Jogar sempre com o mesmo deck é chato!

       

Por: exocry em 10/02/11 17:19 | 13 comentários / 2,766 visitas

Desde que aprendi a jogar Magic, entendo que montar um deck é tão divertido quanto jogar com ele. Criar um deck novo exige uma boa dose de raciocínio. Nesses tempos de "Jace, the Money Sculptor" a coisa anda mais parada e a maior parte dos decks são netdecks com pequenas alterações, mas na época em que Investida e Mirrodim compunham o T2, a coisa era bem diferente. Havia um número muito grande de decks, com estratégias bem distintas. No nosso field, lembro-me de que, além dos famigerados affinities, havia decks de cycle, de criaturas específicas (elfos, goblins, zumbis,...), alguns combos e outros control. Era uma variedade muito grande de decks, quase todos com reais chances de chegar ao TOP 4 (eram poucos jogadores para se fazer TOP 8). Como eu queria montar um deck que fosse chato (Que novidade!) e que surpreendesse ao mesmo tempo, ficava mudando de deck toda semana (Ainda me lembro do deck monoU de passarinhos que montei na época).
Mas a minha grande diversão veio surgir quando pus os olhos num encantamento de Mirrodim chamado Destino Compartilhado. Quando eu li o encantamento e finalmente entendi o que ele fazia, percebi que poderia jogar um mesmo torneio com vários decks diferentes. Isso porque, na prática, o que o deck faz é trocar os grimórios! Isso mesmo! Montei um deck de trocar grimórios!
Quem não conhece a carta, recomendo dar uma olhada nela. Cada jogador, ao invés de comprar cards, remove cards do topo do grimório do oponente com a face voltada para baixo e pode conjurá-las como se estivessem em suas mãos (pagando seus custos de mana, claro).
Após refletir um pouco, decidi que o melhor meio de utilizar a carta era montando um deck inútil! É absurdo, mas quanto mais inútil o deck fosse, melhor ele seria.
Por isso meu deck só fazia comprar cartas e ganhar pontos de vida. a lista ficou mais ou menos assim:

4 Cidade de Bronze - para adicionar manas para o deck do oponente
4 Estepe Remota
4 Banco de Areia Isolado
4 Covil Antigo
4 Assento do Sínodo

4 Barreira de Esperança
4 Fé Renovada
4 Gotícula do Sol - interagindo com a Cidade e com os Talismãs
4 Dia Sagrado
4 Talismã do Progresso
4 Correntes Sufocantes
4 Destino Compartilhado
2 Planos a Longo Prazo
2 Complicar
2 Tanque de Soro
2 Máquina do Aborrecimento
2 Retalhos de Asas
2 Sede por Conhecimento

Como podem ver, o deck não ganhava sozinho (nem mesmo tem como bater). O negócio era sobreviver até o encantamento chegar (na época ninguém usava nada para remover cards do grimório). Tomei o cuidado de não pôr nada que destruísse encantamentos e nem que devolvesse permanentes para as mãos. Até mesmo as anulações do deck estão lá apenas para atrapalhar (nenhum hard counter foi adicionado).
Era muito engraçado jogar com o deck e baixar o encantamento. O oponente olhava, relia o card e não acreditava. Acabava jogando com um deck que apenas servia para prevenir, ganhar life e comprar cards enquanto eu me adaptava às suas estratégias. Se ele não tivesse como se livrar do encantamento (uma destruição na mão) já era pois não havia como ele sair de mesa. Mesmo baixando outro Destino, os grimórios não eram trocados novamente.
Ganhei alguns torneios com esse deck e fiz TOP 4 diversas vezes com ele.
O engraçado foi no primeiro torneio que eu o utilizei. Quando ganhei a primeira partida (por 1x0, porque mesmo depois de trocar os grimórios, o deck do meu oponente demorou a vencê-lo. Rsss), todo mundo já ficou assustado pois ninguém tinha side preparado contra o meu deck (Essa é uma grande vantagem dos decks novos).
Na segunda rodada, enfrentei um deck que tinha muitos cards iguais aos meus e, para piorar, os shields eram iguais! Era osso separar os cards depois de cada partida. Enquanto estávamos no 1x1, ouvi o David comentar:

- Se eu for enfrentar o Clísthènes na próxima rodada, vou conceder. Vim aqui para jogar Magic e não para me estressar!

Não ganhei esse torneio, porque eu também estava me adaptando aos decks (ao meu e aos dos meus oponentes), mas fiquei entre os quatro primeiros. Só vim vencer um torneio com esse deck umas duas semanas depois. Foi quando melhorei as minhas estratégias de jogo: não basta baixar o encantamento, é preciso baixá-lo no momento certo! Se você baixa muito cedo, acaba não ultrapassando as defesas do próprio deck. Também dei uma melhorada no sideboard para poder enfrentar os decks de infestação (Cólera de Deus ainda era T2 na época).
Enfim, me diverti muito vendo meus oponentes fazendo caretas e resmungando enquanto seguravam as cabeças nas mãos.






Leia também

Escrevendo um livro 8 comentários / 987 visitas
Caldeirão! caldeirão! 1 comentários / 1,507 visitas
Num futuro alternativo não muito distante... 21 comentários / 2,886 visitas
Falsificado é foda! 6 comentários / 2,081 visitas
Chupa que é de uva! 1 comentários / 1,720 visitas

Favoritos

O que isso vai ser O.o

Por: rafael05 - 30 comentários / 2,928 visitas

Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 27/03/2011 10:30
imagina se nessa epoca tinha JTMS o.o
(Quote)
- 11/02/2011 10:34

Me lembro vagamente. O problema é que nessa época o deck não tinha o mesmo potencial. Havia perdido os cycle e as barreiras ficando mais lento e tendo menos defesas. Ainda assim era divertido. Lembro que fiquei muito triste quando o deck saiu do t2.

(Quote)
- 11/02/2011 10:31

Sim, mas com as Cidades era possível conseguir as manas mais rápido (imagine pegar um deck preto e verde e ter de esperar os manas). Além disso, quando você possui duas ou mais Gotículas do Sol em campo, levar dano deixa de ser drawback para se tornar vantagem.

Meu sonho era jogar um torneio grande com esse deck. Lamentavelmente, na época, os nossos torneios eram só for fun.

(Quote)
- 11/02/2011 07:06
Da série: comédias q só os cards azuis te proporcionam!

Deve ser mto massa jogar com isso, ainda mais no T2 daquela época.

Investida/Odisséia pra mim foi o melhor T2, mta variedade. Quando chegou o affinity eu parei de jogar na época aqui, então não peguei essa fase q vc falou.
(Quote)
- 10/02/2011 20:01
deve ser engraçado jogar com esse deck
(Quote)
- 10/02/2011 18:57
Voce me deu idéias tão isanas quanto a sua!
aehhaehaehae

Demorou pra vc fazer a versão legacy.
(Quote)
- 10/02/2011 18:47
Chimbloris eu odeio esse deck! Logo quando comecei a jogar Magic foi em Kamigawa e tive a infelicidade de pegar ele na 1ª rodada, no 1° torneio que participei, eu tinha um deck de espiritos BG que era bem agressivo naquele tempo, daí como o deck Destino Compartilhado segurava muito o jogo os decks foram trocados e uma batalha intensa foi travada, e sabe como acabou? 0-0 foi o resultado depois de 50 minutos. Lol...

Até hoje tenho pesadelos com esse deck!
(Quote)
- 10/02/2011 17:32
Acho as City of Brass desnecessárias, você vai comprar as cartas do deck do cara mesmo, eventualmente vão vir os terrenos!

O deck é legalzão, na época que era Standard, um amigo meu quase foi para o natz com esse deck, só que o FFA na época era pontos corridos (os 12 primeiros iam para o natz), e meu amigo fez 5 vitórias e 4 empates, sendo que os 4 empates foram em 0 a 0! ahuahuahuah

(Quote)
- 10/02/2011 16:33
Não me lembro do side completo, mas me recordo que havia Totem do Trovão e Cólera de Deus além de mais umas coisinhas para acelerar as compras do deck.
Em outra versão do deck (T4), eu usava 3 destinos no main deck e um no side e dois Desejo Dourado no main. Assim eu ficava com 5 destinos ao invés de 4. Além disso eu usava um Nivelador no sideboard para pegar com o Desejo e assim remover o meu grimório depois da troca, deixando meu oponente sem recursos.
(Quote)
- 10/02/2011 16:12
no minimo divertido, parabens
(Quote)
- 10/02/2011 16:03
eu tenho 1 destino compartilhado

R$ 50,00 frete free!!!

eu lembra dessa época quando eu ownava com meu goblins (sem vial,piledriver,lacaio nem nada dessas coisas aew).
(Quote)
- 10/02/2011 15:05
Parece até blasfêmia, mas vou "netdeckear" esse seu deck. Deve ser muito divertido! AehuaheUAHE
(Quote)
- 10/02/2011 14:49
HEAUHEAUHEAUHEAUHEAUHEAUHE
vou montar esse deck! mt legal HEUAHUEAHEA