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Classificando o Power Level do seu Commander!
Hoje iremos aprender uma forma de analisar o Power level do seu commander de uma maneira simples!
Há 17 dias - 10.544 visualizações - 70 comentários
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Fala galera, tudo certo? 

 

No mês de janeiro tivemos um pequeno hiato, porém estamos de volta com a nossa coluna sobre commander competitivo. 


Assim como nosso último artigo, esse também terá uma abordagem mais ampla, abrangendo tanto o cEDH quanto o commander tradicional, já que hoje falaremos sobre power level. 

 

Muito se diz a respeito desse assunto pela internet afora, de formas diferentes mas sempre num mesmo padrão. 


Essas classificações servem como uma forma de parametrizar seus decks para que não haja uma discrepância muito grande entre um deck e outro numa mesa onde todos querem se divertir, evitando situações onde presenciamos os chamados Pub Stomps

 

Pra quem não é muito habituado à essa expressão, PubStomp é usada para descrever uma ocasião onde numa mesa com quatro jogadores, um deles tem um deck com o power level muito elevado em relação aos demais propositalmente, causando um enorme desconforto por vários motivos. 


Essa prática é muito mais comum do que parece, e é ligada com freqüência ao cEDH por pessoas que crêem que um deck mais forte seja um deck competitivo, o que não é verdade, já que existem inúmeras classificações para definir o power level dos decks. 

 

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que estaremos utilizando uma tabela de ranking que vai de 1 à 10 em ordem crescente.

 

Então como de praxe, sem mais delongas e vamos ao que realmente interessa!

 

 

1 & 2 – Decks sem foco


Nos níveis 1 & 2 temos a mais baixa das classificações, geralmente presentes em grupos que estão iniciando agora no formato, ou até mesmo no magic através do commander. 


No grupo 1 é comum vermos decks que não tem objetivos, e seus únicos parâmetros são os padrões de criação do formato, onde o jogador apenas junta suas melhores cartas, uma criatura lendária e vai jogar com uns amigos. 


Esses decks não se preocupam com redundância, curva de mana, entre outros conceitos simples, que acaba gerando uma grande sequência do famoso “mana vai” por longos turnos.


Já o grupo 2, apesar de também não ter um foco específico, já possui um ponto de partida, geralmente baseado em uma pet card ou conceito que o jogador julga interessante, como decks de “Ladies looking left” por exemplo. 


Em ambos os casos os decks não possuem win condition definida, se limitando a ganhar através do combate e contando muitas vezes com a sorte, fazendo com que essa fase seja relativamente rápida, pois com um pouco de contato com outros jogadores e um pouco de experiência adquirida é possível ter um bom upgrade. 

 

3 & 4 – Iniciantes

 

Dentro dos níveis 2 & 3 é onde temos contato com os famosos decks pré construídos, o que colabora para a grande densidade de jogadores que eles possuem. 


O nível 2 especificamente, são decks pré construídos sem nenhuma mudança, onde temos bases de mana com muitas Taplands e Guildgates, pedras de mana não muito efetivas, além de contar com muitas cartas que chamamos de “Tapa-buraco” apenas para atingir a quantia correta.


Então já devem imaginar que o nível 3 seja onde ficam os decks pré construídos modificados pelos jogadores, geralmente melhorando de forma singela suas bases de mana, substituindo tap lands por scry lands, por exemplo. 


Também vemos uma melhora significativa na curva de mana, contando com a adição e melhora na qualidade de ramps, além de também conseguirmos enxergar uma win condition definida, mesmo que muitas vezes sejam através de combos de muitas peças e muito sensíveis. 


Geralmente nesses níveis vemos muito poucas respostas e tutores, aparecendo também com custos muito altos para o que fazem.

 

5 & 6 – Decks Funcionais


Os níveis 5 & 6 são geralmente onde muitos jogadores acabam se localizando, tanto por ser um ambiente extremamente receptivo e quanto por também ser muito mais acessível.


 Ambos são muito parecidos, porém com uma distinção que envolve também a experiência do jogador. 


No grupo 5 temos aquele player que se dedicou a melhorar o seu deck pré construído de forma consistente, adicionando remoções globais, cartas para lidar com ameaças específicas, e já conhece e sabe trabalhar o conceito de card advantage. 


Ele também já possui um objetivo, mas que é limitado para respeitar um budget, colaborando para a presença de cartas com bons efeitos, mas custos altos e condições complicadas. 


Do outro lado, no grupo 6 temos jogadores que já conseguem montar decks com boas sinergias e um plano de jogo sólido, onde a escolha de cartas tem um foco melhor, porém ainda com um pouco de variância na eficiência.


Uma melhora na curva de mana também pode ser constatada na forma de lands que entram de pé ou tem algum efeito utilitário condizente com a estratégia. 
Geralmente nessa condição o budget é um pouco mais alto. 


7 & 8 – Otimizados


No grupo 7 podemos dizer que começamos a jogar com um pouco de poder, já que a prioridade é encontrar sempre as melhores cartas para sua estratégia, também contando com um aumento significativo no número de tutores, independente de seus custos de mana. Além disso, temos um foco maior em seguir uma estratégia principal e evitar linhas paralelas que desviam o jogador dele. 


Esse grupo está a uma linha muito tênue em relação ao grupo 8, que é diferenciado principalmente por ter um limite budget ligeiramente maior, onde o custo de mana de suas cartas geralmente é escolhido com mais cautela, assim como uma base de mana muito melhor construída. 


Geralmente as estratégias neste nível são muito mais claras e possuem planos de jogo mais consistentes, priorizando um objetivo que tem múltiplas formas de ser alcançado. 

 

9 & 10 – cEDH

 

Adentramos por final o último andar desse ranking, onde temos definidos os chamados decks competitivos, que constituem um pequeno nicho dos jogadores de commander, incluindo esse que vos escreve. 


No grupo 9 estão presentes os decks cEDH de tier2 que já possuem grandes características de um deck competitivo, como por exemplo a prioridade por não abrir brechas para “dead slots” além da capacidade de conjurar múltiplas mágicas por turno, incluindo o turno 1. 


Há também uma preocupação muito maior em ser resiliente, podendo jogar avançando seu plano de jogo mas recuando e sendo responsivo em certos momentos específicos. 


Aqui os planos de jogo menos consistentes e que exigem mais peças são logo descartados, como por exemplo o beat down, que acaba demandando uma formação mais lenta de um board state


Apesar disso, ainda temos espaço para trabalhar com um budget e estratégias diferenciadas, que são chamadas comumente de “Fringe Decks”.
 

Já na Décima camada temos contato direto do que é chamado de Tier1 do commander competitivo, onde as cartas são minuciosamente selecionadas por suas funções, a fim de eliminar por completo os dead slots. 


Geralmente estamos lidando com listas que têm uma consistência enorme para exercer sua função logo no primeiro turno, capaz de lidar de forma eficiente com ameaças dos oponentes. 


Nesse âmbito não temos um limite budget, por isso decks de valores muito altos são comuns, visto que o principal objetivo é usar o que existe de melhor para cada função. 

 

Espero que assim como nosso glossário esse artigo seja útil para todos os jogadores que possuem alguma dúvida sobre esse assunto.


Se você gosta desse formato de artigo mais informativo, ou tem alguma sugestão, crítica ou algo a dizer, deixe nos comentários por que sempre leio e levo em consideração :D

 

Agradeço a todos que leram até aqui, e não se esqueçam de entrar no nosso grupo cEDH Brasil no facebook e acompanhar o nosso canal na Twitch (twitch.tv/papo_cedh) que é uma extensão de nossa coluna de uma forma mais próxima de quem nos acompanha. 

 

Um grande abraço a todos, e até a próxima!

 

 

Por Jefferson (Jeff) Barbosa

Jefferson C Faria Barbosa ( D3AD)
Jefferson é entusiasta do formato cEdh
Redes Sociais: Facebook
Comentários
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(Quote)
- 24/02/2021 15:41

Na minha mesa aqui, a gente joga cada um com uma média de 3 decks, cada um com níveis 5, 7 e 8.
Raramente eu jogo com o meu competitivo que tá entre 9 e 10 pra não ter stress com uma galera, mas sempre jogo com os outros que são de boa pra isso mesmo. Pra mim, é só entender aonde está o nível da mesa e ser honesto...

(Quote)
- 24/02/2021 10:10

Concordo. Porém, depende um pouco do que você vai fazer com elas. Eu tinha uma Nahiri Monowhite que, a meu ver, era Tier 7 ou 8. Como o deck era realmente otimizado (cada carta do deck, era melhor disponível possível), eu suspeito que talvez fosse Tier 8. Mas era um Monowhite, e não era combo nem stax, então talvez fosse Tier 7. Enfim... eu procurei montá-la o mais forte possível, que um Monowhite Nahiri poderia ser. Eu sempre curti jogar Commander assim. Pegar um comandante ou estratégia qualquer que eu goste, sendo elas boas ou não, e montar o melhor deck possível ao redor dela.

Nesse deck eu usava Mana Crypt, Mana Vault, Ancient Tomb além do óbvio Sol Ring. De ramp era basicamente só isso. O meu deck era um Aggro Control, e o que essas cartas permitiam, era basicamente que eu colocasse a Nahiri ou outra value engine antes do esperado no campo, e começasse a tentar snowballar o game. Ou seja... elas eram fortes no deck, mas não eram broken. Eu sentava com esse deck pra jogar em mesas com gente que tinha decks Tier 5... 6, e dava jogo, porque meu deck era bem honesto.

Mas, sem dúvida. Essas pedras permitem inícios bastante brokens em decks Tier, com estratégias realmente fortes, como combo ou stax. O meu deck era um ponto totalmente fora da curva. Acho que quase ninguém gastaria o que eu gastei nesse deck pra montar um Monowhite honesto. Mas o legal dele, é que o deck surpreendentemente jogava bem tanto contra decks não tão fortes Tiers 5... 6, quanto contra decks competitivos, Tier 9 e tal.

(Quote)
- 24/02/2021 00:15
Tem vaga de garçom ainda?
(Quote)
- 23/02/2021 17:48

Perfeito. É isso mesmo.


Cara, essas pedras da RL elevam o jogo a um outro patamar. Pra mim, quando você tem decks nestes níveis, podendo liquidar a partida antes do T3 com regularidade, grande parte da diversão se foi.
Como foi dito, em termos de diversão, eu realmente acho que Commander brilha lá pelos níveis 5/7.
Dekcs groselhas demais também são um porre, porque a tendência é que a partida dure 2 horas... ou mais.
Mas eu sinceramente acho ZERO divertido tomar uma combo (ou mesmo vencer com um combo) com 5 minutos de jogo :/

(Quote)
- 23/02/2021 16:13

Sem dúvida. Concordo plenamente! Porém, acho interessante ressaltar um ponto: na minha experiência, existe uma certa flexibilidade entre os Tiers 4 e 7. Talvez até 8. Nos meus playgroups, sempre foi bem comum aparecer uma galera com uns decks que eu entendo como sendo Tier 5, sentar pra jogar numa mesa contra outros decks de Tiers 7 e 8, e jogando bem. Eventualmente até ganhando.

No meu playgroup acontecia direto... uma mesa com, digamos, dois jogadores com decks Tier 7, um jogador com um deck Tier 8 e um jogador com um deck Tier 5. Os jogadores com os decks mais fortes controlavam uns aos outros. O cara com o deck mais fraco pontualmente contribuía também com alguma boa remoção ou disrupt. E eventualmente, o cara com o deck mais fraco jogava uma bomba num momento oportuno, ou encaixava um combo sub-ótimo e ganhava.

Já com os Tiers 9 e 10, eu já acho que isso é impossível. Os decks são tão eficientes e rápidos, que simplesmente fica impossível ter jogos equilibrados sem jogar contra outros decks de poder semelhante. Nessa mesma mesa que eu exemplifiquei, se o cara do deck Tier 8 tivesse um deck Tier 10, por exemplo, acho que nem haveria jogo. O cara ganharia 8 ou 9 de 10 jogos, antes do turno 4.

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