Capitulo I - Contos Inacabados - Mergoth

       

Por: thmduarte em 24/09/14 20:19 | 2 comentários / 1,798 visitas

Boa noite pessoal! Bom, atualmente estou com uma ideia de ir postando uns contos, aos poucos aqui no blog da liga, e pelo menos uma vez por semana ou por mes, vai depender da minha disponibilidade, eu vou continuando a hisotira, com novos capitulos, personagens e explicação do mundo. Não tem nada a ver com Magic, mas como se trata de uma aventura ao bom estilo de D&D, pode ser que tenham alguns interessados. Serão sempre leituras curtas, que podem ou não aumentar com o tempo. Vamos ver como evolui.

Não esqueçam de comentar e deixar o feedback da historia, opiniões, etc. Tudo é bem vindo. Abaixo segue o primeiro capitulo.

Capitulo I - Mergoth


Eram quase duas da manha e o relógio insistia em mover seus ponteiros vagarosamente, como se naquela sala somente existisse mais um monte de poeira, móveis velhos e quebrados e um louco entorpecido pela ausência de sono há quase uma semana. Há um tempo, um dos mais respeitados políticos do quinto plano de Alísio, agora não passava de uma alma atormentada, ou pelo menos assim parecia, sempre afogado em seus pensamentos por dias a fio, sem que se quer reclamasse por falta de comida. O nome adotado e a aparência de um velho abandonado eram necessários para sua própria sobrevivência.

Era somente mais uma noite, nada mais. Mais uma noite congelante trazida pelos ventos uivantes do Turbilhão de Asgar. O quinto plano ficava na base de um vulcão de etherium, remanescente dos Primeiros Anos da Genese Interplanar quando de nada, ainda, os planos eram constituídos. Esse vulcão era de bem antes do Sopro Vital e atualmente inativo. A proposito somente sua inatividade permitiu que o plano fosse habitável por seres vivos, o que restava, ainda, era apenas uma vaga lembrança de seu poder que chegava uma vez a cada ano solar, na forma de um vento lancinante que subia de seu interior e que de tão enregelante transformava o plano em uma triste escultura de gelo e neve, pálida e quieta.

Mergoth, como era conhecido nas redondezas, permanecia inquieto nesses últimos dias, mais inquieto do que de costume, coisa bem diferente do que a angustia costumeira que transmitia aos poucos viridianos que frequentavam sua casa. Ele morava sozinho em um abrigo coberto por tapumes de madeira que impediam a luz de entrar de forma uniforme em seu interior. Tudo era empoeirado e velho, como se não usados por décadas, isso quando não cobertos por lençóis brancos, ou encaixotados nos cantos como os livros de alquimia que permaneciam isolados, quietos, como se esperassem por um sopro de lucidez. O abrigo era nada mais que três cômodos em um L, um salão de tamanho médio abarrotado de caixotes e esquisitices alquímicas cobertos pelo pó do desuso, um cômodo quebrado, quase nunca usado que lembrava uma cozinha grande e espaçosa, e uma espécie de lavabo, um sanitário úmido, mas funcional. Há muito tempo os Viridianos já tinham desenvolvido tecnologia de saneamento básico, boa o bastante para manter uma cidade razoavelmente populada em bom estado de higiene, coisa bem diferente de alguns planos que, por incrível que pareça, não tinham sequer descoberto o metal ainda.

Apenas Mergoth e Leenissa tinham as chaves do portão de entrada. Um portão magnifico, de cobre, que lembrava vagamente a época de outo do Protetorado de Asgar, mas que deixava hoje em dia apenas os resquícios vagos de momentos felizes. Leenissa era a jovem senhorita que morava ao lado, mal tinha atingido a maturidade Viridiana, o que acontece por volta dos 250 anos de idade, e tomava conta de Mergoth como se fosse uma neta querida. O velho simplesmente lhe transmitia um sentimento de compaixão que a impelia a ajuda-lo.

Hoje, como todos os outros dias, Leenissa chegou pouco depois do anoitecer para preparar o jantar de Mergoth, era um amontoado de amido concentrado numa especie de sopa de fubá. Era bastante nutritivo e adequado à época de escassez de mantimentos gerada pelo frio e pela desolação liberada pelo vulcão, mas nada aprazível de se comer. Geralmente os dois não se falavam muito, Leenissa sabia que o velho louco apreciava sua privacidade ainda mais que os livros empoeirados que guardava em caixotes pela casa, por isso nunca arriscou mais do que um simples cumprimento quando chegava e um pequeno gesto de despedida quando saía, mas isso nunca a impediu de voltar, pois sempre sentiu que em breves momentos de sensatez o velho demonstrava alguma gratidão.

Nesse dia, entretanto, o velho louco resolveu falar mesmo antes de Leenissa entrar em seu jardim, que agora mais parecia uma paisagem de folhas secas e plantas mortas. Assim que Leenissa passou pelo portão da casa de Mergoth, ele gritou para que ela parasse. – "Por mil demônios Nissa, fique onde está!! Aqui já não é mais seguro. Tenho um pressentimento de que tenham me encontrado."

Aquelas palavras soaram tão estranhas para Nissa, que por um instante ela pensou que o velho tinha enlouquecido de vez. Ora, o que ou quem poderia estar atrás de Mergoth? – pensou em silencio. Mas a feição do velho não lembrava os traços de um louco, não indicava as inquietações caóticas dos dementes, pelo contrario, sua face era firme e séria. Nissa, apesar de tentada a continuar entrando pelo portão de cobre, preferiu interpelar o velho, afinal, sempre resta a esperança de que tudo poderia ser apenas mais um dos devaneios de sua mente delirante. "Não entendi Mergoth. Quem estaria atrás do senhor? Não acho que alguém lhe possa querer algum mal."

O velho empertigou-se e num rompante ordenou que a jovem voltasse para casa. – "Corra para casa criança! Isso não é mais lugar para meninas! Caso alguém pergunte por mim, diga que nunca me conheceu, que nunca esteve aqui e você estará segura!" Foram necessários apenas dois passos do velho em direção a seu abrigo para que um estampido surdo, seguido de um barulho que mais parecia um assovio longo e duradouro, de inicio baixo, mas que aumentava à medida que se aproximava chamasse sua atenção. O barulho era suficiente, Mergoth reconheceu a mágica, afinal tempos atrás ele mesmo usava quando precisava matar seus inimigos. Olhando para trás Mergoth apenas teve certeza do que ouvira ao ver uma linha tênue, inocente, cortando o ar em direção a ele, a Nissa e ao seu abrigo. Sem pensar duas vezes então, o velho virou-se em direção ao raio de fogo que percorria seu caminho atrás de Nissa, levantou o braço e com o dedo indicador em riste disparou o mesmo raio, idêntico, vermelho fogo, que passou a poucos centímetros do ombro esquerdo da jovem viridiana, Nissa olhou para tras e em poucos segundos ambos os raios se chocaram em uma explosão de chamas, que pelos cálculos de Nissa poderia ter destruído toda a fachada do abrigo em um estalar de dedos, mas que àquela distancia só serviu como um espetáculo fabuloso de luz.

"Corre, venha para dentro!! Já é tarde demais!" – disse o velho como que se quisesse puxar a menina com a voz. Nissa correu em direção ao abrigo e os dois entraram apressados, cerrando a porta de madeira pesada que demarcava a entrada do lugar. Mergoth o mais rápido que sua frágil constituição permitiu apontou um baú no canto da lareira da sala que ficava bem de frente para a porta de entrada, por uma distancia não maior que seis ou sete passos largos, e pediu que a garota empurrasse o pesado artefato de madeira. Nissa obedeceu e logo ao terminar de empurrar, percebeu que havia uma porta de um alçapão no local, o qual nunca tinha reparado, mesmo quando tentava limpar o chão que acumulava poeira em demasia para a época do ano. Mergoth, então, pôs-se de pé em frente ao alçapão e com um puxão na madeira que fazia um leve alto relevo no local, abriu a portinhola que dava acesso a uma escadaria escura e descendente. "Desça, eu vou logo atrás" – ordenou o velho. "Desça o mais rápido possível que hoje o céu vai cair sobre nós, vai ser só uma questão de tempo até perceberem o feitiço que esconde essa entrada".

Os dois desceram o mais rápido que podiam, a portinhola de acesso à escada, ao se fechar, desapareceu em meio chão, imiscuindo-se a ele, como se o próprio chão fosse. No alto do telhado atravessava a primeira grande bola de pedra e fogo, destruindo de uma só vez metade da sala e dos objetos de Mergoth. Embaixo, no caminho, nada mais podia ser ouvido por Nissa, parecia que tinham atravessado uma espécie de portal, algo mágico que a impedisse de ouvir os estrondos ou sentir os tremores provocados por qualquer que seja o que lançavam sobre suas cabeças, e, na penumbra da escada, enquanto descia, tentava silenciosamente processar tudo aquilo que estava acontecendo....








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Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 24/09/2014 22:32
Vlw man.
(Quote)
- 24/09/2014 20:28
Interessante e muito bem escrito.
Deixou um gancho bacana no final =]