Preparação para o RPTQ e o Top 8 CLM
07/12/2016 01:55 / 2,996 visualizações / 1 comentários

 

Olá! No próximo domingo, teremos a disputa do RPTQ Dublin na Mundo Kinoene em São José dos Campos, disputado no formato Modern e pelo qual consegui minha vaga ganhando um PPTQ na Bazar Magic de Ad Nauseam.
 

Desde então, entramos com tudo na temporada Standard, com PPTQs, GP, CLM e os torneios Standard Showdown agora no final do ano. Com isso, a atenção ao Modern por parte da maioria dos jogadores ficou em segundo plano, tendo sido retomada com a proximidade do RPTQ e dos torneios Top 8 do Circuito Ligamagic. Os acontecimentos relevantes no período que ditaram tendências para o RPTQ foram o Grand Prix Dallas e o World Magic Cup, no mês passado, além das constantes Ligas do Magic Online e Classics/Invitationals da StarCityGames.


Em Dallas e na WMC pudemos observar um dos principais conceitos do formato novamente dando as caras – o de que a familiaridade com seu próprio baralho costuma se traduzir em bons resultados. O passeio de Corey Burkhart durante o Suíço até a final do GP Dallas com sua lista não ortodoxa de Grixis Control, o Top 8 de Brian Braun-Duin de Dredge após um treinamento sobre humano no Magic Online e a performance praticamente impecável do Ad Nauseam nas mãos de Andrea Mengucci/Alessandro Casamenti (que ganhou WMCQ com o deck) rumo ao Top 4 na WMC com o Time Itália são exemplos disso; o fato de seus players colocarem alma, coração, suor, lágrimas e muitas horas de treino fizeram com que colhessem os frutos do trabalho árduo.

 

 

Mas nem só de “pet decks” são caracterizadas as escolhas do Modern. O formato Modern Unificado da WMC não é um parâmetro ideal para observarmos esse fenômeno, já que impactou de forma diferente as opções dos jogadores, limitados às restrições de deckbuilding. Dessa forma, analisaremos as tendências provenientes do GP Dallas como forma de obter uma fidelidade maior das evoluções do ambiente a nível macro.


De uns tempos para cá, o Modern, cuja intenção da Wizards é que seja um “formato de turno 4”, deu uma “acelerada”, a composição dos atuais Tier 1 de Infect, Dredge, Naya Burn, Affinity e Death’s Shadow Zoo e suas mãos capazes de matar no Turno 3 com relativa frequência o transformaram numa espécie de “formato de turno 3,5” (o único que mata apenas no Turno 4 é o Bant Eldrazi). O motivo que realmente destaca esses decks à condição de se manterem nesse Tier é que além das aberturas explosivas que demandam respostas imediatas do adversário, todos tem resiliência suficiente para jogar através dos hates e conseguir vitórias em partidas mais arrastadas.


Por esse motivo, recentemente vimos pedidos de banimentos da comunidade pela internet em vários cards: Gitaxian Probe, Become Immense, Mox Opal, Cathartic Reunion, Prized Amalgam, Golgari Grave-Troll e Simian Spirit Guide são os principais. Mas nada disso vai mudar até o próximo anúncio com o lançamento de AEther Revolt, portanto o formato teve de tratar de encontrar suas próprias soluções.

 

Decks com bastante interação rápida, como Grixis, Jeskai e Abzan (que vem substituindo o Jund como principal B/Gx Rock) e os que usam Blood Moon maindeck, como forma de travar o oponente (Sun and Moon e Skred Red), começaram a ganhar espaço como escolhas para “jogar justo” contra o field. Contribui também para a ascensão desses baralhos a frequente queda do R/G Tron, o predador natural dos “decks justos” (já que tem matchup difícil contra os decks super rápidos e contra Blood Moon).

 


Vale lembrar, também, que embora hoje em dia os decks nos torneios aqui no Brasil estejam cada vez mais próximos às tendências do Magic Online e dos grandes eventos na gringa, existem muitas particularidades que se aplicam na hora de pensarmos em um metagame esperado. Geralmente estratégias B/Gx estilo Rock são muito populares em São Paulo (mesmo se o deck não for a boa em um determinado formato, como por exemplo quando Tron era muito mais presente), então é de se esperar uma quantia ainda maior do que a média de Abzans e Junds. Baralhos de Snapcaster Mage (como Jeskai Nahiri/Control, Grixis Delver/Control, U/R Delver/Blue Moon) também costumam ser mais populares do que na média, e o Top 8 de Dallas possivelmente fará com que os U/x tenham vários adeptos no RPTQ.

 

Dredge, Infect, R/G Valakut, Naya Burn e Lanterna devem ter bastante presença também, sendo baralhos com alta adesão lá fora entre os pros e com bons resultados no GP. Apesar de não ter tido nenhum representante no Top 64 de Dallas, Affinity é historicamente forte por aqui e não deve ser ignorado. Acredito também que vários outros decks fora do radar vão dar as caras, casos de Merfolks, Elves, U/R Storm, Bant Knightfall e Boggles, seja por seus pilotos os terem como “pet decks” e estarem familiarizados com os mesmos (possivelmente ganho a vaga no PPTQ com eles) ou apenas possuírem essa opção por fator financeiro.


Nesse último perfil é onde eu e meu Ad Nauseam se encaixam: fora do radar, “pet deck”, familiarizado e apenas essa opção por motivos financeiros. Meu plano, portanto, é preparar alguns slots específicos de MD/SB para o field esperado. Após a temporada de PPTQs, participei no Aberto do Circuito Ligamagic na Epic Game, das cinco etapas do CLM aqui na House of Cards TCG em Santos e do Torneio Top 8, onde consegui a vitória com a lista abaixo:
 

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Código Fórum

[deck=472897]

 

Tenho testado algumas variações no último slot do maindeck (o quarto Phyrexian Unlife, que na lista acima foi um Echoing Truth) e na base de mana (que já teve Urborg, Tomb of Yawgmoth, Ilha, Dreadship Reef e por enquanto estou em duas Planícies pensando nas matchups de Blood Moon).O restante do main foi devidamente tunado pelo “teste do tempo” do Modern, e acredito estar próximo da perfeição, como já tinha dito da última vez que escrevi sobre o deck, no report do PPTQ. Quanto ao Sideboard, testei várias opções como Lingering Souls, Dragonlord Dromoka, Ethereal Haze, o plano transformativo de Madcap Experiment/ Platinum Angel e o próprio Grave Titan, que está no side do Top 8 (especialmente como reforço para enfrentar B/Gx), e esses “slots flexíveis” do SB seguem como minha maior indefinição até agora para o RPTQ.
 

O Andrea Mengucci escreveu sobre o baralho e publicou um vídeo de game play sobre o baralho, e é sempre interessante poder comparar o que venho fazendo com a linha de pensamento de outros jogadores experientes com o deck. Sendo um formato Eternal, existe bastante material na Internet para todos os tipos de baralho – no meu caso, além do Mengucci, tem o report do Andreas Ganz que venceu o GP Charlotte com o deck no começo do ano e a thread na MTG Salvation com anos e anos de debate e evoluções do Ad Nauseam.

 

 

 A extensa “bibliografia” disponível para qualquer deck do formato é uma das formas adicionais de preparação, já que nem todos os jogadores têm torneios Modern com a frequência que gostariam para poder praticar, ou sofrem com um metagame “inbred”, quando os jogadores de um círculo pequeno (loja local) vão gradativamente preparando seus decks para enfrentarem sempre os mesmos outros decks gerando distorções que não se aplicam à fields maiores e abertos, casos do RPTQ ou um GP/WMCQ.
 

E quanto a vocês, o que têm achado da evolução do Modern pós-GP Dallas/WMC? Caso vá jogar o RPTQ em São José dos Campos nesse domingo, como está sendo sua preparação, e o que você espera do ambiente? E quanto aos seus palpites de decks/jogadores para as quatro vagas em Dublin? Deixem sua opinião nos comentários!
 

Abraços e até a próxima!


Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está constantemente grindando torneios na Grande São Paulo e em Santos, onde é parte do Team House of Cards TCG. Como grande entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015.
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Comentários

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Joaobaluz (07/12/2016 15:06:28)

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