Pirataria. Por quê?
Uma pequena discussão sobre pirataria no Magic, seja físico seja virtual, porque ela acontece, porque é errado, e porque não devemos julgar quem faz, só quando a pessoa merece mesmo.
19/09/2019 10:05 - 10.109 visualizações - 152 comentários

Depois de um primeiro artigo bem levinho, decidi pegar de volta em um assunto mais sério e que direta ou indiretamente toca a todos nós envolvidos no mundo do MTG. Pirataria é um assunto bem delicado, em todos os sentidos, seja em filmes, jogos, produtos e tudo mais. E claro que o nosso joguinho de papelão pintado favorito não escaparia de ser alvo dos piratas, ainda mais quando a Wizards decidiu que íamos visitar Ixalan, onde tem um monte deles (piadas mesmo). 

 

Nesse artigo eu vou tratar não só de pirataria no meio físico (já bem conhecida pelo nome de proxy), como no meio virtual, que ocorre através de programas e sites web que simulam o funcionamento do jogo. Claro que eu não vim aqui dar palco para o que é errado, logo não espere de mim um tutorial de como fazer nem como identificar proxies, nem mesmo de como fazer download desses softwares ou como acessar esses sites, nem os nomes serão citados durante este artigo.

 

Vamos por partes. O que são oficialmente proxies? Se em algum torneio sancionado, você tiver alguma carta que se danifique de forma a identificá-la, o juiz-mor do campeonato PODE (salve engano ele não é obrigado) criar uma prótese, pegando uma carta qualquer, seja uma carta em branco, ou um terreno básico, ou uma comunzinha e marcá-la como aquela que foi danificada. Exemplo: Você está jogando selado de War of The Spark, e durante o side, tira um Dovin, Mão do Controle do shield, ele cai no chão e alguém pisa, a rasgando, o juiz pega um terreno básico, escreve por cima “Dovin” e o assina, mostrando pra todos os oponentes DAQUELE EVENTO que o jogador possui aquele Dovin, mas está inutilizado para jogo. “Mas o que isso tem haver com pirataria?”. 

 

Acontece que convencionou-se entre a comunidade de jogadores, chamar de proxy, fazer isso com qualquer carta. Aí começam os problemas. Porque os jogadores normalmente fazem próteses? Algumas pessoas jogam Magic para competir, e cartas que jogam em decks competitivos, são bem carinhas. Usando o exemplo do meu caro El Baramallo, um Lamaçal Ensanguentado custa cerca de 90 reais no seu menor preço, quem quer montar um deck Modern competitivo e precisa de um set completo, precisaria gastar no mínimo 360 reais. É uma grana que mesmo para quem é podre de rico não se joga fora né? Então o que a pessoa faz, antes de gastar tudo isso, a pessoa coloca no deck dela quatro terrenos básicos escrito “Fetch BR” por cima para ver como a lista se sai durante o playtest e caso se mostre realmente necessário se gasta o dinheiro. Mesmo a Wizards já disse que não se importa que você faça isso em casa, desde que não se aproxime com isso de eventos sancionados.

 

“Tá, mas ainda não vi problema”. Sempre tem aquele amigo perfeccionista que gosta de ter a arte da carta e imprime ela em papel na impressora de casa, até aí ok. Mas e quando alguém decide imprimir num papel de alta qualidade numa gráfica com uma qualidade extremamente alta? “É… aí eu vi o problema”. Se você faz trade em grupos de facebook já deve ter visto  este anúncio: 

 


Se você não sabe o que é isso, eu te conto. São lote de falsificações. Não tem outro nome, esse tipo de coisa não se pode nunca chamar de proxy. O objetivo da existência delas não é serem usadas durante um teste para ver se vale a pena. Elas são vendidas em lote, e com a pequena ajuda de um shield ou nas mãos de alguém menos entendido, elas podem ser facilmente passadas por cartas verdadeiras. O motivo delas existirem é simplesmente que alguém dê o golpe em outra pessoa.

 

“Mas se já dá pra usar o papelzinho, porque alguém se daria ao trabalho de imprimir?” Os motivos são muitos na verdade. O primeiro é que muitas vezes é mais fácil de identificar a carta olhando sua arte, o segundo é por puro gosto mesmo. “Mas então pra quê fazer uma impressão de alta qualidade?” Às vezes por ser mais fácil de ler pra pessoa ou novamente por preferência pessoal, desde que seja VÍSIVEL que ela é uma impressão DE TESTE,  eu acredito que não há problema, novamente desde que seja longe de eventos sancionados. 

 

Mas e a pirataria virtual? Então. Os únicos meios oficiais de se jogar magic em meio digital são o MTG Arena e o Magic The Gathering Online. Qualquer outro é ilegal. Contudo o MOL exige uma taxa de entrada de 10 dólares, e para montar um deck você precisa comprar as cartas exatamente como no físico. No Arena, você precisa investir uma quantidade imensa de tempo que você pode substituir por comprar boosters ( que devido à sua aleatoriedade ainda podem te fazer gastar uma boa quantidade de dinheiro) , além de prender o jogador em pouquíssimos formatos. 

 

Os motivos para se usar simuladores ilegais de Magic não são muito diferentes dos motivos para se usarem as proxies no meio físico, mas ainda sim quem faz isso possui suas especificidades. O primeiro, normalmente é a falta de pessoas eou lugares para jogar. Sei que deve ser complicado para você que mora em cidades como São Paulo ou Rio entender isso, mas na maioria das cidades, é muito difícil se encontrar com outras pessoas que joguem Magic. 

 

Então mesmo jogar com as proxies se torna algo bem complicado, já que não adianta fazê-las se você não vai poder se encontrar com outras pessoas para usá-las, então é por isso que as pessoas acabam apelando para o uso de softwares ilegais para poder testar um deck antes de comprar as cartas, mesmo no MOL, ou até mesmo gastar suas wildcards no Arena.  “Tá, Miguel, é por isso que as pessoas usam a pirataria no Magic, mas isso justifica o uso dela?” NÃO. O objetivo de todo este texto é discutir porque NA MAIORIA DAS VEZES quem usa esses meios, os fazem porque simplesmente não possuem acesso a outros métodos para jogar o jogo, e quem faz parte deste grupo não deve ser julgado por isso… mas e quem não faz? Então, esse grupo é realmente problemático.

 

Então, vou parafrasear o Elba aqui outra vez. Imagine que você tem um amigo, que tem um fácil acesso a cartas caras, que ele tem um deck Modern e “quer testar como a lista dele funciona com 4 Lamaçal Ensanguentado”. Mas aí ele joga com vocês uma semana, duas, três… um mês… três meses… e nada de trocar as proxies pelas cartas. Na verdade, esse cara não está usando a proxy como teste, ele só não quer gastar a grana dele com uma carta cara, já que o seu grupo tem tolerado por tanto tempo deixar ele jogar com um pedacinho de papel, esse tipo de pessoa deveria ser afastado do grupo até que arrumasse isso, ele pode ser julgado. Lembre-se, ELE TEM ACESSO FÁCIL A CARTAS CARAS (DINHEIRO).

 

E se você mora em um grande centro, com muitas lojas e lugares na cidade pra jogar, e tem aquele amigo que fica te chamando para testar decks com o auxílio de softwares ilegais, não incentive e nem jogue com esse tipo de cara. Primeiro porque não vale a pena, nenhum desses programas tem uma boa experiência de jogo, a maioria deles não simula as regras, o que não melhora em nada seu aprendizado, e os que simulam tem uma experiência horrorosa com servidores e cartas. Em segundo que, se você tem lugar pra jogar, você pode fazer uma proxy e jogar cara a cara, sem precisar apelar para esse tipo de artifício.

 

Por último, se você faz parte de um desses dois grupos que eu disse que não deveriam nem mesmo pensa em usar pirataria (já que eu acredito que ninguém realmente deveria), entenda que eu não tenho nada de pessoal contra você. Muito provavelmente eu não te conheço e não acho que você é pior que alguém por isso, mas sim que você deveria repensar esse tipo de atitude, e acredite, não sou só eu que penso isso. Se você acha que toda forma de pirataria é válida e deve ser usada, eu sugiro que você vá pesquisar o quanto isso prejudica o jogo que você gosta. Se você tem uma opinião diferente da minha, comente RESPEITOSAMENTE nos comentários, e antes que reclamem que eu não vim tirar dúvidas sobre pirataria, lembre-se que esse nunca é o objetivo dos meus artigos. O objetivo aqui é sempre PROVOCAR dúvidas e não SANÁ-LAS, se você quer saber mais, o Google é seu amigo. Até mais e vejo você no próximo artigo.

Miguel Augusto Camarano ( MCamarano)
Miguel Augusto Camarano de Oliveira, ou somente Camarano, nasceu e mora em Goiânia-GO, é estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás começou a jogar Magic em 2017. Jogador de praticamente todos os formatos, é um apaixonado pela groselha, gosta do aspecto competitivo do jogo. Podcaster e Youtuber busca mostrar como o Magic pode ser impactante na vida das pessoas
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 24/09/2019 20:22

Não tem ninguém aqui que consiga realizar um artigo assim. Levaria mto tempo, pesquisa, estudo e etc. Não é o perfil dos autores da liga e nem acho que o valor pago para eles seja interessante pra tudo isso, infelizmente.

(Quote)
- 24/09/2019 17:14
Talvez seja interessante adicionar à discussão sobre as razões da WOTC não aumentar/melhorar os reprints: https://mtg-jp.com/reading/kochima/0033103/

Em resumo: Dois "challenger" decks, ambos com shocklands e sets the scrylands, praticamente decks UG Nissa e Feather 90% prontos.
Porém, só pro Japão...
(Quote)
- 24/09/2019 16:50

Eu conheço bem a história, mas isso era na época em que o Magic não havia se expandido tanto como é hoje e havia muito mais ligações com os colecionadores. Aliás, é outro ponto importante para ser colocado, a "colecionabilidade" de Magic, que também faz uma grande diferença.
A questão é que o assunto vai muito mais além. Quando Chronicles foi lançada, um dos problemas foi a mudança de raridade, com cartas raras se tornando incomuns e até mesmo comuns. Hoje temos o contrário com grande efeito: FoW de incomum para mítica, Chalice of the Void de incomum para rara, etc.
Hoje a questão das reimpressões é diferente do que foi na época de Chronicles e isso poderia ser abordado, até porque tem muito disso sendo falado nesse artigo.

(Quote)
- 24/09/2019 16:27

procure saber sobre a edição Chronicles ... e vai ver porque a Wizards não flooda mais o mercado.

(Quote)
- 24/09/2019 16:23
Talvez seja interessante adicionar à discussão sobre as razões da WOTC não aumentar/melhorar os reprints: https://mtg-jp.com/reading/kochima/0033103/

Em resumo: Dois "challenger" decks, ambos com shocklands e sets the scrylands, praticamente decks UG Nissa e Feather 90% prontos.
Porém, só pro Japão...
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