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O problema do Power Level
Cartas muito fortes e como interagem com o jogo
12/11/2019 18:05 - 14.860 visualizações - 35 comentários
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Olá, tudo bem com você?


Hoje eu gostaria de começar com uma pequena pergunta:

 

  

 

    

 

   

 

   

 

Você consegue me dizer o que estas cartas têm em comum?


O que elas têm em comum é bem simples. Elas mudaram o Magic para sempre e são todas de edições recentes.

Vamos começar a explicação lááááá atrás, em outubro de 1998, com o lançamento de Saga de Urza - o primeiro bloco focado em artefatos desde Antiquities. O bloco de Urza nos trouxe diversas mecânicas interessantes, mas se tem uma coisa que esta edição foi é DESBALANCEADA.

 

Monolito Sinistro, Mostrar e Contar, Determinacao de Yawgmoth, cartas extremamente Overpowered que causaram uma cicatriz no competitivo. Cinco anos depois tivemos o lançamento de Mirrodin, outro bloco focado em artefatos. Guess What?! Cartas erradíssimas também. Pinca Craniana, Trinisphere, Frasco do Eter.

Sete anos depois veio o quê?! Cicatrizes de Mirrodin, outra edição focada em artefatos (principalmente os Phyrexianos, que era o tema de Saga de Urza), completamos o ciclo de espadas, Cranio-Marreta e de quebra ainda ganhamos a Mana Phyrexiana, uma das mecânicas mais erradas na história do jogo.

Não quero parecer um disco riscado, mas seis anos depois tivemos outro set focado em artefatos (Kaladesh), e novamente cartas de alto impacto, tanto para o Standard quanto para os formatos eternos. Só que Kaladesh foi um pouco diferente, já considerada na “nova era” do Magic, entrando no conceito que eu entendo como: Anos 90~Começo dos 2000 = Mágicas super poderosas e criaturas overcosted e fracas, 2000~Começo dos 2010 = Criaturas undercosted. Agora vivemos na era onde criaturas e mágicas podem ser desbalanceadas, não respeitando um conceito pré definido do que deve reinar.

 

Particularmente, eu amo jogar com cartas fortes, este sempre foi um dos motivos de amar o Legacy, a possibilidade de jogar com as cartas mais fortes do jogo, enquanto eu enfrento as mais fortes também de uma maneira mais equilibrada, que pode acontecer no Standard quando se tem algo muito dominante. Cartas fortes são necessárias para o desenvolvimento do jogo a longo prazo, elas contribuem para o equilíbrio da color pie, fazem com que o metagame se torne cíclico, alternando entre novos decks e velhos decks com novas ferramentas poderosas, tornando a competição mais justa entre os top tier decks.


Aliás, isso tudo que eu falei DEVERIA ser o correto, quando na maioria das vezes, o que acontece é o seguinte: 

- Uma carta forte é lançada, ela entra na categoria de undercosted/sai de sua color pie/é opressiva o suficiente para compensar jogar com ela invés de contra ela; 

- Aí o formato em questão perde diversidade. Acaba exigindo respostas à curto prazo, algo que a Wizards geralmente não consegue fazer devido à data de lançamento de cada edição, e vemos o novo Tier 1 absoluto dominar o jogo enquanto todo o resto parece inútil perto dele devido sua grande eficiência/ opressividade em cima dos outros arquétipos existentes.

 

Existem diversos parâmetros para medir uma carta forte, geralmente o mais comum é o baixo custo de mana, uma vez que um Raio  dá 3 de dano por apenas uma mana, podendo ser feito desde o primeiro turno de jogo, enquanto uma carta de custo 9 que dê 30 de dano não é tão eficiente pois exige muito esforço para ser utilizada. Quanto menos o esforço para usar em seu deck, maior o potencial da carta.


O build around (esforço para colocar em seu deck) somado ao custo de mana da carta, seja ele em custo de número ou facilidade de conjurar (uma carta de custo 1UW é mais fácil de se fazer que uma UUW, por exemplo) aumenta seu power level. Xama do Ritual Mortfifero, Oko, Ladrao de Coroas, Tampo de Adivinhacao do Sensei, Sonda Gitaxiana têm restrições bem ínfimas em seu custo de mana, facilitando a utilização em decks de sua cor principal ou simplesmente um splash para acobertar os custos single color exigidos.

 

Toda vez que um “Oko” é lançado, a primeira coisa que acontece com o competitivo é adaptá-lo em decks já existentes, logo depois, criar novos arquétipos com a carta, após algum tempo um “counter” é descoberto, seja uma carta boa contra esse “Oko” ou simplesmente um deck que tenha boa partida. Isso é o processo natural de todas as cartas, no entanto, devido ao power level elevado forçado pela Wizards, algumas cartas se tornam difíceis de responder ou a resposta é tão marginal que é melhor você combater fogo com fogo do que tentar apagá-lo. Você pode responder um Xama do Ritual Mortfifero com um Raio, ou até mesmo com um Descanse em Paz, mas nem sempre você vai conseguir encaixar essas cartas em momentos oportunos, tornando as respostas menos efetivas do que simplesmente jogar com a ameaça em seu próprio deck.


Este conceito se aplica para todas as cartas poderosas, no entanto, os Planeswalkers recebem um layer a mais de dificuldade de combater: Uma das maneiras de deixar os walkers atingíveis foi a capacidade de serem atacados, no entanto, quanto mais velho fica o formato (Modern, Legacy, Vintage) menos criaturas ele tem em média - dificultando a remoção de marcadores através do combate - e como existem poucas mágicas que matam diretamente os walkers (Perfuracao Letal, Queda do Heroi), alguns são difíceis de lidar com dano direto (Teferi, Heroi de Dominaria, Oko, Ladrao de Coroas) enquanto outros conseguem travam suas maneiras de responder as cartas do oponente (Narset, Rasgadora de Veus, Teferi, Manipulador do Tempo), transformando-os praticamente em encantamentos de efeito contínuo - fazendo com que seu “encantamento” gere valor quando entra, enquanto fica em jogo e ainda ”coma” algumas fases de combate do adversário - te dando tempo para lidar com a mesa.

 

E qual seria a solução para estas cartas?! Baní-las?! Talvez, mas seu banimento têm um custo bem alto para o jogo.
Toda vez que uma carta é banida, é admitido que foi um erro de design, às vezes consciente e às vezes sem querer. Quando algo é banido, a primeira coisa que o field faz é se adaptar, tentando encontrar a “próxima boa”, e em formatos menores como Standard, o ciclo pode se repetir, o próximo “Oko” pode já ter sido lançado e voltamos à estaca zero.
Não podemos fazer muitas coisas em relação às cartas já existentes, mas algumas restrições podem ser seguidas para que a próxima “Mistico Litoforjador” ou o próximo “Pinca Craniana ” seja mais aceitável:

 

  • * Criar cartas que exigem um build around no deck: Custos mais proibitivos de cor (ou custo total de mana), efetiva em menos situações, mais fácil de ser hateada;
  • * Verificar se ela já não é um combo direto com algo já existente em algum formato. (Ok, essa parte é mais difícil, mas algumas cartas funcionam de maneira bem óbvia com arquétipos já existentes);
  • * Se for uma criatura, tentar manter a resistência o mais baixo possível, para perecer mais facilmente contra dano direto/combate, se for um Walker, não entrar com alta lealdade/não subir em grandes quantidades para que, se ficar 2 ou 3 turnos sem ser atacado, não ser mais impossível de removê-lo;
  • * Verificar se sua 'presença em campo' (caso seja uma permanente) não impede o oponente de finalizar a partida se a carta não for removida imediatamente (O Deus Escaravelho, Campo dos Mortos).
  •  

Estas podem não ser as melhores soluções ou as definitivas, mas o R&D precisa tomar mais cuidado com o power level das cartas, já que, desde Kaladesh tivemos mais de 10 bans entre Standard, Modern e Legacy, praticamente um a cada trimestre. Este tipo de atitude diminui o interesse no competitivo e cria medo de investimento em cartas não-reserved list, totalmente ruim para o jogo.

 

Eu, mais que todo mundo, adoro jogar com cartas de alto power level, mas quando todas as novas cartas são Power 9, fica difícil jogar uma partida que é “ganha quem encaixa mais da carta X”.

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
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(Quote)
- 19/11/2019 14:02

Você só não tem resposta para eles, o Modern por exemplo tinha muitos combos. Eu jogava com Splinter Twin e não usava PW em meu deck. Nem quando jogava com UWR.

(Quote)
- 19/11/2019 01:14

Vamos ver o que acontece com o tempo, mas diferente do Modern, que nasceu com um Jace banido e deu uma aturada em Liliana e um monte de PW bunda gastando slot de Mítico, o Pioneer Nasceu com Teferi (os dois), Nissa, Oko, Gideon, Ugin (dois), vários Sorin (inclusive um de 3 manas que upa para 5 de lealdade quando entra), Nicol bolas e por aí vai...

(Quote)
- 18/11/2019 22:07

Não disse que PW demais é problema, você está dizendo isto. O Pionner não nasceu quebrado por causa do excesso de PW e sim por não ter respostas eficientes em relação as cartas mais fortes.

(Quote)
- 18/11/2019 21:38

Não disse que PW demais é problema, você está dizendo isto. O Pionner não nasceu quebrado por causa do excesso de PW e sim por não ter respostas eficientes em relação as cartas mais fortes.

(Quote)
- 18/11/2019 18:25

Mas você concorda que o problema continua sendo o mesmo, PW demais na mesa?
Pensando no Pionner que acabou de nascer, ele já nasce quebrado por causa de PW.

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