Negociar cartas baseado em cotações estrangeiras é realmente justo?
 Negociar cartas baseado em cotações estrangeiras é realmente justo?
General-Hammer

Esquilo
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Postado em: 19/11/14 18:24
Saudações!

Meu objetivo com este tópico é iniciar uma discussão sobre a forma justa de precificar uma carta de Magic, utilizando as duas principais formas que observo serem as mais comuns: StarCityGames e Ligamagic.

Agora vamos observar uma carta que tenha impacto no Standard (tipo de torneio não-competitivo mais comum com os Fridays e etc), que também é valiosa e sua diferença de preço nas duas ferramentas. Vamos definir a cotação do dólar que no momento em que escrevo é de 2,581.

A carta escolhida como exemplo da diferença de preços é Sarkhan, the Dragonspeaker.

Preço na SCG: US$ 24,99 (R$64,50)
Preço mínimo na Ligamagic: R$ 79,90
Diferença de R$ 15,40.

Qual desses preços pode ser considerado correto?
Antes de responder a essa questão precisamos definir as diferenças entre o mercado brasileiro de Magic e o americano. Para isso vamos analisar os três fatores que ajudam a compor o que vou batizar de CMB – Custo Magic Brasil. Esses fatores são:

*A diferença entre o salário mínimo brasileiro e o americano;
*A diferença no preço do Booster (nem vou entrar em detalhes como tributação e etc);
*A centralização (monopólio) em uma única fornecedora oficial, a Devir (Devil rs);

A diferença entre os salários*
Brasil R$ 3,29
USA US$ 7,1.
* mínimo brasileiro e o americano por hora, respectivamente.

Certo, já começamos em desvantagem, nós ganhamos menos da metade do valor. Se levarmos então a diferença com o valor convertido em Reais dá 5.5 vezes menos. É aqui que muita gente se confunde e pensa "mas se ganhamos menos, logicamente deveríamos pagar menos pelas cartas"... guarde esse pensamento, já será rebatido.

A diferença no preço do Booster
Brasil - Booster de Khans of Tarkir por um preço médio de R$ 13,00 equivalente a quase quatro horas de trabalho ou dois boosters por jornada de oito horas.
USA - Booster de Khans of Tarkir por um preço médio de US$ 3,99 que equivale a 1/2 hora de trabalho ou 14 boosters por jornada de oito horas.

Só estou fazendo um exercício de comparação para mostrar quanto realmente um Booster custa a mais no Brasil em relação aos Boosters americanos. Se um trabalhador daqui sai com dois no bolso no final de um dia de trabalho e um de lá sai com 14 é sinal que existe uma grande abismo de valores, certo?

Ok! Já ganhamos menos e ainda pagamos muito mais por nossas cartinhas! Qual é o seu argumento?
Ainda falta analisar a última (e talvez mais problemática) fator que ajuda a inflar o preço das cartinhas no Brasil.

A centralização (monopólio) em uma única fornecedora oficial, a Devir
Essa é, talvez a principal causa do valor alto nas cartas brasileiras. Lá fora, você pode comprar Boosters de Magic na fila do mercado. Walmart e outras grandes redes vendem Magic. Isso significa que você pode sair para comprar pão e voltar com um booster de troco.

Aqui no Brasil é o contrário, só contamos com a Devir de fornecedora oficial. Ela que tem os direitos de comercializar o Magic. Qualquer outra forma pode ser considerada "jeitinho" brasileiro. Isso cria situações que chegam a ser engraçadas. Se você pegar uma época de grande demanda e resolver gastar, digamos, R$ 1.000,00 em Booster Box, não encontrará. Ou encontrará por um preço muito maior do que o normal (que já definimos que é maior aqui, estão acompanhando como a coisa sai de controle facilmente?)
Muitas vezes a Devir não consegue fornecer nem os lojistas!
Isso gera uma inflação absurda no preço das cartas.

Conclusões
Agora que já definimos que o jogador brasileiro de Magic ganha menos, paga mais e esse "pagar mais" pode ser muito mais dependendo da época e da capacidade de fornecimento, deixo uma reflexão: Qual a lógica em vendermos ou trocarmos cartas baseado em uma cotação estrangeira? A realidade lá é completamente diferente. Com maior renda, disponibilidade de produtos e preços mais baixos por Booster um Sarkhan tirado em Booster lá deveria valer o mesmo que um Sarkhan tirado aqui?

A minha conclusão é que as cartas de Magic no Brasil deveriam ser trocadas ou vendidas sim por preços mais altos (Como tudo no Brasil) porque elas custam muito, muito mais caro! Penso que o ideal seria seguir o preço mínimo da Ligamagic com algum desconto, digamos, 10% (pois não temos lojas para manter). Não sou economista nem especialista, mas não é necessário ser nenhum gênio para perceber que pagamos, proporcionalmente, com nossos rins por essas cartas e é no mínimo burrice sair correndo para vender baseado numa cotação estrangeira. Então eu sinceramente estranho muito uma pessoa estar disposta a vender, digamos, uma Fetchland por R$ 25,00 porque ela está saindo por US$12,99 na SCG. Eu vi isso no último torneio que participei no sábado passado. Qual é a lógica em ter renda menor, pagar mais caro para depois vender mais barato? Pode ser bom para quem compra, mas é horrível para quem vende e no final todo mundo perde dinheiro!

Peço que deixem suas opiniões acerca desses questionamentos, pois pra mim eles são legítimos. Evitem as respostas automáticas do tipo "SCG x Dólar é o preço correto porque eu sempre fiz assim, todo mundo faz assim e sou burro demais para analisar o cenário todo".
Não sou o dono da verdade, mas pra mim isso não faz sentido algum porque conclui que o CMB é over 9000!
E quando tento argumentar sobre isso me acusam de "querer ganhar dinheiro com o Magic".
Algum de vocês já despertou dessa Matrix?


Fonte:
http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/salario_minimo.htm
http://economia.uol.com.br/cotacoes/
http://economia.ig.com.br/2014-05-18/veja-os-dez-maiores-salarios-minimos-do-mundo.html
https://answers.yahoo.com/question/index?qid=20130129202015AAGi2VR

Editada em: 19-11-14 18:30:52 por General-Hammer.

Editada em: 19-11-14 18:34:57 por General-Hammer.

Editada em: 19-11-14 18:35:30 por General-Hammer.
 
dial0g

Ancião
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Postado em: 19/11/14 21:34
Concordo com muita coisa que foi dita, mas tem alguns pontos que precisam ser corrigidos:

No EUA existem mais de 1 distribuidor, mas o Wall mart não é um deles.
O Wall mart compra de um (ou de vários, dependendo da localização) distribuidor e poem o produto para vender.

Aqui no Brasil isso não acontece, por que a Devir prioriza as lojas especializadas por possuir poucos produtos. Se a Devir recebesse 10x mais produtos, com certeza produtos iriam parar em algumas lojas de brinquedos ou coisas do tipo, como antigamente apareciam na Blockbuster.

Mas o mercado Brasileiro é muito menor e mais específico, e se as lojas especializadas já sofrem para sobreviver sem esta concorrência, imagina só se o Wall Mart amanhã começasse a vender booster por R$ 9,00, ou tivesse ilimitados outros produtos com preços bem menores? Para o mercado geral, seria ruim.

Mas concordo que não faz sentido querer vender/comprar levando em consideração preços lá de fora. Talvez em trocas de para usar o preço de lá pois assim fica "elas por elas", mas mesmo assim, aqui no Brasil algumas cartas são mais caras por que a procura por elas é muito grande enquanto para outras não é.

Outro ponto que tem que ser levado em consideração é que aqui no Brasil se vende muito menos cartas avulsas do que lá fora, onde o que mais vende são cartas especificas. Por ex, para o cara conseguir 100 fetchs lands de cada é necessário abrir +ou- 200 caixas. Só que ele vai ter 100 de cada outra rara. Quanto tempo demora para vender 100 de cada rara que não seja as do top 10 aqui, e lá fora? Se lá fora vende essas raras "craps" mais rápido, significa que pode abrir mais caixas e baixar mais o preço das fetchs. Se aqui só vende as "top10", significa que elas precisam manter o preço alto para compensar a abertura de caixas..


Desde que nasci muita coisa eu já vi
Maldade existe aqui, mesmo assim eu não fugi
Tanta pilantragem, tanta coisa errada
Eu testemunhei, mas eu resistirei

Testemunhei, não me calei, resistirei!

Claro que mais fácil seria me entregar,
mas nunca me entrego e continuo a acreditar!


 
ElderDragon

Soldado
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Postado em: 19/11/14 22:47
Tem uns erros nesses parâmetros, pq não podemos deixar de considerar as curvas econômicas (Ex.: Oferta x Demanda) e as curvas pessoais de cada negociante. Na realidade, em uma economia de livre iniciativa, por mais que a gente tenha uma tendência, cada vendedor terá uma variável na sua curva de oferta e demanda. O bom vendedor com um bom preço é aquele que achava o ponto ideal de sua curva (onde ele lucra mais).
 
Godys

Esquilo
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Postado em: 20/11/14 10:12
Concordo com você quanto à depreciação das cartas, principalmente em época de lançamento.

Mas em contra-partida, tem que se pensar da seguinte forma:
Se uma pessoa quer COMPRAR uma carta relativamente CARA, como seu exemplo o Sarkhan

Se na loja X ele custa 80,00 e um player Y quer vender ele por 72,00 (10% a menos, como sugerido)
Eu poderia comprar direto do SCG por 65,00 e economizar tais 7,00 de diferença.

Esse é o parâmetro que muitos players usam pra "pechinchar" na hora de comprar cartas de outros players. O que faz com que todos acabem usando o "preço SCG x dolar" como base de vendas/trocas, na grande maioria dos casos.

 
Sol_Badguy

Dragão
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Postado em: 20/11/14 14:01
A Coqui também é distribuidora aqui e o preço é o mesmo...

Dragon's Lair Pirassununga/SP
Magic Interior de São Paulo


 
r497

Esquilo
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Postado em: 20/11/14 14:05
Um ponto a considerar é que os mercados não são separados.
Pode-se facilmente comprar via internet as cartas lá fora pelos preços praticados por lá. Sim, existe riscos de taxas mas as vezes ainda acaba saindo mais barato do que por aqui.
Se até players começassem a vender as cartas a preços muito diferentes dos de fora ia acabar incentivando as compras do exterior.
Pelo menos é o que eu penso
 
Tandor

Tritão
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Postado em: 21/11/14 10:02
Não existe preço correto para nada.

Mas quem compra sempre quer baixar.
 
Blitkun

Kirin
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Postado em: 21/11/14 10:38
Gostei do tópico, e apoio uma discussão saudável sobre o assunto.

Entretanto, discordo do uso do Salário Mínimo como um parâmetro em seu modelo. A meu ver, o salário mínimo é um referencial para salários em geral, mas cujo conceito parte do modo como determinada sociedade encara suas necessidades básicas, e Magic não é nada disso. Além disso, a própria existência da lei do salário mínimo inibe práticas de mercado que nos levariam a preços mais justos para mão-de-obra e otimização de processos. É, sou liberalista tosquinho mesmo nesse aspecto.

Mas mesmo desconsiderando essas questões, considero que o salário mínimo entre países diferentes corresponde a necessidades completamente distintas, então perdem valor comparativo. Para que fosse ajustado, precisaríamos levar em consideração a infraestrutura de cada um dos países analisados, abrangência de serviços públicos, propensões marginais a consumir/poupar e diversos outros indicadores socioeconômicos para realmente chegarmos num valor verdadeiramente comparativo. Sendo assim, considero que a inclusão do salário mínimo na análise destrói mais valor do que agrega.

Estou escrevendo em minha monografia sobre funcionamento dos mercados de Magic e determinantes de formação de preços. Meus modelos teóricos são muito simples, mas creio que possam ser eventualmente extrapolados para interpretar melhor a realidade.
O uso de indicadores diversos para determinar preços é uma prática bastante comum em vários mercados fora do Magic - então nunca vi problema nisso. O problema do uso de indicadores para determinar preços é justamente pensar que isso retira a liberdade de escolha do indivíduo. Cabe a cada um, na realidade, interpretar determinadas informações de modo a formar seu "preço justo", e compará-los com os preços disponíveis no mercado atual.

O problema não está no uso de SCGxDólar ou outros parâmetros, e sim na falta de pensamento crítico na hora de avaliar essas informações. A maioria das pessoas simplesmente copia os preços e converte pro Real, sem sequer fazer um comparativo entre os diferentes mercados ou analisar se o preço é condizente com a realidade. Em última análise, o preço de quem vende é determinado por quem compra - e o preço de quem compra é determinado pelo comprador que entende que "não comprar" é uma decisão de compra também. Somente após esses impactos que o preço de venda tende a flutuar. E, mesmo assim, o uso de indicadores para formar preços consiste numa ferramenta extremamente útil para auxiliar na assimetria de informação, capaz de distorcer fortemente os preços de qualquer ativo.

Anyways, minha tese é que a precificação de cartas de Magic se assemelha bastante ao de ativos financeiros (como ações na bolsa de valores e títulos do governo), e que podemos adaptar diversas teorias e mecanismos de controle para melhorar o mercado secundário de Magic (carta-dinheiro).

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Magic_Sharingan

Lenda
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Postado em: 22/11/14 12:49

Só tenho 1 coisa pra te dizer:

Suas cartas, seus preços.

Tu poe o preço que quiser lek, agora vender que é bom eu quero ver.

A logica é a seguinte fera:

Se um maluko pode pagar "mais barato"... me fala pq diabos ele vai pagar mais caro???

Pega esse sharkan do teu exemplo ai.... multiplica por 10. Já deu 150 conto lekao. Jah vale o risco de talvez ser taxado.

 
Magic_Sharingan

Lenda
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Postado em: 22/11/14 12:54
E digo mais ainda...

To com um set de porto de rishadan aki Trinkando de NM.

Se tu quiser pegar eles usando o menor preço da liga com 10% de desconto (faço até 20% pra tu) pode levar o set e eu ainda te mando brinde.
 
Tutuzim_na_FITA

Demônio
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Postado em: 23/11/14 08:14

Pq preço não é a única variável da equação.
Se eu aparecer, na sua frente, com duas cartas idênticas, e te oferecer uma a R$10 e outra a R$12, é óbvio que você compra a de R$10.
Em qualquer outro cenário, talvez isso não seja tão óbvio assim.

...

 
Magic_Sharingan

Lenda
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Postado em: 23/11/14 13:24

Exatamente por isso que o "mais barato" está entre Aspas.

Alem do preço... Quando se compra no exterior, tem o tempo de espera + a possibilidade da encomenda ser taxada.

Mas a vdd é q muita das vezes a diferença é gritante... e por isso o preço de lá é adotado e não o daqui.

 
Tandor

Tritão
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Postado em: 23/11/14 15:05
Tenta voltar 15 anos atrás e negociar...

Ninguém tinha muita noção e aparecia nego trocando "2 raras por 2 raras ou por 4 incomuns"...

Um dia surgiu a Inquest, que era bem difícil de conseguir, mas se você comparar as cotações da época com de hoje, fica abismado.
 
Mestrao

Esquilo
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Postado em: 04/12/14 02:53
Ótimo tópico, mas discordo veementemente. Ganhamos menos, pagamos mais por boosters e ainda temos que negociar avulsas por preços maiores do que realmente valem? Simplesmente não é justo.
 
Tutuzim_na_FITA

Demônio
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Postado em: 04/12/14 03:12

Não entendi o que vc quis dizer...

...

 
Blitkun

Kirin
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Postado em: 04/12/14 09:43

Pra você alegar que o preço é irreal, precisa ter uma base para achar o preço "justo".
Que tal desenvolver isso?
Você citou o preço de booster. Então o valor das cartas avulsas deveria ser derivado do valor de um booster? Sério, desenvolva seu raciocínio para acrescentar à discussão.

Pelo menos pra mim, o valor de uma mercadoria se dá pelo valor que o mercado dá a ela. Logo, enquanto pagarem 200 conto numa cartinha, ela tá valendo 200 conto mesmo. Afinal, se ela não valesse 200 conto, ninguém pagaria. Como tá vendendo para alguém, deve valer 200 conto para esse alguém.
Claro, nessa percepção de valor entram o valor colecionável, valor de uso (eficiência, jogabilidade), quantidade ofertada/demandada, a importância das vitórias potenciais que a carta traria e o potencial de valorização da carta no futuro - e outros fatores também.

Não adianta vir aqui falando que o preço tá errado sem explicar o por quê da sua percepção do preço estar errado. Valor tem que ser gerado a partir de alguma coisa - queria REALMENTE entender no que se baseia seu "preço justo".

É justamente nesse ponto que entra a discussão central do tópico - o uso de indicadores para precificar cartas. Podemos alegar que a SCG precifica as suas cartas de forma justa? Podemos alegar que a conversão Dólar-Real interfere nesse valor? E aí vai.

Pelo que entendi, ele faz menção às práticas de troca em si. Na ausência de parâmetros como os que temos hoje - internet, fóruns, MTGTop8, SCG, MTGPrice, etc - as trocas podiam se basear em outros tipos de informação, no caso, a raridade das cartas.

Haveria nessa época uma espécie de consenso (informal) de que o valor de uma rara era automaticamente superior ao de uma incomum, que era automaticamente superior ao de uma comum. Como as cartas não eram individualmente precificadas (ou pelo menos essas informações eram menos acessíveis), as trocas ocorriam com base na percepção de valor-raridade, havendo conversão direta nas trocas.
Enquanto ele se refere a isso como "não ter muita noção", enxergo isso como uma prática normal de um mercado no qual existe pouca diferenciação entre os ativos (cartas) e pouca expectativa de valorização.

O contexto hoje é muito diferente no sentido que as cartas possuem elevadíssimo grau de diferenciação, e nem sempre possuem substitutos. Fora isso, os numerosos casos de cartas que valorizam/desvalorizam conforme inovações, mudanças no metagame e banimentos ocorrem sugere que as cartas adquiriram capacidade de adquirir valor especulativo, favorecendo precificações individuais.
Nenhum modelo é "melhor" ou "pior" do que o outro - só se tratam de realidades diferentes, nas quais os paradigmas informacionais mudaram bastante. Enquanto lá atrás as pessoas trocavam consultando a raridade, hoje consultam as cotações, resultados de campeonatos recentes e cartas novas lançadas, o que poderia sugerir uma valorização da carta no futuro - modificando a atratividade da troca no presente, de acordo com as expectativas futuras.

Editada em: 04-12-14 09:46:40 por Blitkun.

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Skywalker13

Esquilo
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Postado em: 04/12/14 12:11
"[...]não é necessário ser nenhum gênio para perceber que[...]" estes argumentos são

argumentos de lojistas...no final do post ainda tem uma pergunta sobre acordar da Matrix,
sei lá...hauhauahuahauhau...monopólio, lojas especializadas sendo prioridade,

indisponibilidade de produtos, quanta ladainha, não percebeu que isso se trata de um dos

milhares de cartéis brasileiros? A falta de produtos, as mercadorias inflacionadas, isso

tudo é proposital, tudo para o cenário contemporâneo brasileiro, abastecer a lei da oferta

e da procura, isso sim é prioridade, afinal, se você quiser e puder pagar consegue qualquer

carta no Brasil...Eles deitam e rolam, pois o mercado aceita, as compras não despencam,

existem pessoas a defendê-los...Olhe os jogos eletrônicos por exemplo, é absurdo o preço

de um jogo de ps3 ou ps4 e mesmo assim o nosso querido país é um dos maiores consumidores

de jogos eletrônicos do mundo. Continuem a defender essa corja com seus belos

argumentos...quinta economia mundial, gente, parei por aqui..........

Editada em: 04-12-14 12:20:56 por Skywalker13.
 
Blitkun

Kirin
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Postado em: 04/12/14 12:56

E "[...]não é necessário ser nenhum gênio para perceber que[...]" você não faz a menor idéia do que tá falando.

Sério, e vem falar de "ladainha" com um post desses? Sério mesmo?

Fique com seus "belos argumentos". Não vão fazer falta.

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Tutuzim_na_FITA

Demônio
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Postado em: 04/12/14 14:19


Eu acho que é consideravelmente mais simples do que isso.
Em 94-95 não existia o mercado de cartas avulsas no Brasil, hoje ele existe. Tinha um esboço, com Inquest ou a Dragão Brasil, mas o fato de você ter aonde ler "Birds of Paradise R$6,00" não significava que, com R$24, você comprava um playset.
É complicado traçar um paralelo entre como as coisas funcionavam quase 20 anos atrás e hoje, para não dizer sem sentido.


...

 
Blitkun

Kirin
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Postado em: 04/12/14 14:55

Então, eu não vivi essa época (nasci em 90, comecei com magic em 2004, acho), mas acho difícil que não houvessem práticas lógicas que permitam traçar paralelos. E acho bastante difícil que não houvesse "mercado de avulsas", porque a partir do momento que um produto é aberto, se as cartas avulsas adquirem valor separadamente, já é uma percepção de valor para a carta como um ativo, e não do produto fechado - independente se isso tava na contracapa da Inquest/Dragão, numa folha de caderno guardada no bolso ou num site com cotação em tempo real.

Se o mercado era menos suscetível a novas modificações/informações novas, acredito (e concordo que faça sentido), mas discordo no ponto de que "não havia um mercado" para avulsas. A própria percepção de valor de qualquer produto parte disso, e enquanto as trocas baseadas em raridade/cor/estado não tenham embasamento financeiro por si, a premissa básica de que "raras" valem "o que raras valem" já é indicativo de um mercado que percebe valor. E, a partir do momento que "Birds of Paradise - R$ 6,00" sai impresso em algum lugar, e alguém toma essa informação como base, já estamos falando de um mercado com diferenciação.

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