Contos Coexistentes - Kaya
12/12/2016 10:00 / 947 visualizações / 2 comentários

 

Saudações WebWalkers! Bracco no Plano da LigaMagic novamente.

 

Alguns dias atrás comecei o CONTO COEXISTENTE da Kaya, onde ela sai de Fiora e reencontra o Krenko em Ravnica, para arranjar trabalho no que sabe fazer melhor.


E hoje veremos o segundo e penúltimo capítulo da minha Fanfic, desenrolando o destino da nossa querida Assassina de Fantasmas. Enjoy!
............................................................................................................................................-------------------------------------------------

 

CONTOS COEXISTENTES
Kaya – Capítulo II

 


    “Krenko, como eu te adoro.” Kaya ia pensando enquanto circulava o Quarteirão Fantasma pelo terceiro dia.

 

    Quatro dias antes:    


    “Então, você é a despachante com habilidade rara?” Um fidalgo semi mascarado encarava Kaya por trás de uma escrivaninha, num escritório escondido num dos distritos periféricos de Ravnica, o lugar era mal iluminado e cheirava a mofo, e a cadeira dela extremamente desconfortável e bamba.
 

    “Eu mesma... Krenko lhe passou meu contato. Qual é o serviço?” Ela respondeu, questionando sem rodeios.
 

    “Bom, como já lhe expliquei, eu faço parte de uma resistência contra o Sindicato Orzhov. E bem, digamos que nossos negócios passados com o sindicato fruíram apenas para um lado, o deles, sendo assim ficamos endividados fisicamente e presos espiritualmente à sua instituição. O que, portanto, bloqueou nossos rendimentos e planos.” Que sujeito enrolado para falar, pensou Kaya, mas continuou acompanhando atentamente.
 

    “Portanto, queremos livrar alguns companheiros dessa prisão espiritual, eles se isolam no lugar conhecido como Quarteirão Fantasma, e quando são solicitados saem de lá para serviços aos Orzhov.” E foi pegando um papel numas das gavetas da escrivaninha, Kaya continuou:
 

    “Você não parece o tipo bonzinho, que quer libertar os amiguinhos. O que quer mesmo é se livrar de espiões internos à sua organização, no caso os espíritos de seus antigos comparsas.” Ela disse enquanto cruzava braços, pernas e se equilibrava na cadeira bamba. Ele respondeu:
 

    “Sim, unir o útil ao agradável. E quem sabe uma vingança posteriormente.” Falou no mesmo tom monótono de toda conversa, e mostrou o papel que havia pegado, era um contrato. Ela leu atentamente e respondeu:
 

    “O valor é razoável, para um espírito. Aqui tem pelo menos cinco deles. Como alguém que tem o escritório mofado assim, nessa espelunca, pagaria por todos?”
 

    “Hum... você é bem segura do que faz pelo jeito. Bom, aqui está de antemão” E o fidalgo puxou uma sacola escondida em baixo da mesa. “Metade do valor referente às cinco encomendas, conforme serviço finalizado você receberá o restante.”
 

    Ela conferiu a sacola, era real. Sorriu:
 

    “Levarei por volta de seis dias para me familiarizar com a região e os alvos. Quero mais metade do valor dessa sacola após o quarto dia, e o restante com o serviço finalizado. Também quero todas as plantas e anotações sobre a região.”
 

    “Hum... bom, fechado. Assine aqui.” O fidalgo fez as considerações dela no contrato e assinou, ela assinou abaixo dele.

 

    Atualmente:    
 

    Kaya estudou todo material e se familiarizou com o local, e, embora sempre sorrateira, os espíritos aqui pareciam apáticos e indiferentes a tudo, então se esconder era mais uma segurança de efeito psicológico do que algo que realmente poderia funcionar para alguma ameaça. Nos primeiros dias já havia despachado dois espíritos sem muita dificuldade, um terceiro se revelou mais resistente e menos propenso a desaparecer. Agora só faltavam dois, os quais apresentavam um padrão de comportamento menos rígido e muito mais difícil de seguir.    Além de que, para evitar qualquer tipo de confusão, Kaya os emboscava sozinhos, sem nenhum outro espírito ao redor.


    “Bom, já foram três, mesmo que eu não consiga um dos outros dois até o fim da noite, a outra parte do pagamento já é minha.” Disse a si mesmo, enquanto agradecia internamente Krenko pelo contato.
 

    Espíritos aqui simplesmente vagavam, parecia que o lugar era um imã pra eles, e eles circulavam ao redor como que atraídos por campos magnéticos. Eles atravessavam paredes, ruas, uns aos outros, e era como se não tivessem consciência de nada que estivesse acontecendo. Como folhas secas ao vento, mas que nunca saiam do Quarteirão sem que uma lufada de vento as empurrasse.
 

    Alguns seguiam esse padrão rigidamente, outros às vezes ‘despertavam’ e faziam algo pequeno conforme vontade própria. Somente quando eram ‘chamados’ que realmente se agitavam e se comportavam como seres conscientes, ao ponto de abandonarem a área, por exemplo. Um desses dias de espreita Kaya viu um amante (humano e vivo) desesperado vagar o quarteirão em procura de sua falecida amada, a loucura após horas o fez cortar os pulsos, e o cheiro e a energia de sangue atiçaram uma dezena de espíritos ao ataque e consumação do pobre rapaz. Não é à toa que não circulam encarnados por aqui, e ela fez uma nota mental: Não derrubar uma gota de sangue sequer, principalmente o próprio. 

 

    
Espreita aqui e ali, horas de acampamento, até que um dos alvos retornou: O espírito de uma humana. Kaya já havia a estudado antes, e embora não tão certo, seu padrão ainda era notado. Sendo assim, perseguiu a fantasma furtivamente por mais de três horas, ela própria atravessando paredes e chão, até que num altar quebrado em uma pequena sala suja iluminada pela lua, acima das outras construções em geral, a fantasma ficou sozinha e parou, em frente ao altar e de costas à Assassina de Fantasmas. “Perfeito”, pensou.


Conforme Kaya ia se aproximando e preparando suas adagas, quando estava a menos de dois passos do alvo, a fantasma simplesmente se jogou para frente do altar e sumiu pela parede. “Saco!” exclamou baixinho a assassina, e se jogou na parede atrás dela. A sala posterior era extremamente escura, sem janelas e com o pior cheiro possível de podridão no ar úmido e sufocante. Kaya acendeu um isqueiro e jogou no meio da sala, a luz iluminou paredes sujas, um pé direito enorme, fezes secas e podres cheias de fungos ao redor, e uns três cadáveres mumificados pelo tempo, e acorrentados pelos pulsos pendurados acima de sua cabeça. “Uma torre da Igreja, conforme planta. Enfim, já vi coisa pior” disse a ninguém em especial. 


A fantasma, porém, estava no centro da sala, olhando diretamente para Kaya, com a boca semi aberta e débil. Sem pensar duas vezes Kaya pulou para cima dela com as duas adagas prontas, mas num movimento inacreditavelmente rápido a vítima desviou e uma das adagas se enterrou em seu ombro esquerdo.
 

“UUUUAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!” ela gritou.
 

“Cala a boca!” Kaya respondeu, “Se você não tivesse desviado tudo seria rápido.” E foi se posicionando para um próximo ataque, e quando sua adaga iria atingir o alvo novamente, uma mão espectral a segurou pelo braço, quando se virou o viu: O amante atormentado que se suicidara a poucos dias.
 

“Deixeeee-aaa!!” ele exclamou e sua outra mão e dentes ficaram pontiagudos, ele agarrou o pescoço de Kaya e enterrou as garras, ela sentiu sua carne sendo perfurada, mas não o bastante antes que ela enfiasse sua adaga da mão livre no braço do amante espírito. Ele rugiu e tentou morder a mão dela, porém Kaya já havia se desvencilhado num passo para trás, que logo em seguida a fez escorregar nos dejetos podres e cair sentada no chão.
 

Levantando-se rápido, foi atacada pela mulher chorona, cujo ferimento no ombro expelia uma névoa clara e espectral. Deixando seus membros em forma etérea, Kaya foi se defendendo dos arranhões dela enquanto bloqueava seu amante enlouquecido, também expelindo névoa do ferimento do braço, enquanto a Kaya, seu pescoço sangrava levemente devido à manobra anterior dele. Ambos os espíritos gritavam palavras guturais e cacofônicas.
 

“MORRAM QUIETOS DESSA VEZ! Inferno!” exclamou, enquanto numa ação calculada arremessou uma de suas adagas na testa do espírito amante. Ela cravou em sua cabeça, e enquanto ele gemia e tentava conter sua dissolução, Kaya foi atingida por uma mordida de sua alvo principal, na canela. Sua roupa de couro a protegera um pouco, e a dor fora de certa forma agonizante, mas a posição perfeita. Kaya deixou-se cair com sua outra adaga na nuca da fantasma, a essa altura seu amante já havia partido, e esta se estrebuchava enquanto sumia. 
 

Levantando-se ofegante e sem muito ar, devido à sala fechada, Kaya pegou sua outra adaga do chão e passou um pano no pescoço, cobrindo-o, não poderia exalar algum cheiro de sangue. A sala nessas condições a ajudara em não atrair mais nenhum fantasma (ou centenas deles) para a briga. Preparou-se e pulou.
 

Nessa hora atravessou a parede e de quebra um espírito qualquer que estava próximo, foi um péssimo movimento. Ao passar através dele, ele detectou o sangue no pescoço de Kaya e começou a enlouquecer por sua energia fluídica. “Mmmmaaaannnaaa!!!” ele assoviou enquanto se aproximava dela sedento, descendo pelo ar, ela simplesmente enfiou uma adaga em seu queixo até o topo da cabeça. Mas essa pequena confusão foi o bastante para atiçar a atmosfera ao redor, e Kaya sentiu um arranhão em sua nuca e seu pano sendo arrancado.
 

Ao se virar uma mulher espírito gorducha ‘lambia’ seu pano levemente ensangüentado enquanto outros se aproximavam flutuando ao redor. “Hora de correr” avisou a si mesma, assumindo sua forma etérea e se deixando cair do andar onde estava (neste momento, em algumas pontes acima da rua.), até parar numa avenida principal do Quarteirão onde conseguiria correr e sair rapidamente.
 

Mais massas etéreas foram se juntando para banquetear e vindo em sua direção, Kaya só corria, a essa altura sem se importar com o sangue escorrendo de seu pescoço ou com a multidão desencarnada se formando atrás dela. Ela só focou em correr e sair dali. Só que espíritos vieram da frente dela e da lateral, além da multidão se acumulando atrás. Ela corria, desviada, esfaqueava, aniquilava mais uns aqui e outros ali, ia lembrando das plantas e do reconhecimento, mas na confusão os caminhos iam se bloqueando.
 

Quase perto de sair do Quarteirão, cabeças foram se projetando e brotando do chão à sua frente, ficou cercada. Tão perto da saída desse lugar amaldiçoado e magnético pra essas almas atormentadas, o desespero foi consumindo a frieza e calculismo de Kaya. Só restava um movimento que não fosse tentar ir para as Eternidades Cegas, o que demoraria demais para ser feito e poderia levar à sua morte. 
 

Então antes que sua mente fosse enevoada pelo medo, a assassina assumiu sua forma espectral e pegou o espírito mais próximo dela pelo pescoço, começou a manifestar mana e sugar sua presa. “Que venham então, virem minha comida de mana” exclamou. Sugou um, dois, três, quatro... conforme os consumia ia ficando mais forte, mais rápida, mais letal e conseguia manter por mais tempo sua forma etérea. Assim passou como um aspirador por todos que atrapalhavam seu caminho, até que se sentiu saindo da área que prendia as almas do Quarteirão.
 

Segura, voltou ao normal e o efeito colateral se manifestou: Kaya começou a agonizar, caiu no chão e se debateu sem parar, pelo que pareciam infindáveis séculos. Todas as memórias, toda dor, todo sofrimento, magia, maldições, porquês, motivos, raiva, incontáveis sentimentos... tudo isso rasgava o corpo e mente dela, como uma porção de espinhos circulando pelas veias e arranhando todo o corpo internamente e o sangue nos cortes jorrou com a pressão interna. Kaya vomitou, tremia, foi se arrastando enquanto o efeito ia diminuindo, seu corpo e mente latejando, o mundo girando, achou um canto escondido, se encolheu chorando, até que desmaiou...

 

 

Kaya acordou ainda zonza, o dia estava nascendo por aberturas desconhecidas e ela estava descendo umas escadas, em algum lugar cheio de túneis. Mas não era ela que estava descendo por si, algo a carregava pelas costas, com sua barriga para cima e braços e pernas caídos arrastando no chão. Com o susto ela saltou, procurou suas adagas (estavam lá!) e viu um fungo vivo cheio de perninhas andando, como se nada tivesse acabado de saltar dele. A criatura então parou, estremeceu uns sensores estranhos e se virou para Kaya, voltando em sua direção e projetando alguns tentáculos pegajosos para pegá-la novamente.

 

Um dardo voou de algum lugar no meio do fungo, a qual cravou nele e lançou um flash azul. Kaya ia piscando sem entender, enquanto o fungo caia das escadas para o esgoto abaixo, com um ‘pluft’ na água suja. Ela encontrou a origem da arma e um vulto, coberto por um manto, fugiu por um túnel nas escadas acima donde ela provavelmente viera. “Aonde vim parar?” pensou ainda fraca e agora com as luzes em seus olhos, porém suficientemente saudável para perseguir o vulto. Ouvindo seus passos o seguiu, até que passados alguns minutos retornou para uma rua silenciosa, o qual reconheceu ser próximo de onde desmaiou.
 

Ao fim da rua ele continuou correndo, passando por alguns poucos moribundos parte da paisagem, e Kaya o seguindo, sem exatamente saber o motivo que a levava a isso, pois sua mente estava fraca e cansada demais para calcular agora, tudo foi meio instintivo. O sol nascia e os barulhos típicos da cidade grande iam invadindo até essa área mais erma, sua mente só a guiava a se esconder, e seguir o vulto parecia um bom meio de achar esconderijo. Mas por que ela estava pensando isso? Por que não conseguia controlar sua mente direito?
 

Numa parede coberta de trepadeiras, o vulto entrou numa porta, a qual fechou logo em seguida, impossível de ser identificada entre o muro e impossível de ser aberta. Kaya não precisava que fosse aberta.

 

 

    Deixando os raios iniciais de luz para trás, ela atravessou a parede com sua habilidade, como de costume e se deparou num grande corredor pouco iluminado por tochas, ela andou por ele, onde ao seu final um sinete brilhando em azul, encravado na parede, olhava para ela. Era literalmente um olho, com pernas de aranha em volta, ele foi brilhando mais forte, mais forte, mais forte... Tudo ficou escuro.

............................................................................................................................................

 

    “Olá Kaya” Uma voz, vinda de algum lugar, feminina. Tudo era escuro, quanto tempo havia se passado desde que tudo ficara assim? Cadê meu corpo? O que aconteceu? Eram pensamentos constante para ela desde que vira o sinete.


    “Kaya, foque na minha voz, não confunda mais seus pensamentos.” Novamente a voz feminina, alguém que fala firme, provavelmente alguém acostumado à posição de comando e diálogo. Kaya não conseguia responder, mesmo assim parecia que sua mente estava aberta a essa visitante.


    “Kaya, aqui!” percebeu agora o som vindo de uma lateral, de certa forma o espaço negro foi se movimentando, ou seria a própria Kaya se movimentando? “Isso, continue, está bem, siga-me.” A escuridão foi se comprimindo, ganhando forma, era tudo escuro ainda, mas agora havia volumes, densidade, não mais um infinito escuro.
 

    “Antes de sair desse seu transe, você deverá assinar aqui.” Algo pegou a mão de Kaya (Ela possuía mão novamente? nem havia reparado) e a ajeitou com uma pena sobre um papel grosso. “Entenda, é para minha segurança. Isso, continue”. Kaya apenas obedeceu. “Excelente”. As coisas foram se clareando, ela foi sentindo novamente seu corpo, sua própria mente sendo dela novamente, percebeu-se numa poltrona, amarrada a ela na verdade, confortável, mas não, tudo ao mesmo tempo.
 

    A sala era luxuosa, bem iluminada, duas figuras em pé a olhavam: Um homem encapuzado (“Aquele vulto de antes!” pensou), e uma mulher elegante, com uma bengala, Teyza Karlov, muito bem conhecida em Ravnica. Ela agradeceu o homem e o entregou uma sacola (“Pagamento? malditos...”), ele saiu da sala, ela trancou a porta, e sentou-se em frente à Kaya.
 

    “Olá Kaya, sou Karlov, Teysa Karlov. Deve me conhecer de fama obviamente.” Kaya tentou assumir sua forma etérea para escapar, não conseguiu, o que estaria acontecendo? “Não adianta” respondeu Teysa percebendo seus movimentos, “Você assinou um contrato: Sob meu teto, nada de forma etérea, não até que eu a permita.”
 

    “O que você quer de mim?” respondeu agressivamente Kaya, finalmente tomando conta também de sua própria voz.
 

    “Eu quero que você me ajude a destruir o Obzedat.” Teysa respondeu.


    
............................................................................................................................................

 

 

TAGS:  AutoralLore

Felipe Bracco (VIP STAFFBracco)
Viciado e apaixonado pela mana vermelho, adorador de Goblins, viajante das teorias, curioso e observador! Buscando sempre expandir os limites da minha própria escrita e do que pode ser escrito.
Jogo Magic desde 2000, e hoje estou mergulhado inteiro na comunidade. Sou inclusive administrador do MTG LGBT, grupo de Magic no Facebook visando acolhimento e promoção de eventos relacionados.
Se quiser saber mais sobre, entre em contato!!!
Redes Sociais: Facebook

ARTIGOS RELACIONADOS

Lore - Os céus de Ghirapur

O Pequeno Príncipe.


Lore - Queimar

O consulado contra-ataca.


Povos e Nações

Um Guia de Dominária.


O Mercador de Ravnica

Um conto Orzhov.


De Saga à Destino de Urza

O Final.

MTG Cards

Magic Place



Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.

VIP STAFF Bracco (13/12/2016 15:18:25)


Vai acompanhando! :D

Micellium (13/12/2016 11:15:05)

Rapaz... achei irada a habilidade secreta da Kaya, mas com esses efeitos colaterais eu teria preferido planinavegar pra fora dali 😐

E com isso, só mais um capítulo... e a Kaya se meteu numa enrascada daquelas. Quero só ver como ela vai sair dessa.