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Primeiras Impressões de Zendikar
Duplas-face terrenos/mágicas, aterragem, party... Em seu artigo de hoje, Sandoiche traz suas primeiras impressões das mecânicas e novos cards de Zendikar!
14/09/2020 10:05 - 10.316 visualizações - 4 comentários
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Olá! Como já é de costume no Magic: the Gathering, o mês de setembro traz sempre uma nova coleção grande, e com ela a rotação do Standard. Para 2020, temos Renascer de Zendikar, com a volta ao plano representando também a volta de algumas mecânicas (como Aterragem), embora dessa vez sem Eldrazis.


A primeira coisa que chama a atenção relativamente às coleções anteriores é o famoso nível de poder das novas cartas. Temos algumas opções interessantes, mas que não são obviamente mais poderosas do que as cartas que já existem. Cartas que dependem de mais sinergia para atingirem o máximo de seu potencial agregam tanto às decisões de montagem de decks, além de possibilitarem mais margem para a contra-jogada dos adversários interagindo - ao contrário do velho Uro, Tita da Ira da Natureza, que só exige que você tenha terrenos e mágicas no seu deck para ser poderoso e relevante.


Essa mudança de design parece extremamente positiva, considerando as recentes bombas de nível de poder que foram Guerra da Centelha e Trono de Eldraine. Talvez signifique que a coleção tenha menos impacto no Standard e nos formatos eternos, mas isso é particularmente interessante para dar um certo "respiro" nos últimos turbilhões de banimentos.


Tomemos como exemplo Jace, Mirror Mage. Um planeswalker de três manas sempre vai ter "aquele perigo", de cair muito cedo e dominar a partida, e mesmo que seus efeitos possam ser capazes de dominar um jogo longo, ele exige um esforço de montagem de deck (ou uma certa dose de sorte) para que se reponha imediatamente na primeira ativação, o que torna a troca 1x1 ruim pro adversário.


É claro que se não for resolvido, ele sozinho gera uma vantagem tangível através dos turnos capaz de ganhar o jogo por si só. Mas, ao mesmo tempo, existe uma certa margem para que o oponente possa resolver o Jace da mesa nos turnos seguintes, já que a vantagem gerada por uma ou até duas ativações não é algo tão impactante ou irreversível como outros Planeswalkers de três manas que passaram pelo Standard recentemente.


Mesmo Nissa of Shadowed Boughs e Nahiri, Heir of the Ancients jogam para o lado da sinergia/efeitos bons mas que não ganham o jogo imediatamente. A litomante Boros pode ser interessante em um deck com Winota, Joiner of Forces/Brasolamina como forma de aumentar a resiliência contra remoções, talvez sendo um pouco lenta para o plano principal. Da mesma forma, a Nissa permite aumentar a pressão em um deck aggro/midrange sem comprometer-se a tomar uma global desastrosa, e mesmo o seu -5 precisa de esforço de aterragem/alvos válidos no cemitério para gerar uma vantagem tangível.


Dito isso, as cartas que inicialmente mais me chamaram a atenção na coleção são as duplas-face Mágica/Terreno, que adicionam uma dinâmica totalmente inédita ao Magic que conhecemos: a capacidade de reduzir drasticamente a variância causada pela zica/flood de mana, em níveis que mecânicas como Reciclar e Reciclar Terreno Básico jamais sonharam.


Algumas delas possuem custos bem salgados no lado mágica, ou trazem algum efeito/criatura relativamente irrelevante, mas o simples fato de terem essa versatilidade representa uma potencial mudança de paradigma na forma que montamos nossos baralhos.


Se a consistência provida por Uro, Tita da Ira da Natureza aliada com terrenos utilidade significou bases de mana com 28-30 terrenos virarem a norma do Standard, talvez essas dupla-face signifiquem a chance de jogar com baralhos com uma densidade de mágicas bem maior sem zicar (pense em aggros com 18-20 terrenos) ao mesmo tempo que podem proporcionar decks pesados/ramps com mais usos para o excesso de mana (um card como Turntimber Symbiosis em um Simic Ramp).


Dentre os cards do ciclo, aposto bastante nas que têm uma mágica eficiente ou próximo disso no lado conjurável: Jwari Disruption, Kazuul's Fury, Silundi Vision, Hagra Mauling, Khalni Ambush, Kabira Takedown, Tangled Florahedron, Blackbloom Rogue, Spikefield Hazard e Skyclave Cleric são alguns dos exemplos de cartas compatíveis com outras que já jogaram ou jogam Standard, e aliam a versatilidade de ser um terreno.


Em relação às "dual dupla-faces", elas parecem ótimas nos baralhos de duas cores (ou no máximo duas cores mais um splash para a terceira), mas não parecem ser tão funcionais para baralhos repletos de custos duplos super investidos nas três cores (imagine que um Sultai com Narset, Parter of Veils e Baixas de Guerra não deve ser possível com elas, ao contrário das shocklands). Entrar desvirada é uma benção para os aggros, e tendo as três da combinação no ciclo de lançadas em Zendikar, talvez vejamos um deck como Naya Winota ganhando forças, ou até mesmo Omnath, Locus of Creation trabalhando em algum tipo de ramp.

 

E falando em uso de manas adicionais, junto da Aterragem retorna também Reforçar, uma das preferidas de todos tanto para o Limitado quanto para o jogo Construído, ajudando a diminuir a variância causada por comprar muitos terrenos. O ciclo de Inscriptions talvez tenha uma relação de custo de mana ruim para cada efeito individualmente, mas o modal permitindo qualquer escolha com a possibilidade de reforçar nos estágios avançados do jogo mostra basatnte potencial neles.


Já a nova mecânica de Party parece menos promissora quando pensamos no Standard, formato onde remoções e globais são onipresentes, e o padrão para que determinada criatura jogue é mais elevado. Tajuru Paragon é Zagras, Thief of Heartbeats são dois dos cards mais interessantes com a habilidade, e consigo ver uso imediato para o primeiro tanto com o corpo 3/2 por duas manas em um Mono Green/Gruul Aggro e gerando valor posteriormente. Por sua vez, o Vampiro Ladino talvez não seja tão impactante para o Standard mesmo considerando a redução de custo, já que possui pouca resiliência ou impacto imediato pelo elevado custo em comparação a um Rankle, Master of Pranks ou Brasolamina no topo da curva.


Confounding Conundrum é uma boa tentativa de hatear a aceleração de mana causada por Uro, Cultivar e outros efeitos dos decks de ramp, mas é bem possível que acabe sendo utilizada nos próprios decks com Uro para derrotar a mirror a um custo de oportunidade baixo - já que o encantamento se repõe. Além disso, estando no azul, talvez nem todos os baralhos consigam aproveitar-se bem dela, mas ao menos os Controles conseguem competir contra os Ramps no aspecto onde geralmente sofrem (vantagem de mana).


Magmatic Channeler e Kargan Intimidator são duas criaturas interessantes para a curva baixa vermelha agressiva, ajudando a mitigar o flood de mana, embora na curva dois já enfrentem alguma concorrência de Ladrao dos Ricos e Cavaleiro de Rochabeira // Carga do Pedregulho. Se o arquétipo Izzet Prowess continuar relevante, o futuro pode ser um pouco mais esperançoso para o mago vermelho, que se encaixa bem no plano do baralho.


Moraug, Fury of Akoum é um topo de curva perigoso para aggros mais parrudos, como um Gruul ou Rakdos com bichos de meio de curva como protagonistas, ou até mesmo um ramp mais centrado em criaturas, com Radha. Seu custo pode ser um pouco salgado em comparação à uma Brasolamina, mas compensa sendo uma ameaça 6/6 por si só, sem necessitar de outras criaturas em jogo.


Remetendo ao icônico Vampiro Falcao-da-Noite, Nighthawk Scavenger é uma carta bem interessante para aggros e midranges com preto, sendo ótimo para racear ou trocar com outras criaturas maiores. Considerando sua habilidade e a mini-temática de triturar presente em alguns Ladinos, é bem provável que tenhamos uma criatura com 3 ou 4 de poder pelo custo de 1BB, que aliado ao rol de habilidades torna o "Nightgoyf" bastante atraente.


Cobra de Lotus jogou bastante em sua primeira vinda ao Standard, e mesmo sem as fetchlands, é bem provável que ela encontre uma casa para chamar de sua, já que pode se encaixar tanto nos Ramps com Uro e amigos, como acelerando uma Winota e atacando para ativar sua habilidade em um Naya. 


Roiling Vortex é um tão esperado efeito anti ganhar vida, repondo a rotação do Tibalt e sendo mais difícil de interagir por ser um encantamento - e de brinde, servindo como ódio aos combos nos formatos mais antigos. Da mesma forma, Skyclave Apparition é uma ótima forma de interagir contra permanentes problemáticas em decks que necessitam muitas criaturas (como um White Weenie ou Company no Historic), mas que provavelmente brilhará na caixa de ferramentas do Death and Taxes Legacy. Linvala, Shield of Sea Gate também é uma ótima criatura para esses tipos de estratégia, sendo um alvo premium para Companhia Agrupada.


Cinderclasm é um excelente substituto para Varrer com as Chamas, dobrando em versatilidade ao lidar melhor com os aggros mais rápidos e super para o chão cheios de x/1s. Taborax de certa forma repõe a vaga de criatura resiliente deixada por Ceifador da Meia-noite, assim como Demon's Disciple atua como substituto para Empesteiro.


Embora não seja exatamente Golpe Relampejante, Roil Eruption traz o duas manas três de dano para os Red decks, com o benefício de poder ser reforçado para 5 de dano caso o jogo avance de tal forma. Cleansing Wildfire provavelmente não tem muitos alvos interessantes no Standard, mas para os formatos mais antigos é uma ótima forma de manter Tron e Campo dos Mortos em xeque, além da sinergia com a própria Lajes de Trokair.


Akoum Hellhound talvez seja o drop 1 que o vermelho estava querendo faz tanto tempo, mesmo que não seja em um baralho propriamente focado em aterragem. Afinal, basta conseguir dois ou três ataques para o investimento de uma mana super valer a pena, além do fato de que as dupla-faces terreno/mágica provavelmente vão habilitar Aterragem com bastante frequência se for preciso.
 

No mais, temos vários cards que podem acabar se encaixando nas estratégias conforme os formatos forem evoluindo e se adaptando às novidades, quem sabe até mesmo com banimentos em alguns deles, que podem mudar todo o nosso contexto de avaliação dos cards!


E quanto a vocês, leitores, o que acharam de Zendikar até agora? Quais cards mais chamaram a atenção? Como enxergam uma possível mudança de paradigmas em relação aos terrenos/mágica dupla-face? Algum card que não foi citado aqui no artigo, mas que tem bastante potencial?


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Matheus Akio Yanagiura ( sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como Sandoiche, é jogador, escritor e streamer de Magic: the Gathering, produzindo conteúdo desde 2012. Membro da equipe de e-Sports LigaMagic Bolts, está sempre na vida do grind dos torneios, com destaques para o Top 8 do Magic LATAM Challenge e o Vice-Campeonato da Twitch Rivals, além do bi-campeonato Circuito LigaMagic Modern e o Top 16 no Grand Prix São Paulo 2018 no Tabletop.
Redes Sociais: Twitch, Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 17/09/2020 23:30
O Standard certamente vai absorver bastante cartas, até pela falta de opções gerada pela rotação. Estou curioso mesmo é com as cartas que irão ver jogo no Pioneer, Modern, Legacy e Pauper. Eu prevejo poucas.
(Quote)
- 15/09/2020 11:47
E quando sai o ban?
(Quote)
- 14/09/2020 18:13
Mesmo com a pool nova de cartas e com a rotação, acho que Uro tem que ser banido.
(Quote)
- 14/09/2020 13:24
Tow triste. Não vi nada ainda com bushwack 😭😭😭😭
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