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Com que Deck jogar
Escolher o deck é uma arte complexa, entenda as maneiras de facilitar tal decisão
25/02/2020 10:05 - 7.844 visualizações - 12 comentários
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Fala meus campeões mundiais, tudo bem por aí?

 

Esses dias mesmo eu estava conversando com um amigo sobre como a escolha de um deck é o primeiro passo para ir bem num torneio. Saber jogar é importante, entender alguma coisa de regras também, no entanto, se você levar uma faca para uma briga de armas, suas chances de sair ferido à toa são gigantescas.


Quando comecei a jogar torneios competitivos, há 10 anos atrás, o Coreia(grande jogador de Magic e representante da seleção brasileira na qualificatória de inverno de Heartstone em 2016, além de ser meu tutor de Death and Taxes) me mostrou que masterizar um deck te dava inúmeras vantagens em um torneio. Você fazia jogadas que grande parte dos oponentes não tinham ideia que seriam possíveis, extrai todo o potencial do baralho, tornando as matchups “impossíveis” muito mais ganháveis do que parecem. Em contrapartida, jogar com o “melhor” deck do formato te garante muitas vitórias fáceis e, em alguns casos, acaba sendo um deck difícil de hatear, tornando até os jogos sideados mais simples, garantindo vitórias menos complicadas, aliviando o stress num torneio de 8+ rodadas, um descanso importante para quem pretende fazer um bom resultado.

 

Como bom ansioso eu sempre ficava dias(ou semanas) me indagando qual a melhor opção para o próximo torneio importante e a experiência me ensinou quais as vantagens e desvantagens de se escolher um deck que você masterizou mas não necessariamente é tier 1, ou de ir com algum Tier 1 para o torneio. Vou considerar que você consiga escolher praticamente qualquer deck do formato que for jogar, apenas para facilitar o pensamento, mesmo sabendo que isso não é a realidade de muita gente que joga.

 

               ● Decks que temos boa experiência:

 

Masterizar/Dominar um arquétipo determinado te traz muitas vantagens. A mais óbvia é que você terá o conhecimento específico na hora de tomar decisões durante a partida. Nenhum jogo de Magic é idêntico ao outro, mas algumas situações são bem similares, a memória pode nos ajudar bastante em saber se é melhor dar um Raio numa Hierarca Nobre turno 1 de um Devoted Devastation ou guardar para uma das peças do combo.


Uma coisa que gosto muito é de surpreender, quando você joga com algo não-tier 1, é bem possível que seu oponente não entenda sua estratégia principal ou não tenha cartas de side muito efetivas, gerando umas free wins mesmo em partidas mais complicadas.


Quem masteriza sabe tirar “leite de pedra”, sabe exatamente qual é a jogada que faz a sua pior matchup perder o jogo, assim é possível pegar oponentes desprevenidos e levar partidas 99-1 como se fossem 50-50.


Vou bater na mesma tecla, mas é realmente muito importante o sideboard adversário não estar focado em seu deck, a diferença entre tomar uma Mago Fulminador e um Ruir em Po quando se está de big mana pode ser a diferença entre ganhar e perder. Isso também é válido para cartas que não são direcionadas contra você especificamente, mas que são mais efetivas, como Lodo Necrofago invés de Resistir a Tempestade contra Burn.


Nem só de vantagens vive o magiqueiro, não é mesmo? Jogar de Rogue tem sim seus problemas.


Não escolher um Tier 1 geralmente quer dizer que seu deck deve depender mais de sinergias do que de poder individual das cartas, resultando em alguns jogos onde seu deck tem um power level muito inferior ao do oponente, tornando cada carta feita pelo adversário um real problema enquanto você precisa fazer o dobro ou triplo de recursos para se sobressair na partida.


É fato que a maioria dos seus oponentes não terá um sideboard focado no seu deck, todavia, existe o famoso Splash Damage. Se seu deck é agressivo, você vai tomar aquela Furia dos Deuses que não estava destinada à você, mas que servirá perfeitamente. Ah, você está com algum deck maluco de cemitério? Jaula do Escavador de Tumulos não estava lá para você, mas vai te pegar da mesma maneira.


Jogar com um deck que não seja Tier 1 não é ruim, de maneira alguma, só entenda que ele não é tier 1 por algum motivo, e geralmente é por ter cartas de power level menor que os decks melhores posicionados no meta. Elfos pode ser um deck consistente e até mesmo gerar uma kill virtual turno 3, mas tomar splash damage de todos os sides anti-aggro do formato impedem o deck de estar melhor posicionado.  


Nem sempre seu Pet deck estará bem posicionado, caso ainda queira jogar com ele, é possível fazer algumas mudanças no sideboard para se adequar melhor ao field, provavelmente utilizando cartas mais poderosas contra os Top Tier decks invés de cartas mais abrangentes.


O maior problema é quando o seu pet deck ou que você pensa ter masterizado não é um deck que você conheça de cima a baixo e de ponta cabeça. O que você pode fazer neste caso é consumir muito material sobre o baralho(artigos, vídeos, etc) e ver se compensa ir com um deck onde você não está 100% invés de ir com um Tier.

 

 

                ● Jogar com o “melhor” deck:


Jogar de Tier 1 pode ser só alegria! Diversas Free wins, cartas poderosas individualmente e bem resiliente.


Existe um motivo para o deck estar bem posicionado, e geralmente é graças ao poder de suas cartas. Como vemos em metagames passados, Tron, Urza e UW Control ganhavam de grande parte dos oponentes por serem baralhos poderosíssimos e, em alguns casos, difíceis de serem parados por apenas um hate.


Diversas vezes, mesmo com um dos melhores decks do formato, é possível que você enfrente adversários que não entendam exatamente como o baralho executa seu plano, vide KCI, e assim, mesmo jogando com um deck muito visado, você ainda terá o fator surpresa de uma jogada inesperada por alguém menos preparado.


Tier 1 muitas vezes quer dizer que seu sideboard pode ser direcionado apenas às partidas mais problemáticas invés de ter que ser abrangente como um deck Tier 2 ou 3. Assim você economiza slots no side e ganha espaço para um possível sideboard transformacional ou aquela cartinha que te salva contra sua pior bad matchups.


Já jogou com um deck que tomava diversos hates e ainda assim ganhava? Então, alguns Tier 1 conseguem operar assim, como vimos o finado Simic Urza, KCI e, em alguns fields, até mesmo o Green Tron. Pode ser que sua escolha seja este deck tão resiliente que torna “inútil” o hate adversário se não for combinado com outras cartas(ex: Trasgo Colecionador + Gaddock Teeg contra Tron).


Claro que a grandeza tem seu custo. Quanto maior a evidência do seu deck no formato, maior a chance de pessoas virem com muito hate e bem pesado, de uma maneira que, dependendo do seu arquétipo, você tenha uma nightmare matchup post board contra quase todo o field(ex: decks de artefato contra oponentes que carregam muito o side de Trasgo e efeitos de quebra artefato). Sim, uma das principais vantagens(ter um deck que pode superar hate) pode, invés disso, acabar sendo uma das piores desvantagens. Até porque, se o adversário quiser sobrecarregar no hate você provavelmente perderá mesmo com um deck resiliente.


Outra coisa que acontece com decks Tier é que, vez ou outra, aparece um baralho FOCADO em destruir a estratégia deste tier(Decks com hate maindeck na forma de Lua Sangrenta, Trasgo e às vezes até alguma coisa mais direcionada como Esfera Amortecedora), algo que não acontece com os “série B” já que são pouco representados no meta e não compensaria ir com um baralho para desmantelar algo que você talvez não enfrente nenhuma vez em 15 rodadas.

 

Ok Orelha, até entendi os motivos de escolher cada tipo de baralho, mas isso não me ajudou a fazer a ESCOLHA FINAL, comofas?

 

               ● Utilizando a lógica:

 

Imaginando uma pool bem boa de cartas para montar decks, eu tenho algumas dicas para facilitar a escolha.

 

  • ●  Existe algum deck no formato que você realmente tenha masterizado? Ou apenas algum deck que você se sente mais confortável que o Tier?

 

Jogar com algo que nos sentimos confortável é bem importante sim, mas não deixe isso te cegar quando há opções melhores a serem escolhidas. Pondere sobre o seu nível de habilidade com o deck Rogue sobre o Tier e a probabilidade de ser “carregado” pela força do baralho.

 

  • ● Qual a probabilidade do deck Rogue ser mais afetado por hate incidente que o hate  direcionado do Tier?

 

Como vemos atualmente no Modern, o Dimir Urza é um deck muito consistente e existem poucas opções relevantes de hate contra o deck neste caso, você jogar de Burn ou Mono Red Prowess quer dizer que provavelmente encontrará cartas de sideboard mais potentes contra você. Então mesmo com o conhecimento do baralho, a rota da “vitória fácil” talvez seja a melhor.

 

               - O quanto você vai se cobrar?


Escolher o deck é uma das partes mais difíceis de um torneio, e ir de Mono Green Saprófitas ou 5 Colors Aggro faz diferença mesmo antes do jogo começar. Não importa qual seja seu resultado final, não se cobre pensando que a outra versão seria melhor, acredite, já fiz muito isso. Entenda quais foram seus erros de deckbuilding e tente melhorar para a próxima. Por mais chato que seja perceber que a sua segunda opção de deck se daria melhor, pense que poderia ser ao contrário e que você ainda ficaria no mundo da fantasia pensando em quantas free wins teria com o deck que não levou para jogar. Foque no que importa! Seu resultado é uma mistura de escolha de deck, estudo do deck, uma boa mentalidade para lidar com os erros e adversidades e claro, uma pitadinha de sorte.

 


Evite pensar apenas sobre good matchups e bad matchups, no fim do dia, com um draw médio, você ainda consegue fazer muita firula. Não fique culpando apenas o azar, sempre vamos perder por alguma adversidade, e NINGUÉM joga perfeito o tempo todo. Entendendo como funcionam as matchups você já estará bem posicionado, capitalize no erro do adversário para tornar a jogada dele um trampolim para a vitória.


Eu gosto de me sentir seguro jogando com um deck, portanto geralmente vou para o deck que estou masterizado, mas vez ou outra o deck que eu domino não está bem posicionado então tenho que escolher entre 3~4 decks que não tenho tanta experiência, é aí que vou para o que se adequa melhor para meu estilo de jogo(este report representa muito bem isso).

 

Não importa sua escolha, o que importa no final é seu preparo e como vai lidar com o resultado, seja 5-0 ou 0-5. Magic é um jogo maravilhoso, nunca se esqueça de se divertir enquanto joga!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Aficionado por Legacy, sempre que pode joga com decks que matam com terrenos e não dispensa uma ativação de Vial no passe.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 01/03/2020 10:56
Grande artigo, as usual, Brunão! Eu sou do time "Masterizado" tb, só mudo de vez em nunca pra fazer uma graça e dar uma bagunçada no field kkkkkk.
(Quote)
- 27/02/2020 14:02

Brigadão mano!


Ter habilidade com multiplos decks é bem relevante sim, principalmente para mudanças de última hora.


Valeu!


Brigadão por sempre acompanhar os artigos!


Valeu!


Brigadão Alex!

(Quote)
- 26/02/2020 12:55
Que artigo!!!
Parabéns Orelha, por mais um excelente artigo!
(Quote)
- 26/02/2020 10:21
Muito bom! Gostei demais do artigo.
(Quote)
- 25/02/2020 22:27
Expetacular artigo!
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