Coringa x Mico

       

Por: fullerbrazil em 18/01/11 14:36 | 5 comentários / 2,225 visitas

Nem só de Magic viverá o homem...
Pessoal, como também sou fanático por assuntos sobre investimentos, economia e política, aos poucos vou acrescentando textos sobre esses assuntos. Segue o primeiro.

Coringa x Mico
Com cartão de crédito, você faz seu próprio jogo.

Em termos de potencial para originar discussões apaixonadas, “futebol”, “religião” e “política” ainda são líderes no Brasil? Talvez sim, de forma geral. Ao mesmo tempo, em cada segmento social, setor econômico e região do país, outras controvérsias têm maior relevo. No campo da macroeconomia, por exemplo, “juro” é a senha para abrir debates acalorados. Nas finanças pessoais, aposto em “cartão de crédito” como foco de sérias divergências.

Há muito consolidado nos EUA, na Europa e em outras economias avançadas, o dinheiro de plástico está em franca expansão no Brasil. O número de cartões triplicou na primeira metade da década e segue crescendo _ há 153 milhões em circulação no país hoje _, assim como o volume de transações por unidade.

É um coringa para quem explora as vantagens: I) gastos listados num só extrato e quitados numa única data; II) aceitação ampla e sem cadastro, muito exigido no uso de cheques; III) segurança maior contra roubos e fraudes; IV) benefícios dos programas de relacionamento, como pontos que valem passagens aéreas.

Nas mãos de muitos usuários, contudo, vira um mico. Por quê?

Ora, o plástico é apenas mais uma opção de meio de pagamento _ como cartão de débito, cheque e cédulas de dinheiro ou moedas. Leva “crédito” no nome porque os gastos, a serem liquidados dias ou semanas após o ato da compra, apóiam-se na confiança de que o titular honrará a dívida, pagando a fatura até o vencimento. Ele também pode quitar só uma parcela do débito, deixando o resto para o mês seguinte. Mas só deve fazê-lo se realmente necessário, pois o valor rolado será acrescido de juros pesados _ para se ter uma idéia, a taxa cobrada por mês, entre 10% e 11%, é quase igual à Selic (taxa de juro básica da economia brasileira) anual.

Bom, na distorção das premissas acima é que mora o perigo.

Muitos vêem no cartão de crédito um meio para financiar o consumo imediato. Driblam o planejamento de compras, mas desembolsam valores exagerados, em prejuízo da prosperidade.

Outros enxergam o limite de crédito do cartão como um recurso “extra”, que podem somar à renda para fechar as contas do mês. Endividamento excessivo é só uma questão de tempo para eles.

Alguns aderem ao pagamento mínimo porque pensam nele como uma “oportunidade”, sem idéia do preço que pagarão. Com uma planilha elaborada pelo consultor Gustavo Cerbasi, autor de vários livros sobre finanças pessoais, fiz uma estimativa. Numa fatura de R$ 5.000, se o usuário opta pelo pagamento mínimo, igual a 10% do total, por um ano, seus desembolsos mensais somarão R$ 5.680 ao fim do período. Mesmo assim, sua dívida ainda será de R$ 4.030.

O uso de cartão de crédito, enfim, requer certa atenção. Os riscos não existem só para “os outros”. A maioria de nós, consumidores, está sujeita a eles, seja numa fase, num dia ou só num momento. As facilidades tendem a estimular o consumo _ e as comprinhas por impulso, no mínimo, atrapalham o sucesso financeiro.

Diante de tantos perigos, soa natural a ojeriza que alguns autores desenvolvem em relação ao uso de cartão de crédito. “Evite” é a fórmula para todos os que buscam ter saúde financeira, a julgar por uma proporção razoável dos artigos que tenho lido por aqui. Em alguns, defende-se uma atitude mais radical: “livre-se dele!”

São sugestões pertinentes para muita gente, especialmente para quem está endividado ou não tem disciplina no uso de cartões. Mas um tanto exageradas quando dirigidas ao público em geral.

Ora, claro que o problema não é o cartão, mas a forma de uso. Então, precisamos partir do pressuposto de que o descontrole nos espreita e de que podemos ceder a qualquer momento? Que tal apostar na capacidade dos indivíduos de amadurecer e aprender também no que diz respeito às decisões financeiras?

Não quero dizer que cartão de crédito é bom para todo mundo!

Mas que está cada vez mais acessível à população, em boa parte devido à estabilização econômica, que teve início em meados dos anos 90 e que deu base à recente elevação do poder de consumo. Os avanços e as conquistas da última década e meia moldaram a modernização da economia, na qual se inscrevem novos hábitos de consumo e novas demandas. É o caso do cartão de crédito, instrumento popular em economias que tomamos por modelo. Ter acesso a um plástico, mais do que adotar seu uso ou não, diz respeito ao contato com novas possibilidades num novo mundo.






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Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 24/01/2011 09:01
Opa, muito bom o artigo... se foi vc quem escreveu, parabéns... caso não tenha sido, por favor, poste sempre a fonte... ajuda quem lê e reconhece o trabalho de quem escreveu. o

Parabéns e continue com as postagens... o assunto é mesmo interessante.
(Quote)
- 22/01/2011 22:22
Gostei muito do seu "artigo" colega. São fatos pertinentes e tem muita gente que ainda não aprendeu a usar de forma correta os cartoes de credito.

Acompanharei o seu blog.

Abracao e parabens!
(Quote)
- 22/01/2011 21:19
Pessoal, valeu pelos comentários! Além de ser economista e estar fazendo um MBA em Mercado de Capitais (FGV), tb sou apaixonado pelo assunto e sempre procuro ajudar as pessoas em suas finanças. É a "medicina" do bolso.
(Quote)
- 22/01/2011 18:12
Muito bom texto, cara.

Cartão de crédito é com certeza uma faca de dois gumes. Mas acho que sei lidar bem com ele.
A primeira coisa que nunca faço é parcelar compras...os juros são absurdos, 10~12 ao MÊS(coisa que muito investimento razoável não dá ao ano). Outra coisa que decidi explorar foi as possibilidades que o cartão me dá: meu cartão é internacional, o que possibilita fazer compras em sites gringos, ebay, etc. No início achava besteira ter C de crédito devido a anuidade e tal. Depois eu vi que poderia fazer uso dele para me gerar mais renda e ele próprio se pagar e ainda gerar mais grana pra mim. Compro coisas no exterior que revendo e me geram um lucro de cerca de 100%.
Além disso, ganho milhas e posso economizar em passagens aéreas quando quiser viajar.
E pra controlar os gastos, só compro coisas no cartão que eu iria comprar de qualquer jeito em dinheiro. Nunca ajo pelo impulso de ver uma coisa e comprar. Analiso muito bem antes de comprar com cartão. Outra coisa que algumas pessoas fazem é irem somando as notas e ver quanto já gastou por mês e ir controlando os gastos.

Em resumo:

-Não pago o cartão em pagamente mínimo pelos juros abusivos.
-Exploro possibilidades que o cartão de crédito oferece(parcelar compras, compras internacionais, possibilidades de investimento, etc)
-Controlo meus gastos pelo cartão evitando fazer compras impulsivas e desnecessárias.

Apesar de não trabalhar ou estudar na área de economia, gosto muito do tema e leio bastante sobre. Com certeza vou acompanhar seu blog :D
(Quote)
- 22/01/2011 11:05
kara, gostei muito dos seus argumentos.

vc cursa economia ou algo do tipo ?/

de qualquer forma olha la meu blog

http://zequinhaeconomia.blogspot.com/