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RETROSPECTIVA MAGIQUEIRA 2019
Como foi o ano de 2019 para a comunidade de Magic: The Gathering ( em especial no Brasil ) de notícias sérias a alces verdes 3/3 sem habilidades
18/12/2019 10:05 - 2.944 visualizações - 11 comentários
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ACHOU QUE TINHAM SE LIVRADO DE MIM? ACHARAM COMPLETAMENTE ERRADO! Dezembro é aquela época do ano em que a gente costuma olhar pra trás e falar “Nossa como esse ano passou rápido”. Daqui uns dias é natal, e ,passando menos de uma semana, 2019 acaba. Então hoje, eu decidi ir a fundo e comentar os principais acontecimentos que envolveram os magiqueiros nesse ano. Vem comigo.

 

1- MPL e o novo Magic competitivo

 

Anunciada no fim de 2018, o ano começou diferente para o Magic competitivo. Com o fim das divisões Platina, Ouro e Prata e a  criação da MPL, que passou boa parte do ano deixando os grinders confusos, mas bem mais pra frente com a criação da MPL Rivals e de um sistema organizado de disputa para as próximas temporadas competitivas, acabava por aliviar essas dúvidas.

 

2- O lançamento de Lealdade em Ravnica (Ravnica Allegiance)

 

O ano começou muito bem com o lançamento da primeira coleção do ano! Lealdade em Ravnica foi a segunda do bloco mais recente de coleções que se passa na cidade das guildas! Nos trazendo um dos Standard mais diversos dos últimos tempos, adições como Krásis Hidroide e a chegada de Breeding Pool fazem com que os Golgari Explore se torne Sultai Midrange ( ou Golgari Blue como alguns o chamaram por algum tempo), Pteromandra, chega para ser a peça que faltava para a criação de um MonoU Tempo (que foi campeão do Mythic Championship na  mão de Autumn Burchett ), Wilderness Reclamation cria o chatíssimo Simic Nexus e Godless Shrine com Hallowed Fountain possibilitam a existência do Esper Control, com várias remoções como Grito do Carnário e Ira de Kaya, talvez o t2 com uma das bases de mana mais completas dos últimos tempos.

 

3- O Ban de Krark-Clan Ironworks, famoso KCI.

 

Talvez o ban mais esperado de todos nos últimos tempos do Modern. KCI vinha sendo um deck que, apesar de extremamente difícil de se jogar, vinha aparecendo cada vez mais no cenário competitivo do Modern e com taxas de sucesso cada vez maiores, além disso era um combo extremamente demorado e que deixava os oponentes presos em um loop de 20 minutos em que eles viam os adversários fazerem a mesma coisa com a esperança de que “PELAMOR DE DEUS QUE ELE ERRA ESSE COMBO”. 


O combo consistia em ter no campo um KCI, um Scrap Trawler e um Myr Retriever, ao mesmo tempo que você deveria ter outro Myr Retriever e um artefato de 1 mana no cemitério (como uma Cromatic Star). Você sacrificava um Myr para o KCI e aí você tinha duas manas incolores e dois triggers na pilha, um do Myr e um do Scrap Trawler, com o trigger do Scrap Trawler você voltava a Cromatic Sphere e com a o do Myr você voltava o outro Myr, então você casta a Cromatic Sphere (usando a mana que você já tinha ganho antes) e logo a sacrificava para o KCI novamente e castava outro Myr. Então você estaria exatamente onde começou, porém com 1 mana incolor na reserva e com dois triggers na pilha. Repita essa ação 2 milhões de vezes ( tendo 2 milhões de mana incolor na sua reserva de mana), logo você poderá continuar o ciclo, castando a Cromatic Sphere e a ativando, adicionando uma mana colorida e comprando uma carta para cada vez que faz isso, até você comprar Pyrite Spellbomb, em que você novamente deixa o ciclo continuar até matar o oponente.


Não entendeu nada? Pois é, era bem complicado de entender mesmo, mas agora tá banido ( se bem que no Magic Fest São Paulo 2 fiquei sabendo que um KCI Less ganhou um MCQ) , além de que o deck tinha milhares de outras maneiras de vencer além dessa, mas todas elas envolviam um loop extremamente complicado, que podia ser errado e que fazia o jogo se tornar extremamente tediante para o oponente, aqui você assiste um link do combo explicado bem mais didaticamente ( ou ao menos bem mais do que eu).

 

4- A última edição do CLM

 

Entre os dias 9 e 10 de fevereiro aconteceu a última final de Circuito LigaMagic. O CLM 12 ocorreu no Shopping Frei Caneca em São Paulo e teve as finais nos formatos Standard, Modern, Pauper, Legacy e Commander. Infelizmente não tive como achar as listas campeãs, mas lembro de cabeça que Matheus Akio “Sandoiche” Yanagiura foi campeão do Modern com seu RG Valakut.


5- O anúncio de Modern Horizons

 

No dia 28 de fevereiro a Wizards anunciou Modern Horizons, um set suplementar com cartas novas com validade (pela primeira vez ) para o Modern! Com a revelação de Serra, A Benevolente e Terapista da Cabala em stream oficial. O período foi marcado por muitos rumores e conversas que mais tarde analisaremos se foram concretizados ou não.

 

6-GUERRA DA CENTELHA. MUITOS PLANESWALKERS!!

 

A segunda coleção do ano, e aquela que veio para fechar o bloco de Ravnica assim como o arco do grande vilão dos últimos anos da lore do jogo : Nicol Bolas. War of the Spark inovou trazendo 36 cards de planeswalkers, além disso em várias ráridades e com habilidades estáticas! Em um início de meta em que nos aproximávamos da rotação, o RDW ganhou um último impulso de força antes de sumir completamente, usando a força de Chandra, Fire Artisan e (acredite ou não) Tibalt, Rakish Instigator no side contra decks que ganhavam muita vida. O White Weenie ganhou um splash pra azul com a adição de Dovin’s Veto, Gideon, Blackblade e, principalmente, Teferi, Time Raveler. Tivemos o surgimento de um deck Jeskai Superfriends com muitos dos planinautas novos e uma versão diferente do Esper com Hero of Precinct One.

 

7- O London Mulligan

 

O London Mulligan mudou completamente a maneira como o jogo funciona, passando de tentando manter uma mão cada vez menor para selecionar as melhores cartas que você tem disponível a cada mão de sete cartas que você compra. Na época do anúncio houve a preocupação da comunidade em deixar estratégias de combo muito quebradas, ou mesmo fazer com que arquétipos do Tron ficassem impossíveis de se parar. Para testar isso, o Mythic Championship II, em Londres, fosse Modern. 


O que ficou atestado foi que ao mesmo tempo que o London ajudava decks combo, ajudava outros decks a achar seu hate com mais facilidade, o que ao mesmo tempo diminuía a aleatoriedade do jogo e tornava as coisas mais equilbradas. Alguns meses depois, o London Mulligan já é natural na vida de todo jogador de Magic.

 

8- O fim da hegemonia azul do Pauper

 

Muitos se surpreenderam ao ver Gitaxian Probe, Gush e Daze banidas do Pauper ao mesmo tempo, mas com exceção de Daze é muito fácil ver quem concorde com o ban de Probe e Gush, já que Foil sozinha não era problemática no formato e Probe é extremamente quebrada para uma freespell (que já são naturalmente quebradas só por serem de graça). A partir daí voltamos a ter uma variedade de cores com uma subida de Stompy, Boros Monarch, MBC e Tron ao tier do formato, ao contrário de só MonoU ( ou Izzet) durante anos..

 

9 - O lançamento de Modern Horizons

 

Modern Horizons finalmente foi lançado! E com essa coleção muitas coisas aconteceram. Com os reprints das Lands Nevadas novamente tivemos a volta de estratégias com Skred no Pauper, através do uso de Arcum’s Astrolabe, que diversificava muito a base de mana do formato, e com o uso de Ephemerate, tirava muito valor de criaturas com ETB, que sempre foram importantes. 


Wrenn and Six arrebentou a boca do balão e logo de cara arrumou seu espaço no Jund do Modern e no Temur Delver do Legacy, fazendo a lista disparar para os tiers do formato. Quem também apareceu nesses dois formatos foi Hogaak, Arisen Necropolis, que ganhou deck próprio voltado para ele em ambos, o Hogaak Bridgevine, que colocava um 8/8 na mesa em pouquíssimos turnos. 


No Modern o deck era praticamente imbatível e estava exigindo que os decks tivessem tanto grave hate que mais tarde exigiu dois bans no formato : Bridge from Below e o próprio Hogaak.

 

10 - Core Set 2020

 

M20 chegou e com ela tivemos a volta de PROTEÇÃO! Depois de muito tempo essa keyword voltou para o Standard! 


Com ela tivemos Dinossauros novos, Elementais novos, Chandras novas e principalmente TERRENOS NOVOS. O Meta passou a ser recheado por decks de Scapeshift ( que era válido desde M19 no Standard, mas não havia uma estratégia em que ele se encaixava antes) que usavam Field of the Dead para encher o campo com muitas fichas de zumbi 2/2, não era uma win automática como o Valakut, porém se o oponente não conseguisse limpar o campo a vitória era garantida. A estratégia gerou o desbanimento de Ferocidonte Enfurecido (que ninguém nem entendia o motivo de ainda estar banido), mas que já estava perto de rotacionar.

 

11 - Trono de Eldraine

 

Eldraine foi no mínimo um abalo nas nossas estruturas. A coleção que teve como tema a versão Magic dos Contos de Fada, trouxe muita coisa. Alguns diriam que até demais. Oko, Ladrão de Coroas era claramente um erro de design. Planeswalkers de 3 manas sempre foram perigosos, mas um de 3 manas, que entra com quatro marcadores de lealdade e tem uma habilidade de remoção “+1”? Quem realmente deixou isso acontecer?. Junto com ele, Era uma vez e Nissa, Abaladora do Mundo fizeram estratégias de Ramp ficarem extremamente quebradas. 


Mesmo com a rotação de Scapeshift, Field of the Dead continuava sendo problemático, o que resultou em seu banimento. Mais tarde uma nova lista de bans leva Oko, Era Uma Vez e (para a surpresa e decepção de muitos) Véu do Verão.

 

12- Nasce o Pioneer 

 

Com o Modern tendo uma barreira de entrada cada vez mais alta, surge a necessidade de criação de um novo formato sancionado. Algumas lojas já haviam tentado emplacar o Frontier ou Contemporany, que acabou flopando. Então a Wizards traz o Pioneer, com validade de todos os sets Standard lançados desde Retorno a Ravnica até hoje. Entretanto, ao invés de baratear um formato eterno, o que temos visto é um spike gigantesco de cartas que não jogavam nada, provavelmente resultante de um gigantesco hype no formato novo, e deve passar assim que o formato se estabilizar, com cartas tendendo a voltar um pouco para perto de seus preços normais, principalmente com o fim dos bans semanais.

 

Então pessoal, esses foram alguns dos acontecimentos que marcaram a comunidade do Magic esse ano. O que você acha que faltou mais? Comente aqui pra gente bater aquele papo legal <3 Lembra que spoilers de Theros já estão contando pro ano que vem! 

Miguel Augusto Camarano ( MCamarano)
Miguel Augusto Camarano de Oliveira, ou somente Camarano, nasceu e mora em Goiânia-GO, é estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás começou a jogar Magic em 2017. Jogador de praticamente todos os formatos, é um apaixonado pela groselha, gosta do aspecto competitivo do jogo. Podcaster e Youtuber busca mostrar como o Magic pode ser impactante na vida das pessoas
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 18/12/2019 21:10


Então , os que eu lembro agora foram:

1. Watanabe - banido por trapaça (Cards marcados) e também foi retirado do hall da fama.

2. GT - pediu pra sair por não concordar como a Wizards estava levando a MPL.

3. Owen - Banido por assédio sexual a mulheres.

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- 18/12/2019 19:50
Otimo texto ! falaria mais sobre o modern horizons apenas, acho q foi o lider de oxilacoes em 2019
Abracoo valew
(Quote)
- 18/12/2019 15:27

É que todo mundo que não gosta de commander fala que commander não é Magic, aí resolvi adaptar a piada pro formato que eu não gosto rsssssssssssss

(Quote)
- 18/12/2019 13:34

kkkkkkkkkkk - Sacanagem com o pioneiro!

(Quote)
- 18/12/2019 13:33

Alex, qual foi essa do banimento dos players da MPL?

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