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O PRIMEIRO DEUS
Uma jornada pelas deidades do Multiverso
28/02/2020 10:05 - 9.595 visualizações - 35 comentários
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“Do vácuo surgiu Phyrexia. O Grande Yawgmoth, Pai das
Máquinas, viu sua perfeição. E assim começou a Grande
Evolução.”

 

- Escrituras Phyrexianas

 

 

Olá amantes dos deuses.


Com o retorno a Theros fomos apresentados a novas entidades e antigos deuses que reapareceram para nos trazer nostalgia e avivar nossa fé. Semideuses se ergueram para travar as batalhas homéricas e seres do submundo escaparam do chicote de Érebo.


Então, aproveitando que todos voltaram a ser devotos, gostaria de fazer uma pergunta a vocês: quem foi o primeiro deus no Lore do Magic?


Os deuses, como cartas, foram introduzidos pela primeira vez em Theros e depois nos deparamos com novos e bem diferentes deuses em Amonkhet – deuses que caminhavam lado a lado com humanos – e isso abriu um leque de possibilidades para o Multiverso, uma vez que agora sabemos que seres divinos podem surgir em qualquer lugar.


Antes de respondermos a nossa pergunta, vamos apenas explicar a diferença entre os deuses de Theros e Amonkhet.

 

THEROS


 

Os deuses de Theros surgiram da necessidade humana. Surgiram graças à devoção que o povo teve a algum determinado ser e essa devoção fez com que aquela criatura ascendesse ao patamar de deus.


A prova disso é Xenagos que antes era um planinauta e subiu ao panteão de Theros pela força da fé de seu povo. Em outros casos, meros mortais ascenderam e se tornaram divindades como o próprio deus da enganação, Fenax.

 


 

Em Theros, os deuses nasceram da fé, devoção e oração

 

AMONKHET

 


 

Em contrapartida, os deuses de Amonkhet são manifestações das Linhas de Força do próprio plano. As Linhas de Força – às vezes chamadas de Linhas de Mana – são antigos caminhos do mana que fluem e se cruzam através de uma determinada paisagem. Todos os planos possuem uma cadeia de linhas de força.


O que aconteceu em Amonkhet foi que essas Linhas de Força se coalesceram e, de alguma forma, criaram vida resultando no nascimento dos 8 deuses. Chega a ser irônico o contraste gritante que os deuses de Theros possuem dos de Amonkhet. Enquanto que em Theros, deuses brincam com os humanos subjugando-os de força sádica, em Amonkhet os deuses fazem parte do cotidiano do povo. Caminham e se fazem presentes, dando o ar da graça, fortalecendo o coração das pessoas.


O que deveria ser o contrário, já que os deuses de Amonkhet não precisam dos mortais para se manterem no poder ou ascender. Neles vimos verdadeiras manifestações de afeto, tudo bem distante da tirania e vaidade do panteão de Theros.

 

FALSOS DEUSES


 

Também não podemos nos esquecer que houve falsos deuses sendo adorados por aí.


Em Zendikar, os tritões adoravam Ula, Emeria e Cosi, falsas divindades que acreditavam terem sido os criadores do plano.


Ula era a divindade dos mares. Entre o povo Kor era conhecido como Mangeni, deus do mar e o sangue do mundo. Ele era conhecido como a maior divindade e era visto como severo, orgulhoso e criador dos mares. Suplicantes costumavam oferecer conchas e pérolas a ele. Em ambos os povos Ula era visto como do sexo masculino.


Emeria ou Em era a divindade dos céus, ventos e nuvens. Entre o povo Kor era conhecida como Kamsa deusa do vento e fôlego do mundo. Emeria era conceitualizada como um ser angelical – um refúgio imparcial num mundo perigoso cujo aréola significava esperança.


Cosi, o deus trapaceiro, era a divindade dos reinos da terra. Entre o povo Kor era conhecido como Talib deus da terra e corpo do mundo. Tritões comuns não ofereciam oferendas aos pés da estátua de Cosi, chamando-o de deus proibido. Entretanto, ele era adorado em segredo por crianças os trapaceiros indescritíveis que estavam dispostos a violar as regras normais para o benefício da tribo. Em ambos os povos Cosi era visto como do sexo masculino.


Bem, o final dessa história todos já sabemos...

 

Deuses???


 

Mas antes de todo esse politeísmo surgir, nós já adorávamos certos seres divinos de extremo poder no Multiverso.


Planinautas!


Ainda me lembro a primeira vez que li o flavor text da carta Ornitóptero (meados de 1998) que falava sobre talvez terem sido as primeiras tentativas de criação de vida artificial de Urza. A primeira coisa que eu pensei com aquela frase era que Urza era um deus – não que estivesse errado – mas o imaginei como uma divindade. Naquela época, ninguém nem fazia ideia do que era um planinauta.


Os planinautas pré-emenda eram, de fato, adorados como deuses. Como eram seres de poder quase infinito, os mortais costumavam confundi-los com deuses. Estes, quase, foram os primeiros deuses que tivemos contatos no mundo de Magic.

 

● Serra sendo adorada por seus anjos e humanos;

● Freyalise era adorada pelos elfos e seres de Llanowar como a dama da floresta. A voz das matas, deusa que rompeu o eterno gelo imposto por Urza;

● Leshrac era adorado pelo necromante Lim-Dúl durante a Era Glacial;

● Em Mercádia, o dragão mecânico, Ramos, era tido como uma divindade e adorado pelos rebeldes e tritões.

●Nas terras sombrias de Phyrexia, o antigo povo Thran adorava Yawgmoth como Pai das Máquinas, mesmo que ele nunca tenha criado nenhum plano ou tivesse – até aquele tempo – o poder que veio a ter futuramente;

 

Se os planinautas não foram os primeiros deuses, então quem foi?

 

Na verdade, não houve um primeiro deus, mas deusa.


Sim, a primeira real divindade que foi nos apresentada – mesmo sem sabermos - dentro do Lore de Magic foi uma deusa.


A deusa do mundo. A deusa de Dominária.


Géia.

 

 

A princípio, o nome Géia era utilizada para simbolizar coisas relacionadas à natureza. Era uma forma genérica de mencionar a natureza em Dominária e para isso, Wizard utilizou-se do nome da antiga entidade grega que representava a Terra – Gaia – fazendo esse mesmo paralelo em Dominária. Geia seria a Mãe Terra ou Mãe de Dominária.


Como o nome original era Gaea e era traduzido por Géia, a associação era inserta, pois somente em 8ª edição é que a tradução de Gaea se tornou Gaia acabando de vez com essa dúvida.


Então Géia ou Gaia – utilizarei Géia porque sou arcaico – foi a primeira entidade que o Lore trouxe para o Multiverso.


Embora seja a primeira deidade, pouco se sabe sobre ela e o que sabemos, não possui confirmação da atual linha de pensamento da Wizard, visto que muita coisa antiga não é mais canônica, e por isso tentaremos explicar as duas vertentes da sua definição como deusa.


A primeira teoria teológica sobre Géia é a que mencionei logo acima. Como o Lore somente veio surgir anos após as coleções, o nome era utilizado para simbolizar cartas verdes representantes da natureza.

 

 

Devemos levar em conta que tudo era recente e novo na empresa. Eles não possuíam a estrutura de hoje e, talvez, nem sabiam se criaram seu próprio panteão de deuses, dessa forma optaram por usar uma deidade que já existia tornando fácil a criação de cartas verdes ou até mesmo atrair jogadores visto que crenças e movimentos simpatizam com a ideia de uma Mãe Terra.


Segundo essa vertente, Géia é a protetora de Dominária e sua criadora assim como dos elfos e druidas que a adoram. Segundo o mito dos elfos de Yavimaya, Géia foi a mãe dos elfos que os trouxe à vida.

 

 

Essa vertente possui pouco embasamento devido as suas origens. A primeira delas é oriunda do livro The Myths of Magic que traz um pequeno conto chamado The Lady of The Mountain. O conto traz a narrativa de Fiers – um anão que era reverenciado como um deus pelos anões de Dominária e pelos povos bárbaros do continente de Otária – que ajudou Géia a criar o mundo. Ele criou os anões e ajudou a criar a The Lady of The Mountain.

 

 

Entretanto, poucos anões que não sejam de Otária aparecem no conto. Fiers é continuamente mencionado por Balthor e Jeska em seus discursos indicando que eram seguidores da divindade ou que talvez o nome fosse comum em sua cultura tribal.


A novela de Flagelo – que traz a ascensão de Karona – fornece mais informações conflitantes. No livro, é dito que Karona transplanou para Phyrexia e Yawgmoth disse que ela era a única e verdadeira deusa de Dominária, porém aí está uma das maiores incógnitas do Lore de Magic, pois até hoje ninguém consegue atestar se o encontro realmente aconteceu ou se Karona estava delirando. Isso se dá pelo fato de que Yawgmoth já estava “morto” e Phyrexia destruída pelos Nove Titãs.


Além de Yawgmoth, Karona convocou Fiers nesse encontro o que, pode ou não, embasar a crença que o deus dos anões ajudou Géia na criação de Dominária. Todavia, a comunidade de fãs não considera esse encontro de Karona algo real e por isso não é debatido até hoje.


E também precisamos levar em consideração que Fiers é uma narrativa pré-revisionista. O que seria isso? Tudo aquilo que foi publicado ante do advento da saga do Bons Ventos em 1997 pode ser invalidado por não ser canônico.

 

 

A segunda vertente teológica nasceu de uma crença pessoal.


Deuses nasceram da necessidade dos mortais. Eles subiram ao panteão graças à oração e fé e com Géia, aparentemente, não foi diferente. Contudo, a fé que tornou o mito em verdade não surgiu de um mortal, mas sim de um imortal.


Yawgmoth, Pai das Máquinas!


Na trilogia de Invasão, constantemente vemos Multani clamando à Géia. Não somente ele era fiel seguidor da deusa do mundo, mas o antigo povo da extinta Argoth acreditava nela e ainda possuía uma porta-voz: Titânia.


Foi somente durante a Invasão Phyrexiana que vemos Géia ouvir as orações dos fiéis. Quando os Phyrexianos invadiram Yavimaya, Multani liderou as tropas na batalha pelo Túmulos Mori, mas o povo da floresta estava sendo massacrado pelas hordas. Em seu desespero, Multani clamou.


E Géia ouviu sua prece.


Dos Phyrexianos caídos, Géia ergueu criaturas para derrotar as tropas de Phyrexia. Phyrexianos lutavam contra Phyrexianos, mas esses foram transformados pela deusa da floresta.

 

 

Géia estava viva e lutando por Dominária!


E enquanto a deusa lutava num plano, Yawgmoth a sentia em Phyrexia. Como eu disse, essa vertente, embora também pode não ser canônica, é a vertente que Yawgmoth acreditava. Segundo o Pai das Máquinas, Géia era Rebbec, seu antigo amor quando ele ainda era um humano no império Thran.


Eu não pretendo narrar a história deles aqui. Caso você tenha curiosidade pode lê-la AQUI

 

Yawgmoth acreditava que, assim como Phyrexia o transformara em um deus, a destruição do império com a explosão do mana branco a transformou numa divindade.


“Uma mudança de essência, uma mudança de nome, e a mortal Rebbec se tornou a imortal Géia.”


Essas informações estão contidas no último livro da trilogia, Apocalipse, e retratam Yawgmoth alegando que Géia nada mais era do que sua antiga amada que ainda o impedia de invadir Dominária, assim como selou o portal para Phyrexia durante a queda dos Thran.

 

 

Parece que teremos que esperar um Lore novo e canônico para descobrirmos realmente quem é Géia. Ambas as vertentes são duvidosas: uma é baseada na visão de um ser insano enquanto a outra é baseada nos resquícios de sentimentos de um homem. Mas embora não saibamos de fato como nasceu Géia, sabemos que ela foi e ainda é a primeira entidade adorada e em Dominária.


Antes de planinautas que exigiam adoração, antes de deuses patéticos e vaidosos como
de Theros e Amonkhet, Géia existia e protegia seu povo.

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
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Comentários
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- 05/03/2020 13:30

Este artigo é sobre a suposta primeira divindade do universo de Magic, sugiro então um artigo mais amplo sobre a religião em suas variadas formas nos diversos planos de Magic.

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- 02/03/2020 20:01

Bem aí é mais complicado porque parte da teologia e mitologia do Magic, então quem decide é a equipe deles de Lore.

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- 02/03/2020 09:40

Putz, falou mesmo. Desculpe o vacilo.
É nisso que dá ler os artigos no horário de trabalho. rs

Mas aí levanta uma questão filosófica: O que define a divindade? Onde fica a linha que separa um ser imensamente poderoso de um deus?

(Quote)
- 02/03/2020 08:58

Então, não li a história inteira da Guerra da Centelha, apenas os contos no site da Wizards, mas deu a impressão que a Hazoret ajudou a Samut e outros planeswalkers a desligarem a ponte planar, que enviava os eternos de Amonketh, tanto que o grupo voltou a Ravnica com a lança dela, que mais tarde foi usada até pelo Niv-Mizzet.

(Quote)
- 01/03/2020 10:44

Não tem como pq ela não é planeswalker. O bolas puxou pro plano só os planeswalker

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