Aprendiz de Coveiro
13/03/2017 11:27 / 2,315 visualizações / 5 comentários

Olá, amiguinhos!


Faz um tempo desde que não escrevo algo por aqui, estava uma correria bacana e acabei ficando um pouquinho afastado desse amado jogo.  Além disso, estava sem ideia do que escrever também!
 

Bom, agora estou tentando voltar a jogar um pouco mais periodicamente, então resolvi montar um novo deck modern para me divertir e aprender um pouco mais sobre estratégias. Para isso escolhi o Dredge! Mesmo com o recente ban do Golgari-Grave Troll, o deck continua na ativa, e até apareceu em um top 8 de um GP! 
 

Esse texto (e talvez os próximos) vão ser, além de um pequeno “deck tech” do Dredge, uma forma que escolhi para aprender a realmente jogar com o deck. Então, vou anotando o que aprendi no decorrer dessa minha experiência, e espero que juntos possamos aprender o máximo possível dessa incrível estratégia que distorce as regras do Magic! Tanto para jogar com o deck, quando para jogar contra! Já deixo aqui por escrito, esse começo é o conhecimento que venho adquirindo ao ler artigos sobre o deck e jogando com o próprio. Então, caso você já jogue com o deck, convido-o a deixar um feedback com a sua estratégia, o que você faz de diferente e tals, para todos aprendermos mais sobre!
 

Apenas um PS: o RG Breach (ou Titanshift) realmente passou de um tier 2.5 para tier 1! Foi, acompanhado do Bant Eldrazi ,o deck mais jogado na final do último CLM modern! Fico feliz que ele esteja aparecendo, mas não surpreso, é um deck forte e divertido, quer mais o que?
 

Sem mais delongas, quero iniciar o texto com o básico do deck Dredge, que é justamente o que venho tentado aprender nesse início.

 

O Início

 

Dredge é uma estratégia antiga do Magic, que abusa da mecânica que leva o mesmo nome, e que foi lançada na edição de Ravnica.
Seu texto é o seguinte:


Dredge X (Se você for comprar um card, ao invés disso, você pode colocar exatamente X cartas do topo do seu grimório em seu cemitério. Se o fizer, devolva esse card de seu cemitério para a sua mão.)
 

Regras sobre:

 

  • Dredge (ou Escavação, em PTBR) é uma habilidade estática que funciona apenas se a carta com dredge está no cemitério de algum jogador. 
     
  • Se o jogador que utilizar dessa habilidade possuir menos cartas em seu grimório que o requisitado pela carta (ex: você tem 5 cartas no baralho e um Golgari Grave-Troll no cemitério), o mesmo não poderá colocar nenhuma carta em seu cemitério com a habilidade. Tenha isso em mente para não se enganar e falarem que você se millou sozinho.
  • Essa habilidade substitui o ato de comprar uma carta, e pode ser utilizada a qualquer momento em que o jogador poderia comprar uma carta, não apenas durante o draw do turno.
     
  • Assim que você decidir substituir o draw pela carta com habilidade de Escavação, a mesma não poderá ser exilada de jogo, pois este efeito de substituição não vai para a pilha. Isso também exclui a possibilidade do oponente conjurar um Stifle para “brecar” a habilidade.
     

Esse é o básico do básico que tive que aprender para começar a me aventurar um pouco com o deck. Simples, não? Não.


Resumindo: A habilidade Dredge substitui o ato de comprar uma carta. Logo que você substitui o draw pela habilidade, ela não pode ser respondida, pois o seu efeito não vai para a pilha. Como dito anteriormente, você pode substituir qualquer instância de draw, seja o draw do turno ou mesmo caso uma carta, como Serum Visions, que te diga para comprar uma carta.

 

O Básico do Deck

 

A estratégia do deck, de início, é simples. Se utilize de cartas baratas como Faithless Looting, Cathartic Reunion (baratas e eficientes, possuem um baixo custo e possibilitam comprar mais de uma carta por turno), e cartas com a habilidade de dredge, para encher o seu cemitério de criaturas que podem voltar ao campo de batalha sem custo algum ou com um custo mínimo (ex: Narcoameba e Prized Amalgam, que voltam de “graça”, e Bloodghast, que retorna com a habilidade landfall). Daí para frente basta-se apenas atacar e ir esgotando os pontos de vida do oponente com criaturas que não estão nem aí se forem mortas (se morrerem voltam para o campo, exiladas é outra história). 

 


Abaixo, algumas cartas “core” do deck:

 

  • Faithless Looting: te possibilita utilizar a habilidade dredge 2 vezes e retornar essas mesmas cartas para o cemitério, para dar continuidade na estratégia. E possui flashback, para cavar ainda mais o deck!
  • Cathartic Reunion: talvez a carta que tenha feito o Troll ser banido. Apesar de o custo ser um pouco maior que da carta citada acima, ela te possibilita colocar até 15 cartas no cemitério logo que ela resolve. Uma das cartas que possibilita a “explosão” inicial do deck. 
     
  • Bloodghast: Uma das criaturas que entram de “graça” em jogo e agridem o oponente de forma eficaz. E dependendo dão estado de jogo, ela entra com haste, permitindo manter a pressão no oponente.
     
  • Narcoameba: Uma das estrelas do dredge! Essa geleia aparece em decks dredge no Modern, Legacy e Vintage. Ela entra em campo quando é mandada direta do seu deck para o cemitério, ajudando a triggar seus Prized Amalgam. Apesar de possuir um corpo pequeno, possui voar e pode trazer consigo um exército.
     
  • Prized Amalgam: Uma das criaturas que podem voltar ao jogo de graça. Possui um corpo robusto e pode voltar junto com seus Narcoameba e Bloodghast. A única parte ruim é que ele entra no final do turno e virado.
     
  • Insolent Neonate: Possibilita o dredge logo no início do jogo, descartando uma carta e dando um draw, por ser nessa ordem, podem descartar um dredger e já começar nosso jogo.
     
  • Stinkweed Imp, Golgari Thug, Dakmor Salvage: Algumas das cartas com a habilidade dredge que fazem o deck rodar. Com o banimento do Troll, o Imp é atualmente a carta com maior escavação no modern. 
     
  • Life from the Loam: Além de ser uma carta com a habilidade dredge, possibilita que você sempre tenha um terreno em mãos para devolver seus Bloodghast ao campo de batalha. Além de ir enchendo sua mão de cartas para um Conflagrate letal.
     

 

Essas são apenas algumas das cartas do deck, porém, podem ser as consideradas mais importantes para fazer o deck funcionar na forma que sua estratégia dita. 

 

Primeiros Passos


Enfim, resolvi jogar com o deck online (estou juntando aos poucos as cartas necessárias para montar o deck IRL) para ver a estratégia “em ação”.


Confesso duas coisas:


1. O deck é muito mais divertido do que eu imaginava. 


2. O deck é muito mais difícil de jogar do que eu imaginava.
 

Para ambas as declarações: na minha cabeça, eu acreditava que era necessário apenas ”mandar as coisas para o cemitério” e deixar o deck jogar sozinho. O que percebi em apenas 30 jogos, é que o deck é muito mais interativo do que eu imaginava, requer MUITA atenção em relação à pilha e triggers, as linhas de jogadas são complexas e é necessário MUITO conhecimento do formato para não perder nos games 2 e 3. Ah, quase esquecendo, a sequência de jogadas é muito importante neste deck. Reitero, MUITO importante.


Confesso que em quase todos os games 1 não houve muita interação com o oponente,  o que me leva a crer que esse deck possui um ótimo game 1 contra a maioria dos tiers. Grandes problemas, na verdade, foram gerados por erros meus, e mesmo assim o deck continuou fazendo seu trabalho. Os games 2 e 3, por outro lado, são mais complicados. Cartas que interagem com o seu cemitério são muito comuns em quase todos os decks. Logo, eu precisava saber um pouco da estratégia do oponente para poder “prever” o que ele subiria contra mim (não preciso nem dizer que errei em quase 90% das vezes).


O Ssideboard é extremamente importante, pois existem cartas que praticamente matam o seu deck (ex: Rest in Peace e Leyline of the Void) caso você não esteja preparado para elas.

 

Alguns pontos do qual me recordo:

 

  • Conjurei o Stinkweed Imp muitas vezes. O fato dele possuir voar e “deathtouch” ajuda muito em partidas mais “travadas”. Ele é muito útil quando seu oponente possui um Tarmogoyf ou um Death's Shadow gigante. E CMC 3 neste deck não é algo impossível, ainda mais com Life from the Loam.
     
  • Mesmo com uma mão inicial com apenas um terreno, se houvesse junto um Faithless Looting, quase sempre era um keep.
  • Tudo o que você precisa na mão inicial é de uma carta com a habilidade dredge, um terreno e algo para descartar ou comprar carta (Insolent Neonate, Faithless Looting, etc). Os mulligans com esse deck não te afetam tanto quanto em outras estratégias. Mulligar para 5 às vezes chegou a ser normal durante algumas partidas, ao final, eu nem sentia aquela dorzinha na hora de mulligar!
     
  • Grande parte do seu deck estará no seu cemitério normalmente, logo, as chances de você dar um draw em uma carta que você procura (que não esteja no cemitério, lógico) são mais altas. Houve casos no qual eu precisava de um terreno por exemplo, para voltar meus Bloodghast e atacar com dano letal (os Life from the Loam haviam sido exilados, infelizmente). Tendo em mente o que já estava no cemitério, a matemática não era tão difícil para saber se eu dava um draw (torcendo por um terreno), ou se eu utilizasse o dredge para tentar acertar um Conflagrate
     
  • Dependendo da partida, a melhor estratégia no game 2 e 3 é tentar “acelerar” o seu jogo e tentar “combar” o quanto antes. Isso acabava sendo um turno a frente do hate do oponente.
     
  • Em grande parte de outras partidas, jogava com uma estratégia mais lenta, se utilizando do dredge apenas o mínimo necessário (quando digo isso, significa que eu colocava o menor número de cartas em meu cemitério, apenas com algumas criaturas para atacar), dessa forma, caso o oponente tivesse, por exemplo, um Rest in Peace, eu não sairia tão prejudicado.
     
  • Relic of Progenitus não é tão eficaz assim contra este deck. (não o tanto quanto eu imaginava)
     
  • Se o deck possuía a cor branca, eu logo assumia que ele ia ter um Rest in Peace no sideboard.
     
  • O trigger do Narcoameba e do Bloodghast são optativos, ou seja, você pode escolher não colocá-los no campo de batalha. Isso ajudou na hora de contornar um Anger of the Gods ou um Ugin, the Spirit Dragon. Basta apenas estourar uma fetchland no final da main phase 2 do oponente para voltar seus Bloodghast e Prized Amalgam e atacar em seu turno.
     
  • Joguei contra poucos decks combos (Storm e RG Breach por exemplo), e o que percebi é que quase sempre eles estão um turno a nossa frente da vitória. Contra eles subia todos os descartes possíveis. (como de costume)

 

Material de Estudo


Vou deixar aqui alguns artigos, sites e vídeos que me lembro que são bem bacanas sobre a temática! Caso vocês tenham um tempinho, tenho certeza de que não se arrependerão!

 

Artigos e sites:
 

http://www.mtgsalvation.com/forums/the-game/modern/tier-1-modern/712805-dredge
http://www.channelfireball.com/articles/modern-dredge-deck-guide/
http://www.channelfireball.com/articles/how-to-play-dredge/
http://www.mtgmintcard.com/articles/writers/zen-takahashi/dredge-in-a-post-ban-world
http://www.starcitygames.com/article/21777_The-Dark-Art-Of-Dredge-Fu.html (esse artigo não é sobre o Dredge modern, e sim o legacy, porém, é um dos melhores textos já escritos sobre a temática!)


Vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=duqOVi427WA (deck tech SCG)
https://www.youtube.com/watch?v=ntdgk_HmWO8 (Paul Cheon jogando com o deck em uma liga no Mol após o ban do troll)
https://www.twitch.tv/originaloestrus (canal do Twitch da rainha do Dredge!)

 

Conclusão dessa primeira parte


Após esse pouco tempo com o deck, posso afirmar tanto que gostei e me diverti muito com ele. É um deck um pouco combo, bem aggro, e às vezes control. 
 

Percebi que é necessário MUITA prática para poder extrair o máximo dele. Sua dificuldade, em minha opinião, está nestes três pontos:


1. Sequenciamento de jogadas;
2. Complexas linhas de jogada;
3. Possui muito hate. 

 

Apesar de tudo isso (e principalmente pelo fato do deck possuir muitas cartas que o atrapalhem) , o deck é extremamente forte, e mesmo perdendo uma de suas melhores cartas, ele continua na ativa e não duvido que ele marcará presença em vários grandes campeonatos.
 

Para concluir, espero que vocês tenham gostado desse “início”. E espero que vocês também possam me ajudar a entender e extrair o máximo desse deck! 
 

Como sempre, a opinião de vocês é muito importante, então deixem um feedback nos comentários para que possamos buscar sempre melhorias!

 

Tenham um ótimo dia! 

 

PS.: continuarei treinando com o deck para os próximos artigos, já que irei procurar abordar sobre sideboard, partidas e tals, caso tenha uma dica sobre o que abordar, sou todo ouvidos!

 

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Comentários

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davidbaron (13/03/2017 22:51:20)

Dredge é meu pet deck! Hahahaha

Embora já não jogue mais com ele há um bom tempo (mesmo!), seja Legacy, Vintage, Modern, sempre acompanho as techs novas que aparecem.

A maior dificuldade, pelo menos pra mim, é o sideboard. Como dito no texto, contornar os games 2 e 3 é tarefa árdua. Hahahaha

Só faltou uma coisa: compartilhe a lista que você tem usado atualmente.

Aguardo os próximos capítulos e boa sorte com o deck! Hahaha

alphateam (13/03/2017 16:22:58)

Ótimo texto!

Gosto muito do Dredge, é como você falou, o deck é muito divertido e extremamente complexo em extrair o melhor dele.

Nunca mais vi listas com Bridge from Below e Gargadon, uma interação que gostei muito das listas anteriores do deck.

Com o banimento do Troll, não seria uma boa tentar uma aposta nas pontes?

Hollow (13/03/2017 14:18:44)

Eu jogo com esse deck e acredito mesmo ser ainda uma excelente opção, mesmo após o banimento do Troll. Acho que jogando com o deck eu costumo me sair bem. Acho que sei a maior parte dos sequenciamentos ideais. Algumas coisinhas fazem muita diferença. Às vezes jogar um Conflagrate pra deixar a vida do cara em 10 ou menos e só então jogar um land pra voltar os Bloodghasts com Haste. Quando os Bloodghasts não tiverem haste, normalmente jogamos os lands depois do combate pra podermos bater, e já voltar os Bloodghasts (e por consequência, os Amálgamas) já na segunda main phase... enfim...

Porém, o que eu acredito ser a parte mais difícil em se jogar com esse deck, e sem dúvida, é onde eu mais erro ao pilotá-lo, é no sideboard. Eu tenho uma dificuldade imensa em montar e especialmente em sidear. Pela estrutura do deck, não podemos tirar muita coisa se não o deck simplesmente não funciona.

Se tirar Amalgams, o deck perde poder de fogo. Se tirar Bloodghast ou Narcomoeaba, os Amalgams ficam encostados. Se tirar loots ou Dredgers o deck fica inconsistente e lento. Enfim... acho bem difícil sidear. Na verdade, acho que a parte difícil de sidear é o que tirar do deck pra por qualquer coisa.

DanielMS (13/03/2017 13:49:53)

Eu já jogava antes do banimento e fiquei um tempo sem jogar, agora estou voltando e me adaptando novamente ao deck, ele é muito difícil, voltei bem ruim, o deck precisa de muita e constante prática.
Eu gostaria de saber mais sobre o side, o main é bem interessante saber como jogar também, mas o side é crucial!!!
Estou na espera para o próximo texto.

Bessovaldo (13/03/2017 11:56:08)

Realmente, tive a mesma impressão que você.

- Muito divertido de jogar
- Muito foda de jogar
- Facilmente contornável (game 2 e 3)

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