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Magic e as Vacas Sagradas
As Vacas Sagradas do Magic são geralmente deixadas de lado, no artigo de hoje vamos entender o que são e como tirar o maior proveito possível
29/06/2021 10:05 - 6.217 visualizações - 22 comentários
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Na época áurea pré corona eu fazia algo chamado ROLÊ, que é, basicamente, escolher amigos mais próximos e sair para se divertir. Faz tanto tempo que nem lembrava mais como eram os rolês para poder explicar aos desavisados. 


Os rolês com o pessoal do Magic eram uma desculpa para sair de casa sem jogar Magic, no entanto, grande parte da noite nós ficávamos conversando sobre o joguinho que é parte tão importante de nossas vidas.


Em um destes rolês(desculpa pessoa do Rio, pra mim é rolê e não rolé), estava conversando com o Fuzzy, grande amigo meu, quando ele me diz que devemos sacrificar as vacas sagradas do Magic. A discussão durou algumas horas e eu concordei plenamente com a teoria dele de que, frequentemente temos algumas cartas-chave dos arquétipos em que ninguém tem coragem de mexer em suas quantidades, todavia, em algumas situações é correto “sacrificar” estas vacas sagradas para obter outras vantagens durante um torneio.


Há um pouco mais de 2 décadas, não havia muita teoria aplicada no jogo. A internet não era tão simples para todo mundo, e mesmo para quem a usava, nem todos conheciam grandes portais como The Dojo. O resultado disso era muito deck maluco da cabeça das pessoas. 16 terrenos com cartas de custo 4 ou mais, má distribuição de cores dentre os terrenos, em suma, um monte de groselha infundada. Alguns anos depois, a teoria já ficou mais mainstream, e, no ano de 2021, nós temos noção do que são cantrips, card advantage, tempo plays e muitos outros conceitos que foram criados ao longo de quase 3 décadas do jogo.


Meu objetivo aqui é mostrar que, quando consciente, sacrifícios de cartas “importantes” do deck devem sim ser feitos se você quiser ganhar algum tipo de vantagem no field

 

- INOVAR É PRECISO


Sempre gostei de testar tecnologias com o potencial de serem revolucionárias, mas é claro que isso é sempre uma CHANCE de ser bom. Não consigo contar quantas vezes eu quebrei a cara tentando inventar moda quando o “correto’ era simplesmente jogar com uma lista stock.


Quando quiser testar algo diferente, primeiro se pergunte “o deck precisa desta mudança ou estou mudando apenas por mudar?”. Não adianta querer reinventar a roda, as mudanças devem vir por NECESSIDADE! Eu sei que jogar com Explodir em Raios pode parecer legal quando você flooda, mas se isso vier com o downside de cortar uma quantidade de Raio, você está mudando algo porque quer e não porque precisa.

Jund Lurrus
4162 visualizações
21/06/2021
R$ 5.794,53
R$ 8.763,17
R$ 17.534,63
4162 visualizações
21/06/2021
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Gerar Imagem
Companheiro (1)
1  Lurrus da Toca Onírica   49,88

Criaturas (18)
4  Hierarca Ignóbil 71,10
4  Ragavan, Afanador Ágil 487,50
4  Caminhante do Vazio Dauthi  73,45
2  Croxa, Titã da Fome da Morte  105,00
4  Tarmogoyf  100,00
Mágicas (16)
3  Capturar Pensamento 83,74
1  Desenterrar 0,94
3  Empurrão Fatal 6,90
4  Inquisição de Kozilek 9,81
4  Raio 7,51
1  Troféu do Assassino  55,00
Artefatos (4)
4  Bijuteria de Mishra 35,91
Terrenos (22)
1  Catacumbas Verdejantes138,10
2  Charco Florescente24,90
3  Contraforte Arborizado139,48
2  Cripta de Sangue44,99
1  Floresta0,00
4  Lamaçal Ensangüentado131,74
1  Montanha0,00
1  Pântano0,00
4  Penhascos de Fenda Negra89,90
1  Solo Pisoteado30,51
1  Tumba Abandonada36,57
1  Turfeira Nutriz75,00
60 cards total

Sideboard (15)
2  Explosivos Fabricados 74,99
1  Capturar Pensamento 83,74
1  Desenterrar 0,94
1  Empurrão Fatal 6,90
2  Véu do Verão 28,81
3  Quebrar o Gelo  0,25
2  Rancor Antigo  0,15
2  Tourach, Chantre Medonho  20,24
1  Lurrus da Toca Onírica   49,88

Desde seu lançamento, em 2011, Liliana do Veu foi staple do Jund Midrange, garantindo sua inevitabilidade do late game onde os recursos adversários seriam, certamente, transformados em pó.


Durante anos era pecado tirar os 4 Confidente Sombrio e as 4 Liliana do Veu do deck, a ponto de ser apedrejado pela comunidade de tiozões de deck foil.  


Nos dias de hoje vemos que os Confidentes são complicados de se usar num mundo onde Prowess domina o Modern e Liliana significa card disadvantage, onde, literalmente, todos os decks do formato fazem 2 pra 1 com praticamente todas as suas cartas.

 

No caso do Jund, foi uma junção entre lançamentos de Horizons 2 e as vantagens de se jogar com Lurrus da Toca Onirica, substituindo o Bob por cartas que funcionam melhor contra decks ultra agressivos e trocando as Lilicas pela possibilidade de ter um Companion.


Você ainda pode jogar com o Jund tradicional, todas as cartas são válidas no Modern, no entanto, a nova configuração tira amplo proveito de suas cartas, tanto pela sinergia que geram entre si tanto pelo seu posicionamento no meta. Não adianta você jogar com a melhor carta de 2004 se ela não é boa em 2021.

 

Inovar nem sempre é necessário, muitas vezes, as pessoas acabam inovando pelo simples ato de jogar com algo diferente, e normalmente isso é errado. Como sempre digo, tudo o que você for mexer em seu deck deve ter uma justificativa válida e não só “adoro o desenho dessa carta” ou algo do tipo.

 

- INTUIÇÃO TAMBÉM CONTA

 

Nem sempre teremos provas matemáticas de que as mudanças feitas serão realmente melhores, mas, como todo bom magiqueiro, temos intuição graças às milhares de horas de repetição. Eu posso pegar uma decklist online, jogar um pouco com ela e perceber um erro grave em algum aspecto do baralho, seja ele base de mana, core de spell ou sideboard, e, devido à minha experiência envolvendo o jogo no geral, eu posso querer mudar algo dalí para testar, não necessariamente com milhares de comprovações científicas para justificar a mudança, mas com a intuição adquirida através de muitos erros e acertos. Dito isso, claro que eu erro, que você erra e ainda vamos errar, mas não fique insistindo que toda mudança precisa de um TCC justificando, pois, assim você nunca vai mudar nada nos decks e jogar com tecnologias ultrapassadas.

RUG Scapeshift
4281 visualizações
17/06/2021
R$ 4.700,11
R$ 6.841,96
R$ 18.959,02
4281 visualizações
17/06/2021
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Gerar Imagem
Criaturas (7)
4  Coatl Presa-de-gelo  28,96
2  Mago da Conjuração-relâmpago  169,90
1  Caloteiro Descarado // Pequeno Furto    //   43,00
Planeswalkers (2)
2  Wrenn e Seis  599,99
Mágicas (22)
4  Raio 7,51
1  Amuleto Izzet  0,50
4  Aprisionar  6,65
2  Contramágica  1,56
4  Espiral de Crescimento  0,25
2  Amuleto do Arquimago   135,00
2  Comando Críptico    61,66
3  Metapaisagem   56,91
Encantamentos (1)
1  Busca por Azcanta  33,90
Terrenos (28)
1  Bosque Alagado19,90
4  Bueiros de Vapor44,99
1  Charco da Procriação59,99
1  Fjord Volátil2,25
4  Floresta Tropical Nebulosa169,99
1  Floresta da Neve0,00
3  Ilha da Neve0,00
3  Lago Alpino Fervente179,94
1  Montanha da Neve0,00
4  Solo Pisoteado30,51
3  Trioma de Ketria40,00
2  Valakut, o Pináculo Derretido56,91
60 cards total

Sideboard (15)
2  Explosivos Fabricados 74,99
2  Véu do Verão 28,81
2  Rajada de Éter  2,74
1  Resistir à Tempestade  0,75
2  Disputa Mística  2,63
2  Fúria dos Deuses   4,99
1  Rastreador Incansável  24,61
1  Baloth Obstinado   0,99
1  Força do Vigor   169,99
1  Gargarote Ancião   79,88


RUG Scapeshift é meu deck preferido de todos os tempos no Modern, joguei com o deck no finado Extended, e venho jogando com ele desde o desbanimento do Valakut em 2012.


No passado eu joguei com Anciao da Tribo Sakura, Busca Longinqua e Buscar pelo Amanha como ramps, no entanto, senti que, para me adaptar melhor ao field, se eu fosso um tempo-control com poucos ramps e bastante resposta barata eu ganharia tempo o suficiente para chegar nas 7 lands para o Scape letal, foi assim que cortei os ramps citados e os substituí por 4 Espiral de Crescimento, que é um ramp pior que os outros, mas que funciona maravilhosamente bem com o plano draw go do deck.


À primeira instância eu estava inseguro sobre a nova versão do deck, dado que o mais comum era jogar com 8+ ramps, como dito ali em cima. Após gravar alguns vídeos para o Youtube e enfrentar o Rudá numa batalha de Streamers que fizemos na Twitch, vi que a lista ficou bem redondinha, e minha intuição, apesar de valer menos que um argumento cheio de fundamentos, como eram os slots dos ramps antigos, se provou importante, além de remover o quarto Scape, mas como quase tudo do deck se repõe, não é difícil encontrá-lo quando necessário.

 

Claro que você não vai remover os 4 Scapeshift do deck e ainda chamá-lo de Scapeshift, apenas entenda que as Vacas Sagradas do Magic existem sim, mas que, com conhecimento teórico aplicado no prático, você pode sacrificá-las sem um drawback muito grande.

 

- NINGUÉM É GÊNIO


Erros ocorreram e vão continuar acontecendo, não deixe isso te colocar medo em fazer mudanças, desde que sua mudança tenha um bom argumento a favor.


Quantas vezes eu já acertei “sem querer”, chegando numa lista maravilhosa, muitas vezes sem treino, para um bom torneio? E quantas vezes eu errei brutalmente, fazendo mudanças que se provaram horríveis mesmo após diversos testes.


Não se cobre demais se sua mudança não fez bem para o arquétipo, nós costumamos ver decks super otimizados na internet e acabamos esquecendo que isso só foi possível, pois dezenas de pessoas testaram uma infinidade de cartas nele através de milhares de jogos combinados. Se você errar, não se cobre muito por isso, entenda onde foi que errou e parta para a próxima, caso contrário você entra num looping de “tudo o que eu toco morre” e transforma sua zona de conforto no fato de nunca mexer em nenhuma lista. Acredite, eu já estive lá.


Inovar é sempre bom, desde que não atrapalhe o plano principal do deck só porque é legalzão jogar com groselhas. Pro competitivo, mais vale um deck careta que funciona que uma groselha legal que não ganha nem jogando sozinha.


É isso aí galerinha, espero que tenham gostado, deixem nos comentários abaixo o que vocês gostariam de ver nos meus próximos artigos, me sigam no Youtube e Twitch para gameplays frequentes de Modern e Legacy e um beijo do tio Oreia!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
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(Quote)
- 02/07/2021 02:40

O que deve estar te desanimando é a deprimente prática do pub stomping ( decks muito mais caros e otimizados no seu playgroup) .Mas resolvendo isso ( limitando o preço dos decks por exemplo), 6 turnos é uma eternidade comparado a uma partida de Legacy /Modern . Vai por mim, não há decklist no mundo que te dê absoluta consistência com 100 cartas . Essa é a magia do Commander , a imprevisibilidade

(Quote)
- 01/07/2021 17:23

eu ja jogo commander e o que mais tem nas mesas que jogo é gente de netdeck e combo em 6 turnos, isso me faz ficar sem vontade de jogar commander

(Quote)
- 01/07/2021 05:40
Um bom exemplo disso foi da retirada gradual nos últimos 4 meses da carta Ad Nauseam do deck modern que leva seu nome, após o banimento do Simian Spirit Guide. Atualmente quase todas as versões do deck utilizam apenas 1 cópia da carta no maindeck. De começo achei um pouco estranho, pois sempre foi utilizado 4 cópias da carta e mesmo pós side NUNCA se tirava ela, mas com o passar do tempo fui vendo que n tinha mais porque usar tantas cópias assim da carta se ela não era mais o foco principal do combo, e sim combar de Angel's Grace + Spoils + Thassa's Oracle.
(Quote)
- 30/06/2021 18:01
Todas as vezes que leio algum artigo tento aplicá-lo a todos os jogos com os quais tenho contato, não somente ao Magic, além do cotidiano. Obrigado pelo escrito!

(E todas as vezes que eu vejo listas de baralhos, os preços me geram revolta e desânimo em medidas absurdas e iguais, e me lembro porque deixei o jogo de lado.)
(Quote)
- 30/06/2021 14:28
Magic premia boa imaginação mas claro que isso depende da compreensão de todos os fatores que cercam o objetivo, as escolhas corretas variam muito rápido e geralmente as net listas estampadas hj já são um delay de um cenário que pode já não ser mais o ideal. Como um antigo patrão meu disse uma vez " o negócio não é correr atrás, é correr na frente"
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