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Que seja Doce enquanto dure
Um conto Autoral para adoçar seu Natal.
25/12/2019 10:05 - 3.632 visualizações - 7 comentários
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QUE SEJA DOCE ENQUANTO DURE

 

 

 

Foi um salto desesperador.

Empunhando sua pequena arma pontiaguda contra seu inimigo, ela saltara, numa tentativa ingênua, de rasgar o rosto da besta. Mas seu ataque provou-se inútil porque num piscar de olhos, ele sumira.

Como era possível?

Foi como um flash. Um clarão e de repente, a besta não estava mais lá. Ela aterrissou no chão como se tivesse atravessado um fantasma. Ao redor estavam os bocados caídos da boca glutona. Meras migalhas daquele que fora seu amor por poucos minutos. Ela sobrevivera ao terrível caldeirão fumegante e quando retornou, seu amor estava sendo devorado. Comido como um simples biscoito.

Frustrada, ela olhava ao redor para toda aquela bagunça. Aos poucos os cavaleiros atordoados recobravam a consciência. A mesa da festa estava arruinada e serviçais entrariam no aposento para arrumar a bagunça e limpar a sujeira deixada para trás. Logo, tudo o que restara do seu amor seria varrido junto pedaços de comida e porcelana quebrada.

Era bom demais para ser verdade.

Mas e quanto a ela? O que seria dela agora que parecia não haver mais sentido em sua existência? Era muito para se pensar em um tão curto período de existência. Decidiu então deitar e ficar por lá. Ficaria deitada em alguma bandeja de prata esperando ser devorada também, dessa forma tudo aquilo acabaria.

As arrumadeiras entraram e se depararam com a baderna. Enquanto varriam e arrumavam, deitada estava lá, ao lado de algumas maçãs – cuja aparência não parecia ser das mais apetitosas – esperando a boca fatídica. A mordida que acabaria com tudo. Porém, não foi uma bocada que a ergueu e sim certas palavras que a despertaram daquele estado de torpor. As mulheres conversavam e varriam, vez o outra conversavam mais do que varriam, e entre elas falavam sobre toda aquela algazarra que acorrera no castelo.

Ninguém sabia quem era o estranho que fora aprisionado e levado ao castelo pelos cavaleiros, mas sabiam que não era do reino. Era notório que tinha vindo das terras selvagens e a forma estranha como desaparecera repentinamente, já dava indícios que devia usar de bruxaria. Se alguém era estranho o bastante para ferir os costumes regionais, logo era considerado um ser da terra dos selvagens.

A terra dos selvagens era uma pista. Talvez fosse possível encontrar aquela besta outra vez e tentar espetá-lo novamente. Era uma ideia louca e insana, afinal ele era dezenas de vezes maior do que ela, mas se pelo menos por um momento, por apenas um pequeno momento ela conseguisse dar um golpe, isso bastaria. Com essa ideia em mente, desistiu de ficar no recinto e esperar ser abocanhada, o que queria agora era ir para a terra dos selvagens. 

Após o fim da arrumação, quando as fofocas do dia se acabaram e todas partiam, Biscoitina - porque é assim que a chamaremos agora – continuava pensando em como chegaria à terra dos selvagens. O crepúsculo surgia pela janela quando, subitamente, Biscoitina avistou um brilho. Uma pequena luz que rodopiava rápido pelo ar da sala.

 

 

Biscoitina se levantou e chamou a pequena fadina que voava com uma moeda nas mãos. A fada foi até ela e sentou-se na mesa, ouvindo com genuína curiosidade seu relato.

“A terra dos selvagens hein? Coisa fácil. Posso te levar sim, mas farei apenas sob uma condição: preciso que me ajude a dar uma lição em certos cavaleiros que le-”

“Matar? Não, não vamos mata-los. Vamos apenas pregar uma peça neles assim eles nunca mais vão provocar uma fada outra vez.”

A troca parecia justa. A fadina a levaria e precisaria apenas dar um susto em um bando de cavaleiros. Não parecia ser difícil nem complicado.

Elas voaram por toda a noite parando apenas por um pouco de tempo para que o pequeno ser reluzente descansasse os olhos. Sendo feita de gengibre e açúcar, Biscoitina não precisava dormir. Antes do sol nascer a jornada retornara.

Você percebe quando está chegando à terra dos selvagens quando começa a perder a senso de direção. A terra dos selvagens é uma terra encantada com fronteiras inconstantes, onde distância, direção, tempo e estações parecem estar sempre distorcidos. O Norte não era o Norte, mas também não era o Sul fazendo com que conhecimentos geográficos se tornassem inúteis. 

Elas adentraram na floresta encantada. Os sons guturais que antes estavam distantes se tornaram vozes. A floresta estava viva.  Aranhas teciam teias reluzentes, as árvores conversavam entre si, fungos espreitavam suas vítimas, trolls perambulavam em busca de comida, até o pacífico lago parecia esconder algo sob sua superfície pacífica.

A fadina aterrissou sobre uma árvore velha e enrugada. Biscoitina olhava atônita para toda aquela fauna ao seu redor. Enquanto ela vislumbrava todas aquelas maravilhas, a pequena fada desceu voando pelo tronco da árvore e pairou no ar, de frente dela. 

Para surpresa de Biscoitina, os dois começaram uma prosa.

 


 

A conversa foi rápida. A fadina retornou, eufórica e ofegante, puxando Biscoitina pelo braço para que partissem logo. Ela a levou até uma pequena clareira cuja terra possuía entalhes no chão. Runas místicas que pareciam não estarem terminadas. Os cavaleiros estavam pelas redondezas, mas para pegar a peça neles havia a necessidade de atrai-los até um círculo mágico. A fadina precisava ficar e terminar os encantamentos e caberia a Biscoitina fazer o papel de isca.

A fada puxou algo de sua minúscula bolsa, um pó, e lançou sobre Biscoitina. De repente, ela começou a flutuar, sem ajuda, e asas fantasmagóricas surgiram em suas costas. Ela parecia uma pequena fada feita de farinha agora. Sua tarefa era simples: atrair os cavaleiros para o centro da clareira.

A querida Biscoitina aceitou a tarefa sob a palavra que aquilo não mataria os cavaleiros.

“Não há com o que se preocupar. Eles continuarão vivos após isso.”

Ela partiu, tentando aprender como voar com aquelas asas temporárias, enquanto a fadina terminava os encantamentos sobre o feitiço. Não demorou muito para Biscoitina encontrar os cavaleiros – o soar dos cavalos e os xingamentos eram fáceis de serem distinguidos – e então, ela avistou o trio. Escondida atrás de uns arbustos, ela percebeu que o trio de cavaleiros parecia estar numa caçada. Eles procuravam por algo, olhavam para o alto na esperança de encontrar alguma coisa.

Um deles levava na mão uma lamparina cuja luz azulada vinha de uma fada que estava presa dentro. A fadina havia lhe dito que eles eram caçadores de fadas e que gostavam de aprisionar o povo dela em potes de vidro e realizar atrocidades. Aquilo era algo imperdoável! Ninguém tinha o direito de privar o outro da liberdade. Esse pensamento a estimulava a criar coragem, pois se ela fosse pega e os cavaleiros percebessem que ela não era uma fada...

 

 

Enquanto os três trotavam vasculhando a mata, Biscoitina saiu de seu esconderijo e voou em direção a eles. Assim que perceberam o pequeno clarão brilhando no ar, partiram em direção à Biscoitina. Ela voou o mais rápido que pôde, tentando trazê-los até a clareira. O som dos cascos e os gritos de perseguição realmente eram aterrorizantes, porém ela disse que ajudaria a dar uma lição neles. De fato, ela nunca esteve muito certa sobre tudo isso, mas sem a ajuda da fadina ela não teria chegado até lá.

Voando em ziguezague, desviando de folhagens e galhos, ela estava quase chegando à clareira. Os cavalos já precipitavam sobre ela. Um cavaleiro puxou outra lamparina vazia, se preparando para prendê-la. Um braço se estendeu, depois outro. Por sorte, ela esquivou de todos. 

Finalmente, eles chegaram à clareira. Biscoitina passou voando por cima das runas entalhadas no chão. Quando os cavalos correram por cima e pisaram no círculo, o tempo parou. Uma luz surgiu e os trio de cavaleiros apenas enxergou um clarão. Por alguns segundo que pareceram uma eternidade, não houve som algum. Quando o ofuscamento cedeu a cena que ela presenciou a encheu de medo.

Os cavalos ainda estavam lá, parados, como que perdidos sem seus cavaleiros, no chão as armaduras estavam caídas vazias – bem quase vazias – dentro delas havia o que sobrara dos cavaleiros.

Não eram ossos, nem sangue, mas abóboras. Sim, abóboras! Os cavaleiros estavam se transformando em abóboras no chão.

 

 

Ela olhou para a fadina cujo sorriso sombrio iluminava o rosto.

“Eu disse que eles continuariam a viver, só não disse como.”

Nada podia ser feito sobre aquele trágico fim, mas pelo menos eles aprenderiam a não caçar mais fadas, ou era isso que Biscoitina acreditava. Perto das armaduras, a lamparina com a fada dentro se estremecia no chão. Balançando de um lado para o outro, a outra fadina rompeu seu cativeiro e saiu voando até as duas.

Furiosa, ela esbraveja contra a companheira.

“Sua tola! Eles não me aprisionaram! Eu concordei em iluminar o caminho deles se eles me dessem cobertura contra as bruxas de mamoa.”

Biscoitina ficou ali, olhando os cavaleiros transformados em abóboras. Pelo menos, eles pareciam saborosos.

 

* * * * *

 

Biscoitina continuou sua aventura, sozinha dessa vez. As fadinas partiram, mas antes deixaram um presente para ela: um pouco de pó mágico para que ela continuasse voando e facilitasse sua jornada. Enquanto voava sozinha, desviando de galhos, ouvindo os sons da floresta, Biscoitina pensava como encontraria a grande besta – isso se um dia a encontraria – afina, não havia pista ou paradeira dela. 

De repente, um cheiro familiar surgiu no ar: açúcar.

Ela voou, seguindo seu olfato, e se deparou com algo bastante inusitado. Descendo uma ribanceira, coberta por galhos e uma folhagem densa e escura, havia uma casa feita de doce, cuja chaminé soltava fumaça dando sinal que estava habitada.

 

 

Com cuidado, ela se esgueirou até a janela para tentar dar uma espiada. Ela avistou uma velha em sua cozinha, preparando uma massa com farinha enquanto no canto, um caldeirão borbulhante, mexia um ensopado... sozinho. Sim, a velha era uma bruxa e, aparentemente, não devia estar muito contente. Enquanto dobrava e apertava sua massa, Biscoitina a ouvia reclamar e resmungar. 

Ela decidiu empurrar a janela e entrar naquela casa, quem sabe a bruxa a ajudaria.

“Hmm, grande besta? Não, não minha cara, nada sei sobre essa besta, mas eu posso te ajudar de outra forma. Um maldito trasgo invade minha casa e rouba minhas tortas e eu não consigo paga-lo. Trago-o para mim, e poderei lhe fazer outro homem de açúcar.”

Por um momento, ela ficou sem responder, eufórica demais em pensar que poderia ter novamente um companheiro e para isso, bastava levar o trasgo até ela. Mas como ela faria isso? Trasgo eram criaturas bastante matreiras para serem enganadas, ainda mais por um ser simplório como ela, todavia, Biscoitina era perfeita para o plano da bruxa.

A bruxa de mamoa lançou um feitiço de tentação e sono sobre ela, assim, quando o trasgo a visse sentiria um desejo incontrolável de experimentá-la, mas após a primeira mordida ele cairia num sono profundo. Tudo o que ela precisaria fazer, seria levá-lo até a casa de doces. Para isso, o pó mágico deixado pelas fadas ajudaria bastante.

“Prove a doçura, alento por alento.

Mantenha o equilíbrio a cada pensamento.”

O feitiço fora lançado e nossa pequenina aventureira foi de encontro do infeliz trasgo. Segundo a velha, ele se escondia num mar de espinhos em um lugar remoto da floresta. Eis um dos motivos para que a bruxa não conseguisse encontrá-lo. O pequeno espinhal, além de parecer um minilabirinto, era coberto com um feitiço que poderia transformar alguém num arbusto o que, pelo visto, já havia acontecido algumas vezes devido às pequenas formas que decoravam o lugar.

Felizmente, Biscoitina conseguia trafegar sem problemas por ali. Ela encontrou o pequeno trasgo deitado num galho, comendo lentamente um pedaço de torta de amora. 

 

 

Mal ela se aproximou e o aroma sobrenatural dela invadiu as narinas do trasgo. Ele largou o pedaço de torta, como se aquilo fosse algo asqueroso e sem gosto, e pôs os olhos ávidos e famintos sobre ela. A bruxa lhe garantira que na primeira mordida ele cairia no sono, mas ela era uma bruxa afinal, então nada era garantido.

O pequeno ser saltou no ar, com os braços estirados como se tentasse agarra uma bola. Biscoitina, que nesse momento tinha dúvidas sobre esse plano, tentou esquivar do ataque, mas foi tarde demais. O trasgo caiu junto com ela e arrancou um dos botões de açúcar do frágil corpo dela. Ele mal terminou de mastigar quando caiu para trás, em profundo sono.

Naquela noite, a bruxa teria sua vingança por suas tortas roubadas.

Ela estava toda afoita e eufórica, pois estava preparando algo diferente em seu forno. Uma torta especial cujo sabor seria diferente das demais.

 


 

Após ter degustado de sua torta de trasgo, a bruxa foi até Biscoitina que esperava em cima da pequena mesa, na sala decorada de esferas adocicadas. 

“Agora minha cara, como prometido. Um homem de açúcar para você.”

A massa estava sendo preparada. Farinha, açúcar, gengibre e outras coisas mais começaram a dar forma ao pequenino companheiro. Enquanto moldava e confeitava, antes de colocá-lo no forno, a bruxa chamou Biscoitina para que ajudasse no toque final.

“Veja bem minha cara, moldar posso eu, mas quem dará a vida será você. É necessário que você deposite o seu sentimento nele, sem isso o feitiço não se completa. Molde-o e derrame toda as boas lembranças que tem e tudo dará certo.”

Receosa, ela se aproximou da forma. Lá estava ele, um pequeno novo ser, pronto para caminhar com ela novamente. Algo dentro dela batia com força. Ela não via a hora de vê-lo de pé. Ela tentou fazer conforme a bruxa havia dito, mas... algo estava errado. Não com a massa de biscoito, não com os enfeites, mas com ela.  Ainda assim ela tentou mesmo não sabendo o que estava errado. Mexeu na massa com delicadeza e transferiu tudo o que havia dentro dela para o pequenino.

O biscoito foi ao forno. Levaria somente alguns minutos para que ela o tirasse de lá de dentro. Minutos que pareceram uma eternidade, mas logo a bruxa retirou a travessa. Um pequeno biscoito, sorridente e lindo, se levantou e olhou para Biscoitina com olhos apaixonados.

Aquela sensação prazerosa havia retornado.

Biscoitina decidiu pôr um fim a sua caçada. Ela não precisava mais ir atrás da grande besta, pois finalmente recuperara o que perdera. Os dois biscoitos ficaram na casa da bruxa e passaram a ajudá-la nos afazeres e nas preparações de doces, tortas e poções.

E assim, viveram felizes para sempre!

Ou assim ela o desejou...

O recém-feito biscoito, com o passar dos dias, começou a ficar estranho. Até o sorriso que havia sido desenhado em seu rosto caíra e se tornara numa carranca. Seu olhar não brilhava mais. Seu humor era dos piores e até seu sabor, de mel e amêndoas, se tornara amargo como absinto. Ele já não se sentia alegre, resmungava e se irritava com a alegria de Biscoitina. 

Até que numa infeliz manhã, Biscoitina acordou e se deparou com algo assombroso.

Seu belo biscoitinho não era mais belo. Se arrastando pelos aposentos, estava uma coisa grotesca e bizarra. Um corpo deformado e medonho havia tomado forma e crescido naquela noite. A coisa fazia sons estranhos e, assim que viu Biscoitina se aproximar, quebrou a janela e correu de forma desesperada, deixando a casinha de doces para trás.

 


 

“Não, não minha cara. O feitiço não falhou. Quem falhou foi você.”

Biscoitina descobriu o que estava errado. Era sua alma que estava errada! Todo aquele sentimento de vingança, que tanto lhe consumira durante sua peregrinação, fora transferido para o pequeno biscoito. 

Ela aprendeu que o ódio e a raiva são como ervas daninhas: se expandem por todo seu ser e quando você menos percebe, eles corrompem tudo aquilo que você toca e mais ama na vida.

 
Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
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(Quote)
- 26/12/2019 13:33

Não jovem, foi autoral meu.

(Quote)
- 26/12/2019 00:01
Muito bom...
Porém uma dúvida, esse conto faz parte da lore?
(Quote)
- 25/12/2019 12:32

vlw man!!

(Quote)
- 25/12/2019 12:31

Esse povo adepto de Shakespeare kkkk

(Quote)
- 25/12/2019 12:31

Esse povo adepto de Shakespeare kkkk

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