As Máscaras de Mercádia – Parte V
11/06/2017 10:30 / 2,305 visualizações / 2 comentários

 

As Máscaras de Mercadia – Parte V

 

A Estratégia de Squee

 

 

Livro II

 

Senhoras e senhores, hoje, o magistrado tem o prazer de trazer a vocês um grande deleite. Contemplem, o Lendário Gerrard, matador de gigantes!


Uma amalgama entre assobios e vaias vieram da multidão. Não era aquele o grandioso Gerrard que pregava ter matado centenas? Não era aquele, conhecido nas ruas de Mercádia, como “matador de gigantes?”
 

Sim, era esse mesmo. Mas agora a situação ser invertera. Após a conspiração de Xcric, Gerrard se tornou um prisioneiro militar de Mercádia, mais do que isso, ele era um prisioneiro político. Após o retorno de Rushwood, os mercadianos fizeram questão de arrumá-lo – para combinar com a pompa da cidade – penteá-lo e deixar a barba preparada para que fosse exposto nas ruas mercadianas no Mercado Inferior. Ainda que ele pudesse ou tentasse lutar contra aqueles duzentos soldados, ainda havia outra coisa que segurava os punhos dele. 


Havia uma adaga no pescoço para cada um dos três: Takara, Sisay e Tahngarth.


A humilhação poderia ter acabado ali, mas ainda faltava uma peça fundamental para o espetáculo.
 

O nobre mercadiano que introduzira Gerrard a multidão continuou sua oratória. 

 

“Uma vez, sua fama ecoou por essas muralhas – o homem que sozinho assassinou milhares de gigantes e dois mil feitores Cateran! Tão magnífico foram seus rumores de ações, que o chefe magistrado graciosamente providenciou a ele a melhor força de batalhar de Mercádia – o Quinto Regimento – para liderar contra os inimigos.” (Máscaras de Mercádia, p.136)

 

Adiante das tropas surgiu uma mulher montada em um Jhovall. Orim. Ela também fora preparada e arrumada para a ocasião. Apesar de parecer que não estava acorrentada, Orim possuía correntes que a prendia ao felino gigante. Os mercadianos desconheciam quem era aquela mulher, por isso ela foi apresentada como uma donzela em perigo. Para eles, Orim foi a causa de Gerrard ter partido nessa cruzada, adentrando Rushwood e dizimando os Cho-Arrim.


Para Mercadia, Orim era uma das companheiras de Gerrard que aderiu aos rebeldes Cho-Arrim fazendo parte da “conspiração”. O Comandante Gerrard olhou para sua amiga. O peso da culpa era latente em seus olhos. Ele tentou, inutilmente, fazer mais um pedido de desculpas a sua amiga. A curandeira o encarou, pegou seu turbante e o lançou aos pés dele.
 

“Renúncia!”
 

Foi o brado que veio da turba inquieta. O ato de Orim somente agravou a humilhação que Gerrard já sofria. Além de ter sido responsável pelo massacre dos Cho-Arrim – lembre-se que a ordem partiu dele - o comandante Benaliano era responsável por ter perdido o Bons Ventos e por ter posto todos seus amigos nessa enrascada.


Nada de novo na vida de Gerrard.
 

Gerrard fora acusado de comandar o massacre de crianças, mulheres e idosos Cho-Arrim. A multidão sentia asco até mesmo diante de tal atrocidade – mesmo se tratando de antigos inimigos – eles “ainda eram humanos”, dizia o nobre orador (não é à toa que o nome da coleção se chama “Máscaras de Mercádia”, porque estou para conhecer um povo mais falso que esse). Como parte do espetáculo, o Grand Finale, eles trouxeram o Bons Ventos para que toda multidão contemplasse a embarcação.
 

O navio era o ápice da investida contra os rebeldes. Aquele era o defensor de Mercádia agora. E, uma vez que os reparos fossem realizados, Mercádia destruiria seus inimigos das planícies e dos mares.


O massacre dos Cho-Arrim era somente o começo.
 

Os prisioneiros foram levados para uma gaiola dourada e permaneceram com grilhões. O texto em inglês usa a palavra “lift”, neste caso acredito que, como não existiam elevadores em Mercádia, a gaiola pode ser essa carta aqui.

 

 

O primeiro artefato foi traduzido como “Ascensor Mercadiano.” Esse me parece o “elevador” que levava as pessoas para o alto da montanha de Mercádia. Nessa situação, acredito que poderia ser uma gaiola igual a dos macacos, mas que ficava suspensa ou podia ser erguida por controles para subir até outro nível da cidade.


Os prisioneiros foram levados para esse local isolado da multidão. Aquilo parecia ser o começo do fim, se não fosse por uma figura pitoresca caminhando imperiosamente...

 


Se você tem uma situação difícil, então “Jogue goblins suficiente em um problema que ele se resolvera.”


Squee! 
 

Não mais um mero grumete, mas um membro honrado da elite Kyren. Ele caminhava com sua regalia, todo pomposo e altivo. Sisay o olhou de soslaio, tentando adivinhar o que o pequeno homenzinho verde estava prestes a aprontar.

 

“Não são esses os bravos soldados qui trouxeram o matador de gigantes das matas? Não são esses o pessoal sedento qui derrotou um homem que não era derrotado nem pelo melhor – pelo mais melhor dos melhores companheiros qui nós temos em Mercádia...?”(Máscaras de Mercádia, p.139)

 

As pessoas ficaram incertas de como responder. O goblin estava perguntando ou acusando? Porém Sisay percebeu a estratagema. 

 

Rapidamente ela gritou, concordando com Squee.


“Certamente que foram eles! Eles derrotaram Gerrard e todos nós! Mas eles receberam algum crédito?”

 

Squee continuou a incitar os soldados argumentando que, foram eles que lutaram e derrotaram os traidores e quem ganhou um banho foi Gerrard e seus companheiros. Não! Isso estava errado. E os bravos mercadianos? Nenhuma bebida ofertada a eles?


Inadmissível!
 

Os “herois” mercadianos não podiam ser tratados assim.
 

Estalando seus dedos, um garoto apareceu – Atalla - perguntando se o mestre queria comprar um pouco de vinho. A pergunta parece ter o ofendido. Um pouquinho de vinho?
 

Vinho para todos!
 

Como esse personagem não foi mencionado até então, cabe explicar de onde surgiu esse garoto. Atalla ajudou Gerrard assim que as tropas mercadianas chegaram para os levarem. Ele é filho de um camponês a quem Gerrard conseguiu ouro na barganha com o magistrado. Atalla também desejava conhecer a cidade, mas a princípio Gerrard não concordara, porém ele mudou de ideia e partiu junto com a tripulação e os ajudou a explicar como as coisas funcionavam por aqui.


Uma voz surgiu no meio do barulho proibindo os prisioneiros de beberem. Mas era claro que os prisioneiros não beberiam, afinal eles eram a escória de Mercadia, estúpidos e fedorentos prisioneiros. Squee soltou essas palavras dando uma piscadela para Sisay.
 

Além do vinho grátis para os soldados, Atalla se ofereceu para limpar as vestimentas dos oficiais. Enquanto ele limpava a capa do oficial, que se afogava no vinho, o barulho das chaves se fez notar. Repentinamente, Squee berrou com eles, perguntando se aquela gaiola era segura o bastante e se, caso os controles não estivessem bons o bastante, quem os arrumaria.
 

Foi nesse instante que uma mulher surgiu. Ela não parecia uma mercadiana. Os cabelos eram gordurosos, havia sujeira nas bochechas e uma barriga saliente aparecia por baixo do manto amarelo.
 

Quando se deu conta, Sisay deu um sorriso discreto.
 

Aquela mulher era ninguém menos que Hanna, a navegadora disfarçada de mecânica.

 

 

Não era somente o magistrado que sabia orquestrar uma conspiração por aqui.
 

Squee perguntou para a falsa mecânica se ela poderia testar os controles e abrir a gaiola para verificar se, estava tudo certo para que ninguém sabotasse a prisão dos prisioneiros. Enquanto os guardas engoliam o vinho, Hanna trabalhava no dispositivo. O truque estava dando certo. Os guardas estavam se embriagando, permitindo que Atalla pegasse a chave dos grilhões. Ele se dirigiu para Sisay e, fingindo que limpava os grilhões, os abriu com a chave do capitão.


Uma voz ressoou da algazarra. O capitão perguntou porque ele estava limpando os prisioneiros, mas o garoto foi sagaz e apenas disse que era para evitar do capitão sujar as mãos. Sem se importar, ele voltou a beber enquanto o garoto libertava Tahngarth. Até aqui o plano estava indo bem, mas toda a ação foi percebida pelo capitão que, tentou dar uma ordem de prisão, porém ele mal conseguia falar corretamente devido ao vinho.


Os guardas começaram a convergir para os prisioneiros. Sisay berrava com Hanna para que ela os erguesse, enquanto ela golpeava alguns soldados com um tridente que roubou de um guarda bêbado. Os dispositivos começaram a funcionar e eles começaram a subir. A cidade de Mercadia possuía níveis diferentes como o Mercado Alto e o Inferior. Eles pretendiam subir para procurar por Gerrard, que recebera sentença de morte, mas o oficial disse que Gerrard seria morto pelo lixo.  


E foi nessa hora que Tahngarth realizou um ato de proeza ou insanidade, dependendo do ponto de vista.
 

O minotauro saltou do elevador, em um ato de desespero para resgatar seu amigo. O objetivo era chegar a seção inferior da cidade o mais rápido possível, único porém era que ele não pensou em como aterrissar.
 

Sisay tentou agarrá-lo, mas foi em vão. Hanna tentou reverter os controles, mas era tarde demais. A morte de Tahngarth parecia ser iminente.
 

A coisa toda aconteceu muito rápido.
 

Tahngarth, em um ato de estupidez, caia a uma grande velocidade. Como eu mencionei antes, a cidade possuía níveis diferentes como vocês podem observar pela ilustração abaixo.

 

 

De sua queda livre ele conseguiu ver Gerrard montado no Jhovall, caminhando em direção a parede de lixo. Lá, ele seria soterrado vivo.
 

Parece que ele não pensou muito nas consequências de um salto ousado como esse. Sua morte estava garantida, assim como de seu amigo. Pelo menos eles estariam juntos no pós vida... então, eis que surge um clarão de prata reluzente, Karn! E este trazia a lona de uma barraca. Ele conseguiu posicionar a lona para que, quando Tahngarth caísse, ele descesse por ela sem se ferir.
 

Enquanto isso.
 

Squee estava furioso. Ele se perguntava por onde estariam Hanna, Orim e Takara? Será que Squee teria que salvar a pele deles mais uma vez? 


Atalla apareceu e ambos foram para o lugar onde os vagões de lixo estavam posicionados. Sob aqueles vagões de lixo, Gerrard seria morto... isso se o grande Squee não agisse outra vez.
 

Por detrás dos vagões, estava o responsável pelo aterro. Seguindo o plano de resgate, Atalla apontou para o trabalhador gigante que cuidava dos vagões e, inventou uma história de mirabolante sobre “descarga ilegal”, acusando o homem diante do mestre goblin.
 

O trabalhador não pareceu cair muito naquela conversa argumentando que não existia tal coisa. Mas a influência hierárquica dos goblins conseguia sobrepujar qualquer coisa em Mercádia. Nesse momento houve uma confusão sobre a localização exata de onde vagões deveria ser postos. A confusão aconteceu porque os nomes das ruas mercadianas são realmente muito estranhos. O trava língua só é possível de entender em inglês:


The giant scratched a knobby torso. "We was told to bring this load of crap to this here street and dump it when we seen the flare." "This-Here Street? This isn't This-Here Street." Atalla shook his head. "This street is That-There Street. Dumping's not allowed on That-There Street." The giant shook his head, bedeviled. "This here street isn't This-Here Street?" "No," Atalla affirmed. "This here street is That-There Street." He pointed to an adjacent road. "That there street is This-Here Street."(Mercadian Masques, p.144)


Confusão, não? Imagine a cabeça de Squee como ficou. Mas após o debate sobre nomes e pronomes, o trabalhador acatou a ordem do Mestre Squee.
 

O salvamento de Karn evitou a morte certa de Tahngarth pela queda, mas não pareceu salvá-lo da morte por execução. O trio, Gerrard, Karn e Tahngarth, agora estava ajoelhado lado a lado com correntes no pescoço e pernas. Diante e atrás deles, estava um completo regimento de soldados. Ao redor estava a muralha de entulho que traria a morte fétida.
 

Acima dessa visão soberba, estava Xcric sobre a muralha de lixo. Como fora ele quem capturou Gerrard, a honra da execução foi dada a ele. Uma execução por lixo era uma honra que nobre algum Mercadiana jamais desejaria.
 

Erguendo sua besta, ele posicionou o dardo e disparou para os céus seu projétil flamejante. O sinal da execução. Com exceção dos prisioneiros, todos seguiram o disparo com os olhos. Uma execução era sempre algo bastante agitado e empolgante para a população. O material negro e viscoso que começou a jorrar dos vagões, desceu em forma espiralada se transformando em um único entulho.
 

Xcric provocava os condenados, pedindo para que erguessem os olhos e admirassem a própria destruição. Mas parece que o próprio mercenário Cateran não fez o mesmo. O trio de amigos algemados, então ergueu os olhos e, como um impulso, um sorriso surgiu em cada face. Até mesmo na mandíbula dura e metálica de Karn.
 

O líder mercenário olhou com ódio para aqueles sorrisos. Ele ergueu os punhos cheios de ira. 
 

“Ousados até o fim. Sorrisos não salvarão vocês!”
 

Essas foram às últimas palavras do líder Cateran. Com um terrível estrondo do lixo, Xcric se fora, sendo soterrado por centenas de toneladas de lixo.


Nosso pequeno grumete goblin orquestrou o salvamento de toda a tripulação do Bons Ventos... de fato, quanto mais goblins em um problema, mais rápido ele se resolvera.

 

 


Leandro "Arconte" Dantes (VIP STAFF Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
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Comentários

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VIP STAFF Arconte (13/06/2017 11:34:30)

Squee ganhando os corações dos leitores!!

Grinerdam (12/06/2017 20:04:32)

Essa foi foda. Muitos testes de carisma.