirrors. E posso dizer que deu certo.
 
Das 7 rodadas que compuseram o suiço, eu enfrentei os seguintes decks: 2 Mono Black (V), 1 Goblins (V), 1 Elfo (V), 1 Red Heroic (D); 1 Grix (D) e 1 UR Drake (D).  Fechei o campeonato, então, com 4 vitórias e 3 derrotas, ficando em 34.º lugar. Bom, depois de ter quase derrotado o UR Drake (dei 5 draws de terreno consecutivos no G2, já com o G1 ganho) e ter derrotado o Goblins com 2 Sign in Blood, o que foi inusitado, acredito que por ter participado pela primeira vez em campeonato desse nível, eu até que fui bem. 

 

 

Na verdade mesmo, posso dizer que Jundiaí em geral foi muito bem na final do Nacional Pauper Legacy, pois, no suiço, contou com o Ivan Sgarbi em 1.º, o Orlando Epifanio em 11.º e o Michael de Souza em 14.º dentro do TOP 16, que foi a margem de premiação do torneio. 

 
No entanto, utilizando uma lista Burn muito interessante, o Alexandre Weber, que tinha ficado em 6.º no suiço, e se consagrou campeão da 3.ª edição do Nacional Pauper Legacy.
 
A premiação total em disputa, no valor de R$ 5120,00, foi dividida da seguinte forma: 1º colocado: R$ 1060,00; 2º colocado: R$ 740,00; 3º e 4º colocados: R$ 420,00 cada; 5º ao 8º colocados: R$ 260,00 cada; 9º ao 16º colocados: R$ 180,00.
 
Posso afirmar que o evento foi muito bem organizado. Os juízes mandaram muito bem, fazendo um excelente trabalho. A Epic Game com sua estrutura e organização está de parabéns, assim como estão de parabéns, também, a grande maioria dos jogadores. Digo a grande maioria, pois, embora eu tenha “dado sorte” de ter enfrentado adversários legais e alguns até bem-humorados, alguns companheiros da minha equipe enfrentaram jogadores muito chatos e arrogantes. 
 
Aproveito aqui para deixar uma dica: disputar com seriedade um campeonato e buscar o topo do pódio é fundamental, mas ser, no mínimo, cordial e respeitoso com o adversário é essencial. Pensem nisso!
 
Enfim, posso afirmar que valeu muito percorrer todo esse caminho até a disputa da etapa final e que a própria etapa final, também, foi muito disputada em alto nível, o que contribui, em muito, o fortalecimento do formato pauper.
 
III – Sobre a história e o futuro do Nacional Pauper Legacy
 
Finalizando o artigo, trago para vocês uma entrevista com o Luiz Guilherme V. Turco, ou apenas Turco, responsável pela organização do Nacional Pauper Legacy:
 
1) Como surgiu a ideia do campeonato e por qual motivo se escolheu o formato IRL?
 
O criador do Nacional Pauper Legacy foi o Murilo Lixandrão, que na 2ª edição estava sem tempo para cuidar do torneio e o passou para mim, e desde então eu cuido e resolvo tudo à respeito dele.

 

O formato IRL foi escolhido através de 2 votações, a 1ª na Final de 2015, onde a  maioria esmagadora preferiu este formato, e a 2ª pela internet, cujo resultado foi favorável ao MOL. Somei os 2 resultados e resultou no IRL para 2016.
 
2) O campeonato está em sua 3.ª Edição e cotou na final com quantos participantes

 

Foram 74 partcipantes, mas com quase 150 jogadores com vagas adquiridas pelos classificatórios, Opens, Last Chances e o top 8 de 2015.
 
3) Por qual motivo você atribui essa crescente participação dos jogadores e o sucesso do campeonato a cada edição?
 
Creio que o crescimento do formato se deu pela busca dos jogadores por uma alternativa mais barata, pela diversão em montar decks "simples" e poder jogar algo competitivo com eles, pela oportunidade promissora que as lojas encontraram em organizar torneios Pauper regulares, e pela constante divulgação do NPL, pois acredito que ao divulgar as deck lists, fotos e classificatórios pelo Facebook, atraiu muita gente.

 

4) Embora o campeonato leve o nome de "nacional", a maior parte dos jogadores são de São Paulo e cidades do interior. Teve algum jogador de fora do Estado? 

 

Sim, recebemos jogadores do RJ, MG e RS, sendo que o campeão Alexandre Weber, é do RS.
 
5) O que motivaria ou facilitaria a participação de jogadores de outros estados?

 

Acredito que ao aumentar o valor da premiação, isso atrairá jogadores do Norte e Nordeste, pois os custos de viagem são elevados, então eles precisam de um incentivo maior.
 
6) Você pretende modificar a estrutura do campeonato futuramente para abranger a participação de mais jogadores que estão fora desse eixo São Paulo x Interior?
 
Muitas lojas e jogadores pedem que eu faça camisetas, tokens, banners, certificados e troféus, mas creio que no momento não será possível, pois a arrecadação dos repasses ainda não é tão elevada ao ponto de manter uma boa premiação, arcar com os custos habituais da Final e bancar estes novos custos. Prefiro investir inicialmente em uma boa premiação para mostrar aos jogadores que eles não estão disputando por pouca coisa.
 
Creio que se na próxima votação os jogadores optarem pelo formato MOL, isso com certeza atrairá novos jogadores e muitos deles serão de outros estados.

 

7) Já está defina alguma mudança significativa para a 4.ª Edição no ano que vem?

 

As únicas mudanças significativas seriam no formato, forma de classificação e distribuição de byes, sendo que as 2 primeiras serão derivadas dos resultados das votações das enquetes de 2017, que serão as últimas que farei, para definir de vez a personalidade do NPL.
 
Com base no auxílio do Turco em sua resposta da 3.ª pergunta, gostaria de reforçar aqui o que eu já havia mencionado antes, sobre a relevância que a existência de torneios que influenciem tanto os jogadores como os lojistas, são indispensáveis para o fortalecimento e consolidação de qualquer formato.
 
Portanto, o Nacional Pauper Legacy, assim como alguns outros torneios que vão aparecendo por todo o Brasil, são os responsáveis pela melhora no ambiente competitivo do pauper, pela divulgação do formato tanto para jogadores de outros formatos como para os novatos no Magic, assim como pela movimentação das lojas, que possuem uma opção a mais para oferecer aos seus frequentadores.
 
Bom pessoal, por hoje é isso. Aguardo seus comentários. Abraço!

Comentários
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(Quote)
- 23/12/2016 11:27

acredito que aumentaria um pouco o preço devido a demanda, mas não a ponto de tornar o formato absurdamente caro, e ainda iria fazer mais jogadores jogarem e consequentemente tornando o formato maior.

(Quote)
- 23/12/2016 11:04
Eu não vejo sinais de que a Wizards pretenda sancionar o formato físico, mas o que vocês pensam sobre o assunto? Será que traria benefícios, ou causaria apenas o aumento do preço das cartas?
(Quote)
- 22/12/2016 15:13
Comecei no Magic jogando Pauper e hoje estou começando a me aventurar no modern,porém Pauper sempre vai ser o melhor formato para mim. Única coisa que acho que deveria mudar é utilizar as regras do mol, acho que hymn to tourach e granada goblin não são saudáveis pro formato já que o Power level dessas cartas são absurdas.
(Quote)
- 30/11/2016 10:23
Quais são as séries que não existem no MoL além de Fallen Empires?
(Quote)
- 30/11/2016 09:28

Ah sim, eu entendo que realmente seja mais divertido essas regras que você citou, mas do ponto de vista de organização e padronização, pensando em campeonatos maiores e mais disputados, acredito que, infelizmente ou felizmente, as regras do MOL deveriam ser aplicadas.

A Wizard poderia ter resolvido isso e mantido a mesma regra de comuns do IRL no MOL, mas, por algum motivo, ela escolheu fazer diferente...

Enfim, o importante nisso tudo é que o pauper, enquanto formato, é uma opção bem viável e de fácil acesso para novos jogadores.

Abs

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