Teorização para o Modern
08/08/2017 14:00 / 3,841 visualizações / 7 comentários
 
Olá queridos leitores! Quem vos escreve é o Túlio Jaudy, o escritor mais arrogante de todos os tempos, de volta após um considerável hiato, pronto para encher o coração de vocês com amor, e o cérebro com muito Magic. Estou voltando bem em cima do maior torneio do Brasil neste ano, o Grand Prix São Paulo, que será no formato Modern, nos dias 12 e 13 deste mês, e vim contar a vocês como está sendo minha teorização e preparação para o torneio.
 
Primeiramente, devo admitir que não gosto de jogar Modern e, por isso, não tenho muita experiência com o formato, mas acredito que minha experiência com Magic em geral sirva para solucionar o grande dilema que é este diverso e complicado metagame. Em segundo lugar, como seria impossível esgotar todas as possibilidades no tempo que disponibilizei para teorizar sobre o Modern e, mais impossível ainda, realizar testes práticos conclusivos, meu treino e preparação são todos da minha cabeça, com as regras e parâmetros que eu mesmo estipulei. Por último, devo acrescentar que aqui você não vai encontrar listas ou guias definitivos para o famoso "control + c, control + v", mas sim diretrizes abrangentes sobre um formato que observei e estudei atentamente nos últimos meses, com as considerações e conclusões não-científicas da minha cabeça.
 
Comecei por notar qual a maior diferença entre o Modern e o Standard (o formato que mais jogo) são os hosers, que são pesados no Modern e leves no Standard, e rapidamente percebi que, devido a existência de muitos cards que invalidam estratégias inteiras, os sideboards são cheios desses cards e determinantes para vencer diversos matches praticamente sozinhos. No Standard, por exemplo, você pode utilizar Jace's Defeat contra decks azuis, enquanto o Modern tem acesso à Boil e Choke. Aqui eu já tracei a minha primeira regra: utilizar um deck que não perca automaticamente pra um desses cards e que possa utilizar a maior quantidade possível deles no sideboard. O objetivo aqui é tanto garantir que eu possa sempre jogar um jogo de Magic de verdade pós sideboard, independente do deck do oponente, quanto garantir que eu possa ter a maior quantidade de vitórias automáticas devido ao uso desses cards contra os decks certos, tendo eu, assim, uma vantagem estratégica perante o field do torneio.
 
 
A segunda coisa que notei sobre o Modern é que a maioria dos jogadores é adepta da especialização em um arquétipo específico. Por exemplo: tal jogador só jogou de Affinity a vida inteira, o outro apenas de Living End, e assim por diante. Isso me leva a crer que o Modern tem uma flutuação com relação aos decks mais utlizados (tiers) mais lenta do que deveria ser e que, em contrapartida, a maior parte dos jogadores se adapta mais com escolhas de cards específicos em seus main decks e sideboards. O que isso quer dizer? Que, supondo, por exemplo, que o deck mais utilizado do torneio seja universalmente conhecido e seja o Grixis Death's Shadow, e que o deck do formato que tenha a melhor porcentagem de vitórias contra ele seja o Burn, o jogador que sempre jogou de Affinity vai continuar jogando de Affinity, e o de Living End também, e assim por diante, ao invés de ambos jogarem com o melhor deck (Death's Shadow), com o deck que ganha do melhor deck (Burn), ou com um deck que ganhe do deck que ganha do melhor deck (não faz diferença para o meu argumento). A diferença prática real nesse caso, é que os jogadores estarão utilizando em seus sideboard mais Nihil Spellbomb, Dark Betrayal, Rest in Peace, etc. Além do fato de que grande parte desses jogadores já jogou incontáveis quantidades do match up em questão, e conhece todos os detalhes pertinentes a respeito, o que me leva a minha próxima regra: Não utilizar um dos decks principais do formato, pois os jogadores de Modern são altamente especializados e estarão todos dedicados a vencer os matches contra esses decks que, pelo que estudei, são (em nenhuma ordem específica): Grixis Death's Shadow, Valakut, EldraTron, Burn e Affinity.
 
Outro ponto importante que percebi foi, desta vez jogando (um PPTQ), que não importa a porcentagem de representatividade de um deck específico no ambiente, se o deck em questão for extremamente linear, os jogadores estarão prontos contra você. Por exemplo, os jogadores ocupam espaço em seus sideboards com cards como Kor Firewalker, Leyline of the Void, Eidolon of Rhetoric, Melira, Sylvok Outcast, Rest in Peace, Stony Silence e até Back to Nature. Isso implica em duas coisas: eles têm menos espaço no sideboard para utilizar cards mais genéricos, como Liliana of the Veil,Engineered Explosives, Negate, etc, e esses decks super lineares têm dificuldade de esquivar de todo esse excesso de "hate" e se fazem menos presentes nas retas finais dos torneios. E o que podemos extrair disso? Que decks multidimensionais, com diversos ângulos de ataque, além de serem inerentemente mais difíceis de serem quebrados, encontram um caminho mais tranquilo, em geral, devido a menor frequência de cards mais abrangentes por parte dos oponentes.(por exemplo, um control enfrenta poucas Lilianas durante um torneio, um midrange enfrenta poucos Supreme Verdict e Elspeth, Sun's Champion, e assim por diante) Além disso, conforme o field for afunilando, a tendência lógica é de haver menos decks super lineares (que são os que punem a maior lentidão dos decks mais robustos) competindo e ameaçando essas estratégias. Daqui tiro a minha terceira e última regra: utilizar um deck multidimensional, que possua várias formas de vencer e várias formas de interromper as estratégias dos oponentes.
 
 
Bom, eu já consegui definir todos os parâmetros que eu queria para a minha escolha de deck para o Grand Prix, então vamos juntá-los e ver no que dá. Tem que ser um deck com bastante disruption e vários planos de ataque, que não perca pra uma carta específica, que possa utilizar diversas cartas que ganham matches específicos no sideboard, e que não seja um dos decks mais visados do ambiente. Vou listar aqui alguns decks que, ao meu ver, se enquadram no que eu consideraria um bom deck para o torneio, mas infelizmente não poderei revelar o arquétipo que eu escolhi(se é que eu já escolhi), muito menos uma possível lista (notem que todos os decks tem Branco, pois é a cor que possui a maior variedade de cards opressores para sideboard):
 
- Abzan Death's Shadow (Delirium)
- Mardu Midrange
- Esper Gifts
- BW Tokens
- UBw Faeries
- RW Sun and Moon
- Death and Taxes
 
Apesar de esse ser meu processo de raciocínio, essa ser a conclusão a que eu cheguei e acreditar nela com todas as minhas forças, eu sou obrigado a dizer que eu não acho que vocês devam seguir cegamente essa mesma linha, mas sim se sentirem estimulados a analisar tudo que puderem e encontrarem, para chegarem à conclusão que melhor funcionará a cada um de vocês. Minhas primeiras partidas com o deck serão na sexta-feira, nos GPTrials, onde tentarei conseguir o Bye 2 para o Grand Prix, para o qual possuo apenas Bye 1, e eu espero descobrir lá na hora que eu estava ao menos minimamente certo, pra sair satisfeito independente do resultado final.
 
Um abraço a todos, e espero que tenham gostado.
 
Tulio_Jaudy
 

Túlio Jaudy (VIP STAFF Dustbiter)
Túlio foi membro do time vencedor do GP São Paulo 2014, e se destaca principalmente pelos decks que monta e pelo seu jogo em formatos limitados. Hoje, aos 31 anos, procura ascender de vez ao cenário profissional.
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Comentários

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MarcosCoelho_ (11/08/2017 13:57:30)

ótimo posicionamento! literalmente, conhecer o field e tentar se antecipar ao meta, procurando algumas soluções alternativas, mas que não deixem a proposta do deck meio "broken" pode ser uma aposta interessante para tentar surpreender. No mais, parabéns pelo artigo.

mauriciosg89 (09/08/2017 11:12:10)

O legal do modern é isso, acho q o formato tem esses jogadores q adaptam seus decks para continuarem jogando e isso é saudável...hj os decks de respostas conseguem ver jogo também, antes tinhamos muitos decks aggros, mas foi graças à insistência d alguns players q algumas listas voltaram, BGx, e algumas listas com azul agora conseguem ver jogo

BlindDefender (09/08/2017 02:03:13)

Tulio, me tira uma dúvida. Minha primeira vez indo jogar um GP, aliás, primeira jogando torneio grande, confesso que não tenho tantas pretensões assim, é mais rpa participar e tals.

Porém, eu só vou conseguir chegar em cima da hora, correndo risco de perder a primeira rodada. Em GP, se eu perder a primeira rodada, (bye forçado rs) meu torneio fica comprometido? Lembrando que só pretendo não fazer feio hahahah
Valeu e ótimo artigo. Me deu uma boa iluminada e meio que freou a vontade de jogar de verde hahahah

Kbludoo (08/08/2017 22:30:15)

Sempre achei o Mardu uma combinação com bastante potencial mas nunca consegui montar uma lista boa ou alguma estratégia inovadora.

Se tiver algum sucesso com uma lista posta ae pra gente.

LeoLoukinho (08/08/2017 21:31:02)

Minha aposta para esse GP é ir de BGx mais midrange e fora do plano DS.

rodrigo-3190 (08/08/2017 20:52:21)

Abzan DS(DELIRIUM) tbm não estaria quase morto com um RiP? Especialmente considerando que com Branco vc enfrentaria provavelmente muita remoção ?

L----E (08/08/2017 16:07:42)

Parabéns, gostei bastante da sua linha de raciocínio, mais levando em consideração sua própria linha de raciocínio, pq utilizar o Abzam DS delirium??? já q o DS é uma criatura visada e a estrategia das listas q utilizam o DS é sempre a mesma, perder vida tirando as ameaças do oponente até poder baixar o DS e ligar um relógio na vida do oponente, acredito q o Abzam midrange é mais interessante por utilizar o goyf como clock enquanto vc tira as ameaças da mão e da mesa do oponente, no mais boa sorte no GP independente de sua escolha, abraço.

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