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A Fórmula do Controle Atualmente
Os decks Controle de alguns anos para cá compartilham algo que os "clássicos" de antigamente não tinham...
17/02/2020 18:05 - 10.253 visualizações - 12 comentários
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Olá! A entrada do Azorius Control e do Temur Reclamation, como Tiers 1 no atual Standard trouxe a tona em grupos e na stream uma reflexão sobre a forma com que os baralhos Controles tem jogado no Magic atualmente, um tema que julguei interessante de ser trazido de forma mais teórica e organizada como um artigo. Essa reflexao acaba por ser aplicável a mais de um formato, em menor ou maior grau, e com isso foi possível observar no que esses decks acertavam para que fossem competitivamente viáveis, chegando assim em uma certa "fórmula" para que esses Controles se tornassem arquétipos bem-sucedidos.


Comecemos pela definição clássica: o que exatamente significa um deck de Controle? Como o próprio nome diz, ele quer "controlar" o ritmo do jogo, com remoções, anulações, descartes e globais (interação num geral), para então conseguir vantagem de cartas (compras, planeswalkers, 2x1s) até o ponto de exaustão dos recursos do oponente, e aí finalizar passa a ser uma questão de mera formalidade. Para os jogadores mais antigos, a primeira associação quando pensamos em Controle são decks como os Mono Blues com Morfolideo, Contramagica e Sussurros da Musa, ou então Dimir com Psicatogue, Fato ou Ficcao e Sublevacao.

 

Dimir Psicatogue
6906 visualizações
13/02/2020
R$ 128,67
R$ 371,41
R$ 6.843,64
6906 visualizações
13/02/2020
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (8)
4  Familiar de Nightscape  0,75
4  Psicatogue   0,34
Mágicas (28)
3  Édito de Chainer  8,99
4  Contramágica  2,24
3  Lapso de Memória  0,10
3  Desejo Astuto  12,60
3  Lógica Circular  1,45
4  Repulsa  0,08
3  Análise Profunda  0,20
3  Fato ou Ficção  0,50
2  Sublevação   1,62
Terrenos (24)
1  Catacumbas de Darkwater2,75
2  Coliseu dos Cefálidas5,99
10  Ilha0,00
3  Pântano0,00
4  Pântano Salgado0,20
4  Rio Subterrâneo4,99
60 cards total

Sideboard (15)
3  Abdicação Forçada 0,66
4  Coagir 0,05
1  Escoadouro de Mana  0,07
1  Expurgo do Caixão 0,08
1  Contestação  0,07
1  Resposta de Teferi  1,27
1  Hibernação  0,26
1  Matar  0,10
1  Recuo   0,25
1  Fato ou Ficção  0,50

 

Porém, no decorrer dos anos, a filosofia de desenvolvimento dos cards trazendo ameaças/criaturas mais fortes em prol das respostas/mágicas (que foram ficando cada vez mais fracas) acabou em muitos momentos pendendo a balança demais para os decks proativos, jogando os Controles para escanteio em alguns formatos até mesmo ao ponto de torná-los inviáveis dependendo do que o restante de um dado formato estivesse interessado em fazer.


Criaturas com ímpeto, lampejo, resistência à magia, "não podem ser anuladas", recursividade, planeswalkers de pouco custo, veículos e manlands, presentes cada vez mais em maior quantidade praticamente extinguiram o clássico Controle "draw-go", que estabilizava a primeira onda de ameaças, mantinha o fluxo de respostas 1x1 através de compras de cartas e eventualmente, quem sabe, ganhava a partida no turno 30 quando o oponente já não tinha mais nenhuma capacidade de reação.


Quem jogava dessa maneira, acabava sendo sumariamente punido por todos os ângulos de ataques diversificados que os decks proativos passaram a apresentar. Inúmeras vezes o Controle conseguia responder as ameaças iniciais até o turno 5 ou 6, manter-se a uma quantidade elevada de vida, só que não conseguia finalizar a partida logo. Isso dava chance para topdecks poderosos que poderiam virar o jogo, especialmente nos momentos em que não tinha a exata interação correta para uma ameaça resiliente ou fora da curva (fenômeno que vi acontecer inúmeras vezes em partidas de Mono Red ganhando o late game depois de ter o começo estabilizado graças a um Frenesi Experimental encaixado num momento ideal contra os Controles cheios de remoções e ganhos de vida, como Juramento de Kaya).


Para manter-se relevante competitivamente, a fórmula do Controle teve de se adaptar. Ainda é necessário ter interação rápida, remoções globais e formas de ir trocando recursos 1x1? Com certeza, ou aggros leves poderiam simplesmente passar por cima curvando uma mão mediana. Mas ao invés de querer fechar o jogo no super late game, com uma inevitabilidade que talvez hoje não seja real por parte desses baralhos em alguns matchups, eles controlam somente o necessário para "virar a chavinha" em um ou dois turnos com alguma bomba, não dando o tempo para que o oponente ache uma forma de voltar à partida quando teve asfixiado seu desenvolvimento inicial.


O que nos leva de volta ao Azorius Control e ao Temur Reclamation do Standard de agora. Cartas como Absorver, Estilhacar o Ceu e Feretro de Vidro são o clássico do Controle azul e branco, só que ao invés de ganhar lá pra frente com alguma kill condition lenta e dolorosa como Meseta Sagrada ou Fabrica de Urza, Arrasta-sonhos ganha em alguns poucos ataques. O Temur é um caso ligeiramente diferente, já que se enquadra mais na categoria Control-Combo, mas em muitas partidas a postura dele é simplesmente interagir com Gigante Esmaga-ossos // Pisar, Caloteiro Descarado // Pequeno Furto e Ira da Tempestade, progredindo com Expansao // Explosao para valores mais modestos até de fato finalizar com uma maior ou Uro, Tita da Ira da Natureza.

 

Outros gloriosos Controles mais recentes jogavam de forma similar: o Jeskai Control da época de Guildas de Ravnica finalizava com Dragonete Fagulhante e Niv-Mizzet, Parun, que quase sempre só precisavam desvirar um turno. Mesmo o Esper Control que matava com o -3 de Teferi, Heroi de Dominaria voltando para o próprio deck conseguia "lockar" o oponente pra fora do jogo rapidamente com o auxílio do próprio emblema do mesmo, e de Teferi, Manipulador do Tempo, Narset, Rasgadora de Veus e Busca por Azcanta nos turnos médios do jogo, ao ponto de que o oponente sabia que ele não iria competir nem escolhendo todas as fases de compra, uma vez tendo sido controlado.


Durante o período de Kaladesh no Standard, existiram também variações de Azorius Control e Izzet Control que buscavam a interação rápida através de Desautorizar, Raio Domesticado e Assentar nos Destrocos, como um Controle clássico, mas que "viravam a chavinha" rápido através de Mecanotita Torrencial, principalmente quando vinha em múltiplos acelerando o clock "na porrada". Algumas versões de ambos esses baralhos jogavam até mesmo com Lyra, Portadora da Alvorada e Kefnet, o Consciente, trazendo mais formas de agredir pelos céus nos turnos médios do jogo ao invés de arrastá-lo.


Muitas partidas que os Controles vêm vencendo atualmente dependem diretamente dessa capacidade de virar a chavinha rápido, muitas vezes em cenários onde somente esses cards seriam capazes de fazê-lo. Por exemplo, durante a semana passada durante a minha partida de Azorius Control contra o Rudá de Rakdos Sacrifice pelas oitavas-de-final do Lendas do Magic (transmitido pelo meu canal na Twitch), eu estava em uma situação complicada para estabilizar um game 3 contra Forno da Bruxa + Familiar do Caldeirao drenando todos os turnos, Ceifador da Meia-noite e Castelo de Locthwain repondo os recursos dele, e Andarilho das Aflicoes recursando do cemitério, o que tornaria impossível de fato "estabilizar" a partida - foi preciso vários ataques de gigantes voadores, vínculo com a vida, resistência a magia e que compram cartas para conseguir vencer o jogo.


Vale lembrar, também, que nem tudo são flores. Embora o prejuízo ao usar esse tipo de permanente mais focada em fechar o jogo rápido seja ínfimo, ele é existente em alguns cenários. Comparado a um Planeswalker ou kill condition mais gradual, que são muitas vezes mais úteis para estabilizar e controlar uma partida ainda em aberto, esse tipo de bomba como Arrasta-sonhos ou Mecanotita Torrencial nem sempre é rápido, impactante ou resiliente o suficiente - ao contrário de um Eterideo ou Golpe de Genio, é plenamente possível perder uma partida onde exista supremacia de recursos por parte do Controle, mas o oponente foi capaz de encaixar as interações certas nos momentos certos nos bichos.


E quanto a vocês, leitores, concordam com a teoria da "Fòrmula do Controle" atualmente? Como enxergam esses decks no metagame de hoje, e nos recentes Standards? E nos outros formatos, como Modern e Pioneer? É esse realmente o tipo de abordagem que tornou possível a esses decks aparecerem no Tier 1 dos formatos? Deixem suas respostas nos comentários!


Abraços e até a próxima!

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Matheus Akio Yanagiura ( sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como Sandoiche, começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está sempre na vida do grind dos torneios, com destaque para o título do CLM 10 Modern, o maior realizado até então, e o Top 16 no Grand Prix São Paulo 2018. É um entusiasta do Magic competitivo e totalmente dedicado à produção de conteúdo referente ao jogo, publicando artigos periodicamente desde 2012, colaborando para o Blog da LigaMagic desde 2015 e atualmente produz vídeos em seu canal no YouTube Sandoiche's Grind e streama ao vivo regularmente na Twitch.
Redes Sociais: Facebook, Twitter
Comentários
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- 20/02/2020 16:04
Vejo hoje que a fórmula do controle incorporou muito dos aspectos do que hoje se chama de midrange. O BBD tem um artigo na SCG muito legal chamado "Beating control with midrange" que basicamente define as nuances dos dois arquétipos, e como eles se conversam. Essa estratégia de responder a recursos, jogar na defesa e depois descer um bichão é bem o que decks como o Jund Modern fazem, e o saudoso Monoblack Devotion do Pack Rat fazia no T2 da sua época.

Vejo que no futuro, com o aumento mais gradual do powerlevel das criaturas, veremos o controle usando cada vez mais esta estratégia. Isso se não decidirem criar mais planeswalkers de 2 manas roubados (Coleção do Teferi vindo aí ein....).
(Quote)
- 20/02/2020 09:19

Gearhulk deixou saudades. Gostava mais do controle com uma criatura com flash. Aquele jeskai flash da epoca do kaladesh era muito bom de jogar

(Quote)
- 19/02/2020 01:04
eu concordo, tenho jogado no arena no rank gold com o azorius controle e os decks mais dificeis de ganhar são justamente os que jogam antes do turno 4, pois a partir do turno 4 eu tenho como jogar e controlar, mas até lá se eu estiver com 5 de vida fica complexo controlar o jogo. Uma boa resposta que encontrei foi controlar com a Caloteiro Descarado // Pequeno Furto, ela ajuda muito controlando o board e ainda complementando no ataque com a esfinge e o pegasus.
(Quote)
- 19/02/2020 00:16
A moda do verão. Esse arconte e um mentor do monastério no standard.
(Quote)
- 18/02/2020 21:19
Acho que tem razão quanto ao ficar esperando vir o finisher, atualmente com decks como monored, Gruul, Monoblacks, decks agressivos como esses, acabam por encontrar uma forma de conseguirem finalizar enquanto você espera aquelas 2 ou 3 cópias de um finalizador.
Concordo com o comentário do Luizfm, que vemos nesse azorius control várias maneiras de encontrar as respostas e também de buscar a virada da chave, de uma maneira mais rapida, do que simplesmente comprar carta por carta.... Essa recursividade de filtrar o deck, de selecionar o topo, cavar o deck, hoje é muito do poder desse control.
E Dream Trawler fecha muitas vezes a porta do jogo na cara do oponente, quase que não havendo muito o que ele possa fazer.
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