Finanças Comportamentais

       

Por: fullerbrazil em 27/01/11 17:38 | 1 comentários / 1,762 visitas

Pessoal, segue um resumo de um trabalho que estou aprimorando para desenvolvimento do meu projeto. Sintam-se à vontade para questionar e apresentar seus pensamentos sobre o assunto.


Questionando as Hipóteses Básicas

A premissa ou hipótese básica que dá sustentação à maior parte da teoria econômica e financeira moderna está calcada na racionalidade dos agentes econômicos, sejam eles indivíduos ou empresas. De acordo com essa suposição, todos os agentes econômicos são cem por cento racionais, isto é, usam todo o conjunto de informações disponíveis, públicas e privadas, da melhor maneira possível. Como conseqüência, temos decisões ótimas que maximizam a satisfação ou utilidade desses agentes. Disso resulta que, se todos atuam individualmente de maneira racional, visando seu próprio benefício, os mercados, que nada mais são que o resultado da interação desses agentes, são eficientes. Por eficiente entende-se que os mercados conseguem alocar os recursos disponíveis de maneira ótima.

No entanto, ao observarmos s comportamentos e decisões efetivamente tomadas por tais agentes econômicos no dia-a-dia, vemos pouca evidência da existência dessa total racionalidade. O que verificamos é, via de regra, uma racionalidade limitada. Essa limitação tem origem em uma série de tendências comportamentais, a maioria delas inconscientes e inatas, muitas delas relacionadas ao próprio processo evolutivo do homem como espécie, que acabam por distorcer o comportamento do suposto agente econômico racional. Logo, se a total racionalidade das decisões não predomina, os mercados não devem ser eficientes, ou ao menos não tão eficientes como a teoria econômica e financeira moderna prevê.

A cadeira que se dedica à compreensão do impacto de fatores comportamentais sobre as decisões econômicas recebe o nome de finanças comportamentais, e seu principal objetivo é aliar economia, finanças e o estudo comportamental e cognitivo oriundo da psicologia para, dessa forma, revelar os reais fatores que moldam o processo decisório humano.

Falando dessa forma, pode parecer um tanto etéreo tratar de tendências comportamentais, um fator subjetivo e aberto a interpretações, como base para uma melhor compreensão do processo decisório econômico e financeiro. Para deixar mais claro essa idéia, faremos um exemplo simples de uma escolha ou decisão financeira e confrontar os resultados previstos pela teoria tradicional, pautada na total racionalidade dos agentes, com o resultado efetivamente observado quando pessoas reais, passíveis dos mais variados vieses de comportamento, tomam tal decisão.

Imaginem que um indivíduo, nesse caso um investidor, encontra-se diante de duas alternativas de aplicação. A primeira delas encontra-se dentro da Cesta 1 a seguir e oferece ao investidor que escolhê-la 80% de chance de ganhar $10.000. A segunda alternativa está dentro da Cesta 2 e promete um retorno 100% certo de $7.000. O agente da teoria econômica e financeira tradicional com sua total racionalidade e valendo-se de toda a informação disponível não hesitaria diante desse dilema. Com base nos dados fornecidos, partiria logo para o cálculo do valor esperado de cada alternativa e escolheria aquela em que, na média, lhe proporciona o maior retorno. Isto é, escolheria a Cesta 1, na qual o valor esperado é de $8.000, um retorno 14,25% superior aos parcos $7.000 que obteria se optasse pela Cesta 2. Certo? Será que é dessa forma que as pessoas realmente se comportam? A experiência prática, sujeita à racionalidade limitada dos agentes, revela escolhas reais completamente opostas às previstas pela teoria econômica e financeira tradicional.

Cesta 1 - 80% de chance de ganhar $10.000 = Valor Esperado de $8.000

Cesta 2 - 100% de chance de ganhar $7.000 = Valor Esperado de $7.000

Estudos aplicados envolvendo escolhas como demonstrada anteriormente revelam que apenas 20% dos indivíduos escolhem, de fato, a Cesta 1, na qual o retorno médio é maior, ao passo que 80% optam pela Cesta 2, na qual o ganho é sensivelmente menor. O ganho certo oferecido pela Cesta 2 distorce a escolha da maioria das pessoas no sentido oposto ao previsto pela teoria tradicional. O chamado efeito certeza é responsável por esse fenômeno e revela que a maior parte da população não está disposta a correr risco para ganhar, além de subestimar o potencial de alta de ativos de risco, como bolsa de valores, que embute ao mesmo tempo um risco maior, inclusive perdas, embora proporcione ao longo do tempo retorno mais elevado que outras opções de aplicação.






Leia também

Valorização real do magic 14 comentários / 3,443 visitas
Retorno de investimentos 0 comentários / 1,703 visitas
Melhor ser dono ou empregado? 0 comentários / 1,693 visitas
Sair do vermelho 2 comentários / 1,865 visitas
Coringa x mico 5 comentários / 2,223 visitas

Favoritos

Conheça a Alpha Legacy RJ – Divertindo-se ..

Por: BRKamus - 5 comentários / 2,851 visitas

Tipos de jogos e Classificação

Por: BRKamus - 11 comentários / 6,802 visitas

Analisando um deck

Por: BRKamus - 45 comentários / 7,448 visitas

Batman Dead End

Por: Korben_Dallas - 1 comentários / 2,028 visitas

Filosofia

Por: BRKamus - 11 comentários / 3,482 visitas

Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 28/01/2011 22:20
Tentei ler esse texto 4 vezes, me lembrou as aulas de introdução a economia.