Fala, pessoal!
Aqui quem escreve é o Silas Pereira, mais conhecido como TheGrimLavamancer no MTGO, jogador e organizador de eventos de Legacy na região do Sul de Minas.
Hoje, com a ajuda do Juliano Gennari, tenho o prazer de trazer um report mais do que especial. Desta vez, vamos acompanhar a trajetória de um grande amigo da nossa comunidade do Sul de Minas que conquistou o título do Special Alpha Legacy 50K, realizado durante a LigaFest, em São Paulo, nos dias 11 e 12 de julho.
O torneio reuniu 137 jogadores e apresentou um metagame bastante diversificado, refletindo a riqueza e a competitividade do Legacy atual. (Link para todos os decks)

Entre os arquétipos que mais se destacaram ao longo do evento, UB Tempo, UW Phelia e Lands conseguiram colocar representantes no Top 8, mostrando a força e a variedade do formato.


No fim, quem levantou o troféu foi Bernardo Gibran, pilotando com maestria seu UB Tempo ao longo de dez rodadas extremamente disputadas. O torneio não contou com corte para Top 8. Os jogadores disputaram seis rodadas no primeiro dia, e apenas os 64 melhores avançaram para o segundo dia, onde mais quatro rodadas definiriam o campeão.
A decisão ficou para a última rodada. Com a classificação e a premiação máxima já garantidas, Bernardo e Ramon optaram por dividir a premiação em dinheiro e jogar exclusivamente pelo título, pelo troféu e pelo reconhecimento de se tornar o grande campeão daquele fim de semana.
E é justamente essa jornada que você vai acompanhar a partir de agora. Tudo o que segue abaixo é o relato do próprio Bernardo, contando com suas palavras, suas impressões e suas experiências ao longo de um dos maiores torneios de Legacy do Brasil.
Aproveitem a leitura!
- Report Special Alpha Legacy 50K – Bernardo Gibran

Hoje vou compartilhar o report completo da minha campanha no Special Alpha 50K, realizado durante a LigaFest.
Desde o anúncio do evento, eu sabia que precisava estar lá. Como um grande apaixonado pelo Alpha Legacy e alguém que sempre fez questão de participar dos grandes eventos organizados pelo Marajá, perder esse torneio simplesmente não era uma opção.
Mas havia um problema: eu não fazia ideia de qual deck jogar.
Entre o anúncio e a data do campeonato ainda teríamos lançamentos importantes chegando ao formato. Primeiro Strixhaven e, principalmente, Marvel, que seria lançada apenas duas semanas antes do evento. Com um metagame tão aberto e sujeito a mudanças, a escolha do deck foi sendo adiada cada vez mais.
E então a Marvel chegou.
Junto dela veio a carta mais comentada do momento: The Fantasticar.

A carta realmente era tudo aquilo que diziam. Testei bastante no MOL, explorei possibilidades e cheguei a considerar seriamente jogar com ela. TES e Doomsday foram opções reais durante minha preparação. Porém, por mais que eu goste dos dois decks, já tive experiências suficientes em campeonatos longos para saber o quanto eles podem ser desgastantes mentalmente. Em torneios de muitas rodadas, o cansaço cobra seu preço, e muitas vezes não é o deck que perde as últimas partidas, mas sim o piloto.
Foi então que escolhi voltar para aquilo que eu conhecia melhor, o UB Tempo.
Nos últimos meses eu vinha jogando uma versão com splash vermelho, utilizando Volcanic Island e Badlands para ter acesso a Pyroblast e Meltdown no sideboard, melhorando mirrors e confrontos contra Chalice of the Void. Porém, para este evento específico, a necessidade de maximizar Force of Negation e aumentar o número de Consign to Memory falou mais alto. Assim, optei pela versão pura UB.
O maindeck não traz muitas novidades, exceto por um detalhe que certamente vai gerar julgamentos: 61 cartas.
Eu queria muito manter o Brazen Borrower // Petty Theft na lista e, sinceramente, não encontrei nada que estivesse disposto a cortar. Como o deck cava muitas cartas por partida, decidi abraçar a heresia e jogar com 61 mesmo.

Já o sideboard foi construído pensando nos decks mais populares do formato naquele momento. A ideia era maximizar minhas chances contra os confrontos que eu esperava enfrentar durante o torneio, assumindo que algumas partidas, como Lands e Death & Taxes, continuariam sendo difíceis independentemente da quantidade de slots dedicados a elas.
A viagem começou ainda na sexta-feira. Saímos de Lavras-MG em quatro pessoas, em uma viagem tranquila, cheia de conversa, testes de ideias e discussões sobre o metagame. Inclusive, foi durante essa viagem que surgiu a ideia de incluir uma Force of Despair no sideboard... Uma decisão que acabaria se mostrando excelente ao longo do campeonato.

O Special Alpha 50K reuniu jogadores de diversas regiões do Brasil. Amigos de antigas viagens, rostos conhecidos da comunidade e muitos jogadores que eu ainda não tinha tido a oportunidade de encontrar pessoalmente.
A dimensão do evento impressionava. Não apenas pelos números, mas pela energia. Era impossível caminhar pelo salão sem perceber que aquele era um momento especial para o Legacy brasileiro.
Mas sem mais delongas, vamos ao report.
● DIA 1
• Match 1 – Mirror (outro UB Tempo) – 2x1
Match sempre complicada. Perdi no dado, o que já me deu um certo medo.
Consegui ganhar o Game 1 controlando o jogo e depois repondo a mão com Flow State.
No Game 2 acabei perdendo porque tomei uma Wasteland seguida de Surgical Extraction e nunca mais encontrei o Pântano que faltava para conseguir fluir o jogo.
Porém, no Game 3, o conhecimento da match e até mesmo como sidear fizeram muita diferença. Remover as Force of Will e subir mais criaturas (2 Dauthi Voidwalker e 2 Barrowgoyf) foi crucial para garantir a vitória.
• Match 2 – UR Delver – 2x0
Match bem tranquila. O plano é jogar para a linha do Barrowgoyf e ir para o abraço; quem precisa se virar é o Delver of Secrets.
O Game 1 foi bem tranquilo, mesmo usando apenas um Barrowgoyf no maindeck. O Flow State encontrou ele rapidamente.
Já no Game 2, meu oponente focou muito na minha Tamiyo, Seasoned Scholar, atacando ela o tempo todo. Com isso, acabei ganhando muito tempo para encontrar os Barrowgoyf e as proteções necessárias.
• Match 3 – BW D&T Yorion – 0x2
Para mim, uma das piores matches para jogar. O deck ganha no tempo e no valor e, mesmo com 80 cartas, parece sempre ter todas as respostas. Mesmo com Massacre e Dauthi Voidwalker no sideboard especificamente para essa match, fui atropelado em um belo 2x0 pelo meu oponente (o grande Orelha, redator da LigaMagic e mestre do deck).
Terei pesadelos com aquele cachorro maldito (Phelia, Exuberant Shepherd) e com Karakas por um bom tempo.

• Match 4 – Sneak and Show – 2x0
Uma match que considero tranquila. A Tamiyo, Seasoned Scholar me dá acesso a recursos praticamente infinitos e, junto com Flow State, permite encontrar tudo o que preciso ao longo da partida. Com isso, consigo controlar o jogo, manter a vantagem de recursos, encontrar um Murktide Regent e, por fim, fechar a partida.
O Game 1 foi na base de descarte, counters e vantagem de recursos.
No Game 2 removi 2 Fatal Push e subi 2 Hydroblast (para o Hexing Squelcher e Sneak Attack), além de 1 Surgical Extraction, 2 Force of Negation e 1 Sheoldred's Edict. Tirei 1 Barrowgoyf, 1 Daze, 1 Nethergoyf e 1 Kaito, Bane of Nightmares.
Consegui descartar as peças importantes dele e manter um counter na mão. Coloquei dois Nethergoyf em campo e fui batendo aos poucos. Quando ele estava com 9 de vida, tinha uma Ilha, uma Montanha, uma Ancient Tomb e uma Lotus Petal. Eu tinha dois Nethergoyf 3/4 em jogo e uma Daze na mão, então eu comprei outro Nethergoyf. Como ele já havia perdido todos os Show and Tell para uma Surgical Extraction bem encaixada, escolhi castar o terceiro Nethergoyf e dar a Daze nele. Assim, meus dois Nethergoyf em jogo passaram para 4/5, deixando ele a 1 de vida e desativando a Ancient Tomb, tirando efetivamente duas manas dele em vez de apenas uma (com a Daze).
Depois ele me mostrou a mão e realmente tinha como sair daquela situação (Sneak Attack, Atraxa, Grand Unifier e Land). Na visão dele, ficou muito feliz quando viu eu gastando a Daze... até perceber que perdeu a Ancient Tomb nessa jogada.
• Match 5 – Affinity Car – 2x1
Foi uma match muito bem jogada por ambas as partes.
No Game 1 fiz o que todo bom UB faz: Descarte, interação nas primeiras ameaças e, quando consegui o tempo que o deck precisa, fechei o jogo.
No Game 2 ele tirou o jogo da cartola. Eu estava controlando tudo, anulando praticamente todas as mágicas. Ele encontrou uma Emry, Lurker of the Loch, fez uma Disruptor Flute para impedir minha Force of Will e, no turno seguinte, encaixou o The Fantasticar. Eu estava exatamente a 16 de vida e basicamente ganharia no próximo turno com o ataque de Barrowgoyf que eu tinha em campo, mas dessa vez o carro levou.
No Game 3 foi praticamente uma aula de side. Muitos jogos com meu amigo George me mostraram que a melhor forma de jogar contra Chalice of the Void é simplesmente o deixar resolver. Então removi praticamente todos os drops 1 e subi todo o side (com exceção de 2 Hydroblast e Massacre).
Mas quem ganhou mesmo foi o Dauthi Voidwalker. Resolvi ele, meu oponente ficou tão preocupado que até fez uma Pithing Needle para ele. Enquanto isso, foi punido tomando Wasteland nas Urza's Saga. Meu Dauthi Voidwalker travava a Emry, Lurker of the Loch, batia de 3 em 3 e enquanto isso eu cavava respostas para controlar tudo.
• Match 6 – UB Tron – 2x1
Acredito que essa tenha sido uma das matches mais importantes da campanha. Conhecia o deck, mas nunca tinha jogado contra.
No Game 1 meu oponente mulligou para 4 e foi muito punido por Thoughtseize. Jogo bem rápido.
No Game 2 ele abriu com o terreno que protege de Wasteland e ainda encaixou um Hullbreacher, que me impediu de encontrar respostas ou flipar a Tamiyo, Inquisitive Student, que é a chave da match.
No Game 3 consegui flipar uma Tamiyo, Inquisitive Student bem cedo, fui interagindo com as mágicas dele e dando Wasteland nele até ultar com a Tamiyo, Seasoned Scholar.
Mas o mais importante foi o pós-jogo...
Eu e meu oponente trocamos muitas informações sobre a match, como manter Kaito, Bane of Nightmares e até os Fatal Push para lidar com os Barrowgoyf, além de discutir como a prioridade era flipar a Tamiyo, Inquisitive Student o mais rápido possível.
Foi minha primeira vez enfrentando esse deck, e essa conversa fez toda a diferença na FINAL.
● Resumo do Dia 1
Meu objetivo inicial era simples: terminar o primeiro dia vivo na competição.
Sabia que o formato estava extremamente aberto e que seria necessário enfrentar de tudo um pouco ao longo do caminho. O plano era confiar no conhecimento acumulado com o UB Tempo, evitar erros desnecessários e deixar que as decisões dentro de jogo fizessem a diferença.
Ao final do primeiro dia, terminei com um 5-1. Não era apenas um bom resultado, mas também a confirmação de que a escolha do deck tinha sido correta.
Curiosamente, era um dos piores 5-1 possíveis em termos de desempate. Alguns dos meus primeiros adversários não tiveram campanhas tão boas e acabaram ficando de fora do Day 2. Isso significava que eu precisaria continuar vencendo para não depender dos critérios de desempate.
Era hora de descansar, reorganizar as ideias e me preparar para o domingo.
● DIA 2
• Match 7 – AlurenTell – 2x0
Essa foi a match que me fez pensar que talvez os Deuses do Magic realmente estivessem do meu lado.
No Game 1 fui obrigado a um mulligan para 4. A primeira mão não tinha nem counter nem descarte. A segunda tinha 6 lands e 1 Nethergoyf. A terceira tinha 0 lands. No fim fiquei com uma mão de Fetch, Tamiyo, Inquisitive Student e 2 Brainstorm.
Fui para a linha da Tamiyo, Inquisitive Student. No primeiro Brainstorm encontrei um Thoughtseize e uma Daze. Consegui resolver o Thoughtseize. Ele tentou se proteger com Veil of Summer, mas a Daze não deixou.
Quando a Tamiyo, Seasoned Scholar chegou em 6 marcadores eu já estava decidido a voltar o Thoughtseize para a mão. Porém, no passe dele fiz o segundo Brainstorm, encontrei outro Thoughtseize e uma Wasteland. Aquilo praticamente selou a partida, me permitiu subir com muita tranquilidade a Tamiyo, Seasoned Scholar.
O Game 2 foi uma loucura...

Minha mão era: Pântano, Wasteland, Force of Negation, Daze, Brazen Borrower // Petty Theft, Orcish Bowmasters e Nethergoyf. Ele fez uma Ilha e Ponder e passou. Comprei outro Orcish Bowmasters, fiz Pântano e Nethergoyf. No turno 2 ele fez land e um Carpet of Flowers e passou. Eu fiz Wasteland e passei com duas manas abertas. No turno dele, ele colocou um Ancient Tomb e fez um Stock Up, e no passe dele, quando fui fazer um Orcish Bowmasters, ele respondeu com Brainstorm. Comprei um Thoughtseize. A mão dele era: 2 Show and Tell, 1 Aluren, 1 Ponder, 1 Brainstorm e Ancient Tomb. Tirei um Show and Tell e dei Wasteland na segunda fonte verde, travando o Aluren e ainda mantendo counter para o Show and Tell.
Aí fui batendo...
Ele encontrou a criatura depois de 2 Ponder e tentou fazer o Show and Tell. Respondi com Force of Negation dando pitch na Daze. Na volta deixei ele a 1 de vida e pensei: "Se ele combar de Aluren, ainda está morto. Se combar de outro jeito, parabéns." Ele realmente foi para a linha de Aluren + Acererak the Archlich. Em resposta ao trigger do Acererak the Archlich, castei o Orcish Bowmasters atravez do Aluren dele e dei exatamente o 1 de dano que faltava. A primeira vez que não comprar nenhuma outra land acabou me ganhando um jogo (devido a ele ter o Carpet of Flowers).
• Match 8 – Lands 2x0 (WO)
Seria um Lands. Meu oponente, que havia começado 5-0-1, avisou ao juiz que chegaria atrasado, mas pediu para não ser dropado. Perdeu a primeira rodada por WO, ficou 5-1-1 e, por coincidência do destino, foi pareado justamente comigo. Uma match que seria extremamente difícil acabou virando uma vitória de presente. Detalhe: ele ainda chegou a tempo da rodada seguinte e terminou o campeonato no Top 8.
• Match 9 – MystiCar – 2x1
Uma match decidida no detalhe.
O Game 1 foi o clássico do UB: descarte no turno 1, counters em sequencia ate cair os clocks para fecharem o jogo.
No Game 2 mantive uma mão sem interação no turno 0. Se ele me respeitasse ou simplesmente não fizesse nada no primeiro turno, provavelmente eu levaria a match. Minha mão era: 2 Consign to Memory, 1 Thoughtseize, 1 Daze, 1 Brainstorm, 1 Flow State e 1 terreno. Mas uma Trinisphere no primeiro turno, acabou com qualquer esperança.
No Game 3, como suspeitava dos Chalice of the Void, fiz novamente o plano de reduzir os drops 1. Dito e feito. Abri de mana, Tamiyo, Inquisitive Student. E no turno dele veio com Chalice of the Void. Resolvi dois Orcish Bowmasters e fui batendo aos poucos enquanto controlava tudo com counters e Wasteland. Aos poucos ele foi minando minha vida com um Glaring Fleshraker, até chegarmos ao turno em que eu estava com 2 de vida e ele com apenas 1... e com três Ancient Tomb em jogo.
Depois de uma sequência enorme de draws ruins, inclusive comprando todo turno com as Pistas geradas pela Tamiyo, Inquisitive Student, finalmente encontrei um dos milhões de outs possíveis (Consign to Memory, Kaito, Bane of Nightmares, Murktide Regent, Barrowgoyf, Edito de Sheoldred, Brazen Borrower // Petty Theft ou outro Orcish Bowmasters). Veio o Murktide Regent. Passei o turno sabendo que ele praticamente não tinha mais outs. Ele só podia comprar uma carta e, com apenas uma mana disponível, o máximo de dano que conseguiria causar era 1.
• Final – UB Tron – 2x1
Escolhemos splitar a premiação e jogar apenas pelo troféu.
Como falei antes, a Match 6 me preparou completamente para essa final.
Consegui flipar a Tamiyo, Inquisitive Student no turno 2 tanto no Game 1 quanto no Game 3 e protegê-la a qualquer custo.
No Game 2 consegui controlar bastante o jogo e até resolver um Murktide Regent, mas The One Ring encontrou exatamente o que ele precisava: o removal para o Murktide Regent e todas as respostas posteriores para travar meu jogo.
Uma jogada muito interessante aconteceu no Game 3...
Quando minha Tamiyo, Inquisitive Student estava em 6 marcadores, ele castou um Barrowgoyf, que certamente impediria a ultimate posteriormente. Eu tinha uma mana aberta e um Brainstorm na mão, mas escolhi uma linha diferente. Gerei uma mana preta com o terreno, usei Daze (mesmo sabendo que ele poderia pagar) apenas para gerar o Revolt e habilitar o Fatal Push, que estava na minha mão, para usar no Barrowgoyf.
No turno em que fui ultar, tanto Game 1 quanto Game 3, ele ainda tentou interagir devolvendo ou blinkando minha Tamiyo, Seasoned Scholar na upkeep (para fugir de Force of Negation). Mas eu tinha o counter para protegê-la.
GG. Adrenalina a mil.
● Considerações Finais
Resultado final: 8-1-1 (ou 9-1-0, desconsiderando o ID).
Ao olhar apenas para o resultado, é fácil enxergar somente o troféu. Mas, como acontece em praticamente todo grande campeonato, a história é muito maior do que isso.
Esse torneio foi uma combinação de preparação, experiência, tomadas de decisão e, sim, uma boa dose de sorte.
Tive jogos em que precisei mulligar para quatro cartas e ainda assim vencer. Tive pairings difíceis que acabaram não acontecendo. Tive momentos em que uma única compra mudou completamente o rumo da partida. Em vários momentos senti que os deuses do Magic estavam olhando para o meu lado da mesa.
Mas a verdade é que a sorte só consegue ajudar quem continua vivo no torneio. Por trás de cada draw feliz existiram horas de testes, discussões sobre sideboard, conversas intermináveis sobre matchups, erros, ajustes e muitas partidas acumuladas com o deck. Sorte sem preparação raramente leva alguém até uma final. E preparação sem um pouco de sorte dificilmente vence um torneio de dez rodadas.
Outro detalhe curioso foi que, apesar de toda a expectativa criada em torno de The Fantasticar, a carta mais comentada do momento praticamente não teve espaço na minha campanha. Em um evento onde muitos esperavam ver o novo brinquedo dominar as mesas, quem acabou levantando o troféu foi um velho e conhecido arquétipo do formato: UB Tempo.
Mas, acima de qualquer resultado, o que mais vai ficar na memória é o evento.
O Special Alpha 50K foi simplesmente incrível. A estrutura, a organização, a quantidade de jogadores e a atmosfera criada durante todo o fim de semana foram algo que eu nunca imaginei viver dentro do Legacy brasileiro.
Mais do que um grande campeonato, o evento foi uma demonstração da força da nossa comunidade. Mesmo sem Playtest, com uma inscrição consideravelmente mais alta do que a média dos torneios nacionais e exigindo viagens longas para muitos participantes, a comunidade respondeu da melhor forma possível. O salão cheio mostrou o quanto o Legacy continua vivo, forte e unido.
Por fim, queria agradecer todas as mensagens, a torcida e o apoio que recebi durante o torneio. E, claro, à Cabala MTG, pelo deck, pelo suporte e por todo o apoio ao longo dos campeonatos.
Esse título pode até ter vindo comigo para casa, mas ele é resultado de muito mais gente do que apenas eu. Cada treino, cada resenha, cada teste de deck, cada carta emprestada, cada conselho, cada viagem e cada partida ajudaram a construir essa conquista. Tenho muito orgulho de fazer parte da Liga Sul Mineira e de representar Minas Gerais em eventos como esse.

Obrigado a todos que acreditaram, torceram e acompanharam a jornada.
Agora é hora de comemorar!
(E depois... começar a pensar em como defender esse caneco.)
E assim chegamos ao fim deste grande relato!
- - - - -
Espero que vocês tenham gostado de acompanhar essa jornada tanto quanto nós gostamos de compartilhá-la. Relatos como este ajudam a registrar momentos importantes da nossa comunidade e mostram como o Legacy brasileiro continua forte, competitivo e cheio de histórias que merecem ser contadas.
Que conquistas como essa continuem inspirando jogadores de todo o país a participar de eventos, evoluir no formato e contribuir para o crescimento da nossa cena.
Mais uma vez, parabéns ao campeão pela incrível campanha e por ter dedicado um tempo para compartilhar sua experiência conosco. Fica também o reconhecimento a toda a equipe responsável pela organização do LigaFest, que entregou mais um grande evento para a comunidade de Legacy.
Um agradecimento especial ao Rodrigo Sousa, o Marajá, cuja visão, dedicação e trabalho foram fundamentais para tornar tudo isso possível e proporcionar um torneio dessa magnitude aos jogadores.
Para aqueles que gostam de mergulhar nos números, analisar o metagame ou simplesmente explorar mais detalhes do evento, deixarei abaixo um link com estatísticas, decklists e outras informações sobre o torneio. Link.
Abraços,
Silas Pereira (TheGrimLavamancer)