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O que é uma carta de Magic?
Aparentemente a resposta parece simples, mas se olharmos a fundo veremos que as coisas podem ser bem complicadas de se entender.
22/01/2020 10:05 - 4.909 visualizações - 11 comentários
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Em primeiro lugar, esse artigo é completamente baseado no vídeo “Framing 25 Years of Magic” do Sam do canal do Rhystic Studies e você pode assistir o vídeo original aqui. Além disso o vídeo já tem mais de um ano, e eu decidi não reassisti-lo,  justamente para não me prender aqui a somente traduzir o vídeo,  e fazer  uma reflexão minha sobre o tema. Disclaimers dados vamos para o artigo.
 
Volto a fazer a pergunta do título. O que é uma carta de Magic? Alguém vai falar que é qualquer carta que foi feita pela Wizards of the Coast, mas quem nunca ouviu um amigo olhar um frame novo, ou diferente e dizer “Isso não parece uma carta de Magic.”?  Isso acontece muitas vezes porque ao longo desses quase 27 anos de jogo, as cartas de jogo mantiveram características únicas embora elas pareçam completamente (visualmente) diferentes entre si. Então vamos voltar até 1993 com o lançamento de Alpha e olhar bem de perto uma carta clássica da coleção. Vamos olhar bem de perto como as cartas dessa coleção eram feitas.
 

 
 
Antes de analisarmos essas cartas precisamos entender um conceito extremamente importante no Design Gráfico, e que ainda é muito usado quando se cria um novo frame de Magic. O confronto entre Flavor x Função. Tentarei dar um exemplo mais prático para que você consiga entender como funciona. Digamos que alguém quer abrir uma academia e vai fazer uma decoração nela. Se ele seguir na linha do flavor, muito provavelmente vai encher o lugar com fotos de gente “sarada” malhando, por exemplo. Mas até quando isso é realmente funcional? Ao mesmo tempo que isso pode transmitir uma imagem de que quem treina na sua academia fica daquele jeito e isso pode atrair alunos que têm essa meta, essa mesma sensação pode afastar alunos que não têm esse objetivo. Entendeu?
 
Com esse conceito entendido, agora sim nós podemos analisar o layout das cartas de Alpha. A intenção do diretor de arte da época, Jesper Myrfors, era de que o jogador se sentisse, através das cartas, como o jogo propunha : um mago que viaja pelo multiverso e está numa batalha contra outro planinauta, conjurando mágicas a partir de um grimório e que vão ajudá-lo a derrotar seu oponente. Ou seja, eles miraram com força no Flavor, e acertaram em cheio. Note que cada cor possui uma textura e uma caixa de texto diferente que a identificava como daquela cor e a mesma coisa para terrenos e artefatos. O problema é que da forma como foram feitas você tinha dois problemas. O primeiro é a falta de uniformidade enquanto a segunda é que elas tornam algumas informações difíceis de serem lidas como os custos de mana, tipo, e nome do artista.
 
Com o pensamento de tentar consertar esses problemas, tornando as cartas mais funcionais para jogo, e se aproveitando de um problema na gráfica que imprimia as cartas, a Wizards of the Coast decidiu, com o lançamento de 8a edição, lançar um novo frame paras as cartas.
 

 
 
Nesse frame novo, o espaço para a arte foi aumentado, foram criados caixas de texto para o nome, tipo, poder e resistência, além de uma mudança de fonte e na textura do fundo das cartas e das caixas de texto. Isso fez com que a maioria das informações que antes eram quase ilegíveis ficassem bem claras, além de criar uma uniformidade bem maior entre as cartas, o que facilita tanto o design como a impressão. Contudo, apesar das cartas serem mais funcionais do que as antigas, à época houve uma reclamação generalizada da base de jogadores com a desculpa que esse frame “não parecia com Magic”.
 
De fato, a mudança nos frames de Magic foi bem abrupta. Havia um tipo de arte que ia fortemente para o lado do flavor e de repente passa-se a ter uma preocupação muito grande com o que era funcional. É normal que haja estranheza, contudo, esse frame manteve uma das características principais que praticamente define o que é uma carta de Magic. A composição das 5 faixas horizontais. Como assim?
 
 

 
 
Perceba que em ambas as cartas, todas as informações das cartas estão bem divididas em 5 faixas horizontais, sendo elas: 
 
1- Nome e custo de mana
2-Arte
3- Tipo 
4- Texto da carta ( e P/R para criaturas)
5- Autor da Ilustração
 
 
Essa característica é tão forte e definidor que frames que a ignoram simplesmente falham, sendo o maior exemplo o frame utilizado na coleção Future Sight. Contudo, eu vou falar sobre mais alguns frames como o de Future Sight, Planeswalkers,M15 e Criaturas Lendárias Pós-Dominaria  na próxima parte desse artigo. Então vejo vocês na próxima.
Miguel Augusto Camarano ( MCamarano)
Miguel Augusto Camarano de Oliveira, ou somente Camarano, nasceu e mora em Goiânia-GO, é estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás começou a jogar Magic em 2017. Jogador de praticamente todos os formatos, é um apaixonado pela groselha, gosta do aspecto competitivo do jogo. Podcaster e Youtuber busca mostrar como o Magic pode ser impactante na vida das pessoas
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 24/01/2020 12:10
#parte2
(Quote)
- 23/01/2020 22:36
Eles bem que poderiam fazer uma edição estilo Future Sight dando um jeito de misturar o frame novo com o antigo. Ia ser bonito.
(Quote)
- 23/01/2020 22:13
Caramba, que interessante. Espero pela continuação
(Quote)
- 23/01/2020 08:45
Gostei bastante do assunto, e ansioso pela continuação. Parabéns!
(Quote)
- 23/01/2020 07:36

Faço das suas, as minhas palavras.

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