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Decidindo sob pressão
Ninguém gosta de ter que agir sob pressão, mas para o bem do seu torneio(e o dos outros jogadores), é importante saber como tomar a melhor decisão o mais rápido que der.
08/04/2020 10:05 - 3.979 visualizações - 5 comentários
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Bom dia meu Shin Godzilla, destruindo muitas cidades?

 

Aqui nós já falamos sobre conceitos teóricos que vão desde Card Advantage até o que chamo de Deux Ex Machina. Sobre como utilizar a informação para sua vantagem ou desvantagem do oponente, e também falamos sobre como o relógio pode ser seu inimigo. No entanto, e se mesclarmos algumas dessas teorias? Como já vimos diversas vezes, a maioria dos conceitos teóricos não trabalha sozinho, mas sim em conjunto com outros, afinal de contas, o jogo é apenas um.

 

Uma situação que nunca sai da minha cabeça foi em 2014, quando comecei a jogar frequentemente de Miracles no Legacy. Em um dos primeiros torneios que joguei com o deck eu fui para os 5 turnos 5 vezes em 6 rodadas. De fato, o deck era difícil de jogar e alastrava muito a partida, mas eu sabia que 90% da culpa dessa demora era minha. 


Me senti bem mal em relação aos meus oponentes, mas também pensava:” Poxa, eu só quero jogar o melhor possível com o deck, que é bem difícil por sinal.”
Situação que me fez perceber que estava jogando corretamente com o baralho, o problema era a velocidade, tanto de raciocínio quanto de ação. Foi aí que tive que tomar providências.


Infelizmente, o material sobre velocidade de jogo não é tão exuberante quanto aos outros assuntos, depois de cavucar um pouco encontrei o que poderia ser a solução: Atalhos mentais e exercício prático.


Vamos começar pelo exercício prático, que é o mais simples e que vejo mais pessoas pecarem.

 

 

Quando você vai manipular mais de uma carta em seu deck, como você faz?


Se for dar uma Tempestade Cerebral, por exemplo, você compra as três cartas de uma vez? Uma de cada vez? Em que velocidade?


Toda vez que eu ia olhar as 3 do topo(devido a Brainstorm, Tampo de Adivinhacao do Sensei ou Ponderar) eu pegava, cuidadosamente, carta por carta e juntava na mão, isso me comia alguns segundos, e como era algo muito frequente ao longo da partida, sozinho, só nesse tipo de ação, comia 1 ou 2 minutos de jogo, totalmente inaceitável.


A estratégia aqui era pegar as 3 cartas de maneira mais rápida possível, sem deixar dúvida para meu oponente que eu não estava olhando 4 cartas invés de 3, ou derrubá-las antes de colocá-las próximas à minha mão. Algumas semanas de treino me fizeram craque em pegar as cartas numa velocidade legal, sem deixar dúvidas, tudo bem limpo, rápido e eficientíssimo, justamente o que eu procurava desde o início. 


O mesmo vale para o embaralhamento do deck: se você sacrifica de 2 a 4 fetchlands por jogo e demora 20~30 segundos para buscar o terreno e embaralhar o deck, é muito tempo consumido à toa, por isso, o ideal é sacrificar o terreno após você fazer a decisão de qual land buscar, treinar os dedos para buscar mais rápido, e não ficar enrolando no shuffle, 5 ou 6 embaralhadas simples com o corte do adversário já resolve o problema de aleatoriedade. 


No começo você provavelmente vai derrubar umas cartas na mesa ou pegar mais do que deveria, e é por isso que é IMPORTANTÍSSIMO treinar apenas em casa, sozinho, assim você não cometerá infrações desnecessárias no meio de um torneio.

 

Agora, sobre atalhos mentais, disso a gente pode conversar um pouco mais.


Um dos motivos que fez Magic ser o que é hoje, é que no começo o jogo era conhecido como “o jogo onde duas partidas nunca são exatamente iguais”, e bem, mentira não é, você jamais jogará dois jogos idênticos, no máximo bem parecidos.


Felizmente não é preciso ter uma memória eidética para se lembrar daquela vez que você resolveu não anular um Mostrar e Contar e perdeu logo em seguida, podemos re-encenar jogadas, de maneira bem simplista, para entender o que fazer em situações-chave que já enfrentamos.


Quando estamos brigando com o relógio de tempo da rodada, não podemos parar o jogo, utilizar uma calculadora, escrever num caderno todas as possibilidades de jogada e suas consequências, ligar para os universitários para, só daí tomar a decisão. Não, você tem que agir, em segundos, em cima de mesas complicadíssimas. É assim que nasce a necessidade de criar atalhos mentais, ou as famosas “jogadas ensaiadas”. 


O atalho mental nada mais é que deixar marcado, de maneira de fácil acesso, algumas situações que você passou durante o jogo e que possam se repetir(mesmo que de maneira um pouco diferente) para que você não precise perder minutos e minutos de pensamento, já que você já passou por algo parecido antes e sabe mais ou menos as consequências de cada jogada.

 

O atalho mental mais usado no Modern é o das fetchlands:


Sua mão inicial tem um Charco da Procriacao e uma Floresta Tropical Nebulosa, você quer deixar uma Cilada Magica como possibilidade no turno 1 seguido de um Wrenn e Seis, qual é a maneira que você toma menos dano?


Imaginando que você não compre outro terreno, fazer a fetch é melhor, uma vez que se o oponente não apresentar um drop 2 para sua Cilada, você tomará apenas 1 de dano invés de 3(Fetch + Shockland de pé), seguido de mais 2 de dano do Charco.


Se abrir de Charco turno 1, você se força a ter que comprar um terreno vermelho que dê menos de 3 de dano(Uma Shock ou fetch para vermelho ou uma Montanha), caso contrário seu dano será 5 garantido invés de possivelmente 1+2.


São situações como essa que te deixam “calejado” e vão consumindo menos tempo na partida. Uma vez que passou pela situação acima, nas próximas que tiver que minimizar seu dano com a base de mana, saberá que a Shock antes da Fetch só é melhor se você comprar um terreno superior ao que já tem na mão, tomando poucos segundos de decisão invés de um minuto ou mais, como vimos na análise.


As jogadas ensaiadas são suas amigas, mas com uma cláusula bem específica. 


Sabemos que matar a Aves do Paraiso no turno um com um Raio é correto na maioria dos casos, mas não é porque foi correto jogo passado que será agora.  Alguns decks se beneficiam mais do ramp gerado que outros e sua mão pode estar com poucos removals, te deixando vulnerável para as criaturas de maior impacto na partida.


Portanto, mesmo com um atalho mental sobre a situação, não saia copiando sua última jogada que deu certo na situação, use-o como um direcionamento, mas pondere sobre as possibilidades mesmo assim. Um motivo bem importante para se usar frequentemente os atalhos mentais é o que eu chamo de não resetar o pensamento.


Se a mesa tem um Nacatl Selvagem, dois Simio Kird e você não tem bloqueadores, é preciso fazer o cálculo de dano para ver se você morre na volta. Numa situação onde você morreria na volta de qualquer jeito, mas tem um Veredito Supremo para limpar o campo, você não é necessário fazer o cálculo de dano tudo de novo se o adversário fez um Tarmogoyf, já que sua jogada já está lockada, você já o fez o cálculo quando passou o turno, e a única mudança de board state é irrelevante para a sua jogada. Claro que você deve gastar o mínimo de tempo para pelo menos confirmar se sua jogada continua ser fazer o Veredito. Caso o clock não seja letal na volta, é importantíssimo verificar se sua jogada continua sendo a do Veredito, diferente de quando você não tem opção.


Agora, é importante colocar criaturas com haste ou burns na equação, para não tornar o clock 2 “safe” em uma derrota na volta.


Imaginando que invés de um Goyf na pilha seja um Guia Goblin. Fez a conta do clock turno passado? Então o Guia Goblin agora dá X + 2 sendo X igual o clock calculado previamente. 


Estava com medo de um Planeswalker do outro lado? Então não é preciso pensar muito sobre uma Visao da Quimiomante na pilha, sua prioridade continua anular a carta de maior impacto, então é desnecessário ficar re-calculando todos os outs do jogador toda vez que ele faz uma carta de menor importância e que não precisa ser anulada.

 

Não é preciso ser o Baianinho de Mauá para calcular suas próximas jogadas, a intuição é sua amiga!

 


Mesmo através de atalhos mentais, você ainda terá que fazer algumas contas e predizer situações, no entanto, não é sempre que você terá mais de 20 segundos para realizar uma jogada, e é aí que aplicamos a intuição. Após muita repetição, conseguimos encurtar bastante o tempo de raciocínio, portanto, sabemos mais ou menos o que pode acontecer. São nas jogadas mais “manjadas” e ensaiadas que você pode usar a intuição, chutando uma conclusão de maneira bem simplista,  que não te come o precioso tempo mas que também é baseada em situações já vividas, invés de jogar um dado para decidir se você vai dar um removal ou não. Mesmo utilizando a intuição, priorize simular situações já enfrentadas, não é muito interessante ficar “inventando moda” em situações críticas de jogo e que você não tem muito tempo para pensar.

 

O mais complexo é saber quando tomar a decisão baseada em situações passadas e atalhos mentais e quando tomar seu tempo devido, pensando na maior quantidade possível de possibilidades.


O que faço para me consumir menos tempo é, após comprar a carta do turno, mapear o máximo que der das minhas jogadas neste ciclo, entre land que vou baixar, qual terreno buscar na fetch, se vou jogar algo pré ou pós combate. Esse tipo de atitude não só te come menos tempo nas decisões parceladas, como também diminui sua chance de baixar um terreno errado pois fez tudo no automático.


Quanto mais você praticar fisicamente(embaralhar deck, comprar cartas de maneira que não demore muito mas que sejam bem limpas para o adversário ver a quantidade indo para sua mão) e testar situações de jogo, mais rápido você vai jogar sem perder eficiência na tomada de decisão. Não deixe para treinar habilidades manuais de embaralhamento no meio do torneio, é possível que você derrube cartas sem querer na mesa ou pior, amasse cartas, faça isso sempre em casa! E até a próxima!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Aficionado por Legacy, sempre que pode joga com decks que matam com terrenos e não dispensa uma ativação de Vial no passe.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
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- 09/04/2020 03:54
Vlw pela dica. Teu artigo vai ajudar muito.
Pq mesmo jogando de ur delver legacy,acontece bastante do jogo se estender e essa dica dos atalhos vai sser muito relevante nao só pelo tempo,mas tbm para fazer a melhor jogada.
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- 08/04/2020 16:47
Mais um artigo muito bom, namoral, tu é o cara, sempre artigos relevantes e de grande conteúdo. Não sei se você já fez um artigo sobre o assunto, mas se não, poderia trazer a sua visão sobre "Who is the Beatdown?". Creio que para quem não tem um bom entendimento da lingua inglesa, seria um ótimo artigo.
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- 08/04/2020 13:14
Muito bom, Bruno. Tava com saudades de lê um artigo seu. Tanto qnt participar de um torneio físico com bons jogadores. Magic presencial é muito melhor do que qlqr outra plataforma.

Pra quem joga de control não brem jeito. Tem que otimizar o tempo ao máximo e principalmente quem usa counter não pode titubear se não for anular. Coisas que só o Magic presencial proporciona. Ansioso pelo regresso. Abraço
(Quote)
- 08/04/2020 11:58

Sério mesmo? O mito máximo da sinuquinha brasileira, presente em quase todos os vídeos do gênero no YouTube e com participações especiais em vários canais e programas televisivos.

(Quote)
- 08/04/2020 11:35
Belo artigo. Mas a pergunta que paira no ar é: quem é Baianinho de Mauá?
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