NÊMESIS – ENCONTRO
CAPÍTULO 8.
06/11/2018 10:05 - 1.453 visualizações - 5 comentários

 

NÊMESIS – CAPÍTULO 8

ENCONTRO
 

 
 
A operação começou ao amanhecer e não estava indo bem. Ela deveria ter levado poucas horas para recolher os reféns das principais famílias dos Dal, Vec e Kor, mas enquanto Dorian il-Dal estava de pé sobre uma parede quebrada, no quarteirão da cidade em ruínas, estudando seu relógio, ele percebeu que o ajuntamento estava entrando na oitava hora. Levaria ainda mais um pouco até que as coisas fossem feitas corretamente.

Greven desceu a cratera com dois mil soldados e a mesma quantidade de moggs. Ele tinha uma lista com os nomes dos cortesãos     e precisava ir de casa em casa para encontrar as pessoas que queria. Não foram chamados menos do que dois mil reféns de cada grupo. Os boatos se espalharam rapidamente pelo ajuntamento, dessa forma ficou cada vez mais difícil encontrar os reféns listados. Houve algumas brigas, mas nenhuma luta real. A maioria dos reféns estava ansiosa e com mau humor, mas poucos ofereceram resistência aberta.
 
Fileiras de prisioneiros, separados por família e raça, marchavam lado a lado na Cidade dos Traidores debaixo da Fortaleza. Soldados alinharam o caminho com suas armas apontadas.
 

“Se eu colocasse chicotes nas mãos dos moggs, as fileiras se moveriam mais rápido,” Greven divagou.

Dorian ficou horrorizado.
 
“Você não pode fazer isso! Moggs açoitando os súditos do evincar! Eles farão um motim... vão se rebelar.”
 
“Acalme-se, velho. Este trabalho se trata de parar uma rebelião, não de começar uma. Estava pensando como soldado.”
 
“Pensando como selvagem,” Dorian pensou.
 
O camareiro se posicionou acima de uma muralha com um trio de escribas. Cada lista era checada contra a lista mestre de Greven para ter certeza que o exato número de pessoas de cada grupo fosse representado. Numa operação como aquela, nenhuma raça poderia ser favorecida pelas autoridades.
Greven se virou e perguntou em quanto estava a contagem. Havia mil trezentos e quarenta e quatro Dar, dois mil duzentos e oitenta e nove Vec e oitocentos e setenta e cinco Kor.

O motivo de tão poucos Kor era porque eles eram muito esquivos. Segundo os relatos, Kor que viviam foram da Fortaleza não foram levados em conta. Greven supôs que os Kor que estavam ali eram os Pescadores da Vida. O camareiro consultou o pergaminho, confirmando o pensamento. Greven e Dorian estavam confirmando se as áreas de abrigo estavam prontas.
 
O comandante saiu para averiguar as áreas de abrigo. No limiar das ruínas, perto do fosso da cidade, três grandes praças foram limpas por moggs. Paredes ásperas foram feitas a partir dos destroços de casas caídas e eram empilhadas para criarem as guarnições. Cada guarnição tinha uma única entrada. Os reféns marchavam até as guarnições de acordo com suas raças.

Depois de algumas horas, as fileiras começaram a diminuir.
 
Dorian e seus secretários apareceram com os soldados que guiaram as fileiras. O camareiro parecia contente. Greven virou para ele e perguntou acerca da contagem final. Dorian teve que inventar a contagem final dos Kor porque um bando inteiro deles apareceu no último minuto. Eles apareceram e simplesmente se entregaram. Um deles tomou a dianteira e pediu ao camareiro para serem adicionados ao registro.
 
Ao ouvir aquilo, Greven agarrou Dorian pelo braço perguntando se o nome do Kor era Furah. Em dor, Dorian tentou lembrar-se se o nome era Furah ou Furdah, ambos soavam muito desagradáveis.
 
Greven soltou Dorian com um empurrão e caminhou por entre as fileiras de guardas. Na frente deles estavam os últimos reféns. Nesse caso, havia mais de cem Kor vestindo roupas de couro cinza idênticas. Embora Greven tenha vivido sua vida inteira em Rath tendo Dal e Kor como vizinhos, ele nunca vira um clã inteiro parecer tão idêntico.
 
Espantado, Greven começou a chamar, “Furah, Furah, quero falar com você!”
 
Com um único movimento, mais de cem Kor se viraram e olharam de volta para Greven. Todos eles eram Furah. O guerreiro balançou a cabeça.
 
“Você viu isso?” Greven perguntou para o soldado próximo.
 
“Vi o que, Lorde do Pavor?”
 
“Nada. Deixe pra lá.”
 
Dentro do Hub, na Fortaleza
 
Na noite do vento do Hub, Belbe fez sua primeira inspeção na fábrica de rochafluente. Ela o fez sozinha. Na verdade, estava com seis moggs para carregar seu novo maquinário enviado com ela de Phyrexia. Os conselheiros da corte ela rapidamente descartou como bajuladores inúteis. Greven e Dorian estavam ocupados com os reféns, e Ertai estava em lugar nenhum. Este último fato a aborrecia de uma forma que ela não entendia. Belbe se pegou desejando a companhia de Ertai, e não ter o que desejava a deixava frustrada.

Assim que ela adentrou nos trabalhos de rochafluente, ela se esqueceu de Ertai, Greven, reféns e tudo mais. Diferente das outras partes da Cidadela, adaptadas para habitação, a fábrica era a parte mais Phyrexiana da Fortaleza, e na curta vida de Belbe, Phyrexia significava lar.  A estrutura da fábrica era puro organismo — as anteparas de adamantino das edificações pareciam ossos, e o revestimento fora aplicado como músculo e pele sobre o esqueleto da fábrica. Todo aquele forte estava repleto de chaminés, aberturas de escapamento e enormes conduítes que canalizavam a rochafluente para fora da cratera.
 

 
 
 
Durante anos, resíduos do Grande Trabalho se acrescentaram como se fosse um tecido de cicatriz, embotando as linhas da arquitetura severa. Quando Belbe chegou, a Cidadela era como um grande ninho de vespas, crescendo organicamente e infestado com milhares de habitantes nocivos.

No centro de controle da cúpula, acima da fábrica, Belbe estava em fascínio extasiado diante do grande caldeirão no coração da Cidadela. Aqui, a lava, a matéria prima da rochafluente, se encontrava com o feixe de energia que descia do Hub (na imagem acima, Lava Flow). Átomos desintegrados no fluxo de energia rodopiavam numa velocidade extrema e se reformavam em nanomaquinas programáveis: rochafluente. Tudo aquilo era tão maravilhoso, magnífico e eficiente.
 
Os moggs atrás dela estavam à toa, tomando fôlego, enquanto Belbe se perdia em admiração pela fábrica. Ela recuperou seu senso de obrigação e lhes ordenou para que trouxessem o Acelerador de Conversão Nanomáquina. Ele era um globo com oito polegadas de diâmetro cuja pele externa estava encrustada com tubos extrudados, fios e conectores. Era um dispositivo autoconsciente, capaz de aceitar ordens verbais e implementá-las na fábrica.  Técnicos Phyrexianos desenvolveram o Acelerador de Conversão para otimizar a produção de rochafluente. A fábrica funcionava a uma velocidade o tempo todo. A produção real variava, no entanto, de acordo com a quantidade de energia do Hub, a qualidade, montante de lava e a pureza da matéria prima usada.
 
O Conversor de Aceleração harmonizaria esses elementos para que houvesse mais produção de rochafluente quando em melhores condições, e gastaria menos energia quando em condições desfavoráveis. Esperava-se que a eficiência global da produção aumentasse em quase vinte e sete por cento.
Os moggs colocaram o pesado módulo no lugar. Belbe fez a conexão de comando e o Acelerador veio à vida.

“Implementar instalação final.”
 
“Compreendido.”
 
O dispositivo estendeu antenas afiadas até o console de controle. Os tubos perfuraram através da pele de rochafluente. Óleo amarelo fino vazou da incisão, mas eles se curaram rapidamente.

“Conexão completa,” disse o Acelerador. “Fluxo de entrada nominal. Fluxo de saída a cento e dezessete por cento.”
 
“Reduzir saída para cem por cento.”
 
“Isto não é o máximo,” contestou a máquina.
 
“Isto é um teste da sua estrutura de comando verbal. Reduzir para cem por cento.”
 
O Acelerador vibrou ligeiramente sobre sua nova montagem. As luzes de toda a fábrica escureceram, brilharam e se acalmaram. O zumbido constante do redemoinho molecular no centro da fábrica diminuiu meio oitavo.

“Fluxo de saída a cem por cento,” o Acelerador anunciou.
 
Belbe ajustou alguns dos controles externos no módulo. Um deles era o circuito de reconhecimento de comando vocal.
 
“Quem sou eu?”
 
“Emissário do Controle Central, unidade número 338551732-“
 
“Pare, está correto. Você reconhece minha autoridade?”
 
“Comando de autoridade é autêntico.”
 
“Existem outras autoridades?” ela perguntou, curiosa.
 
“O Evincar de Rath.”
 
“Alguma outra?”
 
“Nenhuma outra.”
 
“Ótimo. Selar comando de autoridade à minha voz e do evincar.”
 
A unidade clicou alto e disse, “Selado.”

Uma tarefa estava pronta, mas ainda restava a tarefa principal. Os moggs ainda tinham uma segunda caixa para entregar. Na bolsa do seu cinto, ela possuía a unidade de controle para um portal de transplanagem, o único dispositivo portátil desse tipo em Rath. A segunda caixa na sua bagagem era o Gerador de Portal, um dispositivo especial que podia abrir um portal para qualquer lugar no Multiverso.
 
 
 
O portal, se aberto, precisaria de espaço. Também precisava estar fora do caminho. Onde instalá-lo? Belbe visualizou a complexa planta da Cidadela na mente. Havia um lugar... Ela chamou os moggs. As instalações do Acelerador demoraram muito, os moggs adormeceram encostados na segunda caixa. Ela berrou com eles, fazendo com que levantassem rapidamente.

Ela pegou a passarela que circulava o poderoso crisol central. Na fábrica, a energia estática podia ser sentida através das muralhas da fornalha. Os moggs não gostavam nem um pouco, diziam que isso arranhava e formigava a pele a cada protrusão. Belbe achava a sensação de formigamento estimulante, diferente da sua experiência na banheira de Volrath.
 
Quando chegou ao lugar escolhido, ela checou cuidadosamente para ter a certeza que não estava sendo observada. A localização do portal tinha que ser secreta. Havia pessoas no palácio que matariam pela chance de abandonar Rath, e Belbe teve ordens explícitas dos seus mestres para não permitir que ninguém acessasse o portal.
 
Uma hora depois, o dispositivo do portal fora depositado num lugar raramente visitado na Cidadela. Belbe fez uma nota mental para pedir a Greven para executar os moggs que a ajudaram na instalação do maquinário, como uma medida de segurança padrão.
 
Belbe tinha a mínima necessidade para dormir. O óleo brilhante em suas veias a mantinha ativa mesmo quando ordinários seres vivos precisavam descansar. Ao raiar do dia, ela desceu à doca do navio inferior para ver os progressos feito no Predador. O casco havia sido remontado e um novo convés estava sendo preparado. Tudo o que restava agora era o complicado trabalho de instalar os motores e aparelhamentos.
 
Ela avistou o capataz de Greven e perguntou onde o mestre dele estava. O capataz não o via desde o dia anterior, desde que ele partira com Lorde Dorian. Ele implorou para que, assim que Belbe o encontrasse, mandasse-o retornar, pois os operários não ousavam instalar os motores sem a presença dele. Outro guarda deu a informação que ela precisava. Greven estava nas ruínas, além da Cidade dos Traidores.
 
Ela procurou em seus implantes de memória e descobriu que não conhecia o local. O guarda foi até o limiar da plataforma das docas e apontou para o chão da cratera. Havia luzes lá, iluminando a Cidade dos Traidores.  Bastava ela seguir o caminho, em direção ao viveiro dos moggs, perto das edificações derrubadas. Belbe se apoiou no corrimão. Uma corrente de ar quente, com cheiro de rocha derretida e ozônio, arrepiou seus cabelos e as mangas apertadas de seu vestido azul-marinho.
 
Belbe não sabia que Greven estava lá embaixo, ajuntando os reféns da Cidade dos Traidores. De repente, ela teve uma vontade súbita de descer até aquelas ruínas e observar a operação. Sem a nau voadora, era uma longa jornada até o chão da cratera. Belbe despachou o guarda e permaneceu no corrimão, olhando para baixo, ponderando a melhor maneira de chegar lá.
 
“Sua Excelência.”
 
A segunda palavra fora enunciada com precisão irônica. Lá estava Ertai, inclinando-se casualmente em um dos contrafortes invertidos de apoio na doca da nau. Alguma coisa estava diferente. Não era apenas sua aparência, embora ele finalmente desistira de suas vestes esfarrapadas e agora se vestia como um Rathi — o termo é utilizado para designar alguém natural de Rath. Ele usava um gibão de colarinho alto, calção de joelhos e botas de cano alto, todas em diferentes tons de cinza.

“Alguém precisa falar com os alfaiates deste lugar. Eles não têm nenhum senso de cor. Mas eu realmente queria ficar apresentável assim que você me chamou.”
 
“Eu não te chamei.”
 
“Você estava pensando em mim. Eu vim para te encontrar.”
 
“Eu tinha trabalho a fazer,” ela disse, fingindo não se importar. “Na fábrica.”
 
“Então estou feliz de ter perdido isso. Não há coisa alguma mais chata do que máquinas.”
 
Havia alguma coisa diferente sobre ele, menos tangível do que simplesmente uma troca de roupa. A presença de Ertai estava diferente, até mesmo sua aura estava diferente do que era seu normal. Alguma coisa estava alterando a essência do mago tolariano... alterando para o bem ou para mal, mas fosse o que fosse, Ertai ainda não havia percebido.
 
 
 
 
Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
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(Quote)
- 13/11/2018 20:59

Fato!!! Ou mensais...

(Quote)
- 08/11/2018 14:17

Organiza um abaixo assinado online que eu mostro para o chefe haha

(Quote)
- 08/11/2018 13:58

por mim ta de boa, só num quero q acabe os Lore na Liga...

(Quote)
- 07/11/2018 21:04
Os artigos tem que ser quinzenais, é muito tempo pra esperar rsrs
(Quote)
- 06/11/2018 13:51
:D
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