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O Mirari
“Um Mirari para a todos governar”
17/09/2020 10:20 - 5.067 visualizações - 25 comentários
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Como estamos visitando Otária e revendo o Lore de Odisseia, nada mais justo do que falarmos sobre um dos ícones da coleção, aquilo que foi o epicentro de todo o plot: o Mirari. Muito antes de Akroma se tornar a musa dos jogadores e Karona a “deusa” de Dominária, o Mirari já corrompia os corações dos tolos e fracos de espírito.


Mas antes de iniciarmos, vamos voltar no tempo e rever o trailer de Odisseia, AQUI.


Ah, aquele vídeo com sabor de nostalgia...

 

Um Mirari para todos governar

 

 

 

O Mirari foi aquilo que conhecemos como “lâmpada dos desejos”. Parafraseando Braids, esse artefato lhe concedia o que você queria, não o que precisava. Quase um século após a Invasão Phyrexiana, esse artefato de poder indizível apareceu para trazer apenas destruição e calamidade aqueles que o encontravam.


A palavra Mirari, cuja fonte é desconhecida, era uma palavra antiga que foi usada para nomear esse artefato que podia atender aos desejos do seu portador, porém, todo desejo sempre vem com altos custos e, nesse caso, a destruição do pedinte era sempre iminente.



 

Até aqueles cujo desejo inicial era bom acabavam se corrompendo pelo poder do Mirari e isso desencadeava um ciclo de devastação por onde ele passasse. O Mirari foi encontrado por Chainer – ele é quem aparece no vídeo – numa antiga mansão. Chainer treinava para ser um lutador das liças e acabou se mudando para a Cidade da Cabala e começou a treinar para se tornar um mestre da demência.


Se você não sabe o que é isso, confira meu outro artigo onde eu explico sobre essas coisas.

 

O jovem aprendiz foi posto sobre a tutela de um mestre da demência sênior, Skellum, que acreditava que o jovem não seria apenas um lutador da liça, mas que tinha potencial para se tornar um verdadeiro mestre da demência. Um dia, durante seu treinamento inicial, Chainer teve a chance de explorar as partes antigas da cidade e nessa caminhada, ele se sentiu atraído por alguma coisa. Caminhando em direção à antiga mansão, descendo em seu porão, o Mirari foi encontrado.


O Mirari atraiu Chainer até lá e lhe mostrou visões de grandiosidade. Ele desejava ser encontrado!


Falando em desejo, percebeu que falta nesse ciclo de desejo um “desejo de Chainer”? Pode parecer um erro da Wizard – não seria o primeiro – mas dessa vez não foi. Nunca saiu essa carta porque simplesmente, Chainer resistiu à tentação do Mirari. Decidido a entregar aquela fonte de poder ao Patriarca, ele pegou o artefato misterioso e partiu para o palácio do Primeiro. Enquanto viajava para o palácio, Chainer entrou em conflito com a Ordem, incluindo Major Teroh. Chainer conseguiu contatar Skellum que o resgatou e o levou ao palácio.


Provando seu valor ao lutar contra a Ordem e levando o artefato diretamente para o Patriarca, Chainer caiu nas graças dele e começou sua ascensão dentro da Cabala.


O engraçado é que o Patriarca não tinha ideia do que se tratava aquele artefato e o guardou.

 

 

O maior artefato de Otária foi guardado nos cofres da Cabala e oferecido como prêmio durante os jogos lunares que duravam três dias. Foi durante esses jogos que surgiu Kamahl, atraído pela glória das liças, e vendo o Mirari pela primeira vez o bárbaro ficou obcecado por ele. Kamahl logo mostrou sua proeza e se tornou um dos maiores lutadores da liça, atraindo até os olhares do Patriarca.


Observando suas habilidades, o Primeiro ordenou que Chainer acompanhasse Kamahl e o ensinasse como adentrar no torneio. Embora não tenha gostado da tarefa, Chainer e Kamahl acabaram criando uma certa amizade. Mas a breve amizade desses dois foi subitamente quebrada por causa de um ataque a Cidade da Cabala. Um dragão atacou a cidade junto com membros da Ordem e o primeiro pensamento de Chainer foi em correr para os cofres para proteger o Mirari contra saqueadores.


Após o ataque, o Patriarca entregou o Mirari para o Tenente Kirtar mesmo após os protestos de Chainer. Contudo, o Patriarca garantiu que logo o artefato voltaria para a Cabala. Nesse interim, Kamahl partiu da Cidade em sua obsessão pelo artefato.

 

Um Mirari para encontrá-los



 

Tenente Kirtar tomou o artefato com o desejo de destruí-lo, entretanto o Mirari tinha sua própria vontade e corrompeu o coração do tenente. Essa corrupção acabou se voltando para Pianna, líder da Ordem. Pianna, uma órfã graças aos ataques de bárbaros, escapou do massacre e foi entregue ao aviano Kort para ser treinada. Com o tempo, ela provou seu valor e tornou-se líder da Ordem na planície de Daru.


Após Kirtar trazer o estranho orbe consigo, criaturas da floresta de Krosa começaram a atacar humanos e assentamentos. Como líder da Ordem, era seu dever proteger as pessoas e ordenar aos homens que partissem para proteger os vilarejos. Como Kirtar era o líder dentre os avianos, ela mandou que ele assegurasse tudo aquilo, mas enquanto viajava para Krosa o Tenente Kirtar desobedeceu a suas ordens e começou a organizar uma matança das feras da floresta. Convencida de que tal agressão só levaria a mais ataques de animais e perturbada pela fixação de Kirtar pelo misterioso artefato, Pianna ordenou que Kirtar retirasse seus homens e retornasse à cidadela, onde o conselho da Ordem decidira qual ação seria tomada.


Durante todos esses eventos, o embaixador Laquatus estava junto do grupo de Kirtar e supostamente o incentivava e o ajudava. Mas não era somente Laquatus que estava perseguindo Kirtar. Seton e Kamahl também procuravam o aviano para recuperar o Mirari.

 

 

De volta à cidadela, ao olhar as rotas dos mapas, ela percebeu que a rota dos ataques dos animais coincidia com a rota de Kirtar pelas planícies. Essa era a prova que lhe faltava para culpar o tenente e o estranho orbe. Ela tentou convencer Kirtar a destruí-lo, mas o aviano recusou e, ao invés disso, organizou um golpe contra sua líder. Ajuntando seus guerreiros fieis, o aviano invadiu os aposentos de Pianna e exigiu a entrega da liderança, porém ela se recusou e tentou trazer Kirtar de volta à realidade.


Iludido pelas promessas de glória do Mirari, Kirtar usou o orbe para prender Pianna num cristal sólido que a matou instantaneamente. Contudo, ele perdeu o controle do feitiço e foi morto também, destruindo a cidadela da Ordem junto.


Mas antes que a cidadela fosse destruída, Kamahl havia chegado junto com Turg, um assecla anurídio de Laquatus e acabaram lutando em seus salões para ver quem roubaria o artefato de Kirtar. Turg derrotou Kamahl e fugiu com o artefato – através de um portal – antes da onde de destruição. O bárbaro também conseguiu escapar, mas a morte de Pianna foi lhe atribuída.


E nas profundezas do oceano, o Mirari encontrou um novo lar.

 

 

Turg retornou ao reino marinho, mas, erroneamente, entregou o artefato para Capitão Satas ao invés de Laquatus. O capitão o levou para o Imperador Aboshan que o jogou entre os tesouros reais sem ter ideia do seu poder. Embora Laquatus fizesse maquinações contra o imperador, ironicamente ele era a pessoa quem mais Aboshan confiava. O cefálida se retirou para sua câmara e se ausentou da vida pública, deixando a maioria das decisões para o embaixador que assim podia executar aqueles que o atrapalhavam.


Eventualmente, Aboshan saiu de seus aposentos e foi ao tesouro real tentar encontrar algum artefato que lhe ajudasse a assegurar o império. Ele se transformou em uma forma com pernas que respirava e procurou por um artefato que poderia conceder a ele o poder de proteger seu império No meio de suas conquistas, ele se deparou com o Mirari que o paralisou diante de visões de um mundo inteiramente coberto de água, então ele despejou pura mana dentro do artefato para que a visão se tornasse realidade.


Isso causou uma onda enorme que varreu a costa de Otária, inundando um terço do continente. No entanto, como aconteceu com Kirtar antes dele, o feitiço de Aboshan saiu do controle, devastando o palácio e fazendo com que Aboshan mudasse incontrolavelmente entre sua forma original e sua forma com pernas. Ele manteve consciência o suficiente para chamar seus guardas quando Laquatus tentou tirar o orbe dele, mas logo morreu quando o Mirari o consumiu.


Embora tenha recuperado o Mirari, o embaixador não conseguiu realizar seus sonhos de derrubar os habitantes da superfície e a Cabala. Braids recuperou o artefato de Laquatus e isso levou o tritão a seguir Kamahl e enfrentá-lo. Laquatus pereceu duas vezes pelas mãos do bárbaro: quando a Espada-Mirari fora cravada em seu peito, e depois como um zumbi gigante (sim, Laquatus retornou dos mortos fruto das mutações do Mirari) quando Kamahl retornou para recuperar a espada.

 

 

Um Mirari para a todos trazer, e na escuridão aprisioná-los

 

 

O Mirari encontrou seu caminho de volta ao coração dos homens.


Durante o evento de Aboshan, Braids estava catalogando artefatos no Mer Império e conseguiu recuperar o artefato antes de Kamahl. O artefato provou-se inútil contra ela, pois a mente de Braids já era doente o suficiente com suas visões de demência. Como não sucumbiu aos seus delírios, ela retornou o artefato às mãos do Patriarca.


Mais cauteloso agora, devido a todos os desastres que o orbe causou, o Patriarca decidiuentregar o Mirari a Chainer, uma vez que o jovem havia resistido à sua tentação na mansão, na crença de que ele o controlaria. Nesse período, a amizade de Chainer e Kamahl havia retornado tanto que ele usou o artefato para curar o bárbaro, que estava ferido por ter defendido a Cidade da Cabala. Mas uma hora, até os corações mais fortes sucumbem ao poder do Mirari, e com Chainer não diferente.


O Mirari envenenou sua mente e Chainer traiu o Patriarca, exilando-o em Aphetto e assumindo o controle da Cidade da Cabala. Sua loucura o levou a enfrentar seu amigo Kamahl e nessa luta, ele foi sobrecarregado pelo Mirari, fazendo com que hordas de horrores da demência surgissem e atacassem a cidade. Assim como fez com Kirtar e Aboshan, Chainer pereceu pelo seu poder.


Kamahl então decide levar o artefato acreditando que o impediria de causar mais danos, mas também pereceu pela tentação. Ele o prendeu ao punho de sua espada (foi após a morte de Chainer que ele enfrentou Laquatus) e tentou usar seu poder para unir os bárbaros Pardos. Seu desejo era se tornar líder das tribos, mas ele sofreu oposição de antigo mentor, Balthor, e de sua irmã, Jeska. Em um acesso de raiva, ele usou sua Espada-Mirari para matar Jeska, mas o golpe a deixou com uma ferida que não sarava e nem podia ser tratada, então o bárbaro decidiu viajar para Krosa na esperança de curar sua irmã e destruir o Mirari.


Em Krosa o Mirari começou a jorrar sua energia e a transformar as criaturas da floresta em bestas gigantescas e enlouquecidas. Essa onda de energia se espalhou por Otária, mutando criaturas normais em versões deformadas. Magos começaram a se liquefazer, goblins se enfureceram e criaram aparências ainda mais grotescas, clérigos emanavam luz própria e soldados pareciam tanques de batalha sem consciência. Além das mutações causadas pelo Mirari, houve o surgimento de Karona e a onda de destruição causada pelos fractius.


Em sua batalha final contra Karona, Kamahl recuperou sua espada do Laquatus zumbi e, orientado pelo espírito de Balthor, ele finalmente conseguiu dominar o poder da Espada-Mirari. Mas Kamahl não teve sucesso em cravar a espada nela, contudo Karona foi morta pela traição de seus próprios asseclas que a apunhalaram com a Espada-Mirari, colocando um fim ao seu reino de terror.


E com o fim de Karona é que descobrimos a origem do Mirari, pois este artefato de poder fora criado por um ser que se chamava Lorde Macht e foi este lorde que influenciou os dois asseclas a trair Karona. Os dois asseclas de Karona se chamavam Sash e Waistcoat. Ambos foram criações de Ixidor e eram unmen – cuja tradução seria algo como não-homens.


Um unmen era uma espécie de portal vivo que permitia que um mestre da demência viajasse e escapasse quando precisasse. Após atravessar por um unmen, o portal se fechava e ele morria. Sash e Waistcoat não queria morrer por Ixidor e por isso fugiram. Eles foram abençoados pelo Patriarca com corpos de baratas, e depois conseguiram corpos humanos cheios de feridas. Os dois foram encontrados por Karona, curados e acabaram se tornando amigos dela, pois não eram afetados por sua aura de devoção. Karona decidiu que eles poderiam ajudá-la em descobrir sua verdadeira identidade.


Foi Sash que percebeu que Karona era uma manifestação de pura magia. Também descobriram que seu poder era baseado na fé e agindo sob as orientações de Lorde Macht, eles a traíram e cravaram a Espada-Mirari em sua barriga.


Mas quem foi esse tal de Lorde Macht, Arconte?


A verdade está logo aqui...

 

 

Sim, meus caros, Lorde Macht nada mais era do que Karn, o golem de prata planinauta!


Karn criara o Mirari na intenção que o artefato fosse apenas uma sonda, mas parece que planinautas têm o dom de causa problemas no Multiverso. Aquilo que trouxe devastação a Otária, iludiu corações e trouxe á vida uma falsa deusa, nada mais era que a invenção de um planinauta pré-emenda que pretendia usá-lo sabe-se lá para quê.


Com o fim de Karona e a revelação de Karn, ele tomou o Mirari e o levou de Dominária para Argentum, criando uma nova onda de eventos e calamidades, mas isto é assunto para um artigo futuro.

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
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(Quote)
- 28/09/2020 19:17

Sem problemas! Estou numa correria para fazer um canal no Youtube sobre Magic e estou tentando resolver isso o quanto antes. Não tem problema o livro demorar um pouco mais. Sabemos que essa questão de TCC é bastante complicada. Envie mensagem nesse número ou add no grupo: (61) 998688223. Valeu!


(Quote)
- 28/09/2020 17:41

S2

(Quote)
- 28/09/2020 17:33
Cara, sou apaixonado pela Lore do jogo e super curti alguém que escreve sobre, valeu demais s2
(Quote)
- 28/09/2020 15:39

O rapaz que traduziu não postou ainda porque não fez as revisões que lhe enviei. Ele está atarefado com o TCC, então capaz do livro estar pronto em.novembro. Se você entende um pouco de inglês e tiver tempo também, manda seu contato que te coloco no grupo. O povo não está traduzindo nada no momento, mas vez ou outra, alguém se anima em algo e fazemos alguns projetos.

(Quote)
- 28/09/2020 15:36

Obrigado pelas correções. Não tive contato direto com o livro. Um colega havia começado o trabalho de tradução, mas acho que desistiu então acabei não lendo os livros já esperança de sair a versão em PT. Sobre a questão dos desejos, isso eu sabia, eu só deixei em elipse no artigo para dar evidência ao fato do Chainer não ter saído na arte do desejo preto. Mas os demais detalhes são novidades para mim,noois as fontes em que pesquiso trazem pontos de.vista diferentes.
Voce mencionou que pretendia traduzir, se tiver interesse, temos um grupo onde nós voltamos para isso. Bem, pelo menos quando o povo se anima. Se quiser deixar seu contato, quem sabe você não se anima de iniciar a tradução.

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