NÊMESIS – O ORÁCULO
CAPÍTULO 10.
17/12/2018 20:05 - 1.572 visualizações - 6 comentários

 

NÊMESIS – CAPÍTULO 10

O ORÁCULO

 

Ertai passeava por um corredor vazio, um longo pergaminho na mão e um pedaço de pão na outra. A extremidade do pergaminho tocava o chão enquanto ele caminhava, mastigando seu lanche. Assim que entrou no corredor principal ele se esbarrou com Dorian il-Dal, se emaranhando com o pergaminho ao redor deles enquanto tentavam se soltar.

“Fique quieto, vai rasgar o pergaminho.”

“Me ajude! Não tenho tempo para essas tolices! Ugh! Onde está a emissária, rapaz?”

“Não a vi.”

“Devo encontrá-la. Ela deve ser avisada sobre esse terrível acontecimento.”

“Que terrível acontecimento.”

“Os reféns! Os reféns desapareceram!”

Ertai empurrou Dorian para trás. O camareiro bateu a cabeça no chão e quando isso aconteceu, a rochafluente segurou sua cabeça calva e a segurou lá.

Com os olhos arregalado em choque, Dorian balbuciou, “Você controla a rocha!”

“Em pequenas porções. Agora, o que te deixou tão alarmado? Seis mil pessoas simplesmente não desaparecem. Greven deve tê-las mudado de lugar.”

“Greven partiu com o Predador esta manhã – e nenhum refém permaneceu na área.”

Suas palavras cortaram o coração de Ertai. Com a perda da concentração, ele perdeu o controle da rochafluente e soltou Dorian, que se sentou e se agarrou as pernas de Ertai.

“Recebi um relatório do oficial comissário a menos de duas horas. Ele foi para as guarnições distribuir comida e água e descobriu que todos se foram.”

“E os guardas?”

“Se foram também.” Dorian começou a chorar. “Havia uma grande quantidade de pegadas levando para fora da cidade para dentro das cavernas, mas não há saída da cratera lá.”

“Enviou alguém para procurar?”

Claro que mandei! Alguns voltaram dizendo que a trilha levava até a parede da cratera – mas não há túnel ou caverna naquele lugar, apenas uma parede! Quatro homens se perderam durante a procura. Eu temo que os Fossos da Morte-”

“O que é isso?”

“Provavelmente, uma fábula. Os resíduos do processo de criação da rochafluente é bombeado para dentro de fendas e cavernas remotas. Parece piche, mas é bem venenoso. Os crédulos acreditam que os Fossos da Morte são senciente. É apenas um mito.”


 


 

“Você disse que tem medo deles.”

“É venenoso! Se um único refém morrer, será terrível para nós.”

“Venha, encontraremos Belbe.”

“Procurei e procurei. Ninguém sabe onde ela está.”

Ertai fechou os olhos e segurou suas mãos em frente ao peito. Energias mágicas crepitaram entre suas palmas, rapidamente se solidificando em um objeto em forma de estrela.

“O que é isso?”

“Um furão.” Ertai implantou um único pensamento na criação mágica: encontre Belbe. A estrela rodopiou. “Por aqui! Não a perca de vista.”

Eles seguiram o furão voador através de salões sombrios e, antes que ficasse óbvio aonde estava indo, descobriram que Belbe estava no grande salão. O lugar onde ela aterrissou. Uma das enormes portas estava entreaberta. O objeto fico flutuando do lado de fora, incapaz de transpassar as poderosas proteções dos Salões Oníricos. Ertai dispersou o objeto e entrou com Dorian.

Os pés de Ertai pisaram em alguma coisa. O chão estava cheio de cacos cinzentos e brilhantes. Não era rochafluente, mas alguma espécie de cristal. Até aonde conseguiam ver, o saguão estava salpicado com o material. A vários metros de distância, havia uma catástrofe, seguida pelo tilintar de pedaços quebrados. Ertai correu à frente e encontrou fragmentos de um globo recém-esmagado ainda girando no chão espelhado preto.

“Belbe?”

Ele ouviu um murmurar baixo e outro globo cinzento se esmagou se despedaçou a alguns metros. Ertai olhou para cima e viu uma figura se movendo nas alturas turvas.

“Belbe?”

“Vá embora, estou ocupada.”

Ele franziu a testa. O que havia com ela? “É sobre os reféns! Eles sumiram!”

Ela ficou silenciosa por um momento, então disse, “Suba.”

Ele procurou por escadas, degraus ou qualquer coisa para subir.

“Como?”

“Você é o mago.”

Furioso, ele foi para uma das pilastras monumentais que suportava o telhado de vidro. Colocando as mãos contra a superfície dura de rochafluente, ele pegou os apoios  formados por ele, subindo constantemente. O teto era muito alto e levou alguns minutos antes que ele alcançasse uma espécie de mezanino feito de uma treliça de metal preto, invisível lá debaixo. Aqui era onde eram guardados todos os dispositivos que Volrath usava para explorar e preservar seus sonhos. Belbe estava andando pela plataforma, erguendo todos os globos de armazenamento de sonhos e os lançando no chão.

Ela sentou-se na plataforma de malha, seus pés balançando no ar livre. Ertai, cuidadosamente, caminhou pela plataforma e tentou não olhar para baixo.

“O que está fazendo?”

“Chama-se limpar a casa. Estou farta das coleções de terror e prazeres de Volrath. No caso dele, não havia muita diferença.”

“Belbe, os reféns Dal, Vec e Kor sumiram!”

“Escaparam?”

“Não sei! Dorian diz que até os guardas desapareceram.”

“Ah, me pergunto...”

“Sabe de alguma coisa?” Ele se inclinou e pegou a mão dela. “Belbe, o que está acontecendo? A segurança de milhares está em jogo.”

Ela desviou o olhar.

“Provavelmente é obra de Crovax.”

“Crovax? Ele está aqui?”

“Crovax retornou e seus poderes aumentaram. Ele podia abrir um túnel pela parede da cratera com um aceno de mãos.”

“Pelas cores – se ele machucar estas pessoas, cada familiar se ajuntará a rebelião de Eladamri!”

“Crovax...” Ela agarrou a malha da plataforma de cada lado. Quando disse aquele nome, ela apertou as mãos torcendo aquele metal como se fosse roupa velha.

“Vamos descer daqui.”

“Posso criar apoios se você quiser descer comigo.”

“Muito devagar.”

Ela agarrou um apanhador de sonhos e o abraçou perto.

“Venha aqui, Ertai.” Ele se aproximou dela e foi agarrado com o braço livre.

“Segure-se.”

“O que você está-?”

Antes que ele pudesse terminar a frase, Belbe saltou da plataforma. Eles mergulharam, Ertai gritando por todo o trajeto. A meio caminho do chão, o carretel do apanhador de sonhos se apertou, retardando a queda. Ele se ajustou pelo peso extra e baixou-os gentilmente até o saguão.

“Você podia ter me avisado.”

“Candidatos para evincar devem ser ousados.”

Quando os três saíram dos salões, ela ordenou que a Cidadela fosse selada: ninguém devia sair ou entrar sem seu consentimento. Eles usaram os dispositivos de Volrath para descerem da Fortaleza até a Cidadela, um percurso que levaria algumas horas.

 

* * * * *

Dentro da Floresta de Skyshroud jazia o Olho de Korai, um monte de topo plano criado ao longo dos séculos pelos elfos da floresta. Cestas de terra e pedra eram trazidas de Skyshroud e depositadas na parte mais densa do pântano. Com o passar dos anos, uma ilha artificial fora criada, se erguendo por volta de vinte e dois pés acima da água negra. O topo achatado cobria um acre e meio e foi pavimentado com milhares de pedras, cuidadosamente ajustadas, trazidas à mão por gerações de elfos.

O monte se chamava Olho de Korai por causa do grande chefe élfico que o iniciou.

No começo da rebelião, Greven descobriu o Olho das alturas, e o lugar foi gravemente danificado por bombas. O Olho foi reparado, e uma gigante rede de camuflagem foi fabricada para cobrir o monte. Tecido de videiras vivas, a rede se misturava com a copa das árvores naturais, escondendo o sagrado lugar de assembleia dos elfos.

Era no Olho de Korai que as tribos de elfos se reuniam para celebrar suas cerimônias mais solenes: honrar os mortos os quais eram enterrados em câmaras de túmulos no fundo do monte, e para se consultar sobre assuntos importantes. Era natural que o Olho fosse escolhido por Eladamri e seus aliados para se encontrar com a figura sagrada mais venerada em Rath: O Oráculo en-Vec.


 


 

Ninguém sabia seu nome verdadeiro. Ela era incrivelmente velha, muito mais velha do que a matriarca Tanta Jova ou alguma de suas irmãs. Havia rumores de que o Oráculo podia morar em outros planos e podia ver o futuro, não somente deste mundo, mas o futuro de outros mundos também.

Ninguém a viu chegando. Eladamri e seu povo foram dormir uma noite após sua chegada e acordaram no outro dia encontrando um pavilhão estranho no centro exato do Olho. O pavilhão parecia uma tenda Vec – teto cônico, paredes inclinadas – mas era mais ampla e mudava de cor constantemente quando a luz e sombra passavam por ela. Não havia entrada. Eladamri estava entretido quando Darsett caminhou ao redor do pavilhão, procurando pela porta e não a encontrou.

“É um truque e tanto.”

“Claro que é. Qual é a melhor maneira de preservar sua privacidade do que viver numa casa sem portas?”

Tanta Jova e sua jovem guarda-costas se ajuntaram aos Dal e elfos. Ela se apoiava sobre o braço de sua orgulhosa neta, a guerreira Lin Sivvi.

 


 

“Senhora, como falamos com seu oráculo?” Darsett perguntou.

“Você não pode, Darsett. Quando o Oráculo tem algo a dizer, ela lhe chamará.”

Eles permaneceram no pavilhão por algum tempo, meio que esperando serem convocados para a presença do famoso oráculo. Quando os minutos se transformaram em horas, Darsett ficou irritado e partiu. Eladamri também tinha assuntos de importância e partiu também. Somente Tanta Jova permaneceu. Sivvi encontrou uma rocha para sua avó sentar e permaneceu com ela.

Após a derrota de Crovax, Eladamri mandou corredores para espalhar a notícia. Como esperado, novos recrutas chegaram, desejando lutar contra as forças desordenadas do governo. Ele estabeleceu um número de campos de recrutamento na floresta. Lá, tenentes de confiança eliminaram os traiçoeiros e os preguiçosos do fluxo de voluntários. Aqueles que se mostraram comprometidos seriam levados para as profundezas de Skyshroud e começariam o treinamento para a guerra.

A luz do dia minguava quando Eladamri e Darsett foram alertados por Tanta Jova que as portas da tenda do oráculo se apareceram. Os três líderes aliados estavam de pé, lado a lado de fora do pavilhão, olhando para a abertura da lona que esvoaçava. A tenda do oráculo foi suspensa por um leve brilho esverdeado. Isto incomodou a matriarca Vec.

“É um mau sinal.”

“Como assim?”

“Para o meu povo, verde é a cor do mau presságio.”

“Entre o meu, é um bom sinal. Verde é a cor de nossas árvores anciãs. Talvez, ela está usando esta aura em minha homenagem.”

Tanta Jova não parecia convencida.

“Suponho que devemos entrar,” Darsett murmurou.

Eladamri assentiu e tomou a liderança. Darsett o seguiu e a preocupada Tanta Jova foi em seguida.

Entrar na tenda era como adentrar um banco de nevoeiro. Cada recurso visível, incluindo a entrada, desapareceu assim que eles entraram. A névoa fraca e esverdeada tinha um cheiro forte de incenso e espeçarias raras. Os odores foram fortes o suficiente para fazer a cabeça de Eladamri girar. Ele continuou seguindo em frente – pelo menos ele acho que estava – por alguns metros, o que não fazia sentindo. O pavilhão não tinha mais do que quatro metros visto pelo lado de fora.

Estaria ele caminhando em algum tipo de círculo confuso?

“Buscador, venha. Você é bem-vindo,” disse uma voz.

“Onde está você?”

“Aqui, ao seu redor.”

Ele inalou um pouco do vapor. Por que estes tipos místicos sempre são tão obscuros? “Quero falar com você face a face.”

Mal ele pronunciara aquelas palavras, um contorno escuro apareceu nas névoas. Eladamri se aproximou cautelosamente. A silhueta se transformou em uma mulher Vec que estava sentada, vestida em roupas nômades densamente modelado com redemoinhos bordados de verde e marrom. Ela se sentou numa mesa alta, em forma de tigela, cheia de líquido prateado. Seu rosto estava desviado, seus braços seguravam a tigela.

“Você é o Oráculo en-Vec?”

“Esperava que sua primeira pergunta fosse mais inteligente.”

Surpreendido pela petulância dela, o líder elfo replicou, “O que é isto? Você me admitiu me criticar à vontade!”

“Paz Eladamri. Não se ofenda com minha língua solta. Quando passado, presente e futuro existem na sua mente ao mesmo tempo, é difícil guardar pensamentos para boas maneiras.”

Ela ergueu a mão. Eladamri ouvira que o oráculo era uma velha, mas o rosto que ele viu era fresco como um lírio aberto. Para ele, ela não tinha mais do que quinze anos de idade.

“Sou muito mais velha do que isso. O que você vê é uma ilusão que mostrarei a você.”

“Você lê mentes?”

“Quando elas são simples o suficiente, eu perscruto por detrás dos olhos pensantes e leio suas palavras antes que se formem nos lábios.”

“Mais insultos! Por que estou aqui, Oráculo?”

Ela soprou na superfície da tigela e o líquido ondulou para a borda e para trás.

“Sua causa é justa, Eladamri, e seu triunfo genuíno, porém a vitória final está além do seu alcance.”

“Todas as coisas são possíveis com a ajuda dos deuses. Está me dizendo que a rebelião está condenada? Nunca terá sucesso em Rath?”

Ele não queria acreditar naquilo. Por toda sua invocação dos deuses, Eladamri era um realista, acreditando em primeiro lugar nele mesmo. Isso o irritou por esse antigo oráculo, esta aberração, dizer-lhe categoricamente que sua causa era inútil.

“Não inútil. Você derrotará seus inimigos um dia, senhor dos elfos, e será saudado como o salvador de um mundo que não é o seu.”

“Chega de caprichos. Diga-me alguma coisa útil. O que Crovax está fazendo neste momento?”

Ela franziu os lábios castanhos e soprou outra vez sobre a tigela de prata. Embora Eladamri pudesse ver nada nela, o oráculo olhava atentamente para a tigela. Ela estremeceu violentamente e atingiu o espelho líquido com a palma da mão.

“Oh! Oh!” foi tudo o que o Oráculo pôde dizer. “O que é isto? Terrível! Não posso – o que?”

“Sangue e mais sangue... ele se banqueteia com suas vidas! Abominação!”

Eladamri se inclinou para a frente, colocando as mãos sobre a tigela. Ele colocou o rosto perto da do oráculo e por um instante teve um vislumbre do seu verdadeiro rosto – pele profundamente enrugada da cor da lama, olhos encovados, um nariz um pouco mais que dois buracos no rosto. Ele piscou e a impressão se fora. A garota de olhos úmidos estava de volta.

“Fale claramente. Eu devo saber o que Crovax está fazendo.”

“Não posso falar...” ela sussurrou.

Ele se virou com repulsa. “Isto é inútil! Pode me dizer algo de valor?”

“Duas coisas Eladamri: seu destino jaz na Fortaleza, não na floresta nem na planície. Uma porta será ofertada a você e você deve entrar. Fazer o contrário destruirá tudo o que você ama!”

“A Fortaleza! Devo atacar lá antes que um novo evincar seja escolhido? É isso o que está me dizendo?”

O oráculo caiu em sua cadeira, cobrindo o rosto com as mãos. “Não... nenhum ataque a Fortaleza terá sucesso. Ela sucumbirá ao homem mais quieto de todos, não ao homem ou elfo. Você deve ir lá em correntes, Eladamri. Vá em correntes, vá em correntes. O Morto abrirá a porta para você, e você deve ir.”

“Não compreendo! Serei capturado? É isso?”

A névoa se engrossou entre eles. Ele tentou alcançar e segurar o oráculo, mas era como segurar a sombra.

“Para aonde esta porta me levará?”

A resposta dela foi um sussurro vago.

“Para uma terra de luz e cor. Vá lá. Vá lá e seja o Korvecdal...”

A névoa desapareceu, e Eladamri se encontrou de pé no topo do Olho de Korai. A tenda do oráculo se fora. Darsett e Tanta Jova estavam a poucos metros de distância, com os olhos fechados. Eladamri os balançou depois dos efeitos de ilusão do oráculo e chamou seus amigos.

Ambos acordaram ao mesmo tempo.

“Ela se foi.”

“Em algum momento ela esteve aqui?”

“Escutei tudo,” Tanta Jova disse. “As profecias e ela te proclamando o Korvecdal!”

“Escutei também, mas não podia falar ou ver,” Darsett disse confuso.

“Sim, sim. As palavras devem ser berradas em cada vilarejo e cada tenda – Eladamri é o Prometido. Eladamri é o Korvecdal!”

Os rebeldes no monte rapidamente se ajuntaram quando ouviram a matriarca Vec gritar. Eles pegaram o refrão: “O Prometido! O Korvecdal!” e berravam tão alto quanto puderam, vez após vez. Lin Sivvi e Gallan colocaram Eladamri sobre os ombros. Apesar de suas dúvidas sobre as previsões obscuras do oráculo, Eladamri estava imensamente aliviado. Toda sua vida ele sonhou com este momento. Tanto fora sacrificado, não menos por ele – sua esposa, sua única criança, uma vida normal e segura - tudo perdido pelas forças sombrias da Fortaleza. Agora a luta final podia começar. Ele seria o Korvecdal, não importando o quão sombria e ambígua fossem as profecias do Oráculo en-Vec.

EleS carregaram Eladamri a redor do Olho, gritando e cantando canções de guerra. Eles estavam prestes a iniciar o segundo circuito quando quatro elfos ensanguentados e cansados apareceram. A triunfante parada cessou de repente e colocaram Eladamri no chão.

“Conheço você, Irmão,” ele disse ao elfo mais velho do grupo. “Você é Raydon, do vilarejo Ponte-Musgo?”

“Eu sou. Saúde a você, Irmão.” Raydon tinha várias marcas de cortes de espada nos braços e no peito.

“Meus sobrinhos e eu são tudo o que sobrou de um forte bando de quarenta. Estávamos em nosso caminho para se ajuntar a você aqui, Eladamri, quando fomos atacados pela nau voadora do evincar.”

A multidão se alarmou.

“O que? O Predador voa outra vez?”

“Sim, ou seu gêmeo. Pegamos um atalho pela planície da Ponte de Musgo e os demônios caíram sobre nós sem aviso.”

“Você tem feridas de armas. Como isso aconteceu?”

“Foi a maneira deles, Irmão. Eles não despejaram fogo e flechas como antes. O navio voador pousou e centenas de soldados saíram. Greven il-Vec os liderava.”

A menção do senhor da guerra de Rath provocou gritos de vingança. Eladamri acalmou seus amigos e aliados.

“Isso muda tudo. Eu esperava forjar um exército para se deparar com os soldados da Fortaleza em combate aberto, mas não ousamos nos expor a destruição vindo pelo ar.”

“O que podemos fazer?”

Eladamri ponderou por um momento. “Devemos continuar. Voltaremos a forma antiga: emboscadas, acertar o inimigo e correr. Roubaremos suas armas e esperaremos pelo tempo enquanto nossa força cresce.”

“Não podemos vencer emboscando postos avançados.”

“É o navio voador,” disse Tanta Jova, acertando o chão com seu cajado. “Sem ele, a Fortaleza colapsaria como uma casca podre!”

Os aliados iniciaram as estratégias. As vozes se erguiam enquanto discordavam em como lutar diante da ameaça de um ataque aéreo.

Gallan se virou para Eladamri. “Qual é nosso melhor curso, Irmão?”

“Destruir o navio voador.”

“Você faz parecer fácil,” Darsett disse amargamente.

“Não será fácil, mas deve ser feito.”

“Mas como? O Predador repousa na Fortaleza.”

“Sim.”

Darsett rosnou, “Está propondo que ataquemos a Fortaleza apenas para destruir um navio voador?”

“Não atacar, Darsett. Apenas fazer uma pequena visita, alguns amigos e eu.”

Tanta Jova olhou estupefata. “Você não vai invadir a Fortaleza, Eladamri!”

“Não, eu vou me entregar.”










 

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
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Comentários
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- 25/12/2018 22:11

Vc tem feito um excelente trabalho. Ja peguei muitas dessas histórias em foruns gringos, mas a linha q cc tem seguido de máscaras e agora com nemesis é de longe a melhor. Parabéns

(Quote)
- 21/12/2018 16:21

haha bem que gostaria, mas ainda faltam uns 10 capítulos. O que eu trago aqui não é uma tradução literal e sim mais uma tradução livre meio resumida. É um pouco complicado porque cada capítulo de Nêmesis possuí entre 14-16 páginas e colocar isso tudo aqui de forma resumida e objetiva é bem trabalhoso, mas espero terminar a saga nesse primeiro semestre

(Quote)
- 21/12/2018 08:57
Excelente trabalho, Arconte! Muito obrigado. Podia dar um presentao de natal pra gente e terminar Nemesis ainda esse ano né? Rs
(Quote)
- 18/12/2018 14:39
Cara se puxando. Keep up the great work!
(Quote)
- 18/12/2018 14:31

Thanks mate

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