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Jurassic Fractius
Um passeio pelo parque dos fractius
14/08/2020 10:05 - 6.057 visualizações - 38 comentários
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Fractius. Não há criatura no Multiverso que seja um divisor de águas como esta. Nenhuma criatura carrega tanto amor, ódio e nostalgia como eles. Todos os que gostam de fractius são aqueles que, ou estão ligados pela nostalgia, ou pelo poder que a tribo carrega.


Ou você morre como jogador de zumbi, ou vive o suficiente para montar um Commander de fractius.


E aproveitando nossa visita por Otária e eventos da saga de Odisseia, nada mais justo do que falarmos do fatídico Projeto da Rebentação e, aproveitando o ensejo, trazermos à memória essas criaturas lindas e mortíferas.

 

O INÍCIO (TALVEZ)


Fractius são criaturas que compartilham uma mente em colmeia – ou uma mente em uníssono – o que permitia que compartilhassem suas habilidades com toda a colônia. Tendo isso em mente, Mike Elliot – quem originalmente desenvolveu o projeto – lançou os fractius durante a novela do Rath and Storm. Aquela a primeira tentativa da Wizard de criar uma mecânica tribal, o arquétipo que permite que criaturas se ajudem, porém sabemos que foram um pouco além.


O fato dos fractius viverem em colônia e compartilhar as habilidades com TODOS os fractius em jogo foi algo bastante novo e caótico. Para aqueles que amam a tribo, aqui vai uma péssima notícia: Mark Rosewater disse que jamais veremos isso novamente - Urza seja louvado!


Uma curiosidade sobre o design dos fractius é que, Mike Elliot se inspirou nos ratos pestilentos para trazer a ideia de criaturas que se autoajudam.

 

 

Em Rath, o evincar Volrath foi quem trouxe os fractius para o plano.


Sim, você não leu errado, os fractius nunca foram oriundos de Dominária. Volrath visitou um plano desconhecido até então e descobriu os fractius. Como Volrath era um metamorfo, a habilidade daquelas criaturas mesomórficas o atraiu, fazendo com que trouxesse para Rath a Rainha Fractius e mais um punhado da prole, colocando-os na Fornalha de Rath para estudá-los.


A Rainha Fractius era o centro da colônia, sem ela não havia a capacidade dos fractius de agir em uníssono e compartilhar habilidades. Sem a Rainha não havia fractius.


É dito que Volrath conseguiu alterar geneticamente os fractius, porém até que ponto isso é desconhecido. Ele desenvolveu um fractius metálico para que pudesse espionar a colônia e aumentasse sua influencia sobre eles. Tanto a Rainha quanto os fractius, foram usados para guardar o Legado e atacar o Bons Ventos. Quando a tripulação do Bons Ventos invadiu a Fortaleza, foi Karn, que na época era um pacifista, quem conseguiu convencer a Rainha a cessar os ataques, explicando que os artefatos eram tão parte dele quanto os fractius dela.

 

 

Durante a Invasão Phyrexia e a Sobreposição planar, os fractius foram transportados para Urborg o que acabou exterminando uma grande parte da raça. Além das mortes, outros se transformaram em sombras, pois ficaram presos entre os dois mundos.

 

PROJETO DA REBENTAÇÃO


Cem anos após o Apocalipse, no ano de 4305 AR, magos de Otária se ajuntaram numa ilha distante para iniciar suas pesquisas. Originalmente, o Projeto fora desenvolvido pela Imperatriz Cefálida Llawan, a qual desejava melhorar as relações do povo da superfície com o Império Mer após os eventos do Imperador Aboshan e Laquatus.


O Império Mer era mais sofisticado do que as culturas terrestres, com consideráveis forças mágicas mantidas por seus ocupantes primários, os cefálidas e um corpo governante avançado de aristocratas que detinham o poder sob o cargo imperial. Os cefálidas também eram comerciantes habilidosos, e o Império Mer possuía uma riqueza de tesouros e artesanato fino, dando-lhes considerável influência entre as culturas do interior.


Com esse intuito, as pesquisas foram iniciadas tendo como principal o estudo dos fractius com base em restos fossilizados encontrados em Urborg.


  

Os magos foram bem-sucedidos em suas pesquisas e conseguiram recriá-los, todavia, sem o controle da Rainha Fractius, os fractius estavam descontrolados e acabaram matando seus pesquisadores. Escapando da ilha, logo eles conseguiram se espalhar por Otária.


Há uma lenda que diz que apenas um mago conseguiu escapar com vida, graças ao seu feitiço que permitia com que voasse. Esse mago era chamado de Pemmin.

 

 

Como os mago da Rebentação não faziam ideia da importância da rainha, coube à natureza providenciar um sucessor. O Senhor dos Fractius foi uma espécie de “último fractius”, criado nos eventos ocorridos no ano de 4306 AR, mas desta vez a culpa não foi do Projeto e sim do Mirari. As ondas de magia que o tenebroso artefato irradiava distorciam todos os seres. E com os fractius não foi diferente.


Sua magia acelerou o crescimento deles e os atraiu para o continente de Otária, pois confundiram o chamado do Mirari com o de sua extinta rainha. É dito que a maioria dos fractius esteve pressente na batalha de Averru e morreu na explosão mágica que trouxe Karona à vida. Mas como esses pequenos seres são difíceis de serem exterminados, uma pequena parcela sobreviveu e se fundiu como a “manifestação final da colônia”, o Senhor dos Fractius.


O destino certo dos fractius, após a morte de Karona é incerto, porém acredita-se que o Senhor dos Fractius se desfez, deixando a colônia novamente sem uma liderança.

 

ESPIRAL TEMPORAL


Nesse período de devastação e escassez de mana, os fractius sobreviveram e se adaptaram a uma Dominária moribunda. Enquanto Dominária lutava para se reerguer, os fractius continuavam pela procura de uma nova rainha. É óbvio que essa busca trazia destruição em seu caminho, mas tenham em mente que os fractius não são seres malignos. Toda destruição causada era motivada pela necessidade de uma mente para liderá-los.


Enquanto essa rainha não aparecia, Lorde Windgrace e Freyalise conseguiram manter controle sobre a colônia. Entretanto, esse fino controle dos planinautas sobre a colônia, foi rompido após a descoberta de como a mente deles trabalhava de forma simplista. O Weaver King (falaremos dele no futuro) conseguiu tomar o controle da colônia e colocou os fractius contra os planinautas.


O Weaver King foi derrotado por Freyalise, que se sacrificou para selar a fenda de Skyshroud, deixando os fractius de Dominária livres outra vez. Embora tenham sido lançado um novo lorde, Legião de Fractius, essa carta não representa um ser específico em si, mas a ideia de que a colônia estava, lentamente, se tornando senciente e autoconsciente, negando a necessidade de uma rainha.

 

 

A Pedra-de-Colônia foi encontrada nos escombros da Fortaleza. Um artefato que permitia que o evincar controlasse a ninhada e a Rainha Fractius – provavelmente usada por Volrath quando trouxe os fractius pela primeira vez. Contudo, o artefato se tornava uma maldição, tirando a vontade do indivíduo e substituindo-a pela vontade da colônia.


Na última coleção de Dominária, supostamente, deveríamos ter visto fractius, mas a ideia foi tida como problemática e não havia espaço para isso, então lançaram fractius em Modern Horizons para sanar esse pequeno hiato.

 

ANATOMIA DOS FRACTIUS


A anatomia dos fractius geralmente reflete a adaptação que ela transfere para os outros membros de sua espécie.


Confira os lóbulos inteligentes no Fractius Telecinético.


Para refletir sua astúcia adicional na batalha, o Fractius Observador desenvolveu fileiras de olhos ao longo de sua cabeça, onde a maioria dos fractius não possui:

 

 

É sutil, mas a adaptação do Fractius Lasca-Ossos é mostrada exatamente na arte. Ele não carrega lascas de ossos; ele tem uma adaptação especial ao seu sangue. Seu sangue se enfurece com sangue bioluminescente. Você pode vê-lo fluindo através de suas veias através da pele:

 

 

Fractius de Fiandeira refere-se aos órgãos esportivos em seu nome - órgãos que permitem que ele gire teias como uma aranha:

 

 

FRACTIUS EM OUTROS PLANOS


Como eu mencionei, os fractius não eram originais de Dominária. Com isso em mente, alinhado com a vontade de inovar, Wizard trouxe-os de volta em Magic 2014. Nossos queridos, mortíferos e pequenos amiguinhos estavam de volta.


Bem, era o que todos pensávamos...

 

 

Se há algo que a Wizard devia saber bem é que não se deve mexer com a memória afetiva dos jogadores de Magic.


Numa tentativa de trazer uma nova forma evoluída, eles mataram o conceito antigo dos fractius e os transformaram em seres humanoides. Na época, Doug Beyer, em seu blog A Voice for Vorthos, tentou atrair os jogadores defendendo o conceito e o desenvolvimento desses novos seres. Não preciso dizer que houve uma rejeição de quase toda a comunidade.


Todos gostavam de ver suas pequenas lagartixas sem pés, mãos e somente com bicos. A revolta foi tamanha que gerou até memes como forma de protesto.

 

 

Mas nem tudo estava perdido!


Tendo em vista que a coleção de M14 se passava em Shandalar, o plano andarilho, foi aceito que essas formas novas de fractius eram daquele plano e não possuíam relação direta com os fractius de Dominária.


Em Shandalar, nas margens do mar oriental, essa raça evoluída habita o “Skep” um grande ninho ou colmeia. Esses fractius têm olhos brilhantes e parecidos com pedras preciosas e "cabelos", mais como os tentáculos contorcidos de uma água-viva ou pólipo. Muitos ainda têm uma aparência bestial, mas alguns podem ser generosamente considerados humanoides.


Todos são cobertos com placas quitinosas que brilham e deslizam como peças de máquinas oleadas, e usam um gorjeio para se comunicar.


Foi lançado um pequeno Lore contando um pouco sobre esses novos fractius.

 

Os fractius de Shandalar são divididos entre as "ninhadas" do tamanho humano, com caudas e garras singulares, e "primes", que são bípedes e humanoides, semelhantes às raças sapientes de Shandalar. Um fractius, o Senhor da Colônia, domina todas os fractius, mas não foi explicado se esse domínio é semelhante ao da antiga Rainha.


Ouvindo a voz da razão, um ano depois, a Wizard lançou mais fractius em Magic 2015 e trouxe um pouco do layout antigo junto com isso trouxe um ciclo de incomuns com o aspecto meio humanoide dos fractius de Shandalar. Porém, mantiveram a habilidade de compartilhar habilidade somente com os seus fractius.


 

A última coleção que vimos nossas amadas lagartixas foi em Modern Horizons. Não somente foi restabelecido a forma original dos fractius, como foi nos dado um novo Lorde para a tribo. Porém, o mais curioso foram as habilidades que alguns fractius trouxeram consigo.


  
 

O Primeiro Fractius e o do Vale das Escórias apresentam habilidades oriundas de Alara. Isso abre margem para que acreditemos que talvez existam fractius em Alara. Assim como o fractius temperado, cuja habilidade remete ao do Slith Predador, fazendo menção a Mirrodin, atualmente conhecido como Nova Phyrexia.


Eu adoraria ver um retorno a Alara porque parece que simplesmente se esqueceram dela. Pela terceira vez visitaremos Zendikar – só de imaginar a Nissa outra vez sinto náuseas – Ravnica e Innistrad também já foram bem exploradas, enquanto o desconhecido paira sobre os antigos fragmentos de Alara.


Se há ou houve fractius em Mirrodin ou Alara, somente o tempo nos dirá. Por ora, isso são apenas conjecturas e, enquanto não descobrimos a verdade, a colônia aguarda pelo surgimento de um novo senhor para liderá-los.

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
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Comentários
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- 19/08/2020 18:51

Obrigado e também desejo ver o retorno das lagartixas em seu próprio plano, seria fantástico. Sobre os Eldrazi, ainda temos Emrakul presa na lua que pode aparecer tocando o terror.

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- 19/08/2020 18:49

Eu comecei a tradução do Bloodlines e esse lugar aparece no 3 capítulo, mas nem a Wiki sabe dizer se é um plano ou continente. Foi de lá que pegaram um humano, Davol, e o transformaram no primeiro Evincar de Rath. O nome dele aparece em cartas de Destino de Urza.

(Quote)
- 19/08/2020 18:37
Sou um super Fã da tribo. Possuo um deck de Commander tribal de Fractius, assim como sou também colecionador deles, minha coleção não está completa mas tenho mais de 90 cards dessas fofas criaturas diferentes umas das outras. Gostaria de ver eles de volta, pode ser fragmentos mesmo, 2 ou 3 novos em coleções esporádicas, já que lançar vários em uma mesma coleção pode quebrar os formatos competitivos kkkkkkk "são fortinhos" demais pra eles. Mas se a cada 18 meses, lançassem 2 ou 3 fractius meu sonho se tornaria realidade.

Obs: fractius em 1°, moram no meu coração... Eldrazi em 2° ... Já me deixaram triste com a notícia que não veremos mais eles, principalmente com essa retomada do plano com os cadáveres deles. Enfim, ainda tenho esperança.
Ótimo artigo, adorei.
(Quote)
- 19/08/2020 16:42
Pois eh, eu lembro q na epoca esse artigo ateh q teve uma repercutissaozinha entre os amantes da lore, foi uma surpresa mesmo, pq todo mundo "sabia" q os phyrexianos tinham se "originaram" em Phyrexia. Mas me lembro q na wikia do magic tem uma teoria q o plano Coracin possa ser o plano natal dos Phyrexianos.
(Quote)
- 19/08/2020 15:26

Isso é uma surpresa porque, teoricamente, os Phyrexianos foram os Thrans que fugiram da destruição e escaparam pelo portal em Koilos. Phyrexia foi batizada com esse nome por Yawgmoth, mas quem a criou foi um planinauta que tinha uma forma de dragão e morreu. Após eras, foram transformados por Yawgmoth. Mas eu não me espanto com a Wizard alterando a própria linha do tempo de suas obras canônicas.

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