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100% de aproveitamento
Entender seu estilo de jogo é crucial para o aproveitamento técnico e de divertimento durante uma partida!
20/07/2021 10:05 - 5.862 visualizações - 40 comentários
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O anime Yu-Gi-Oh! Era, provavelmente, o mais semelhante a “pay to win” que já vimos. Nele existiam as cartas de Deuses Egípcios e Relíquias do Milênio, se você possuísse uma dessas, você ganharia a partida mesmo que seu adversário jogasse melhor que você. As coisas mudam se você vier para o Magic, aqui não adianta você ter o melhor deck do meta, já que muitos outros jogadores do torneio também usarão o mesmo deck, o que muda no Magic em relação ao Anime de Yu Gi é que aqui a habilidade faz diferença. “Dê um peixe a um homem e ele se alimentará por um dia, dê um tier 1 a um péssimo jogador e ele fará 3-3”, já dizia o ditado.

 

Uma das coisas mais maravilhosas do Magic é que você pode adequar o seu deck ao seu estilo de jogo, o que quer dizer que você pode sempre jogar do que gosta, mas isso vem com um custo, o custo da afinidade(não a por artefatos), que é aquilo que faz com que você se divirta com aquele estilo de jogo, mas também é o que te afasta de gostar de jogar com decks que não façam seu estilo, por melhores que sejam.


Num mundo onde o competitivo fosse ultra optimizado, todos jogariam com o melhor deck do formato não importa qual seja, ignorando o fator conseguir cartas para aquele deck, aprender a jogar com ele e, principalmente, ter alguma alegria ao pilotá-lo, o que não é a verdade. Quando escolhemos um deck, ele sempre está dentro destes conceitos recém citados, onde você só consegue jogar com cartas que tem acesso, jogar bem com arquétipos que tenha maior conhecimento e estilos de deck que te agradam.

 

É importante lembrar que todos temos limitações, nem todo mundo quer ser profissional no jogo, e mesmo os que são, ainda têm alguns arquétipos que se destacam invés de serem 100% em tudo, e é por isso que você deve entender qual seu estilo de jogo, pois não adianta pegar o melhor deck do universo se você não consegue/não gosta de jogar com ele, isso faz com que seu rendimento caia muito e é importante lembrar que decks de alta performance não são mães não, eles não perdoam todos os seus erros, portanto, jogar de tier 1 absoluto porcamente pode te fazer perder mesmo para um deck forfun.

 

 

Zé, um grande amigo meu e que me ensinou muito sobre o Magic competitivo, apesar de ele odiar jogar torneios e adorar montar decks da cabeça dele, sempre ia jogar com cartas como Extracao Cirurgica em seus decks e as subia mesmo quando não deveria. Uma vez eu o vi subindo surgical contra um deck que não usava cemitério e o perguntei o motivo. A resposta dele foi bem simples, porém esclarecedora: “Eu não jogo torneios, não sei direito o que o deck do meu oponente faz, então, com a Surgical eu posso dar a sorte de tirar alguma coisa importante dele gratuitamente, mas caso isso não ocorra, eu pelo menos tenho a possibilidade de ver o deck dele e entender, mesmo que isso me custe um slot morto”.

 

  


O Zé fazia outra coisa diferente da maioria dos jogadores, quando ele jogava de Storm Legacy, ele trocava as Terapia da Cabala por Capturar Pensamento, que eram efeitos inferiores para o baralho, mas o fato de não saber o que nomear com as Therapy versus sempre tirar a melhor carta com o Seize, mesmo que ao custo de 2 de vida, o fazia ganhar mais jogos ao adaptar sua decklist ao estilo de jogo/conhecimento do formato.

 

Foi a convivência com o Zé que me esclareceu que, se eu quisesse ir bem num torneio, eu precisaria jogar com um deck bem posicionado E que se adequasse ao meu estilo de jogo, caso contrário eu poderia jogar mal, ou pior, sair do torneio desgostoso.


Em 2012 um amigo me pediu várias cartas emprestadas para montar um 12 Post, deixei as coisas com ele, e tudo o que tinha me sobrado para montar, e que era bem posicionado no Legacy na época, era um RUG Delver. Montei o RUG e fiquei uns 2 ou 3 meses só jogando com ele. Obtive bons resultados em torneios grandes e pequenos, mas com um alto custo a se pagar… eu não me divertia quando jogava com o deck, apesar de adorar tempo decks, eu odeio a carta Delver of Secrets, então, cada torneio que eu não ganhava com o deck eu me cobrava ainda mais, causando um estresse muito grande, que nulificava completamente a experiência de se jogar Magic. Resultado: até fui bem com o baralho, mas hoje, 9 anos depois, eu não jogo de Delver nem nos treinos de tanta raiva que fiquei com o deck.

 


A moral da história do episódio de He-Man de hoje é que não adianta você jogar com um deck apenas por jogar. Você pode estar testando novos arquétipos para melhorar sua qualidade de jogo, e isso é ótimo! Só tenha em mente que cada um de nós tem inclinações para arquétipos específicos, e quando fugimos muito disso a chance de jogarmos com algo desconfortável é grande, tanto no sentido habilidade quanto no diversão, e como sempre digo aqui: Magic foi feito para nos divertirmos, e quando você força demais o fator competitivo sobre diversão, a chance de estragar a sua experiência é alta. Eu gosto de ganhar, eu ADORO ganhar, mas se isso vier com o custo de não me divertir enquanto ganho, é melhor não jogar.

 

Entenda seus limites, não há problema algum em tentar melhorar aquilo que você acredita ser uma falha, principalmente quando se trata de Magic competitivo, só não deixe a vontade de melhorar seu jogo sobrepor a vontade de curtir o Magic como ele deveria ser jogado desde sua concepção.


Vou me despedindo aqui, mas antes deixo meu jabazinho, meu canal do Youtube e da Twitch, com gameplays frequentes de Modern, Legacy e às vezes de Pioneer!


Fiquem bem! E um abraço do Orelha!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
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- 09/08/2021 10:25
Excelente artigo, Orelha!
(Quote)
- 04/08/2021 01:22

Sim sim... O problema é que quando se descobre as ferramentas certas, elas começam a subir de preço kkk algumas permanecem pegáveis, outras desistíveis pra galera kkk

(Quote)
- 04/08/2021 01:20

Eu concordo com vc. Jogo de BG Deapts sem Catacumbas, o que barateia meu deck em mais de 10k para 1200... Mas quando falei de "Pay to Win", me referi a Winrate mesmo... E isso em caleonato faz diferença

(Quote)
- 04/08/2021 01:14

Sim. Nenhum deck é invencível... Mesmo um tier1 contra um casual... Porém estamos falando de winrate... Quantos games o casual combino perderá para ganhar uma?

(Quote)
- 26/07/2021 21:04
Ótimo texto. Em algum momento sofri com esse dilema e minha escolha foi diversão em detrimento aos TIER 1 da vida... Hoje deixo a competividade de lado pelo barato de testar aquela groselha que me agrada!
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