Nemesis - Coroação
Capítulo 17
12/07/2019 10:05 - 2.587 visualizações - 13 comentários

NÊMESIS – CAPÍTULO 17

COROAÇÃO

 

Ertai tinha que dar crédito a Crovax. O homem era um assassino sem remorso, mas ele realmente tinha um pouco de estilo de sangue frio. Ertai estava agradecido por ter que esperar por morrer.


Ele estava encaixado num bloco de rochafluente. Na parte traseira do cubo, um tubo fino se estendia até um dos principais conduítes de rochafluente. Pouco a pouco, o cubo aumentava o tamanho, e nisso residia o gênio perverso de Crovax: o cubo estava equilibrado no topo da fornalha de rochafluente. Uma torrente de energia azul e sem fim mergulhava dentro do crisol, se encontrando com rocha de lava crua que era levado para a Cidadela. Quando Crovax e seus homens o colocaram aqui, Ertai estivava a pelo menos trinta centímetros da borda do cone da fornalha. Nas últimas quatro horas, o cubo cresceu pelo menos oito polegadas por lado. Em outras seis ou sete horas, o cubo seria tão grande que a borda estreita não poderia suportá-lo. Ele cairia e seria desintegrado pelo feixe de energia.


Levou apenas alguns minutos para que Crovax moldasse o cubo, programando mentalmente as nanomaquinas deixando o cubo com a mesma forma de Ertai. A rochafluente também absorvia o calor do feixe de energia e cada vez se aquecia mais.


“Isso não é tudo muito elaborado?” Ertai disse.


“Você diria ao artista que sua pintura estava muito elaborada?” replicou Crovax.


“Se houvesse necessidade.”


“Você não tem sensitividade, garoto. A beleza desse arranjo é sua lentidão. Você tem metade do dia para contemplar seu fim. Espero que o use sabiamente.”


“Por que me matar afinal? Não sou ameaça a você. Não consigo nem sair desse cubo, muito menos te desafiar pelo controle de Rath.”


“Você realmente não entendeu. Você tem sido um aborrecimento pra mim e, portanto, merece morrer. Além disso, por causa da sua aproximação com a emissária, te matar será bem doloroso para ela.”


Ertai chamou Crovax de todos os nomes ruins que ele sabia. Crovax respondeu apertando a rochafluente ao redor da garganta de Ertai até que seu rosto ficasse azul. Então, subitamente, ele parou.


“Adoraria ficar e brincar, mas serei coroado hoje. Como dizem por aí, negócios primeiro.”


Ertai tentou influenciar a rochafluente o suficiente para escapar. Ele expandiu o espaço ao redor do corpo, à custa de aumentar o cubo prematuramente. Era como se debater dentro de um queijo. Quando ele se concentrou, a pedra mais próxima a ele amoleceu, mas ele não conseguia influenciar a parte exterior do cubo. O esforço o deixou sem fôlego e o calor crescente espremia o suor de todos os seus poros.


Que tolo ele fora por aceitar essa simulação. Ele era um mago, não um político ou um comandante. Todos os seus grandiosos planos de escapar de Rath ou se tornar evincar de Rath foram consequências do seu orgulho arrogante. Agora ele estava pagando o preço por sua tolice.


Seus olhos começaram a inchar. Ele supôs que isso se devia por estar tão perto do feixe de energia. Tão promissor, tanto talento ele tinha. Tudo desperdiçado neste horroroso, mundo incolor, governado por pessoas horrorosas e sem cores. Era este o destino final de Dominária, teria a invasão Phyrexiana sucesso? Se assim fosse, ele estava feliz por não estar vivo para ver isso.


Havia Belbe.

 

 

Por que ele se importava com ela? Ele tentava se convencer de que ele a seduzira, que seus motivos eram egoístas. Olhando para trás, aquelas horas que ele esteve com ela foram, não somente as melhores que teve em Rath, mas talvez as melhores da sua vida inteira. Ele não a seduziu – foi ele que fora seduzido. Pela primeira vez Ertai encontrou uma mulher que não o ignorou ou o rejeitou por sua tremenda arrogância.


O buraco ao redor do pescoço era largo o suficiente para Ertai esticar alguns dedos. Apesar dos esforços, ele descobriu que ele não poderia aumentar o buraco. Conjurações eram sempre mais certas quando o feiticeiro podia usar as mãos para gesticular, mas nesta situação ele teria que fazê-lo sem isso.


Uma vez ele procurara por Belbe com um furão mágico. Agora ele invocara uma criação similar, desta vez um cão de caça. Era difícil invocar alguma coisa perto do clarão de energia. Parecia uma bola fantasmagórica cheia de espinhos, como um translúcido ouriço-do-mar.


“Traga Belbe aqui,” foi tudo o que disse. O cão de caça partiu. Ertai não sabia dizer se ele sobreviveu ao passar perto do feixe, mas esta era sua última chance.

 

* * * * *

 

Levou muito tempo para que Sivvi e Medd se afastassem da doca da nau voadora. Eles foram ajudados com a enchente de soldados que entravam no palácio e conseguiram se misturar com os que se achegavam. Quando o alarme cessou, os dois rebeldes estavam dentro do salão de convocação.


A antecâmara estava curiosamente desprovida de tropas. Assim que Sivvi e Medd entraram do corredor central, eles pararam para inspecionar a sala – nada. Sem cortesões, sem soldados nem guardas do palácio. Eles ouviram uma voz e quando se viraram, Teynel e Garnam saíam de alcova sombreada perto da parede.


“O que você andou fazendo, Lin-Sivvi?” disse Teynel friamente.


“Meu dever.”


“Você atacou a nau voadora, não foi?”


“Não foi por isso que viemos?”


“Você destruiu o Predador?”


“Não.”


“Onde está o resto do grupo?”


“Morto. Onde está o seu?”


“Perdido ou morto, não sei. Agora deve haver quatro companhias guardando a nau. Nunca passaremos por elas. Tudo o que podemos fazer agora é encontrar Eladamri e sair daqui.”

 

Ela ficou quieta. Garnan e Medd caminhavam à frente enquanto Teynel caminhou ao lado da mulher Vec.


“Você desobedeceu a minhas ordens.”


“Tive uma oportunidade e escolhi toma-la.”


“E falhou. Se Eladamri estiver morto, verei você morrer também.”


Ela ergueu uma sobrancelha. “Levarei meu caso para qualquer conselho ou corte que você trouxer.”


“Não estou falando sobre julgamento. Estou dizendo que, se Eladamri estiver morto, matarei você.”


“Você pode tentar.”


Eles chegaram ao primeiro posto de controle. Uma mistura de guardas do palácio e soldados regulares bloqueavam a passagem com uma muralha de lanças e escudos. Empilhados contra a parede estavam três moggs mortos. Suas espadas ainda gotejavam sangue.


“Parem! Se identifiquem.”


“Corporal Elcaxi da Quarta Companhia. Este é meu esquadrão. Devíamos patrulhar fora da prisão e retornar. Ninguém nos disse pelo o que devíamos patrulhar.”


“Ninguém sabia. O alarme soou, nós saímos e o que aconteceu? Nada.”


“O que é aquilo?”


“Um bando de moggs tentou forçar caminho aqui.”


Os guardas abriram caminho para os rebeldes passarem.


“Esses caras não são muito espertos,” observou Garnan.


“Não os subestime. Há milhares de tropas na Fortaleza, então ninguém as conhece por completo. Nossa pequena charada não vai durar muito. Assim que alguém reconhecer vocês dois do Predador ou descobrir que não existe Elcaxi Corporal, estaremos perdidos.”


Eles passaram por mais um bloqueio antes de chegarem à ponte da torre da prisão. A ponte estava vazia. Entraram na prisão sem encontrar ninguém.


“Isso está muito fácil. Alguém devia estar de guarda.”


“Cheira mal isso. Me pergunto onde estão guardando Eladamri.”


“Devíamos nos separar e procurar?”


“Não desta vez. Fiquem comigo. Talvez tenhamos que lutar.”


Seguiram pela direita, lentamente, checando cada porta. Exceto por alguns sons suaves de arrastar e raspar, eles nada escutaram.


“Acho que prisioneiros não duram muito aqui.”


Quanto mais se aprofundavam, mais escuro ficava o salão. As lâmpadas de rochafluente providenciavam uma luz anêmica e laranja. Teynel tentou ajustar para ter mais luz, mas ao invés de ficar mais reluzente, ela se apagou. Eles continuaram mesmo assim. Uma porta aberta bloqueava parcialmente a passagem na frente deles. Teynel acenou para todos pararem. Garnan e Medd ficaram no corredor enquanto ele e Sivvi investigariam o aposento que possuía uma luz fraca.


Aquela era uma câmara de tortura. Lá dentro havia uma cadeira com as costas voltadas para a porta e alguém nela. Teynel sacou sua espada e Lin-Sivvi o seguiu, com seu totem-vec em mãos. Cuidadosamente eles circularam a figura na cadeira até conseguirem ver quem era.


Eladamri!


O elfo estava com as mãos e pés amarrados a cadeira. Sua cabeça estava caída. Teynel colocou a mão no peito dele e sentiu o bater do coração.


“Está vivo!”


Eles cortaram as cordas e libertaram Eladamri. Eles levaram água para ele e jogaram no rosto do elfo.


“Você veio,” disse ele fracamente.


“Sinto muito, irmão. Houve problemas.”


“A nau voadora?”


“Tentei destruí-la, Eladamri, mas falhei,” disse Sivvi.


“Consegue ficar de pé? Temos que sair daqui o quanto antes.”


“Me dê um momento.”


Havia sons de movimento no corredor, o raspar de metal na pedra.


“Soldados chegando! Teynel, se apresse!”


Sivvi correu para a porta e viu, pelo menos, quinze guardas do palácio vindo pela passagem.


“Hora de ir!”


“Realmente é hora de ir.”


Eladamri se ergueu da cadeira, sem traços de dor ou injúria. Teynel, ainda ajoelhado do lado cadeira, olhou estupefato.


“Estava começando a achar que nunca chegariam aqui,” disse o elfo.


“Do que está falando, irmão.”


“Sua ruína, rebelde.”


Teynel se pôs de pé, espada na mão. Ele passara muitos dias com Eladamri e sempre fora da mesma altura – na verdade, Teynel era um cabelo mais alto. O Eladamri com ele agora era mais do que seis polegadas mais alto. Mesmo enquanto ele olhava horrorizado para o rosto familiar, as contusões e queimaduras estavam desaparecendo de vista.


“Pelos deuses! Não pode ser!”
 

“O que foi?” disse Lin-Sivvi.


Para seu horror, ela viu Teynel erguer sua espada e acertar Eladamri. O elfo o pegou pelo pulso e, facilmente, quebrou o braço do guerreiro Dal, fazendo com que sua espada caísse no chão. Enquanto isso os dois rebeldes lidavam com as tropas de Rath, cujo número não fazia muita diferença naquele salão estreito.


O Eladamri impostor, ainda segurando Teynel pela mão, pegou a espada caída e a cravou no peito do guerreiro.


“Maldito!”

 

 

Ela arremessou seu totem-vec no impostor. Ele tentou se esquivar, mas se embaralhou com a morte de Teynel. A lâmina de ferro o cortou no lado do pescoço. Ele rosnou e arremessou o corpo de Teynel na guerreira Vec. Arrancando a lâmina do pescoço, o impostor pareceu inchar ainda mais, distorcendo suas falsas características élficas grotescamente.


Sivvi recuperou o totem e se ajuntou aos dois rebeldes, lutando costas com costas com Medd. Olhando para a porta, esperando o disforme Eladamri emergir, mas ao invés disso, Greven Il-Vec surgiu no salão. Ela sabia que era o mesmo homem por causa da ferida no pescoço.


“Lorde do Pavor, você está bem?” perguntou o capitão da guarda.

 

“Muito bem. Cuidado com a pequena. Seu pequeno brinquedo pode morder.”


O Greven impostor não atacou. Ele se afastou, mantendo os olhos em Sivvi. Ele parou na primeira porta que estava além da sala e colocou uma chave na fechadura. Greven deu um passo para trás, abrindo a porta enquanto fazia isso.


“Adoraria ficar e lutar, mas tenho um compromisso com Lorde Crovax. No meu lugar eu deixo para vocês um Gellerac.”

 

 

Do fundo da cela um tentáculo vermelho se contorcia, procurando por algo para agarrar. Ele encontrou a perna do seu libertador, mas Greven o esmagou com seu calcanhar. Ele se contraiu e mudou de direção. Mais dois tentáculos surgiram, seguidos de um torso gordo e chafurdado coberto pela mesma pele de couro vermelho escuro.


Os rebeldes e os guardas pararam de lutar para olharem o monstro. Mais e mais do gellerac saía pela porta. O apêndice superior bulboso alcançou a luz. O topo estava coberto por uma massa de tentáculos brancos em miniatura que se contorciam e flexionavam em imitação mais rápida dos tentáculos inferiores. A meio caminho entre o pescoço da coisa e o cabelo animado estava o que podia ser a boca - um orifício obsceno em forma de estrela, com uma pele oleosa e cinza e gotejando uma saliva rosa. Os guardas resmungaram entre si e recuaram.


“Vocês só precisam impedir que os rebeldes escapem, ou os deixem para o gellerac.”

 

A besta encheu a ampla passagem e não parecia ter emergido totalmente da cela. Os tentáculos agarraram a porta da sala de interrogação e a arrancaram. Lin-Sivvi se perguntou se eles seriam esmagados por aquilo e, como em resposta, a boca vil irrompeu para fora, invertendo a pele molhada e revelando fileira após fileira de dentes cônicos.


Ela golpeou a criatura quatro vezes. A lâmina fez vários cortes na pele, mas ela nem parecia sentir. Um membro da cor de sangue tão grosso quanto o braço dela envolveu seu tornozelo e a jogou no chão. Se movendo com grande rapidez, o gellerac lançou seus dentes nela, mas Medd interveio e, com sua espada, cortou a boca da coisa. Sangue preto derramou da ferida e o gellerac vibrou em dor. Ele jogou Medd contra a parede. Isso deu tempo para Sivvi se libertar do tentáculo com a ajuda de Garnan.


“Não acredito que este monstro saiba quem é amigo de inimigo – vamos ver se ele gosta de lutar contra eles tanto quanto nós.”


Eles recuaram até o ponto onde os soldados estavam.


“Capitão, me escute!”


“O que você quer, rebelde?”


“Aquela besta não tem olhos – me pergunto se seus homens têm o mesmo gosto do que os meus.”


“Onde quer chegar?”


“Só estou querendo saber o que acontece depois que todos nós morremos? Como vocês vão impedir aquilo?”


Mais resmungos vieram dos soldados de Rath, deixando tudo mais urgente quando o gellerac rolou rapidamente pela passagem atrás deles. O gellerac acertou os guardas e pegou dois pelos tentáculos. Eles gritavam e acertavam a criatura com suas espadas. Alguns dos companheiros foram ajudar enquanto outros fugiram.


“Isto não é uma luta de guerreiros. Seu mestre não dá a mínima para a vida de vocês.”


O capitão observava, um olhar repulsivo no rosto. Um dos seus homens desapareceu
embaixo do gellerac, seus gritos abafados pela carne flácida.


“Recuem! Recuem para a ponte!”


A tropas da Fortaleza debandaram e correram. O capitão tentou encurralar os rebeldes, mas Sivvi o advertiu com golpes do totem-vec. O gellerac diminuiu seu avanço enquanto digeria sua primeira vítima.


Sivvi, Medd e Garnan partiram pelo lado esquerdo da passagem.


“Vocês não podem escapar. Rendam-se a mim, e os protegerei do monstro,” disse o capitão.


“É melhor você se preocupar com sua própria pele. Nós vamos aproveitar nossas chances em outro lugar!”


Eles correram pela passagem aberta e, a meio caminho de distância, esperaram e escutaram. O pesado ruído de deslizamento do gellerac não estava evidente.
 

“Lin, o que aconteceu com Teynel?” Garnan perguntou. Com poucas palavras, ela descreveu a cena bizarra da armadilha que caíram e a morte de Teynel. Garnan cobriu seu rosto e chorou em silêncio.


“Quando Greven Il-Vec se tornou um metamorfo?”


“Por que me pergunta? Tudo parece possível nessa fortaleza insana! Hora de partir.”


Eles chegaram no lado oposto da torre e encontraram outro portão. Ele estava aberto, mas dessa vez fizeram um reconhecimento antes de adentrarem. Não havia sinal de Greven ou qualquer outra pessoa. Medd percebeu que a fechadura havia sido forçada. Se dirigindo à torre, encontraram duas sentinelas na ponte cujo visores dos elmos estavam para baixo.


“Parem!”


“Saudações.”


“Qual é a senha?”


Sivvi olhou impotente para Medd e Garnan. Ambos já estavam com suas mãos nos cabos das espadas.


“Diga a este estúpido soldado a senha!” a sentinela latiu.


A segunda sentinela replicou, “Tanta Jova.”


“Tanta Jova? Quem são vocês?”


Eles ergueram os visores.


“Kireno! Shamus!”


Após os cumprimentos, Sivvi trouxe as más notícias.


“Teynel e o resto estão mortos e nossa presença aqui é conhecida.”


“Ouvimos o alarme.”


“Viemos encontrar Eladamri, mas não o encontramos.”


“Ele está com a gente. Se libertou e resgatou outro prisioneiro das celas. Estão se escondendo na sala dos mapas.”


“Leve-me lá, tenho muito o que contar a ele.”

 

* * * * *

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
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(Quote)
- 25/08/2019 20:25

Ainda não foi postado. Esse mês não houve artigo. Mês que vem haverá mais um capítulo e depois haverá a postagem final

(Quote)
- 23/08/2019 21:21
Saudades lore...
(Quote)
- 23/08/2019 16:36
Arconte, já postou a última parte?
Se sim, manda o link pra gente.
Mais um excelente trabalho o seu!!!
(Quote)
- 24/07/2019 04:00
Show!
(Quote)
- 21/07/2019 11:39

Aqui mesmo na seção de Lore da ligamagic

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