A evolução do power level no Magic

       

Por: Lezard em 15/05/13 00:05 | 17 comentários / 3,164 visitas

A evolução do power level no Magic: cartas injustas ou acomodação dos jogadores?

Saudações mais uma vez, bruxos de plantão =p

Não é de hoje a minha vontade de dedicar um texto a este tema e, agora, em tempos de Deathrite e Griselbrand, achei o momento mais oportuno =p





Ao contrário do que muitos de vocês leitores devem estar pensando agora, este não é mais um mimimi em forma de texto pedindo o ban do Shakespeare ou do capetão saradão ou de qualquer outro card, como outros tantos que já vi (em fórums gringos, inclusive). Trata-se justamente do contrário.

Já fazem 12 anos desde que eu cheguei a Dominária (2001 no calendário dos terráqueos =p) e passei, junto de alguns de meus melhores amigos, por toda a evolução que o Magic sofreu ao longo desse tempo. Com certeza muitos de vocês também se encaixam nesta situação, e outros tantos entraram nesse mundo fantástico mais recentemente, mas todos com uma coisa em comum: o vício xD

"Mas afinal aonde é que esse cara quer chegar com toda essa ladainha?"

Bem, para que entendam a razão principal que me motivou a escrever este texto, por hora estou chamando a atenção justamente para esse Magic "das antigas". Como com certeza nem todos começaram a jogar "no tempo em que vovó ainda era gostosa", permitam-me fazer uma breve retrospectiva.

Eu sou daquela época em que tapar 5 manas e fazer um Anjo Serra causava desespero no oponente. Cards que hoje custam suor e sangue, a exemplo de Sneak Attack, Show and Tell, Entomb e, acreditem, até mesmo Tarmogoyf, tinham preços irrisórios. O Show and Tell por exemplo mal atingia R$ 4,50. As dual lands mais caras giravam ao redor de R$ 50, Force of Will e Wasteland pediam humildes R$ 35 e o Entomb não passava de R$ 10.

Ah se eu tivesse uma máquina do tempo xD













O tempo foi passando e o Magic foi ganhando novas mecânicas, novas interações, que aos poucos colocaram o jogo em um nível diferente. Sim, a palavra é exatamente essa: nível.

Em todos os formatos, o jogo ficou cada vez mais exigente por velocidade. O famoso Anjo Serra agora era lento demais, peixe pequeno perto do novo terror dos céus, seu primo Vingador de Serra. A equipe top dos reanimators, Reya, Avatar da Mágoa, Anjo de Platina e mesmo Akroma não tinham mais comparação com cards como Iona, Elesh-Norn e Jin-Gitaxias.

Surgiram também os planinautas. Personagens cheios de flavor e com uma mecânica de jogo diferente e atraente. Capazes de finalizar uma partida por si sós, mas que ao mesmo tempo exigem proteção constante por parte de seus donos, abrindo todo um novo leque de jogadas e estratégias em torno deles. Alguns inclusive são win conditions de muitos decks.













Mas o Magic chegou a um nível tal que mesmo os planinautas ficaram obsoletos. A maioria "joga muito no Commander", como dizem muitos. Só os que fazem realmente muito estrago conseguem se manter em formatos como o Legacy. O Jace chega a ser banido do Modern.









(Jace em arte bem adequada, já medindo e te mostrando com as mãos o tamanho do ferro que virá xD)

O surgimento dos Eldrazis, Omniscience, Enter the Infinite e Griselbrand fez cards como Show and Tell, Sneak Attack e mesmo Dream Halls saírem do nada para decks inteiros feitos em função deles.

















Dito isto, chegamos finalmente ao motivo real que me levou a escrever este texto: jogar Magic se tornou infinitamente mais fácil. A Wizards vem facilitando demais, algumas cartas jogam sozinhas. Você vai no Google e tem acesso a todas as listas que quiser, com todas as estratégias dos decks mastigadas pra você. Claro que os principais cards de um deck, sua "espinha-dorsal", fatalmente é a mesma, como por exemplo Entomb e Reanimate são cards que vão 4 em todo deck Reanimator. O que quero dizer é que são poucos os jogadores que, como eu e alguns outros que conheço, ainda se arriscam a dar um toque pessoal nos próprios decks ou tentam algo diferente, uma tech sua, uma carta que você goste. As pessoas se preocupam além da conta com a opinião alheia. Escutar conselhos é muito bom, principalmente dos mais experientes, mas tenha peito para também discordar e fazer valer a sua vontade quando assim desejar. No final das contas, é o SEU deck e a pessoa a quem ele tem que agradar é VOCÊ.

E mesmo assim, com todos esses recursos que temos hoje, ainda tem gente que reclama, como eu tô escutando muita gente dizer ultimamente, "que quando Innistrad cair do T2 o formato vai ficar um lixo", que "vou parar de jogar Modern porque baniram Bloodbraid", que "eu não jogo Pauper porque o formato é lixoso" e etc.

Parem de exigir super sayajins a cada edição. Parem de ser dependentes de cartas auto-suficientes e aprendam a usar mais a cabeça. Innistrad tá pra rodar, Liliana vai cair, mas Ral Zarek, Voz da Ressurgência e outras tão chegando.

Se você não consegue se virar sem as suas cartas míticas, não culpe o jogo por isso.

Alguém pode dizer "hipocrisia isso vir de alguém que joga com 4x Griselbrand". Griselbrand é um card filho da puta? MUITO. Eu jogo com 4x? SIM. Porém até ele sair do deck e cair na mesa existe um longo caminho, e o oponente não é um cone ou boneco de posto, fica a dica.

Seria fácil pra mim maldizer a Wizards quanto ao Deathrite Shaman, que entra na mesa sem combo nem nada, apenas tapando uma mana, que ainda por cima pode ser qualquer uma de 2 cores diferentes, que é muito mais filho da puta que o Griselbrand pois entra na mesa muito mais facilmente, que é um dos grandes inimigos do meu deck e mesmo assim quem me conhece nunca ouviu um mimimi da minha boca pedindo pra banir. Eu até brinco "planinauta de 1 mana", mas eu mesmo falei antes de sair a última ban list "não vai banir e nem acho que deve". Ao invés de reclamar do card, crie uma estratégia pra lidar com ele. Ao invés de reclamar do formato, bota o cérebro pra trabalhar sem medo, porque é pra isso que ele serve. Não reclame do que você não tem mais, aprenda a usar o que tem. Em outras palavras, não seja acomodado.

Enfim, minha intenção com este texto não é agredir nem ofender ninguém, e sim fazer com que pensem, reflitam. Mas não confundam firmeza com agressividade.

Abraços e muitos bons jogos a todos o/






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Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 16/05/2013 10:35
Enfim, o que é o jogo de magic?

Vc tem uma disponibilidade x de recuross e deve vencer o inimigo usando uma estratégia baseada nos recuros que possui. Quando voce escolhe um formato simplesmente o seu universo de recursos é delimitado e uma nova estratégia deve ser utilizada. Nada deixa de ser magic, pra essas pessoas que falam mal dos blocos e edições falam pelos "cotovelos", replicam opinioes alheias sem mesmo parar pra pensar que a caracteristica do confronto muda, mais é magic do mesmo jeito.

Em relação ao resto concordo com tudo, muito bom.
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- 15/05/2013 23:44
Valeu a todos pelo feedback :)

Eu já esperava mesmo uma variância maior nas opiniões a respeito do jogo estar "mais fácil" agora do que antes.

Quando eu digo isso, eu sei que o mero fato de dar CTR + C numa lista da internet não faz de ninguém um "pró-player". Mas hoje é muito fácil você ir na mesma internet e baixar todo um "how to" do deck, toda uma análise de todos os matchs que o deck enfrenta, em quais cartas dar side in e side out, pode assistir vídeos das partidas dos campeonatos pelo mundo afora, ou seja, a famosa "comida na boquinha".

Isso substitui a experiência de jogar com o deck? NÃO. Porém não deixa de ser um fator facilitador que até não tanto tempo atrás assim não existia.

Eu fiz exatamente isso, splashei pra R e uso 2 Izzet Charms. Além da função burn dele tirar Shaman, Thalia, Bob, Gagga e outras coisas chatas, O Spell Pierce e o Estudo Cuidadoso dele também são altamente aproveitáveis. O card é perfeito pro deck.

Mas eu fui um pouco mais além e aproveitei o splash pra R pra usar o que a cor tem de melhor a oferecer: Burning Wish.

Também uso Faithless Looting e estou tendo ótimos resultados.

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- 15/05/2013 19:43
Concordo totalmente do jogo ter ficado mais fácil de se jogar! (ele não disse mais fácil de vencer)
É fato que a maioria das cartas mais caras e banidas são antigas, mas isso porque os desenvolvedores não tinham muita noção do tamanho da merda que ia virar e interações com cartas que seriam criadas 10 anos a frente.
Se hoje são lançadas "bombas" não é por inocência, mas sim por lucro.

Quer ver um exemplo: Monta um deck t2 de 3 cores com uma base de mana de 700 reais com as criaturas mais caras de cada cor (alá tusk, víndice, sigarda, viadinho e compania), põe umas remoçõezinhas e "pirilimpimpim" seu deck fica muito forte, no entanto vc ainda vai tomar pau pois não é só vc que vai ter cartas tops, e o deck de outras pessoas podem ter uma estratégia melhor elaborada e tals...

Agora tenta fazer isso com cartas criadas antes de 1999... (tirando as banidas)

O ponto que quero chegar é que estão saindo cartas bastante apelonas (e caras), mas isso só não estraga o jogo, porque afinal, seu oponente também tem acesso a elas!

(Quote)
- 15/05/2013 17:28
Eu concordo com o ponto de vista levantado pelo Teddy: Não creio que o jogo se tornou 'mais fácil', mas acredito que evoluiu com o tempo.

Bom humor foi essencial nesse texto.
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- 15/05/2013 14:25
Engraçado a parte final onde você citou no texto o Deathrite Shaman contra Reanimate.

"Ao invés de reclamar do card, crie uma estratégia pra lidar com ele."

Eu, há uns dias, estava pensando exatamente em uma Build Reanimate UBr para Izzet Charm especialmente para matar o danado ^^
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- 15/05/2013 11:45
Muita boa sua reflexão, Lezard! Sóbrio, objetiva e clara - não concordo com tudo, mas de fato é um bom texto. O jogo mudou mesmo!

Atualmente não dá para se ter partidas como aquelas dos anos 90. Quem jogou, sabe. Quem não jogou, nem imagina. Hoje é tudo mais feroz, complicado e, até certo ponto, desafiador...

...algo que não havia muito naquele tempo. No começo, o MTG era inocente, amigável, muito mais mágico que agora. HOJE, ele é um hobby com um viés profissional, modalidades para quase todos os gostos e bolsos, os jogadores tem arquétipos comportamentais e há um ENORME mercado global em torno dele. Boas coisas, coisas ruins...

...wathever, bora viver e ver quais as próximas da WotC. Hasta!
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- 15/05/2013 11:23

@Leozoppado O Death & Taxes do Legacy basicamente eh um deck control Mono White que explora o maximo dos efeitos de suas criaturas e foi o deck que venceu o GP Strasbourg.

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- 15/05/2013 11:00
Gostei do artigo, e concordo com a maioria das idéias expostas.

Apesar de sempre ter sido possível montar decks "Good Stuff" (amontoados de cartas boas e eficientes, vide Junds da vida), em oposição a decks cuja engenharia é feita a partir de uma interação/combo específico (lógica de "combo deck" versus "auto-includes"), sinto que esse efeito tem se amplificado.
O ponto (muito) positivo é que mesmo os GoodStuff.dek hoje são relativamente variados. Apesar de hoje achar mais fácil montar um deck, creio que isso se deve mais à ampla variedade de cartas eficientes do que a distorções pontuais no power level das cartas, resultando num desenvolvimento (relativamente) saudável do jogo.

Antigamente um 5-Color, Good Stuff não seria possível como é hoje.
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- 15/05/2013 10:30
E bom que se frise que o power level das CRIATURAS cresceram muito ao longo dos anos. O mesmo náo se aplica de forma geral as instants e sorceries, que eram absurdas na epoca e hoje sao justas. Sera que um dia teremos um deck com controle centrado em criaturas? Antes achava impossivel, mas parece que cada vez mais penso numa outra possibilidade, haja vista a evolucao do power das criaturas. Quem sabe em breve teremos outra definicao de decks de controle.
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- 15/05/2013 09:55
Discordo que é mais fácil o magic hoje em dia pela facilidade de acesso. Isto é uma opinião meio sem fundamento, visto que se TODOS tem acesso às mesmas coisas a tendência natural na verdade é que o jogo fique mais difícil pois você vai precisar de demonstrar um algo a mais além do netdeck pra vencer. Esta parte foi bem mimimi, netdeck na verdade foi também uma evolução do jogo, fez com que o nível se elevasse, pois mais pessoas tem acesso às melhores listas, treinam contra as melhores listas e conseguem criar um deck que bata o ambiente de acordo com tais listas.

Mas tirando este final o artigo ficou bem bacana. Sdds quando achava Caranguejo de Carapaça Cromada TOP. xD
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- 15/05/2013 09:05
A criação de criaturas mais poderosas que criaturas anteriores nem destaca tanto assim a evolução do jogo, mas sim o aprendizado que os criadores tiveram nesse tempo.

Anjo Serra era a bola da vez na época em que foi lançado, mas a galera viu que dá pra fazer coisa melhor sem avacalhar com o jogo todo. Eis que veio Baneslayer Angel, jogou enquanto durou no Standard e aparece esporadicamente no Modern enquanto Anjo Serra se tornou incomum.

Deixar as coisas "fracas" limita o espaço para criação. Imagem se eles continuassem com a ideia de que nada poderia ser mais forte que um Anjo Serra levando em consideração seu custo, habilidades e raridade? O jogo estaria provavelmente estagnado a muito tempo e perderia o interesse.

Felizmente eles não ficaram presos a um power level de certa época e resolvem ir cada vez mais além. Claro que eles comentem deslizes, como com Jace, mas faz tudo parte do aprendizado.

Os caras são profissionais, sabem o que fazem, e não é uma carta que joga em um deck em um formato que estraga o jogo. Se estivesse estragando já teriam banido a muito tempo.

Sobre o fato de jogar Magic se tornou mais fácil eu discordo. Hoje você realmente consegue listas no Google, mas uma lista boa não é sinônimo de jogador bom e nem acarreta em resultados bons.

Deixando a variância que nos atinge de lado, para ter um bom resultado você precisa de muito treino, precisa estudar muito o ambiente, e precisa conhecer como o seu deck e como o deck dos seus oponentes funcionam muito bem para obter algo. Não é só copiar lista e comprar cartas caras e pronto.

Não consigo ver onde o jogo foi facilitado.

(Obs: ri alto do Shakespeare)
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- 15/05/2013 08:42
texto muito bom, porém essa parte ficou sensacional "(Jace em arte bem adequada, já medindo e te mostrando com as mãos o tamanho do ferro que virá xD)" (2)

Não acho que tenha ficado mais fácil o jogo, pelo contrario, acho que evoluiu de modo a te obrigar a lidar com capetões e macarronadas voadoras (as vezes no primeiro turno na mesa) ao invés de lidar com um anjo serra. Com certeza isso exige mais play skill do que antigamente, que não existiam tantos combos injustos ou cartas devastadoras.
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- 15/05/2013 02:05
Uau.
Muito bom o texto, mas se você pegava Force of will e Wasteland por R$ 35,00 você era roubado! =P
Pagava R$ 8,00 no playset do terreninho e R$ 5,00 em cada Force e na época do GP Curitiba =)
Achei 2 Show and Tell no lixão do lixão da época por esses dias.

Um abraço e parabéns!
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- 15/05/2013 00:43
texto muito bom, porém essa parte ficou sensacional "(Jace em arte bem adequada, já medindo e te mostrando com as mãos o tamanho do ferro que virá xD)"
kkk
parabens senhor necromante kk
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- 15/05/2013 00:27
Eu acredito tanto nessa evolução que vou mais além, dizendo que tenho receio do que pode estar por vir.. !!!

Mas Darwin disse e nossa raça mostrou isso ao longo do tempo.. Somos os seres supremos da adaptação ;)

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- 15/05/2013 00:13
enfim, TUDO evolui. cada vez as coisas ficam mais fodas.
é só pegar o futebol de como era jogado antigamente (epoca do Pelé e talz),onde os marcadores deixavam o cara dominar a bola, e só dps iam pra cima, e ver como sao as coisas nos dias de hoje.

evolução é algo natural e sempre evoluimos pra algo "melhor"
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- 15/05/2013 00:12
assino onde meu caro amigo Silas? Ficou muito bom mesmo!