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As Máscaras de Mercadia – Parte II
Squee Salvador.
30/04/2017 10:00 - 3.107 visualizações - 10 comentários
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As Máscaras de Mercadia – Parte II

 

Squee Salvador

 

 

 

Não houve brado de vitória, não dessa vez.


A tripulação do Bons Ventos conseguira escapar de Rath, mas a que custo?
 

Ertai fora feito prisioneiro pelos Moggs. Crovax ficou louco e Mirri... somente havia dor e pesar por aquela companheira que servira o Bons Ventos e sua tripulação tão fielmente.
 

Definitivamente, não havia muito que celebrar.
 

O Bons Ventos atravessara o portal planar de Rath, mas eles não aterrissaram em Dominaria como esperavam e sim, em um lugar totalmente estranho e desconhecido para eles. 
 

Nossos heróis transplanaram para a inóspita e maquiavélica Mercadia e com essa aterrissagem forçada – graças aos danos causados pelo Predador – o navio caiu na estranha floresta de Rushwood.

 

 

Havia muitos feridos entre eles. Artilheiros e outros marinheiros que lutaram em Rath ao lado do comandante Gerrard. Ninguém conhecia aquele plano... bem havia um que conhecia, mas mais para frente descobriremos quem, por ora nosso heróis estavam totalmente desolados. Longe de casa, cansados, feridos, amaldiçoados na alma, dispersos e sem rumo. Com esse pouso forçado quem sabe Hanna teria tempo para reparar o navio e se recuperarem, mas como tudo na vida de Gerrard é complicado, essa situação não seria diferente.

 

 

Repentinamente, o navio fora cercado por rebeldes Cho-Arrim, que acreditavam que essa ‘coisa voadora’ nada mais era do que um sinal do antigo deus Ramos, que havia partido há alguns séculos. Os Cho-Arrim eram um povo muito espiritual e por isso, acreditavam que aquele navio era um sinal divino.


A crença no mito de Ramos era compartilhada por diversas culturas em Mercadia. Os Saprazzianos também o veneravam, mas acreditavam que ele fosse um deus dos mares. Para relatar como surgiu esse culto, devemos voltar algumas eras, durante a Guerra dos Irmãos quando Urza e Mishra transformaram Terisiare em um mundo morto e dividido em dois pólos. Segundo o próprio Ramos – que deve ter compartilhado sua história com os sobreviventes que trouxe – ele esteve a serviço de Mishra durante a guerra, mas fora capturado por Urza e reprogramado para proteger o povo de Terisiare.
 

Reprogramado? Como um deus pode ser reprogramado?
 

Acontece que Ramos não era bem um deus, apesar de que isso depende muito do ponto de vista e de que em era você está. Todavia, nesse caso, Ramos era o dragão mecânico que, provavelmente, apareceu para Mishra em sonho e depois apareceu no acampamento dos Fallaji transformando-o no líder supremo daquela nação.

 

 

Ramos não passava de uma criatura artefato que serviu a dois senhores diferentes. Como consequência das atrocidades dos irmãos houve a explosão do Sylex e nesse ínterim, Ramos ajuntou humanos e tritões que viviam ao redor de Argoth e transplanou para Phyrexia, sua terra natal, e depois utilizou um portal planar – do mesmo tipo que existia em Rath – para fugir para Mercadia. 

 

Infelizmente, em sua decida, ele acidentalmente colidiu com a cidade de Mercadia matando diversas pessoas. Mas não fora lá que ele aterrissou, e sim na floresta de Deepwood, onde ainda é venerado pelas dríades que se tornaram guardiãs dos Ossos de Ramos.
Em outras palavras, os habitantes de Mercadia, em sua quase totalidade, são descendentes dos Thran.


The Thran. Gerrard was swept away on a wave of thought. He remembered Multani, years before in his cave, lecturing him, Mirri, and Rofellos on the mysterious race who had lived on Dominaria millennia before. Thran artifacts were scattered across the land, hidden beneath the sands. Even the legendary Brothers' War had had something to do with the Thran, something to do with — "Wait," Tahngarth growled, "are you saying these Mercadians are Thran?" Karn said nothing, but looked to Gerrard, who rose and paced the room. "No," he said at last. "Legend says the Thran became Phyrexians, the machine race that tried to invade Dominaria in the age of the Brothers' War. They were stopped by Urza the artificer." (Mercadian Masques p. 171)

 

Isso é um fato bastante curioso e prova que ainda há resquícios dos Thran. Após a queda de Ramos, aqueles que foram resgatados começaram a venerá-lo como seu criador. Na floresta de Deepwood se encontram os Ossos De Ramos. Uma coletânea de artefatos considerada sagrada por seus adoradores e que, posteriormente, se ajuntaram ao Legado.

 


E aqueles que seguem a crença no deus dragão, são chamados de Ramosianos. Um título muito comum entre os Cho-Arrim, mas que também existe entre os Saprazzianos e os Rishadan, mesmo não havendo cartas azuis com tais referências.

 

 

Muitos acreditam que Ramos está morto, mas segundo senso comum, ele abandonara Mercadia e graças a essa crença, os Cho-Arrim interpretaram a queda do Bons Ventos como um sinal da profecia do retorno do seu deus dragão e que, com sua volta, findaria o governo corrupto de Mercádia. Em desvantagem numérica, Gerrard entregou o Bons Ventos nas mãos dos rebeldes, porém, Orim, que ainda estava cuidando dos feridos, fora levada junto com o navio. 


Os planos de reparação elaborados por Hanna, teriam que esperar.
 

Indefesos e sem o navio que os levaria de volta para casa, a tripulação parecia que havia chegado a um beco sem saída. Poderia ter sido bem pior a situação, mas as forças do Multiverso agiram e contribuíram – ou não – mais uma vez. Se já não bastasse terem sidos saqueados por rebeldes, agora era a vez das forças militares de Mercádia entrarem em cena.


As tropas imperiais mercadianas. A elite pomposa e gloriosa de uma cidade corrupta envolta em luxúria. Assim como a cidade, que vivia de aparências, assim eram os soldados mercadianos. Irreverentes, mal treinados e péssimos combatentes. Guardas que serviam mais como ornamento do que força de batalha.

 


A situação piorou.


Perderam o navio e agora estavam prestes a perder a liberdade. A tripulação fora levada prisioneira pela infantaria mercadiana, em direção a cidade de Mercádia. Sendo a cidade um lugar de corrupção, o que esperar das autoridades? A tripulação, provavelmente seria vendida aos Cateranos como escravos ou alguma coisa pior... anyway, arrastá-los juntos pelas ruas de Mercádia não fora a melhor ideia que aqueles soldados tiveram.

 

 

 

Parecia que eles estavam sem alternativas. Não era possível que aquele pequeno grupo abrisse caminho pelas ruas de Mercádia, enfrentando soldados, mercenários e horrores. Enquanto Sisay e Gerrard conversavam sobre um possível plano de fuga, um fato passou por eles despercebido.


Um pequeno grumete goblin, caminhando, feliz da vida como se nada acontecesse.

 

 

Ninguém da tripulação sabia que os goblins eram os mestres de Mercádia e mesmo se soubesse, duvido que Tahngarth acreditasse nessa ideia estapafúrdia. Gerrard e Sisay continuaram observando aquela situação terrível, tentando analisar qual seria o melhor momento para tentar escapar. Quando decidiram isso, eles deram a ordem de ataque para que Tahngarth rompesse as cordas e iniciasse a algazarra.


Com um berro, eles começaram uma insurreição na praça de Mercádia. Enquanto Tahngarth concedia a seu captor a revanche merecida, Gerrard tentou parar um mercenário, porém, foi preso pela horrenda criatura. Talvez o comandante tivesse tido uma vida mais curta, se não fosse à intromissão de Squee.

 

 

O mercenário ficou sem entender porque aquele distinto goblin o atacara.


Squee opened his eyes to see something altogether unexpected. The cateran had stopped midlunge and fallen to its scabby knees. It looked up beseechingly at Squee. The goblin's incredulity was mirrored on the faces of Gerrard and Tahngarth. Through jagged fangs, the cateran pleaded, "Forgive me, Master." Squee looked over his shoulder to see who the beast addressed. "He's talking to you, Squee," Gerrard hissed nervously. Squee splayed a hand on his chest and mouthed, "To ... Squee?" Gerrard only nodded. "I did not realize a Kyren sponsored these ... worthies. I did not realize these were your friends." Squee considered, folding arms over his chest and frowning disapprovingly. "Well, dey are! How 'bout dat!”(Mercadian Masques p.63)


E foi nesse momento que Takara percebeu a situação. Ela viu que as pessoas estavam com “medo” de Squee e que não o estavam atacando. Com um pensamento veloz, ela ordenou que Squee fosse adiante deles para que pudessem abrir caminho entre a turba.
E não foi que deu certo mesmo?


Squee subiu nas costas do golem de prata e partiu, como um herói salvador.

 

 

E mais uma vez o grumete goblin salvou o dia. 


Para vocês que detestam goblins, saibam que Squee desempenhou papeis fundamentais durante as batalhas aéreas. E agora em Mercádia, o goblin foi à peça fundamental para a libertação da tripulação porque, finalmente após tanto tempo, Squee fora considerado alguém importante. Mas essa suposta ascensão foi devida aos Kyren, que o consideravam um primo querido. Era notável, até mesmo entre os Kyren, que Squee não era dotado de muita inteligência, entretanto, ele ainda era um goblin e merecia todo respeito dos cidadãos de Mercádia.

 

 

As ações da tripulação rapidamente começaram a percorrer as ruas de Mercadia. Os boatos falavam sobre um grupo que derrotou milhares de soldados imperiais e mais, somente um nome era conhecido entre esses estrangeiros: Gerrard matador de gigantes.
The streets outside buzzed with talk of the foreign warriors who had marched into the city, defeated five hundred — no, a thousand — of the city guards, fought off twenty giants, and killed a whole band of cateran enforcers. Tavern talk made them outlaw heroes, striking out against oppression. Garrison talk made them simply outlaws, but their names were mentioned only in tremulous whispers. "Legendary Gerrard, giant killer!" The legend of Gerrard and his band reached a fevered pitch by next afternoon. It was time to enact his plan.(Mercadian Masques, p.64)

 

Squee salvara mais uma vez seus amigos e, graças a isso, Gerrard e Takara puderam ter uma audiência na torre do magistrado. Segundo o costume em Mercádia, qualquer cidadão que tivesse algum negócio válido poderia se aproximar do magistrado-chefe e barganhar alguma situação.


Em Mercádia, acordos valiam mais que ouro.
 

Eles subiram a opulenta torre do magistrado até chegarem a Câmara de Audiência. Lá estava à corte de Mercádia – humanos e goblins, mais goblins do que humanos – com um salão cheio, e o mais curioso era que eles estavam brincando – sim, uma grande parcela dos membros da corte se divertia com um pequeno brinquedo – esses brinquedos eram energizados com powerstones.


Como será que Urza reagiria diante de uma cena como essas??

 

 

A sala era uma babel de vozes e, aparentemente, os cortesões não deram muita audiência para a presença de Takara e Gerrard. O gordo magistrado fez sua voz ecoar pelo salão, perguntando em Alto Mercadianês, quem era Gerrard. Fora necessário que Takara traduzisse a fala.


Gerrard, como sempre, fora bastante abusado, se apresentou conforme os rumores das ruas. Ele disse que era Gerrard, o matador de gigantes. Pronto, aquilo foi o suficiente para prender a atenção de todos na sala e mais do que simples atenção, mas a preocupação do magistrado que já estava prestes a chamar os guardas. Porém, Gerrard o advertiu dizendo que sele chamasse o pelotão, ele mataria os guardas e o magistrado. Como todos sabiam que a fama dos soldados mercadianos era terrível, o magistrado cessou a ordem.


O comandando Benaliano pretendia propor uma barganha entre ele e o magistrado, mas antes que ele continuasse sua petição, um Kyren, que falava eloquentemente e andava bastante ereto, saiu de trás do trono do magistrado e começou a distorcer a situação. Seu argumento era simples: por que aceitar a barganha de um delinquente?

 

 

Os argumentos teriam sido válidos se o Kyren não tivesse se aproximado perto o suficiente de Takara, que o pegou pela garganta e o ergueu. No mesmo instante, Gerrard pegou sua espada para manter os guardas afastados enquanto o goblin olhava nos olhos de Takara petrificado de terror. Visivelmente amedrontando pelo o que viu dentro dos olhos dela, ele deu ordens para que os guardas se afastassem e foi solto pela austera mulher. Parece que a ação surtiu efeito e o goblin sugeriu que, ao invés de serem considerados como infratores, eles deviam ser tratados como “cidadãos privilegiados”.


Uma mudança de situação bastante inusitada por uma mulher que acabara de ser resgatadas das profundezas da Fortaleza.
 

O comandante do Bons Ventos começou com uma pergunta simples “Vocês estão satisfeitos com seu exército?”
 

O Kyren respondeu – lembre-se que em Mercadia o magistrado é apenas um fantoche - perguntando se, por acaso, Gerrard trouxera com ele mais soldados e melhores armas, mas o que o patético goblin não sabia era que Gerrard tinha algo muito melhor a oferecer.
"Better. The legendary Gerrard will make a bargain with you," Gerrard said. "I will train your troops in the use of weaponry. I will train them how to train others. I will turn your army into a fighting machine that will be, itself,  legendary." "You will train our armies in return for what?" the Kyren asked. "Freedom for my folk, first of all," Gerrard said. "I want them to walk the streets as citizens." "Is there nothing more we can offer?" (Mercadian Masques, p.72)


Teria sido melhor se o goblin nunca tivesse feito aquela pergunta última...
 

“Há mais alguma coisa que nós possamos oferecer?
 

Além de se oferecer para treinar os mercadianos, Gerrard lideraria as tropas para adentrar Rushwood, derrotar os Cho-Arrim e recuperar de volta seu navio voador. Os mercadianos também deveriam prover assistência para reparar os danos do navio, e isso incluía um bom estoque de powerstones e por último, mas não menos importante, ele queria mil peça de ouro para entregar a família do fazendeiro Tavoot – provavelmente uma família que sofrera algum ultraje por parte dos soldados.
E para a surpresa de ele, o Kyren aceitou prontamente a barganha.
 

Liberdade por treinamento. Vidas pela vitória contra os Cho-Arrim.
 

Tudo parecia indo muito bem agora, mas aquilo tinha sido fácil demais e em Mercadia, nada é o que parece.
 

Gerrard fizera uma barganha, mas será mesmo que ele sabia o que estava barganhando com aquelas pessoas?


A sagacidade dele o levaria por uma encruzilhada e logo, algumas verdades viriam a tona.

 

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 06/05/2017 16:56
Ainda tenho meu deck de rebeldes monoW. Com a velha sinergia Cho-Mano, Adoração e Madre das Runas.
Parabéns pelo teu blog, brother.
(Quote)
- 06/05/2017 12:40

Donnie, muitíssimo obrigado! Essa foi a coleção que comecei a jogar e está guardada no meu coração. Com certeza darei uma olhada no material!

Grande abraço!

(Quote)
- 04/05/2017 09:01

Ah, quase esqueci, há um material em português, produzido pelo Arconte, sobre o arco The Shadow Mage e sua continuação, Wayfarer, que se passam durante a Era Glacial. Links abaixo:

The Shadow Mage (4 volumes):

https://www.ligamagic.com.br/?view=forum/mensagem&id=110854

Wayfarer (5 volumes):

https://www.ligamagic.com.br/?view=forum/mensagem&id=133253

Falow! o/

(Quote)
- 04/05/2017 08:55

Olá Stromgald, tudo certo?

Há, em inglês, material referente ao arco de Ice Age. Os links estão abaixo:

HQ (4 volumes):

https://www.ligamagic.com.br/?view=forum/mensagem&id=109944

Livro (The Gathering Dark):

https://www.ligamagic.com.br/?view=forum/mensagem&id=138332

Por algum material em português, você pode tentar convencer o Arconte a colocar mais esses na lista dele!

Abraço, boas leituras!

(Quote)
- 02/05/2017 13:55
Fala Leandro, parabéns pelo material.

Por um acaso existe algum lore referente à Ice Age? Se houver, pode mandar o link, por favor?

Abraço e continue com o trabalho!
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