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Sideboards - Separando o Joio do Trigo
Considerado por muitos o aspecto mais complicado do jogo, Sandoiche traz o mapa da mina para vocês.
26/08/2019 10:05 - 4.894 visualizações - 4 comentários
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Olá! Não muito tempo atrás, quando a Wizards tentou forçar o "Melhor de 1" como formato de jogo no Arena (culminando no Standard Duo, formato onde se escolhia dois decks MD1 para jogar uma Melhor de 3), a imensa maioria dos jogadores mais "velha guarda" se posicionou contra com os mais diversos argumentos, a maioria deles culminando no quanto a existência dos sideboards adicionava em termos de profundidade estratégica (algo que, convenhamos, parece bom para um jogo de... estratégia).


Mesmo que no Standard Duo existisse a possibilidade de um "mind game" entre os jogadores na hora de decidir o deck certo no fatídico terceiro jogo, simplesmente não é a mesma coisa que o bom e velho Sideboard, com 60+15, que separa o joio do trigo, essa mistura de ciência com arte que permite ao jogador reverter partidas complicadas, e ajuda a diminuir a variância do nosso querido joguinho quando o jogador menos experiente, com menos intimidade nesse conceito enfrenta um oponente já letrado nesse quesito.


Como um bom apreciador do Magic em nível competitivo/profissional, posso afirmar que uma das coisa mais belas de se assistir em uma partida é quando um dos jogadores consegue aplicar aquele "nó tático" no outro ao usar o sideboard, muitas vezes apresentando uma estratégia completamente diferente do G1 para o G2, e do G2 para o G3 ao reagir ao que seu oponente fez. Ou mesmo em níveis mais simples, quando com a ajuda de um sideboard bem equipado em conluio com um preciso jogo técnico, um jogador consegue reverter uma partida muito difícil, quase impossível. Melhor ainda é quando somos contemplados com a oportunidade de acontecer conosco - guardo com carinho partidas difícilimas para o meu RG Valakut que foram convertidas em vitórias graças à boa aplicação dos recursos disponíveis no sideboard.


Podemos observar como as partidas com 60+15 jogam de maneira tão diferente em relação ao MD1 analisando um card como Nexus of Fate no atual Standard. Enquanto que no modelo de game único o deck era opressivo a ponto de ser banido, pois criava um metagame de dois decks junto do Mono Red ao exigir respostas específicas que eram inefetivas contra aggro, quando somamos as 15 do sideboard a história muda completamente. Cria-se uma dinâmica interessante graças à hate cards direcionados como Unmoored Ego, e mesmo a mera existência de cards mais "genéricos" como Negate/Duress/Aether Gust/Thrashing Brontodon combinada com outros elementos provenientes dos decks principais força o Nexus a repensar seu plano de jogo, tanto defendendo-se com Veil of Summer, como mudando seu ângulo de ataque com Shifting Ceratops ou Biogenic Ooze.
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"A arte do sideboard" não é algo que pode simplesmente ser definido por um guia, e embora eles ajudem ao pegar um deck para jogar pela primeira vez, é crucial tomar cuidado para não se tornar refém do mesmo. Nesse campo é quando mais vemos o jogador com mais "jogo de cintura" adquirindo uma vantagem tangível em relação ao seu adversário. No atual Standard, um exemplo interessante é o Orzhov Vampires - além de seus tradicionais Sorins de M20 no MD, a maioria das listas usa uma quantidade de Gideons e Ajanis no sideboard, que geralmente não funcionam tão bem contra baralhos agressivos, já que costuma ser difícil de protegê-los (a maioria dos vampiros bloqueia mal).


Todavia, algumas circunstâncias podem exigir uma mudança de postura - um oponente de Mono Red que sideie de forma excessivamente defensiva, mantendo todos os seus burns como remoções e cortando criaturas de curva baixa, pode não ter as melhores armas disponíveis para atacar um Gideon
de turno 3, que pressiona bem para cima de Chandra/Frenzy que são as ferramentas de card advantage do Red - mas que podem acabar sendo lentas, se as interações leves não derem conta de lidar das ameaças iniciais. O mesmo princípio pode ser aplicado ao sidear contra decks que originalmente têm criaturas "ruins" contra o Vampires que não se encaixam num plano defensivo mas que seriam bons atacantes para o Gideon, mas agora estão no sideboard em troca de cards como Lava Coil ou Entrancing Melody que o Gideon contorna perfeitamente.


Voltando ainda mais no túnel do tempo: o PV já chegou a citar em um de seus artigos sobre a interação do Jace, the Mind Sculptor contra decks com Lightning Bolt na época que ambos jogaram juntos no Standard. O "plano de sideboard" pré-definido do baralho em questão consistia em sacar todas as cópias de Jace, já que eles sempre morriam muito facilmente para os burns sendo impossível desvirar com eles. Porém, especificamente um dos oponentes durante o primeiro game nunca atacava ou direcionava burns para o Jace, sempre focando seu dano diretamente na cara, ao melhor estilo "FACE IS THE PLACE". Nesse cenário, independente de qual fosse o consenso da equipe em relação ao "certo/errado", considerando a certeza em desvirar com o Jace TMS, o plano "fixo" foi reavaliado, e os Jaces mantidos para as partidas pós-side.


Outro ponto em que ater-se ao plano de sideboard pode acabar sendo uma armadilha é quando o seu oponente sabe exatamente qual decklist/plano você seguiu. A Internet dissemina a informação como nunca antes, e é muita inocência acreditar que você é o único com o plano de side da última lista publicada pelo Martin Juza ou Brad Nelson. Dessa forma, um oponente que saiba exatamente quais os seus in/outs consegue elaborar um contraplano de forma extremamente efetiva, ao respeitar/não respeitar determinados cards que poderiam estar em sua estratégia mas não são unanimidades entre os pilotos. Por exemplo, ao saber com 100% de certeza que a sua lista em particular não usa Shifting Ceratops, o oponente jogando com azul não precisa sequer questionar se vale o respeito ao dinossauro na hora de decidir cortar ou manter no deck aquele Cast Down não tão efetivo.

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Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
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Criaturas (11)
4  Heroína do Primeiro Distrito  0,49
1  Assistente de Detenções   3,32
4  Magiguarda de Elite   0,14
2  Tomadora de Reféns   7,00
Planeswalkers (9)
4  Teferi, Manipulador do Tempo   84,99
4  Teferi, Herói de Dominária   170,00
1  Ugin, o Inefável 14,99
Mágicas (10)
2  Descentelhar  0,50
4  Dissolução do Pensamento  0,44
3  Escárnio do Tirano  0,27
1  Limpeza Temporal    0,81
Artefatos (1)
1  Cidadela de Nicol Bolas    21,24
Encantamentos (3)
3  Juramento de Kaya   1,43
Terrenos (26)
4  Capela Isolada10,80
4  Catacumba Submersa20,99
4  Fonte Santificada37,50
4  Fortaleza Glacial17,00
1  Ilha0,00
1  Pântano0,00
4  Sacrário Ateísta29,74
4  Túmulo Aquático53,00
60 cards total

Sideboard (15)
2  Coagir 0,05
2  Desfigurar 0,15
2  A Ancianomancia  1,83
3  Garras Nóxias  0,05
2  Veto de Dovin  2,85
1  Assistente de Detenções   3,32
2  Ira de Kaya    2,34
1  Cidadela de Nicol Bolas    21,24


Um dos baralhos que enxergo como bastante difícil de se sidear contra no atual Standard é o Esper Hero, graças à combinação de criaturas+planeswalkers+remoções globais, podendo transitar com relativa proficiência entre planos Aggro-Tempo, Midrange e Controle "puro". Portanto, o baralho consegue usar esse fator como vantagem para levar partidas "fáceis" quando um oponente sideia de maneira que "não encaixa" para encarar determinado ângulo do baralho - entrar várias remoções de criaturas e perder para o jogo pesado de Teferi/Citadel, ou então subir todos os Negates/Duress/Vetos só parar morrer agressivado pelas Heroínas são exemplos.


Digamos que eu esteja jogando de Orzhov Vampires, e encare um deck "X" de Watery Grave, Godless Shrine e Hallowed Fountain - um Esper. No primeiro game, se não aparecer um card específico de G1 como Hero of Precinct One ou Hostage Taker (que as listas Control "puras" não usam) e o Vampires ganhar, é difícil até discernir se o oponente está jogando Hero ou Control. Noxious Grasp nunca vai ser 100% morto, respondendo com segurança os Teferis, e eventuais Lyra/Deputy mesmo na ausência da Heroína. Porém o que fazer ao tratarmos os menos abrangentes Despark, Cast Down e Mortify? Deve- se respeitar Hostage Taker, que não toma Noxious Grasp e algumas listas Control usam no sideboard?

 

Será que Cast Down vai ser efetivo se meu oponente tirar as Heroínas ao subir remoções globais? E se a build dele for com ainda mais criaturas, usando coisas como Tomebound Lich, Thief of Sanity e Deputy of Detention no MD, quero manter os Cast Down? Contra essas listas com alta quantidade de criaturas mesmo um playset de Duress pode não ser necessário... e o Mortify, deve ficar em respeito a um possível Ixalan's Binding /Search for Azcanta, mesmo sendo menos eficiente na mana ao confrontar as Heros?


E isso é só em relação ao que entrar do sideboard... agora, para tirar? Quero cortar um pouco de cada criatura de curva baixa em respeito ao Legion's End (e em menor escala, Deputy)? Quem sabe todos os Legion Lieutenant, ao considerar um oponente com alta quantidade de remoções globais? Da mesma forma, Sanctum Seeker pode ser excelente contra Cry of the Carnarium/Ritual of Soot/Tyrant's Scorn, enquanto é mais fraco contra Kaya's Wrath/ Time Wipe/Cast Down.


Nem sempre teremos essas respostas de imediato, e nessa hora fatores como experiência, treinos e intuição contam bastante... enquanto que boa parte dos sideboard guides que encontramos na internet simplesmente categorizam "Esper: tire 2 desse, entre 2 daquele", no "mundo real" enfrentei diversos
tipos de Espers diferentes nessas últimas semanas, e certamente fiz planos de sides diferentes contra oponentes diferentes em momentos diferentes, buscando justamente adequar-me para todas essas variáveis e tentar trazer a melhor configuração de 60 cards para um G2/G3.


Para concluir: por mais conveniente que seja a boa e velha "colinha", mudar os paradigmas em relação à forma que pensamos SIDEBOARD é crucial para darmos o passo seguinte em nosso nível de jogo, e algo que deve ser constantemente reavaliado não importante o nível de competividade que você se encontre, desde jogando no ranqueado Bronze ou competindo na loja local até mesmo os altos elos do Mítico e nível profissional.


E quanto a vocês, leitores, quais as suas opiniões sobre os tópicos abordados no artigo de hoje? Enxergam o sideboard como "arte", como "ciência", ou ambos? E em relação aos guias de sideboard? Possuem algum exemplo interessante para trazer? Deixem suas opiniões nos comentários!


Abraços e até a próxima!

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Matheus Akio Yanagiura ( sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como Sandoiche, é jogador, escritor e streamer de Magic: the Gathering, produzindo conteúdo desde 2012. Membro da equipe de e-Sports LigaMagic Bolts, está sempre na vida do grind dos torneios, com destaques para o Top 8 do Magic LATAM Challenge e o Vice-Campeonato da Twitch Rivals, além do bi-campeonato Circuito LigaMagic Modern e o Top 16 no Grand Prix São Paulo 2018 no Tabletop.
Redes Sociais: Twitch, Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 26/08/2019 13:30
Ótimo artigo!
(Quote)
- 26/08/2019 11:50
mestre do sideboard dialético
(Quote)
- 26/08/2019 11:26
Poderia ter focado sobre sides contra os decks Bant Scapeshift, Orzhov Vampires, Esper Control

São os decks mais jogados é mais dificil de bater!

Bom artigo.
(Quote)
- 26/08/2019 11:07
Muito legal finalmente um artigo para falar de sideboards!
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