Salve, galera, beleza?
Hoje eu quero trazer um assunto que, sinceramente, acho que é um dos mais subestimados quando o assunto é montar um deck dentro do Commander 500: a base de mana.
A gente sempre foca muito em discutir qual staple entra, qual combo vale a pena montar, qual comandante está jogando mais no meta atual. Mas pouca gente para pra pensar com carinho sobre os terrenos não-básicos, que são, goste ou não, a espinha dorsal que sustenta absolutamente todo o deck!
Não importa quão boa seja a sua curva ou quão redondo esteja o seu plano de jogo, se a sua base de mana não acompanha, talvez todos os seus planos podem facilmente sair dos trilhos.
Mas como eu costumo fazer, vale a pena deixar claro que estou falando de Commander 500, a variante budget do cEDH, com 4 jogadores, e não do Duel 500 que é o formato 1v1.
Dito isso, seguimos.
Pensando em trazer algo mais completo pra vocês, eu arrumei pra minha cabeça e decidi compilar 60 listas entre as mais populares do formato para entender o que vem sendo mais usado nos últimos meses.
A ideia foi a seguinte: peguei os comandantes mais jogados atualmente dentro do Commander 500, segundo os dados de popularidade que a comunidade vem registrando no c500.fun, e fui atrás de duas listas “boas” de cada um deles, sempre respeitando o teto de orçamento do formato. No total, consegui analisar 55 listas válidas espalhadas por 28 comandantes diferentes, cobrindo praticamente todo o espectro de combinação de cores que o formato permite, de mono coloridos a decks de quatro e cinco cores.
Mas agora que vocês sabem sobre o que vou falar e como cheguei no resultado que vou mostrar, podemos finalmente partir pro ponto alto. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.
● Mas afinal, por que a base de mana importa tanto assim?

Eu sei que parece meio óbvio dizer que terreno é importante, isso todo mundo já sabe. Mas o que eu quero reforçar aqui é outra coisa, um pouco mais específica: a base de mana é, proporcionalmente, uma das maiores responsáveis pela consistência do seu deck, e ao mesmo tempo uma das partes mais caras e mais voláteis de se manter atualizada dentro de um orçamento fechado como o do Commander 500.
Pensa comigo. Você pode trocar uma carta da curva 2 por outra parecida sem grandes problemas, porque normalmente existem várias opções similares, que chamamos de cartas redundantes, que podem substituir aquele mesmo espaço na lista. Só que trocar um terreno bom por um pior, ou simplesmente não ter acesso a ele por conta do preço, pode ser a diferença entre você conseguir jogar sua mágica no turno certo ou ficar segurando ela na mão perdendo tempo precioso enquanto os adversários seguem desenvolvendo o jogo deles.
→ Isso é o que costumo chamar de “terreno morto”.
E o problema é que, diferente de uma criatura ou de uma remoção, onde normalmente existem várias alternativas parecidas pra escolher dentro de um mesmo preço, terrenos fixadores bons e baratos não são tão comuns assim…
Boa parte dos melhores ciclos do jogo nunca tiveram reprints o suficiente pra manter o preço estável ao longo do tempo, e isso faz da base de mana um verdadeiro quebra-cabeça dentro do budget, principalmente pra quem está começando ou tentando otimizar um deck já existente sem estourar o teto de budget.
Além disso, tem um outro fator que eu acho que é pouco discutido: a base de mana é praticamente a única parte do deck que precisa funcionar bem em qualquer situação de jogo.
Uma criatura pode ser boa em um cenário e ruim em outro, mas o seu terreno precisa entregar a cor certa, no momento certo, praticamente sempre. E isso faz com que qualquer escolha ruim nessa parte da lista tenha um efeito cumulativo muito maior do que pareceria à primeira vista.
Reunindo os dados das 55 listas, dá pra perceber uma base bem interessante de quais terrenos estão realmente carregando o formato hoje em dia. Então vou trazer aqui os que mais se destacaram, junto com uma explicação de por que eles acabam sendo tão recorrentes.
Aliás, bom lembrar que não considerei as MDFC’s, que já citei várias vezes em outros textos como sendo excelentes slots flexíveis, tanto por funcionarem como terrenos como também ocuparem espaços de mágica para momentos mais oportunos.


Mas apesar disso, vale ressaltar que cartas como Boggart Trawler, Silundi Vision, Razorgrass Ambush, Bridgeworks Battle e Pinnacle Monk aparecem em peso no formato!
Isso ajuda a diminuir o número bruto de terrenos, e reduz consideravelmente os slots dedicados 100% à geração de mana.
Na prática um deck roda com menos lands e completa a lacuna com MDFC’s que podem cumprir outras funções no late game, diminuindo consideravelmente a sensação de flood. Afinal, comprar uma Razorgrass Ambush no turno 6 é MUITO melhor do que comprar uma planicie, enquanto tanto uma Razorgrass quanto uma planície seriam igualmente úteis nos primeiros turnos.
(posso ter me explicado de um jeito confuso, mas acho que deu pra pegar a ideia.)
Enfim, seguindo adiante, Command Tower apareceu em praticamente três de cada quatro listas analisadas, o que já era esperado considerando que ele é, sem exagero, o fixer mais eficiente já impresso para o formato. Não é surpresa nenhuma ver ele dominando as listas, mas reforça o quanto esse tipo de terreno genérico e praticamente gratuito continua sendo insubstituível em qualquer deck multicolorido. E claro, ele só não aparece em 100% das listas pois o Mono-colorido ainda é bem presente no meta e não necessita do uso da Command Tower.
Exotic Orchard vem logo atrás, presente em mais de 60% das listas.

A lógica dele é um pouco diferente da Command Tower, já que depende das cores dos terrenos que os adversários controlam, mas em mesas multiplayer (4 jogadores) isso quase sempre significa acesso a praticamente qualquer cor que você precise, entrando no campo de batalha em pé, o que faz dele um dos melhores fixers do jogo quando o assunto é preço baixo com retorno alto.
Path of Ancestry e Ash Barrens também apareceram com bastante frequência, em torno de 25% a 30% das listas cada um. O primeiro se destaca em decks que têm uma quantidade boa de criaturas de tipos variados, já que ele oferece scry sempre que você conjura uma criatura da tribo presente no comandante, além de gerar mana de qualquer cor, apesar do downside de entrar virado. O segundo funciona bem como fixador neutro em decks que não querem depender de terrenos condicionais, principalmente aqueles com uma manabase mais apertada em termos de orçamento.
Além disso a Ash Barrens diminui a sensação de “turno 1 perdido”, já que ela se transforma no básico que você vai querer pro turno 2, com a land do turno 1 que você talvez não fosse usar pra nada.
Daí pra baixo, a coisa começa a ficar mais específica por combinação de cor.

Pain lands, como Shivan Reef e Underground River, apareceram em torno de 20% a 25% das listas, sempre concentrados nas combinações de cor que eles cobrem (decks de somente duas cores). O mesmo vale pras Check lands, como Sulfur Falls e Dragonskull Summit, que ficaram na casa dos 10% a 15%. e pras Tango lands, como Sunken Hollow e Smoldering Marsh, que também aparecem em uma porcentagem parecida.
Terrenos de utilidade pontual, como Buried Ruin, Emergence Zone e Cephalid Coliseum, também tiveram presença relevante, ficando entre 15% e 20% das listas.
Nesse caso, eles não entram por serem fixers em si, mas pelo valor extra que entregam, seja recuperando artefatos, dando flexibilidade para jogadas ou no caso do coliseu, até servindo como resposta a um combo muito presente no meta.
Falando sobre os ciclos separadamente, eu acho que vale a pena parar e falar de cada um deles com mais calma, porque cada um carrega uma lógica de preço e disponibilidade bem diferente, e entender isso ajuda demais na hora de planejar upgrades pro seu próprio deck.
● Fixers universais

Esse é o grupo formado por Command Tower, Exotic Orchard, Path of Ancestry e Ash Barrens (e outros que não são tão presentes assim). São terrenos que não dependem de combinação de cor específica, o que os torna praticamente auto include em qualquer deck de três ou mais cores. E a grande vantagem deles é justamente essa: preço baixo e estável, porque não competem só dentro de uma combinação de cor específica, mas em praticamente qualquer lista multicolorida do jogo. E como são cartas com uma quantidade obscena de reprints, os preços estão sempre bem acessíveis.
● Pain lands

As pain lands são, na minha opinião, um dos ciclos mais “elegantes” já impressos pro jogo. Downside praticamente inexistente, entram desvirados, e ainda te dão flexibilidade de cor sem exigir nenhum tipo de sinergia extra ao redor.
O problema é que boa parte delas nunca recebeu uma quantidade de reprints suficiente para segurar o preço lá embaixo, principalmente as que cobrem pares de cor menos comuns fora do Commander. Isso acaba fazendo com que algumas combinações de cor específicas fiquem em desvantagem só por conta da disponibilidade financeira daquele terreno, o que é uma pena, porque estruturalmente elas resolveriam boa parte dos problemas de fixing do formato.
RIP Adarkar Wastes.
● Check lands

Os check lands seguem uma lógica parecida com as Pain Lands, mas com a vantagem de entrarem desviradas sempre que você já controla o tipo de terreno básico correspondente. Elas costumam ser um pouco mais baratas que as pain lands em média, principalmente porque já foram reprintadas algumas vezes em produtos mais recentes, mas ainda assim existe bastante variação de preço entre as combinações de cor, dependendo de quão popular é aquela combinação em outros formatos além do Commander.
Por enquanto ainda é uma excelente opção de ciclo budget!
● Tango Lands

As Battle Lands são um outro ciclo igualmente interessante, afinal elas possuem tipos de terreno (Ex. Floresta Ilha) e podem entrar de pé com certa facilidade.
As 5 primeiras foram lançadas em Battle for Zendikar em 2015, e apenas 10 anos depois receberam suas últimas 5 peças faltantes, distribuidas entre Edge of Eternities (2025), Lorwyn Eclipsed Commander (2026) e Strixhaven Commander (2026).
Uma curiosidade legal é que se você estiver pesquisando em fontes gringas, talvez esse ciclo seja chamado de “Battle Lands” por terem sido lançados em “Battle for Zendikar”, mas pra mim isso acaba conflitando com as lands lançadas em Battlebond, que alguns chamam de “Bond Lands”, “Battlebond lands”, “Duais de commander” ou “Battle lands”.
Pra facilitar nossa coluna, sempre que eu for falar desse ciclo específico de Battle for Zendikar, vou chamar de Tango Lands mesmo.
● Terrenos Utility

Esse grupo é mais heterogêneo, reunindo terrenos como Buried Ruin, Emergence Zone, Cephalid Coliseum, Rogue's Passage, entre outros com efeitos diversos. Eles não entram pelo fixing de cor em si, mas pelo efeito adicional que trazem pra mesa. O preço deles costuma variar bastante dependendo de quão relevante é o efeito específico dentro do metagame do momento, então vale sempre ficar de olho em quais deles estão em alta ou em baixa antes de fechar sua lista final.
Muitos desses Utility já criaram raízes no 500, mas muitos ainda são voláteis, como Riptide Laboratory e Wirewood Lodge. Então é sempre bom ponderar se o efeito que você quer, vale o preço que está custando no momento.
E é justamente aqui que vou destilar um pouco da minha indignação em forma de opinião pessoal com esse texto.
Eu adoraria muito ver ciclos como as Pain Lands, os Triomas e as Verge Lands (Jajá eu falo com detalhes sobre eles) completos de verdade dentro do Commander 500. Não só uma pain land aqui, um trioma ali, mas o ciclo inteiro acessível o suficiente para qualquer combinação de cor conseguir contar com eles igualmente.
Isso ao meu ver deixaria as bases de mana muito mais parelhas entre arquétipos diferentes, ao invés de privilegiar só quem já joga nas combinações de cor que, por acaso, estão mais baratas no momento.
O mais bad é que no caso das Pains, ainda temos algumas que valem o slot. Mas os Triomas têm preços impensáveis!
Mas vamos lá só explicar o que são os Triomas e um outro ciclo que eu queria muito que fossem mais baratos.
● Triomas

Desde que foram lançadas em Streets of New Capenna, os Triomas praticamente viraram sinônimo de terreno bom, mas caro, para qualquer deck de três cores. E sim, eu sei que estamos falando de uma carta rara, de uma coleção só, sem nenhum reprint realmente relevante até agora que tenha conseguido segurar o preço de forma consistente.
Elas entram viradas, o que é um downside real, mas a flexibilidade de mana que oferecem, oferecendo tipos que podem ajudar até na sinergia com Check Lands e/ou serem buscadas por alguns ramps específicos como Farseek, é difícil de replicar com qualquer outro terreno individual.
Então sem dúvidas, um dos meus maiores sonhos atuais seria ver esse ciclo sendo reprimido à exaustão.
● Verge lands

Esse é um ciclo mais recente, onde as lands entram de pé e podem gerar uma cor específica, mas que caso você tenha os dois tipos de terrenos referentes a cor da carta, ela também poderá gerar essa segunda cor.
Claro, estamos falando de um ciclo que nasceu em Duskmourn e foi finalizado em Aetherdrift (ou o contrário, não me lembro de cabeça), e que por isso ainda é muito recente e sem reprints. Porém acredito que esse seja o tipo de terrenos que poderia estar em produtos introdutórios como decks de Commander e etc, já que são uma revitalização (guardando as devidas diferenças) das Tainted Lands.
De maneira geral, é definitivamente um ciclo que caso recebesse bons reprints, com certeza estariam entre as staples do formato.
Enfim.
Outro ponto que eu preciso destacar é que essa não é uma pesquisa estática. O que eu levantei aqui reflete um momento específico do mercado, mas o terreno é, sem dúvida, uma das categorias de carta que mais sofre variação de preço dentro do jogo, muito mais do que a maioria das outras categorias.
Um anúncio de reprint, uma coleção nova que usa aquele terreno como suporte de algum arquétipo em alta, ou simplesmente uma variação de demanda generalizada (né, premodern?), e de repente aquele terreno que era staple do seu deck já não cabe mais dentro do orçamento. E isso te obriga a rever a base de mana com uma frequência que, sinceramente, nenhuma outra categoria de carta exige tanto. Eu mesmo já precisei reconstruir a mana base de decks meus mais de uma vez só porque um terreno específico simplesmente saiu do meu alcance financeiro de um mês pro outro e deixou em cheque a consistência do meu deck de 3 cores, sabe?
Por isso, mais do que decorar uma lista fechada de terrenos recomendados que eu possa trazer aqui hoje, o que eu realmente recomendo é vocês criarem o hábito de acompanhar o preço da própria base de mana com regularidade, tipo uma vez por mês, revisando se ainda faz sentido manter a estrutura atual ou se compensa trocar alguma peça. O que está barato hoje pode não estar amanhã, e vice-versa, e terrenos que pareciam impossíveis de encaixar no orçamento às vezes caem de preço vertiginosamente por conta de um reprint. Manter essa vigilância é, sem exagero, parte do trabalho de qualquer um que queira competir de verdade dentro do teto de quinhentos reais.
→ Uma dica rápida é sempre ponderar a permanência de terrenos que custam 6 reais ou mais.
Geralmente tudo acima dos 5 reais pode estar ocupando uma quantidade de budget meio alta demais.
Só pra concluir o raciocínio
No fim das contas, a base de mana talvez seja a parte mais chata de se falar quando o assunto é Commander, mas com certeza é uma das que mais separam um deck consistente de um deck que trava o jogo todo. E dentro do Commander 500, onde cada centavo faz uma baita diferença, entender essas dinâmicas de preço e disponibilidade acaba sendo tão importante quanto escolher a próxima bomba para colocar na lista.
Espero muito que ciclos como as Pain Lands, Triomas e as Verge Lands consigam, com o tempo, ficar mais acessíveis e permitir que o formato jogue com bases de mana cada vez mais parelhas entre si, independente de qual combinação de cor você escolheu pro seu comandante.
Mas me conta aí embaixo qual ciclo de terreno vocês mais gostariam de ver baixar de preço para caber tranquilamente no budget?
De modo geral é isso,muito obrigado a todos que leram até aqui, um grande abraço e até o próximo