Road to CLM: Pós RPTQ
09/01/2017 14:00 / 1,761 visualizações / 6 comentários

 

Olá! Passada a época de festas de final de ano, voltamos com força total já que falta menos de um mês para a Grande Final do Circuito Ligamagic! Devido à natureza de descanso e férias dessa época do ano, não tivemos nenhum torneio de nível profissional desde o Grand Prix Dallas e a World Magic Cup (formato ligeiramente diferente por se tratar de Modern de times com restrições de deckbuilding), mas ainda podemos retirar conclusões do Magic Online e principalmente do RPTQ que ocorreu em São José dos Campos, do qual participaram muitas pessoas que também estarão na Final do CLM.


Se tratando de um torneio com projeção nacional, os resultados do RPTQ influenciam direta e indiretamente a escolha dos outros jogadores para os eventos seguintes – os que têm opções para mudar de arquétipo de acordo com um melhor posicionamento o fazem (como escolher Tron ao invés de Infect esperando um field cheio de Jund/Abzan), e os que se mantém em um mesmo deck adaptam escolhas às suas expectativas (exemplos: Etched Champion /Master of Etherium e Galvanic Blast/Thoughtcast nos slots flexíveis do Affinity).

 

 

Como pontuei em A Preparação para o RPTQ e o Top 8 CLM, esperava um ambiente com decks mais interessados em interagir e jogar “justo” (Abzan/Jund/Grixis/Jeskai), uma boa quantidade de estabelecidos Tier 1 (Naya Burn/Infect/Valakut como escolhas mais proativas e Lanterna/Dredge, esses bem populares nos EUA e no MTGO), e é claro certa dose de “pet decks” (Merfolks/Ad Nauseam/Elves).


O que pude considerar como surpresa foram a quantidade de jogadores utilizando baralhos que não estão tanto em evidência, casos de Tron (R/G principalmente, e alguns G/W) e B/W Eldrazi & Taxes. Durante as rodadas, por várias e várias mesas do evento se viam Thalia, Guardian of Thraben, AEther Vials, Karn Liberated e Wurmcoil Engines. Havia uma boa quantidade também de Junds, em contrapartida às tendências mais recentes dos jogadores de migrarem para Abzan, mas de certa forma esperado já que o deck é sempre popular aqui em São Paulo.

 

Outro fenômeno que me chamou bastante a atenção foi certa ausência de Affinity. Juntando à Dallas e seus 0 exemplares no Top 64, no RPTQ o baralho novamente não estava nas cabeças. Credito essa baixa principalmente pelo aumento dos baralhos interativos que possuem Stony Silence/Kolaghan's Command, além de uma boa quantidade de spot removals como Lightning Bolt/Terminate, mantendo o deck em xeque. Isso acaba tornando o Infect uma escolha mais segura dos jogadores como “deck de Inkmoth rápido e proativo” já que é muito mais resiliente ao hate. De qualquer maneira, quanto mais em baixa o Affinity fica e mais sideboard é cortado (como, tirar Stony Silence para colocar Rest in Peace contra Dredge), mais provável fica que o Affinity faça uma grande aparição em breve quando ninguém mais estiver suficientemente preparado.

 


As decklists do Top8 do RPTQ mostraram zero repetição de arquétipo (Valakut, Grixis Delver, Melira Company e Abzan classificando seus pilotos para o Pro Tour, e Infect, B/W Eldrazi & Taxes, Dredge e Bant Eldrazi ficando nas quartas-de-finais com a vaga para o próximo RPTQ). Tron, apesar de levar boa vantagem contra os decks que jogam justo, tem dificuldades sérias em vencer os baralhos proativos rápidos, que presentes em altíssima quantidade fizeram com que Ugin e seus amigos não conseguissem chegar longe em São José dos Campos.

 

Quanto ao meu torneio, não é segredo para ninguém que joguei de Ad Nauseam. Optei por uma lista o mais redonda possível, com 4 Phyrexian Unlife MD e sem nenhuma “invenção” no Sideboard (como Dragonlord Ojutai ou Grave Titan). Olhando para o field de maneira geral, o deck estava muitíssimo bem posicionado – dos decks do Top 8, o único que realmente não quero enfrentar é o Infect, o Death and Taxes é desfavorável e os outros beiram desde justos, até favoráveis ou praticamente imperdíveis (casos de Valakut, Melira Company e Dredge).


Esse ambiente favorável se traduziu também nos meus emparceiramentos diretos. Enfrentei sete diferentes arquétipos, dos quais apenas um Infect, mas não passei de um pífio 4-3 em um dia pouco inspirado, tanto meu, quanto do deck. Na primeira rodada enfrentei o pesadelo Infect, perdendo em menos de 10 minutos dois games rapidíssimos mesmo com ele mulligando a 5.

 

Na segunda perdi por 1x2 contra R/G Tron, em teoria uma das matchups mais fáceis pro Ad Nauseam, mas em que o deck cuspiu na minha cara sem fechar o combo em dois games arrastados - e mesmo no game em que eu venci, foi porque meu oponente optou por exilar uma fonte de mana com o Karn Liberated ao invés do Phyrexian Unlife, me permitindo combar na volta.

 


Abrindo 0-2 e perdendo para um matchup fácil meu torneio já estava “acabado”, valendo a pena continuar jogando para tentar uma pontuação no multiplicador elevado do torneio e na premiação que ia até o Top 24 em um torneio com cerca de 70 jogadores, além da oportunidade de treinar, já que no meio de duas temporadas Standard de PPTQs não é fácil jogar Modern a nível competitivo.

 

Depois disso, venci de Valakut, Jund e Naya Burn (com as Leyline of Sanctity fazendo boa parte do trabalho no pós-SB), e perdi para um Naya Blitz (com Burning-Tree Emissary e Reckless Bushwhacker) em um game em que mesmo fazendo Ethereal Haze no 2, Phyrexian Unlife no 3, ele ainda conseguiu me matar antes de eu desvirar para combar no meu quarto turno. Venci minha última match do dia contra Dredge, combando com Laboratory Maniac depois que ele optou por descartar meu Lightning Storm ao invés do Ad Nauseam, e não conseguiu um clock rápido com as criaturas voltando do cemitério antes de eu recompor meu jogo.


Perder para dois matchups em tese favoráveis (Tron e Naya Blitz) é completamente imperdoável no Modern, onde todos os baralhos têm seus nêmeses e com o Ad Nauseam não é diferente. Entretanto, é impossível ir bem em um torneio Modern sem passar por algumas “pedras no caminho”, e não foi dessa vez que o velho Ad Nauseam conseguiu seu lugar ao sol.

 

Quanto à preparação para o CLM, o esqueleto do baralho segue intacto – como já disse anteriormente, a maioria dos baralhos Tiers 1 e 2 no Modern já sobreviveram ao teste do tempo mostrando sua eficiência, e dificilmente há slots disponíveis para “brincar”. Segue a lista que utilizei no RPTQ:

 

Ad Nauseam RPTQ - Modern
2017-01-07

Jogador

sandoiche_13

Visitas

1822

Código Fórum

[deck=493426]

 

Esse ambiente com mais decks interativos, a alta quantidade de Tron, Naya Burn, Dredge e Valakut e a natureza proativa de um deck Combo favorecem novamente o Ad Nauseam quanto escolha para um field aberto – evitando os Infects da vida, o deck continua me parecendo bem posicionado para a Grande Final.


Mesmo com a entrada de Aether Revolt (comentarei sobre os cards novos no Modern no próximo artigo “Road to CLM”), não acredito em mudanças drásticas logo de imediato, já que a atenção da maioria dos jogadores está na temporada Standard e mesmo cards que impactam de forma efetiva o formato demoram certo tempo até tornarem-se tecnologias mainstream (caso de Grim Flayer em Jund/Abzan, por exemplo).

 

Talvez algum banimento possa sacudir ao formato, mas, além da ascensão do Dredge com Cathartic Reunion, as mesmas coisas que já estavam no Modern antes da última lista de banimentos sem mudanças continuam por aqui, e a falta de consenso entre a própria comunidade de jogadores indica que não há nada com um alvo claro na testa só sendo possível comentar com precisão após o anúncio oficial da Wizards.


E vocês, quais suas opiniões a respeito do cenário Modern nacional pós-RPTQ? Como está sendo sua preparação para a Grande Final do CLM? O que vocês esperam que vai prevalecer lá? Compartilhem nos comentários!
 

Abraços e até a próxima!

 

 

 


Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está constantemente grindando torneios na Grande São Paulo e em Santos, onde é parte do Team House of Cards TCG. Como grande entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015.
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Comentários

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Tiago865 (18/01/2017 10:59:24)

Ola amigo, tudo bom?
Meu nome é Tiago e tenho uma base do Rg Breach, dei uma enjoada e decidi anunciar para venda. Me ofereceram um Ad nauseam para troca, eu particularmente sou fan de carterinha de decks combo, porem tenho alguns receios. Acompanho seus artigos e vi que voce entende bastante do deck, gostaria de saber mais sobre ele, se realmente vale apenas, se comba mesmo, ou se é algo que deixa na mao. Montei um ur storm e um living end e ambos me deixavam na mao, nao conseguia fazer bons resultados. Se puder me dar uma força agradeço, e gostaria de te parabenizar pelos textos, gosto muito e acompanho todos :D Abraço






Att;
Tiago C. Salvadori

ShiroCtba (13/01/2017 11:05:35)

Bah, te agradeço pelas dicas de graça aí. Vou lembrar do side-in no Leyline contra Jund.
Ganhei de um Naya Burn ontem :D :D :D mas aí perdi pro Titanshift que zoei aqui (nunca tinha levado sequer game dele no xmage). O ad nauseam é muito bom, muito divertido, permite jogadas difíceis embora não seja especialmente complexo de entender. Ontem fiz 2-2 no modernão de quinta e tô bem satisfeito. Perdi pra collected elves e titanshift, ambos os jogos por pura incompetência (pelo menos contra os elfos foi um erro grotesco, maníaco e unlife na mesa, 5 lands de pé e não joguei ad nauseam pq achei que não ia ganhar, já que ele não dá draw. Sequer pensei, na hora, em fazer 2 macaco + pentaprisma + serum visions...). Vamos melhorando.

vlw!!

VIP STAFF sandoiche_13 (13/01/2017 02:14:11)

Falarei sobre as cartas da nova edição no contexto do Modern, e da minha preparação com o Ad Nauseam (bem como os bans) na semana que vem, em continuação ao Road to CLM. Quanto ao Frontier, minha opinião é parecida com a de um artigo na MTGoldfish uns dias atrás: ele parece uma solução imediata porque as cartas são baratas agora, mas se não tiver uma rotação fixa ele vai se tornar igual ao Modern daqui a alguns anos - quem conseguiu entrar cedo se deu bem, quem tiver que entrar depois vai continuar pagando os rins em coisas como Jace, Prodigy of Vryn, Collected Company e Fetch Lands.


ShiroCtba: Naya Burn é uma partida tranquila, ele consegue roubar alguns games na velocidade pura, mas ele pouco faz contra Phyrexian Unlife, e as mãos mais lentas dele (sem Comando de Atarka) dificilmente te matam antes de você combar mesmo sem Unlife. Pós side, alguns games Leyline of Sanctity ganha sozinho.

Quanto ao Jund, essa é uma match mais complicada, muitos games ele vem com todos os descartes, clock rápido de Grim Flayer, Goyf ou Liliana, e você não tem nem chance. Outros mesmo perdendo parte da mão você consegue cavar alguma peça e combar igual. Só que nos games que ele compra a "parte errada" do deck (Kalitas, Terminate, Scavenging Ooze) ele não esboça a mínima chance - e no pós side, novamente, Leyline of Sanctity pode ganhar sozinho, já que sem o disruption o clock dele é muito lento.

ShiroCtba (11/01/2017 15:14:44)

jogo de ad nauseam e até agora não consegui pegar a curva do deck. perco fácil para naya burn/jund, sendo que o matchup que consegui ganhar todas é titanshift pq pelamor né.

Bolsan (09/01/2017 17:38:25)

E teve o ban que voce falou , nerfaram mas não mataram o dredge .

Bolsan (09/01/2017 15:33:28)

Fala man , blz ? Otimo artigo realmente acho que o AdNauseam é um baralho muitas vezes subestimado e não dão a devida atenção para ele , mas pode ganhar jogos facilmente.
O que voce acha do Frontier ? acho valido a discussão , mesmo naõ achando que ele seja a saída.
Agora quanto a Aether revolt , você acha que não vai mexer no formato mesmo ? Fatal Push é o path preto , algo que esperávamos faz tempo .
Temos um novo twin no formato , mas lento porém existe .
Temos um thopter sword incolor (mimic + animation module) e falando no mímico pode ser incorporado em baralhos agressivos .
Paradox Engine com ctz fará algum combo insano e as cartas com improvise podem render altas bombas no formato .
Renegade Rallier permite o combo com Saffi não dependendo mais apenas da Melira para uma versão junk , fora o fato de reanimar lands como ghost quarter e fetchs .
Spire of Industry é um versão do glimmervoid que fica na mesa sem arterfatos .
E ainda temos Kari Zev's Expertise combando com beck/call dando 4 draws + 4 flyers ou Breaking // Entering pra fazer Emrakul no t2 !
Para mim essa edição vai mexer me muitos formatos , citei só algumas cartas que sabemos que vão aparecer em algum lugar , mas tem muitas outras como o goyfinho e o elf kird ape com death touch .
Forte Abraço

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